JP Padilha
Sola Scriptura
VOCÊ SABIA? Calvino defendia a hermenêutica dispensacionalista e condenava a interpretação aliancista da Bíblia. Por que ele se desviou?
A posição reformada tem sempre abordado a Escritura por meio da hermenêutica literal – toma-se a Bíblia por seu valor nominal, aplicando-lhe as regras normais da linguagem a fim de se entender o texto. O próprio João Calvino foi um ardoroso defensor do método literal de interpretação bíblica. Como ele explicou, “reconheçamos que o verdadeiro significado da Escritura é simples e genuíno, abracemos e defendamos este significado com toda a nossa força. Que nós... confiantemente deixemos de lado como corrupções mortais aquelas exposições fictícias que nos levam para longe do sentido literal da Palavra”.[4] Seu compromisso com a hermenêutica literal o levou a buscar o significado pretendido pelo autor original da passagem. Em seu comentário aos Romanos, ele afirmou: “sendo que é quase a única tarefa [do intérprete] desvendar a mente do escritor a quem ele deseja expor, ele erra o alvo ou, pelo menos, se desgarra de seus limites ao ponto de levar seus ouvintes para longe do significado do autor [da Escritura]”.[5]
Ao interpretar o texto, João Calvino reafirma a seriedade da exposição bíblica. Ele escreve: “É presunçoso e quase blasfemo tentar descobrir o significado da Escritura sem o devido cuidado, como se a Bíblia fosse um jogo com que se brinca”.[6] Ademais, ele agressivamente opôs-se à interpretação alegórica do texto inspirado.
Este erro [da alegoria] tem sido a fonte de muitos males. Ele não somente abriu o caminho para a adulteração do significado natural da Escritura, como também fortaleceu a alegorização como a principal virtude exegética. Assim, muitos dos antigos sem quaisquer restrições jogaram toda a espécie de jogos com a sagrada Palavra de Deus, como se chutassem uma bola pra lá e pra cá. A alegorização também concedeu aos hereges uma oportunidade de lançar a Igreja numa tormenta, pois quando é aceito que qualquer um possa interpretar qualquer passagem como bem entende, qualquer idéia louca, absurda ou monstruosa, pode ser introduzida sob o pretexto de alegoria. Mesmo os bons homens foram levados pelo erro da alegoria, formulando um grande número de opiniões perversas.[7]
Assim, ele concluiu que os estudantes da Palavra de Deus devem “rejeitar completamente as alegorias de Orígenes e de outros como ele, que Satanás, com a mais profunda sutileza, tem introduzido na Igreja, com o propósito de tornar a doutrina da Escritura ambígua e destituída de toda a firmeza e certeza”.[8]
Premilenistas Futuristas afirmam de todo o coração declarações como esta. Uma hermenêutica literal é o fundamento exegético sobre o qual o Premilenismo se sustenta. Mas é significativo que João Calvino tenha se mostrado inconsistente na aplicação de seu próprio compromisso com a hermenêutica literal, especialmente quando trata das profecias dos últimos tempos. Nas passagens considerando o milênio, o reformador rapidamente abandonou sua própria hermenêutica literal e usou uma abordagem alegórica. Como ele mesmo explicou:
Quando os profetas descrevem o reino de Cristo, eles comumente se utilizam das similitudes da vida ordinária dos homens... mas estas expressões são alegóricas e acomodadas ao profeta à nossa própria ignorância, para que conheçamos, por meio das coisas que são percebidas pelos nossos sentidos,, as bênçãos que possuem grandeza e elevada excelência em que nossas mentes não podem compreender.[9]
Por exemplo, em seu comentário de Amós 9, João Calvino completamente abandonou a abordagem literal do texto, argumentando que a passagem encontra-se cheia de “expressões metafóricas” e “expressões figuradas”. Em seu entender, o profeta Amós falou de bênçãos físicas com o objetivo de descrever a Israel as “bênçãos espirituais” e “abundância espiritual” da “Igreja”. Ele declarou:
Se alguém objetar e disser que o profeta não fala aqui alegoricamente, a resposta é claríssima – pois esta é uma maneira de falar em muitos outros lugares da Escritura, de que um estado da felicidade é descrito diante de nossos olhos, estabelecendo diante de nós as conveniências da vida presente e das bênçãos da vida presente: isto pode especialmente ser observado nos profetas, pois eles acomodaram o seu estilo, como já declaramos, as capacidades de um povo rude e fraco.[10]
Mas, se Calvino tivesse interpretado Amós 9 e outras passagens apocalípticas da mesma maneira que interpretou o resto da Bíblia, usando a hermenêutica literal que ele defendia, teria inevitavelmente chegado a conclusões premilenistas futuristas.[11] Ademais, uma hermenêutica literal, consistentemente aplicada, leva ao Premilenismo Futurista – ponto em que os eruditos amilenistas abertamente concordam ao longo dos anos. No capítulo 3, Richard Mayhue citou as palavras de Floyd E. Hamilton[12] e O. T. Alis[13] a este respeito. Às suas palavras, podemos acrescentar:
Herman Bavink: Todos os profetas, com igual vigor e força, anunciam não somente a conversão de Israel e das nações, como também o retorno à Palestina, a reedificação de Jerusalém, a restauração do tempo, do sacerdócio, da oração sacrificial, e assim por diante. A profecia nos pinta uma imagem singular do futuro. E esta imagem pode tanto ser tomada literalmente como se apresenta [e como os pré-milenistas entendem]... ou esta imagem nos leva a uma interpretação muito diferente daquela pretendida pelo quialismo [premilenismo].[14]
William Masselink: Se toda profecia deve ser interpretada de modo literal, as visões quiliásticas [premilenismo futurista] estão corretas; se não pode ser provado que estas profecias têm significados espirituais, a alegoria deve ser rejeitada.[15]
Anthony Hoekema: Amilenistas, por outro lado, crêem que, embora muitas profecis do Antigo Testamento devam ser interpretadas literalmente, muitas outras precisam ser interpretadas de modo alegórico.[16]
Graeme Goldsworthy: Poderia ser argumentado que, embora os detalhes posam ser difíceis de interpretar por causa da preferência profética pela imagem poética e pela metáfora, o quadro maior é abundantemente claro. Nesta fase, o literalista afirma que Deus revela através dos profetas que seu reino virá com o retorno dos judeus à Palestina, a reedificação de Jerusalém, a restauração do templo... O literalista deve tornar-se um futurista, uma vez que o cumprimento literal de toda a profecia do Antigo Testamento ainda não aconteceu.[17]
Loraine Boetnner, um pós-milenista, ecoa sentimentos semelhantes: “Geralmente concorda-se que se as profecias forem tomadas literalmente, elas prenunciam uma restauração de Israel na terra da Palestina com os judeus tendo um lugar preeminente naquele reino e governando sobre todas as nações”.[18]
Como mostrado nos exemplos acima, o Premilenismo Futurista é o resultado da aplicação consistente da hermenêutica literal. Embora Calvino fortemente tenha advogado a abordagem literal, ele foi inconsistente na aplicação dessa hermenêutica. Gerações de teólogos reformados têm seguido [lamentavelmente] seu exemplo, adotando uma abordagem alegórica para lidar com os textos proféticos.
Mas, com todo devido respeito ao distinto reformador [Calvino], ao contrário dele, não há nenhuma boa razão para mudarmos nossa hermenêutica ao nos depararmos com a profecia bíblica. Devemos interpretar a profecia da mesma maneira que interpretamos a história – tomando-a como um relato literal de eventos reais (embora futuros). Como J. C. Ryle corretamente notou:
Todos estes textos [proféticos] são para mim profecias plenas da segunda vinda e do reino de Cristo. Todas estas profecias permanecem sem cumprimento e serão cumpridas literalmente com exatidão. Digo “literalmente cumpridas com exatidão”, e o digo de modo a instruir. Antes do primeiro dia em que comecei a ler a Bíblia com meu coração, jamais pude enxergar estes textos e centenas de outros semelhantes a eles de outra maneira. Sempre me pareceu que quando tomamos os textos literalmente os muros da Babilônia desabam, de modo que devemos interpretá-los literalmente para que os muros de Sião sejam erguidos – segundo a profecia de que os judeus foram literalmente dispersos e de que serão literalmente ajuntados – e que em seus mínimos detalhes as predições se cumpriram com respeito à vinda de nosso Senhor como servo sofredor, assim também as predições com respeito à sua segunda vinda para reinar serão cumpridas em seus mínimos detalhes.[19]
Como Ryle aponta, é inconsistente mudar [de modo arbitrário] nosso método de interpretação no que diz respeito à profecia dos últimos tempos. As razões pelas quais o próprio Calvino o fez foram baseadas em sua afirmação de que essas profecias ainda não tinham se cumprido na história, e, portanto, não poderiam ser tomadas literalmente.[20] Ao rejeitar a possibilidade de um cumprimento futuro, Calvino abraçou o erro hermenêutico que ele mesmo tanto denunciou: o método alegórico.
Mas a hermenêutica alegórica, mesmo quando usada com moderação (como Calvino pretendeu fazer),[21] é cheia de perigos – pois abre a porta para um número sem fim de interpretações espiritualizadas. Antes, o texto deve ser tomado em seu valor nominal, não ao pé da letra, mas de acordo com o uso normal da linguagem [exigida pela gramática do texto]. Repetindo uma excelente frase de João Calvino, “saibamos que o verdadeiro significado da Escritura é aquele simples e genuíno”. Se ele tivesse aplicado este princípio a todas as passagens bíblicas, a história da Escatologia reformada teria tomado um rumo totalmente diferente.
Os que seguem a tradição reformada, que abraçam a abordagem literal à interpretação bíblica, poderiam ser os primeiros a advogarem o Premilenismo Futurista. Do ponto de vista da hermenêutica, é inconsistente que não o façam.
– John MacArthur / Os Planos Proféticos de Cristo: Um guia básico sobre o Premilenismo Futurista – Cap. 7, Pág. 137-150
- Pequeno trecho do artigo: "O Calvinismo Leva ao Premilenismo Futurista (Dispensacionalismo)".
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Por que a hermenêutica aliancista destrói as profecias bíblicas e remove Israel dos planos de Deus? | JP Padilha
A resposta para isso é bem simples. Quando a base de uma teologia é construída sobre alicerces falhos, o colapso é apenas uma questão de tempo. Erros iniciais se multiplicam, comprometendo toda a sustentação e exigindo reconstrução. Quando um edifício desmorona, os engenheiros não procuram a causa entre os escombros, mas na primeira fratura, aquela falha invisível que comprometeu tudo o mais. Toda estrutura que desmorona tem o momento em que uma primeira coisa cedeu. Sendo assim, uma teologia construída sobre a mentira ou a pressa é um castelo de cartas: basta um sopro para ruir. E onde foi que isso começou?
Tudo começou quando alguns teólogos, como por exemplo Agostinho de Hipona, por volta do século IV, começaram a alegorizar profecias literais do Velho Testamento para justificar o fato de muitas delas não terem sido cumpridas ao longo da história. E é aqui que mora o perigo. O fato de não terem sido cumpridas até aqui não significa que os profetas cometeram algum erro em suas falas inspiradas por Deus, mas sim que Deus certamente cumprirá Suas promessas para com Israel no futuro, tanto de bênçãos como de maldição.
No século IV, com o crescimento da Igreja e a queda de Jerusalém consolidada, consolidou-se a visão de que a Igreja de Cristo assumiu o lugar de Israel como o verdadeiro povo da aliança de Deus, uma premissa maligna que fortemente norteou o pensamento aliancista que viria a ser formalmente sistematizado após a Reforma Protestante, no século XVI.
Mas os teólogos que enveredaram pelo caminho obscuro da alegorização infundada de textos proféticos claramente literais para tentar explicar aparentes contradições ao povo néscio simplesmente abandonaram a hermenêutica histórico-gramatical que tanto os serviu bem em todas as outras áreas da teologia para se contradizerem mutuamente ao se desviarem deste método central da teologia calvinista a fim de não terem que lidar com a questão do porquê aquelas profecias não haviam sido cumpridas.
Então, ao invés de continuarem com a hermenêutica sadia que consolidou toda a Reforma Protestante, retrocederam em sua escatologia, aplicando ao Velho Testamento o que tiravam de entendimento do Novo Testamento - um grave e grotesco erro que hoje só serve para os colocar numa posição de deboche, sendo expostos ao ridículo, principalmente a partir do século XIX, com o surgimento dos "Irmãos de Plymouth" ou "Assembleias de Irmãos", movimento que nasceu em Dublin, Irlanda, na década de 1820. E isso foi um milagre de Deus para os cristãos que estavam saturados por conta de um sistema eclesiástico falido e mofado pelo tempo.
E aqui chegamos à nossa conclusão do porquê de tanta confusão na cabeça de quem tenta estudar a Bíblia sob a ótica aliancista. O que eu percebo de fatal no aliancismo é o erro escandaloso (também cometido pelo Federalismo Batista) de usar o Novo Testamento para interpretar o Velho Testamento. Não. O Novo Testamento não deve ser usado jamais para se interpretar o Velho Testamento. Isso viola a hermenêutica histórico-gramatical que tão bem nos serviu para consolidar a teologia puramente calvinista em todos as áreas (soteriologia, bibliologia, angeologia, pneumatologia, etc.). O Velho Testamento deve sempre interpretar a si mesmo, na sua literalidade profética, respeitando tipos e figuras quando claramente exigidos pelo autor inspirado.
– JP Padilha
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A TEOLOGIA ALIANCISTA SE ADÉQUA MELHOR AO ARMINIANISMO | JP Padilha
A doutrina reformada – consistentemente aplicada – leva às conclusões Premilenistas Futuristas (Dispensacionalismo). Nada há mais coerente com a afirmação da eleição soberana e das doutrinas da graça do que a posição dispensacionalista. Tanto o Amilenismo como o Posmilenismo melhor se adéquam à uma abordagem arminiana, na qual a eleição pode ser perdida com base em escolhas e comportamento humanos. Ensinar que os israelitas podem anular a escolha de Deus por meio de suas ações deliberadas é consistente com o arminianismo [e jamais com o Calvinismo], pois não é consistente com a teologia reformada. Para os que entendem que Deus é Soberano, que Ele é o único que pode determinar quem será salvo e que somente Ele pode salvá-los, nem o Amilenismo nem o Posmilenismo faz qualquer sentido. Ambas as visões essencialmente ensinam que a nação de Israel, por sua própria escolha, anulou as promessas de Deus.
Quando observamos a grande realidade da eleição na Bíblia, há somente quatro entidades específicas mencionadas como eleitas: Cristo (Is 42; 1Pe 2.6), os santos anjos (1Tm 5.21), Israel (Is 45.4; 65.9,22) e a Igreja (2Ts 1.1; 2.13). A eleição de Cristo e dos anjos é eterna, assim como também é eterna a eleição da Igreja. Logo, por que deveríamos concluir que a eleição de Israel é temporária ou que poderia ser anulada? Isto vai de encontro com a essência do caráter fiel de Deus e Sua obra de eleição soberana.
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O MAL COMO ENTIDADE MALIGNA, AUSÊNCIA DE BEM E CALAMIDADES | JP Padilha
A Bíblia apresenta o mal tanto como uma realidade espiritual e moral personificada (Satanás, líder ativo das forças das trevas) quanto como uma corrupção e distorção do bem. O mal também pode se referir a calamidades (catástrofe, tragédia, desastre, sofrimento, etc.). Deus criou ambos. No entanto, as Escrituras evitam o dualismo, indicando que o mal não é um ser com poder igual ao de Deus.
O MAL COMO ENTIDADE E FORÇA REAL:
• Satanás e Demônios: A Bíblia descreve Satanás não como um conceito, mas como uma criatura espiritual real, um anjo caído que liderou uma rebelião. Ele é chamado de "o tentador" (Mateus 4.3), "o deus deste século" (2 Coríntios 4.4) e "o príncipe deste mundo" (João 12.31). Além do mais, Pedro nos adverte: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Ao qual resisti, firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” (1 Pedro 5.8-9). Deus criou Satanás como uma criatura perfeita, assim como o fez com o homem, mas impingiu nele o mal ao decretar que ele se rebelasse. Isso nos diz que Deus criou o mal personificado – Satanás e seus demônios.
Em Isaías 45.7 temos dois conceitos do mal criado por Deus, e isso depende do contexto que estamos tratando. Senão, vejamos:
“Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há deus... Eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas...” (vv. 5-7). “Porventura, dirá o barro ao que o formou: ‘Que fazes?’ Ou a tua obra: ‘Não tens mãos?’” (v.9). “Ai daquele que diz ao pai: ‘Que é o que geras?’ E à mulher: ‘Que dás tu à luz?’” (v. 10).
Em outras palavras, “Eu sou o único Deus. Seja na prosperidade ou desastre; seja na criação do “barro” (a criatura). Eu sou o Criador de todas estas coisas — não há outro Deus para fazê-las. Você ousa me questionar sobre isso? Quem é você para objetar?”.
• Conflito Cósmico: As Escrituras frequentemente retratam a história humana inserida em um conflito espiritual e real entre as forças de Deus e as forças das trevas (Ef 6.11-20).
• A Personificação do Erro: Textos como Efésios 6.12 destacam que a luta cristã “não é contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
O MAL COMO CORRUPÇÃO E DISTORÇÃO DO BEM
• O Mal como Inversão de Valores: “"Ai dos que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isaías 5.20).
• O Pecado como um Desvio do Alvo: "[...] não torcerás o direito, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno, porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16.19).
• A Corrupção do Coração Humano: “Porque do interior, do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7.21-23).
• A Superação do Mal pelo Bem Original: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.21).
O MAL EM FORMA DE CALAMIDADES
Na Bíblia, o termo "mal" é frequentemente usado no sentido de calamidade, desastre, aflição, sofrimento, disciplina ou juízo divino, e não apenas como maldade personificada ou pecado. Nesses contextos, ele representa as consequências difíceis da vida ou as correções de Deus.
Aqui estão versículos-chave onde o "mal" denota adversidade:
• Deus como Causador direto dos Males no Mundo:
Isaías 45.7: “Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas”. Este verso já foi citado no início deste artigo como o mal em sua forma personificada (Satanás e seus demônios), mas este mesmo termo, de acordo com a língua original em que foi escrita, significa tanto mal moral como mal no sentido de sofrimento, adversidade, desastre, sofrimento disciplina de Deus ou juízo de Deus.
Salmos 34.19; 57.1: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades”. Estes versos referem-se às "aflições" e "calamidades" que os justos enfrentam, buscando abrigo em Deus.
Amós 3.6: “Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?”. Aqui, o servo do Senhor questiona se algum "mal" (desastre) na cidade ocorre sem a soberania de Deus.
Lamentações 2.21: “ Jazem por terra pelas ruas o moço e o velho, as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira; mataste e não te apiedaste”.
A EXPRESSÃO HEBRAICA PARA MAL – “RA” (ISAÍAS 45.7)
“Eu formo a luz, e crio as trevas; Eu faço a paz, e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Isaías 45.7).
A expressão hebraica usada para mal é “Ra”. Esta palavra é utilizada na Bíblia tanto para referir-se ao “mal”, contrário de bem (moral), quanto para “mau”, contrário de bom (adjetivo). Em Gênesis 2.9, 3.5 e 3.22, “Ra” é o termo hebraico usado para definir o mal absoluto. Da mesma forma, o mesmo termo é usado em Gênesis 6.5 para afirmar que o coração do homem é inclinado para o mal, resultado de sua depravação total.
Eu poderia passar dias, meses e anos citando dezenas de outros textos bíblicos onde “Ra” (mal ou mau) é expressado na Bíblia para definir tanto o mal moral e absoluto quanto o mau adjetivo: nocivo, danoso, defeituoso, desastroso – contrário ao que é bom; algo ou alguém muito ruim; moralmente reprovável; que faz maldades. Tudo dependerá do princípio da hermenêutica irrefutável, isto é, do contexto em que a palavra “Ra” está inserida. No caso de Isaías 45.7, por exemplo, a palavra tem o seu significado mais amplo, significando tanto “mal” quanto “mau”. Basta ler o contexto. Em primeiro momento, Deus fala de calamidades (v. 8), mas, quando chegamos no verso 9, constatamos que Ele fala da criação do “barro” (termo geralmente usado para descrever o homem – Rm 9.21).
Ora, qualquer teólogo honesto, ao atentar-se para todo o contexto do capítulo 45 de Isaías, pode constatar que o vocábulo hebraico “Ra” está claramente apontando para mal moral e também para mal no que diz respeito à infelicidade ou desastres naturais. Quando a passagem é verificada de forma minuciosa, fica patente que Deus é o criador do mal. Tão clara como a neve, esta compreensão virá à tona se percebermos que o autor inspirado nesse capítulo apresenta Deus como absolutamente SOBERANO e CONDUTOR sem par da história (incluindo a de Ciro). Para provar este ponto, basta que analisemos passagens que nos falem mais claramente:
“E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).
Perceba que Mateus 6.13 está falando de tentação. Sabemos que o tentador é Satanás, e que seu objetivo é nos convencer a pecar (Mt 4.1). Logo, o termo “Ra” (mal ou mau) usado em Mateus 6.13 é para definir o mal moral – perversão, pecado, transgressão (grego – Kakós)..., e se você nega a autoria e domínio de Deus sobre o mal, não tem o direito de orar com estas palavras: “E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”...!
Quando oramos com estas palavras, estamos, por definição, declarando que Deus é o Autor do mal, pois Ele é quem nos conduz à tentação, assim como fez com Seu próprio Filho (Mt 4.1). Contudo, Deus não tenta a ninguém e nem pode ser tentado pelo mal, pois nEle não há trevas (Tg 1.13). Há de se compreender a diferença entre criador e tentador. O criador é quem deu vida ao tentador, e não o contrário. Nesse sentido, Deus, o Criador, é quem conduz o homem à tentação, possui domínio sobre o tentador e rege todo o cenário, bem como as criaturas que estão sob tentação, conforme os eternos decretos de um Deus Soberano e que não deve explicações às Suas criaturas (Lm 3.37). Isto é biblicamente óbvio, irrefutável e cristalino. Somente incrédulos, pagãos, moleques metidos a teólogos (na verdade são papagaios de outros homens que se dizem teólogos) e calvinistas inconstantes negam tamanha e estupenda verdade: a de que Deus é o Autor de tudo quanto acontece, não sendo Ele o responsável pelas ações humanas, mas o condutor destas ações, as quais Ele determinou (na eternidade) que satisfariam toda a Sua vontade e, sobretudo, manifestariam a Sua glória.
Tanto a ACF (Almeida Corrigida Fiel) quanto a ARC (Almeida Revista e Corrigida), edição 1948, trazem esta mesma definição: “E não nos induzas (ou “conduzas”) à tentação; mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).
O Espírito Santo conduziu Cristo para ser provado no deserto, Deus conduziu Abraão para ser provado no Monte Moriá, e Deus nos conduz para sermos provados: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” (Tiago 1.2-3). Mas Deus NUNCA nos tentou (no sentido de operar o pecado diretamente) para pecarmos. “Ninguém, sendo tentado, diga: 'De Deus sou tentado;' porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1.13). Neste sentido, a Bíblia é clara e se explica a si mesma. Definitivamente, Deus a ninguém tenta, mas conduz tudo e a todos, tanto a tentação como o tentador, bem como o que está sendo tentado.
CONCLUSÃO:
Sendo assim, a Bíblia claramente nos ensina que Deus criou o mal em todos os seus aspectos: (1) o mal personificado (materializado; encarnado), (2) o mal em forma de pecado e (3) o mal em forma de tragédias, catástrofes, enfermidades, sofrimentos, etc.
Não estamos usando a palavra “criar” no mesmo sentido da criação original de Deus do nada, mas estamos nos referindo ao controle de Deus sobre coisas que Ele já criou. Isto é, embora os maus pensamentos e as inclinações devam ser ativamente causadas na criatura por Deus, e, portanto, Ele deva ativamente causar a má ação correspondente, Ele não cria um novo material ou substância quando Ele faz isso, visto que Ele está controlando o que Ele já criou. Quando falamos que Deus criou o mal, estamos falando do ponto de vista metafísico, isto é, que Deus criou o mal na eternidade passada, antes mesmo de existir o mundo, e, então, ao decretar que esses males existissem, cronologicamente criou tudo perfeito. A partir daí, usou de Suas criaturas para colocar nelas as suas inclinações para o mal.
– JP Padilha
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Deus criou tudo perfeito, mas usou de Sua criação para impingir o mal nela | JP Padilha
A Bíblia apresenta o mal tanto como uma realidade espiritual e moral personificada (Satanás, líder ativo das forças das trevas) quanto como uma corrupção e distorção do bem. O mal também pode se referir a calamidades (catástrofe, tragédia, desastre, sofrimento, etc.). Deus criou ambos. No entanto, as Escrituras evitam o dualismo, indicando que o mal não é um ser com poder igual ao de Deus.
O MAL COMO ENTIDADE E FORÇA REAL:
• Satanás e Demônios: A Bíblia descreve Satanás não como um conceito, mas como uma criatura espiritual real, um anjo caído que liderou uma rebelião. Ele é chamado de "o tentador" (Mateus 4.3), "o deus deste século" (2 Coríntios 4.4) e "o príncipe deste mundo" (João 12.31). Além do mais, Pedro nos adverte: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Ao qual resisti, firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” (1 Pedro 5.8-9). Deus criou Satanás como uma criatura perfeita, assim como o fez com o homem, mas impingiu nele o mal ao decretar que ele se rebelasse. Isso nos diz que Deus criou o mal personificado – Satanás e seus demônios.
Em Isaías 45.7 temos dois conceitos do mal criado por Deus, e isso depende do contexto que estamos tratando. Senão, vejamos:
“Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há deus... Eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas...” (vv. 5-7). “Porventura, dirá o barro ao que o formou: ‘Que fazes?’ Ou a tua obra: ‘Não tens mãos?’” (v.9). “Ai daquele que diz ao pai: ‘Que é o que geras?’ E à mulher: ‘Que dás tu à luz?’” (v. 10).
Em outras palavras, “Eu sou o único Deus. Seja na prosperidade ou desastre; seja na criação do “barro” (a criatura). Eu sou o Criador de todas estas coisas — não há outro Deus para fazê-las. Você ousa me questionar sobre isso? Quem é você para objetar?”.
• Conflito Cósmico: As Escrituras frequentemente retratam a história humana inserida em um conflito espiritual e real entre as forças de Deus e as forças das trevas (Ef 6.11-20).
• A Personificação do Erro: Textos como Efésios 6.12 destacam que a luta cristã “não é contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
O MAL COMO CORRUPÇÃO E DISTORÇÃO DO BEM
• O Mal como Inversão de Valores: “"Ai dos que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isaías 5.20).
• O Pecado como um Desvio do Alvo: "[...] não torcerás o direito, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno, porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16.19).
• A Corrupção do Coração Humano: “Porque do interior, do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7.21-23).
• A Superação do Mal pelo Bem Original: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.21).
O MAL EM FORMA DE CALAMIDADES
Na Bíblia, o termo "mal" é frequentemente usado no sentido de calamidade, desastre, aflição, sofrimento, disciplina ou juízo divino, e não apenas como maldade personificada ou pecado. Nesses contextos, ele representa as consequências difíceis da vida ou as correções de Deus.
Aqui estão versículos-chave onde o "mal" denota adversidade:
• Deus como Causador direto dos Males no Mundo:
Isaías 45.7: “Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas”. Este verso já foi citado no início deste artigo como o mal em sua forma personificada (Satanás e seus demônios), mas este mesmo termo, de acordo com a língua original em que foi escrita, significa tanto mal moral como mal no sentido de sofrimento, adversidade, desastre, sofrimento disciplina de Deus ou juízo de Deus.
Salmos 34.19; 57.1: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades”. Estes versos referem-se às "aflições" e "calamidades" que os justos enfrentam, buscando abrigo em Deus.
Amós 3.6: “Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?”. Aqui, o servo do Senhor questiona se algum "mal" (desastre) na cidade ocorre sem a soberania de Deus.
Lamentações 2.21: “ Jazem por terra pelas ruas o moço e o velho, as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira; mataste e não te apiedaste”.
A EXPRESSÃO HEBRAICA PARA MAL – “RA” (ISAÍAS 45.7)
“Eu formo a luz, e crio as trevas; Eu faço a paz, e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Isaías 45.7).
A expressão hebraica usada para mal é “Ra”. Esta palavra é utilizada na Bíblia tanto para referir-se ao “mal”, contrário de bem (moral), quanto para “mau”, contrário de bom (adjetivo). Em Gênesis 2.9, 3.5 e 3.22, “Ra” é o termo hebraico usado para definir o mal absoluto. Da mesma forma, o mesmo termo é usado em Gênesis 6.5 para afirmar que o coração do homem é inclinado para o mal, resultado de sua depravação total.
Eu poderia passar dias, meses e anos citando dezenas de outros textos bíblicos onde “Ra” (mal ou mau) é expressado na Bíblia para definir tanto o mal moral e absoluto quanto o mau adjetivo: nocivo, danoso, defeituoso, desastroso – contrário ao que é bom; algo ou alguém muito ruim; moralmente reprovável; que faz maldades. Tudo dependerá do princípio da hermenêutica irrefutável, isto é, do contexto em que a palavra “Ra” está inserida. No caso de Isaías 45.7, por exemplo, a palavra tem o seu significado mais amplo, significando tanto “mal” quanto “mau”. Basta ler o contexto. Em primeiro momento, Deus fala de calamidades (v. 8), mas, quando chegamos no verso 9, constatamos que Ele fala da criação do “barro” (termo geralmente usado para descrever o homem – Rm 9.21).
Ora, qualquer teólogo honesto, ao atentar-se para todo o contexto do capítulo 45 de Isaías, pode constatar que o vocábulo hebraico “Ra” está claramente apontando para mal moral e também para mal no que diz respeito à infelicidade ou desastres naturais. Quando a passagem é verificada de forma minuciosa, fica patente que Deus é o criador do mal. Tão clara como a neve, esta compreensão virá à tona se percebermos que o autor inspirado nesse capítulo apresenta Deus como absolutamente SOBERANO e CONDUTOR sem par da história (incluindo a de Ciro). Para provar este ponto, basta que analisemos passagens que nos falem mais claramente:
“E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).
Perceba que Mateus 6.13 está falando de tentação. Sabemos que o tentador é Satanás, e que seu objetivo é nos convencer a pecar (Mt 4.1). Logo, o termo “Ra” (mal ou mau) usado em Mateus 6.13 é para definir o mal moral – perversão, pecado, transgressão (grego – Kakós)..., e se você nega a autoria e domínio de Deus sobre o mal, não tem o direito de orar com estas palavras: “E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”...!
Quando oramos com estas palavras, estamos, por definição, declarando que Deus é o Autor do mal, pois Ele é quem nos conduz à tentação, assim como fez com Seu próprio Filho (Mt 4.1). Contudo, Deus não tenta a ninguém e nem pode ser tentado pelo mal, pois nEle não há trevas (Tg 1.13). Há de se compreender a diferença entre criador e tentador. O criador é quem deu vida ao tentador, e não o contrário. Nesse sentido, Deus, o Criador, é quem conduz o homem à tentação, possui domínio sobre o tentador e rege todo o cenário, bem como as criaturas que estão sob tentação, conforme os eternos decretos de um Deus Soberano e que não deve explicações às Suas criaturas (Lm 3.37). Isto é biblicamente óbvio, irrefutável e cristalino. Somente incrédulos, pagãos, moleques metidos a teólogos (na verdade são papagaios de outros homens que se dizem teólogos) e calvinistas inconstantes negam tamanha e estupenda verdade: a de que Deus é o Autor de tudo quanto acontece, não sendo Ele o responsável pelas ações humanas, mas o condutor destas ações, as quais Ele determinou (na eternidade) que satisfariam toda a Sua vontade e, sobretudo, manifestariam a Sua glória.
Tanto a ACF (Almeida Corrigida Fiel) quanto a ARC (Almeida Revista e Corrigida), edição 1948, trazem esta mesma definição: “E não nos induzas (ou “conduzas”) à tentação; mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).
O Espírito Santo conduziu Cristo para ser provado no deserto, Deus conduziu Abraão para ser provado no Monte Moriá, e Deus nos conduz para sermos provados: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” (Tiago 1.2-3). Mas Deus NUNCA nos tentou (no sentido de operar o pecado diretamente) para pecarmos. “Ninguém, sendo tentado, diga: 'De Deus sou tentado;' porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1.13). Neste sentido, a Bíblia é clara e se explica a si mesma. Definitivamente, Deus a ninguém tenta, mas conduz tudo e a todos, tanto a tentação como o tentador, bem como o que está sendo tentado.
CONCLUSÃO:
Sendo assim, a Bíblia claramente nos ensina que Deus criou o mal em todos os seus aspectos: (1) o mal personificado (materializado; encarnado), (2) o mal em forma de pecado e (3) o mal em forma de tragédias, catástrofes, enfermidades, sofrimentos, etc.
Não estamos usando a palavra “criar” no mesmo sentido da criação original de Deus do nada, mas estamos nos referindo ao controle de Deus sobre coisas que Ele já criou. Isto é, embora os maus pensamentos e as inclinações devam ser ativamente causadas na criatura por Deus, e, portanto, Ele deva ativamente causar a má ação correspondente, Ele não cria um novo material ou substância quando Ele faz isso, visto que Ele está controlando o que Ele já criou. Quando falamos que Deus criou o mal, estamos falando do ponto de vista metafísico, isto é, que Deus criou o mal na eternidade passada, antes mesmo de existir o mundo, e, então, ao decretar que esses males existissem, cronologicamente criou tudo perfeito. A partir daí, usou de Suas criaturas para colocar nelas as suas inclinações para o mal.
– JP Padilha
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BATISTA TRADICIONAL X BATISTA PENTECOSTAL – UM RESUMO SOBRE AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS | JP Padilha
Uma das principais diferenças entre a
Igreja Batista (Tradicional; Conservadora) e a Pentecostal reside
na compreensão do Batismo com o Espírito Santo. Batistas creem que ele
ocorre na conversão como selo (o que é confirmado pelas Escrituras), enquanto
pentecostais veem como segunda bênção posterior, evidenciada pelo falar em
línguas (o que acreditam ser “línguas estranhas” não compreendidas pelo
não-crente). Outro ponto que coloca um abismo entre eles é que batistas focam
na exposição bíblica e ordem, enquanto pentecostais nos “dons espirituais” e
cultos emotivos.
PRINCIPAIS
DIFERENÇAS:
Batismo com o Espírito Santo:
● Batista: Ocorre na conversão (salvação). Não é necessária
manifestação externa, como línguas (sejam essas línguas idiomáticas, como
consta em Atos 2, sejam essas línguas “estranhas”, como os pentecostais creem).
● Pentecostal: Uma experiência posterior à conversão (segunda
bênção), marcada pelo falar em outras línguas como sinal inicial.
Dons Espirituais:
● Batista: Cessacionista, acredita que os dons servem para a
edificação da Igreja, mas é totalmente cético quanto à atualidade pós-apostólica
de dons como línguas e cura física milagrosa.
● Pentecostal: Enfatiza a atualidade e a necessidade de todos os
dons espirituais, incluindo profecia (no sentido de receber novas revelações de
Deus, fora da Bíblia), curas milagrosas com imposição de mãos e línguas
estrangeiras ou “estranhas”.
Culto e Liturgia:
● Batista: Geralmente mais formal e racional, com ênfase na
pregação expositiva e liturgia planejada, baseado somente no que diz a Bíblia
Sagrada.
● Pentecostal: Mais espontâneo e emocional, com música de fundo fervorosa,
orações audíveis e manifestações carismáticas.
Governo Eclesiástico:
● Batista: Congregacional, onde a assembleia dos membros decide.
● Pentecostal: Frequentemente
mais centralizado na figura do pastor, que age como um "clérigo"
acima dos leigos, facilitando decisões rápidas.
Soteriologia (Doutrina da Salvação):
● Batista: Calvinista, crê na predestinação divina (decretos eternos de
Deus) como forma de Deus salvar o homem, isto é, antes mesmo da fundação do
mundo, na eternidade, não com base em Sua presciência divina somente, mas
segundo o beneplácito de Sua vontade, o que significa que Deus decretou cada
ato humano, incluindo o pecado e a perdição dos ímpios. O homem não tem
participação nenhuma em seu processo de salvação e é impossível que ele a perca
após ser habitado pelo Espírito Santo. Da mesma forma, o perdido não pode fugir
de seu destino, que é a perdição eterna. A salvação é um dom exclusivo de Deus,
sem nenhuma participação ativa ou passiva do homem. É um dom gratuito,
conquistado na cruz do calvário.
● Pentecostal: Arminiano, crê no livre arbítrio humano e, portanto, se
posiciona na visão arminiana (católica romana). Ou seja, o homem possui uma
vontade livre para escolher ou não ser salvo. Deus supostamente não tem o
direito de violar este dom (o livre arbítrio) concedido ao homem, deixando o
homem a mercê de suas próprias disposições. O pentecostal crê que o ser humano
precisa fazer a “sua parte” no processo de sua salvação ou, ainda pior, buscá-la
por ele mesmo, com jejuns, sacrifícios e boas obras. Nem sempre o pentecostal
irá negar que exista os decretos de Deus, mas crerá que esses decretos estão
firmados unicamente em Sua presciência, ou seja, Deus previu que o homem
escolheria crer em Cristo e ser salvo por si mesmo e, por isso, o salvou.
Escatologia (Fim dos Tempos) – A Única Semelhança Entre Batistas
Conservadores e Pentecostais:
● Batistas e Pentecostais: Geralmente possuem uma mesma visão. Ambos adotam
uma visão dispensacionalista, focada na iminência do arrebatamento da Igreja.
PONTOS EM COMUM
BÁSICOS
Ambos os grupos creem na Bíblia como regra de fé, na Trindade, na salvação pela
graça através da fé em Jesus Cristo e batizam por imersão os crentes professos.
– JP Padilha
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QUEM É O JP PADILHA? QUAL É A SUA PROFISSÃO?
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