O MAL COMO ENTIDADE MALIGNA, AUSÊNCIA DE BEM E CALAMIDADES | JP Padilha


 
A Bíblia apresenta o mal tanto como uma realidade espiritual e moral personificada (Satanás, líder ativo das forças das trevas) quanto como uma corrupção e distorção do bem. O mal também pode se referir a calamidades (catástrofe, tragédia, desastre, sofrimento, etc.). Deus criou ambos. No entanto, as Escrituras evitam o dualismo, indicando que o mal não é um ser com poder igual ao de Deus.

O MAL COMO ENTIDADE E FORÇA REAL:

Satanás e Demônios: A Bíblia descreve Satanás não como um conceito, mas como uma criatura espiritual real, um anjo caído que liderou uma rebelião. Ele é chamado de "o tentador" (Mateus 4.3), "o deus deste século" (2 Coríntios 4.4) e "o príncipe deste mundo" (João 12.31). Além do mais, Pedro nos adverte: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Ao qual resisti, firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” (1 Pedro 5.8-9). Deus criou Satanás como uma criatura perfeita, assim como o fez com o homem, mas impingiu nele o mal ao decretar que ele se rebelasse. Isso nos diz que Deus criou o mal personificado – Satanás e seus demônios.

Em Isaías 45.7 temos dois conceitos do mal criado por Deus, e isso depende do contexto que estamos tratando. Senão, vejamos:

“Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há deus... Eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas...” (vv. 5-7). “Porventura, dirá o barro ao que o formou: ‘Que fazes?’ Ou a tua obra: ‘Não tens mãos?’” (v.9). “Ai daquele que diz ao pai: ‘Que é o que geras?’ E à mulher: ‘Que dás tu à luz?’” (v. 10).

Em outras palavras, “Eu sou o único Deus. Seja na prosperidade ou desastre; seja na criação do “barro” (a criatura). Eu sou o Criador de todas estas coisas — não há outro Deus para fazê-las. Você ousa me questionar sobre isso? Quem é você para objetar?”.

• Conflito Cósmico: As Escrituras frequentemente retratam a história humana inserida em um conflito espiritual e real entre as forças de Deus e as forças das trevas (Ef 6.11-20).

A Personificação do Erro: Textos como Efésios 6.12 destacam que a luta cristã “não é contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

O MAL COMO CORRUPÇÃO E DISTORÇÃO DO BEM

O Mal como Inversão de Valores:"Ai dos que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isaías 5.20).

O Pecado como um Desvio do Alvo: "[...] não torcerás o direito, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno, porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16.19).

A Corrupção do Coração Humano: “Porque do interior, do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7.21-23).

A Superação do Mal pelo Bem Original: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.21).

O MAL EM FORMA DE CALAMIDADES

Na Bíblia, o termo "mal" é frequentemente usado no sentido de calamidade, desastre, aflição, sofrimento, disciplina ou juízo divino, e não apenas como maldade personificada ou pecado. Nesses contextos, ele representa as consequências difíceis da vida ou as correções de Deus.

Aqui estão versículos-chave onde o "mal" denota adversidade:

• Deus como Causador direto dos Males no Mundo:

Isaías 45.7: “
Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas”. Este verso já foi citado no início deste artigo como o mal em sua forma personificada (Satanás e seus demônios), mas este mesmo termo, de acordo com a língua original em que foi escrita, significa tanto mal moral como mal no sentido de sofrimento, adversidade, desastre, sofrimento disciplina de Deus ou juízo de Deus.

Salmos 34.19; 57.1: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades”. Estes versos referem-se às "aflições" e "calamidades" que os justos enfrentam, buscando abrigo em Deus.

Amós 3.6: “Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?”. Aqui, o servo do Senhor questiona se algum "mal" (desastre) na cidade ocorre sem a soberania de Deus.

Lamentações 2.21: “ Jazem por terra pelas ruas o moço e o velho, as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira; mataste e não te apiedaste”.

A EXPRESSÃO HEBRAICA PARA MAL – “RA” (ISAÍAS 45.7)

“Eu formo a luz, e crio as trevas; Eu faço a paz, e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Isaías 45.7).

A expressão hebraica usada para mal é “Ra”. Esta palavra é utilizada na Bíblia tanto para referir-se ao “mal”, contrário de bem (moral), quanto para “mau”, contrário de bom (adjetivo). Em Gênesis 2.9, 3.5 e 3.22, “Ra” é o termo hebraico usado para definir o mal absoluto. Da mesma forma, o mesmo termo é usado em Gênesis 6.5 para afirmar que o coração do homem é inclinado para o mal, resultado de sua depravação total.

Eu poderia passar dias, meses e anos citando dezenas de outros textos bíblicos onde “Ra” (mal ou mau) é expressado na Bíblia para definir tanto o mal moral e absoluto quanto o mau adjetivo: nocivo, danoso, defeituoso, desastroso – contrário ao que é bom; algo ou alguém muito ruim; moralmente reprovável; que faz maldades. Tudo dependerá do princípio da hermenêutica irrefutável, isto é, do contexto em que a palavra “Ra” está inserida. No caso de Isaías 45.7, por exemplo, a palavra tem o seu significado mais amplo, significando tanto “mal” quanto “mau”. Basta ler o contexto. Em primeiro momento, Deus fala de calamidades (v. 8), mas, quando chegamos no verso 9, constatamos que Ele fala da criação do “barro” (termo geralmente usado para descrever o homem – Rm 9.21).

Ora, qualquer teólogo honesto, ao atentar-se para todo o contexto do capítulo 45 de Isaías, pode constatar que o vocábulo hebraico “Ra” está claramente apontando para mal moral e também para mal no que diz respeito à infelicidade ou desastres naturais. Quando a passagem é verificada de forma minuciosa, fica patente que Deus é o criador do mal. Tão clara como a neve, esta compreensão virá à tona se percebermos que o autor inspirado nesse capítulo apresenta Deus como absolutamente SOBERANO e CONDUTOR sem par da história (incluindo a de Ciro). Para provar este ponto, basta que analisemos passagens que nos falem mais claramente:

“E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).

Perceba que Mateus 6.13 está falando de tentação. Sabemos que o tentador é Satanás, e que seu objetivo é nos convencer a pecar (Mt 4.1). Logo, o termo “Ra” (mal ou mau) usado em Mateus 6.13 é para definir o mal moral – perversão, pecado, transgressão (grego – Kakós)..., e se você nega a autoria e domínio de Deus sobre o mal, não tem o direito de orar com estas palavras: “E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”...!

Quando oramos com estas palavras, estamos, por definição, declarando que Deus é o Autor do mal, pois Ele é quem nos conduz à tentação, assim como fez com Seu próprio Filho (Mt 4.1). Contudo, Deus não tenta a ninguém e nem pode ser tentado pelo mal, pois nEle não há trevas (Tg 1.13). Há de se compreender a diferença entre criador e tentador. O criador é quem deu vida ao tentador, e não o contrário. Nesse sentido, Deus, o Criador, é quem conduz o homem à tentação, possui domínio sobre o tentador e rege todo o cenário, bem como as criaturas que estão sob tentação, conforme os eternos decretos de um Deus Soberano e que não deve explicações às Suas criaturas (Lm 3.37). Isto é biblicamente óbvio, irrefutável e cristalino. Somente incrédulos, pagãos, moleques metidos a teólogos (na verdade são papagaios de outros homens que se dizem teólogos) e calvinistas inconstantes negam tamanha e estupenda verdade: a de que Deus é o Autor de tudo quanto acontece, não sendo Ele o responsável pelas ações humanas, mas o condutor destas ações, as quais Ele determinou (na eternidade) que satisfariam toda a Sua vontade e, sobretudo, manifestariam a Sua glória.

Tanto a ACF (Almeida Corrigida Fiel) quanto a ARC (Almeida Revista e Corrigida), edição 1948, trazem esta mesma definição: “E não nos induzas (ou “conduzas”) à tentação; mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).

O Espírito Santo conduziu Cristo para ser provado no deserto, Deus conduziu Abraão para ser provado no Monte Moriá, e Deus nos conduz para sermos provados: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” (Tiago 1.2-3). Mas Deus NUNCA nos tentou (no sentido de operar o pecado diretamente) para pecarmos. “Ninguém, sendo tentado, diga: 'De Deus sou tentado;' porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1.13). Neste sentido, a Bíblia é clara e se explica a si mesma. Definitivamente, Deus a ninguém tenta, mas conduz tudo e a todos, tanto a tentação como o tentador, bem como o que está sendo tentado.

CONCLUSÃO:

Sendo assim, a Bíblia claramente nos ensina que Deus criou o mal em todos os seus aspectos: (1) o mal personificado (materializado; encarnado), (2) o mal em forma de pecado e (3) o mal em forma de tragédias, catástrofes, enfermidades, sofrimentos, etc.

Não estamos usando a palavra “criar” no mesmo sentido da criação original de Deus do nada, mas estamos nos referindo ao controle de Deus sobre coisas que Ele já criou. Isto é, embora os maus pensamentos e as inclinações devam ser ativamente causadas na criatura por Deus, e, portanto, Ele deva ativamente causar a má ação correspondente, Ele não cria um novo material ou substância quando Ele faz isso, visto que Ele está controlando o que Ele já criou. Quando falamos que Deus criou o mal, estamos falando do ponto de vista metafísico, isto é, que Deus criou o mal na eternidade passada, antes mesmo de existir qualquer coisa, e, então, ao decretar que esses males existissem, historicamente criou tudo perfeito. A partir daí, usou de Suas criaturas para colocar nelas as suas inclinações para o mal.

– JP Padilha
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Deus criou tudo perfeito, mas usou de Sua criação para impingir o mal nela | JP Padilha


 
A Bíblia apresenta o mal tanto como uma realidade espiritual e moral personificada (Satanás, líder ativo das forças das trevas) quanto como uma corrupção e distorção do bem. O mal também pode se referir a calamidades (catástrofe, tragédia, desastre, sofrimento, etc.). No entanto, as Escrituras evitam o dualismo, indicando que o mal não é um ser com poder igual ao de Deus.

O MAL COMO ENTIDADE E FORÇA REAL:

Satanás e Demônios: A Bíblia descreve Satanás não como um conceito, mas como uma criatura espiritual real, um anjo caído que liderou uma rebelião. Ele é chamado de "o tentador" (Mateus 4.3), "o deus deste século" (2 Coríntios 4.4) e "o príncipe deste mundo" (João 12.31). Além do mais, Pedro nos adverte: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Ao qual resisti, firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” (1 Pedro 5.8-9). Deus criou Satanás como uma criatura perfeita, assim como o fez com o homem, mas impingiu nele o mal ao decretar que ele se rebelasse. Isso nos diz que Deus criou o mal personificado – Satanás e seus demônios.

Em Isaías 45.7 temos dois conceitos do mal criado por Deus, e isso depende do contexto que estamos tratando. Senão, vejamos:

“Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há deus... Eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas...” (vv. 5-7). “Porventura, dirá o barro ao que o formou: ‘Que fazes?’ Ou a tua obra: ‘Não tens mãos?’” (v.9). “Ai daquele que diz ao pai: ‘Que é o que geras?’ E à mulher: ‘Que dás tu à luz?’” (v. 10).

Em outras palavras, “Eu sou o único Deus. Seja na prosperidade ou desastre; seja na criação do “barro” (a criatura). Eu sou o Criador de todas estas coisas — não há outro Deus para fazê-las. Você ousa me questionar sobre isso? Quem é você para objetar?”.

• Conflito Cósmico: As Escrituras frequentemente retratam a história humana inserida em um conflito espiritual e real entre as forças de Deus e as forças das trevas (Ef 6.11-20).

A Personificação do Erro: Textos como Efésios 6.12 destacam que a luta cristã “não é contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

O MAL COMO CORRUPÇÃO E DISTORÇÃO DO BEM

O Mal como Inversão de Valores:"Ai dos que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isaías 5.20).

O Pecado como um Desvio do Alvo: "[...] não torcerás o direito, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno, porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16.19).

A Corrupção do Coração Humano: “Porque do interior, do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7.21-23).

A Superação do Mal pelo Bem Original: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.21).

O MAL EM FORMA DE CALAMIDADES

Na Bíblia, o termo "mal" é frequentemente usado no sentido de calamidade, desastre, aflição, sofrimento, disciplina ou juízo divino, e não apenas como maldade personificada ou pecado. Nesses contextos, ele representa as consequências difíceis da vida ou as correções de Deus.

Aqui estão versículos-chave onde o "mal" denota adversidade:

• Deus como Causador direto dos Males no Mundo:

Isaías 45.7: “
Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas”. Este verso já foi citado no início deste artigo como o mal em sua forma personificada (Satanás e seus demônios), mas este mesmo termo, de acordo com a língua original em que foi escrita, significa tanto mal moral como mal no sentido de sofrimento, adversidade, desastre, sofrimento disciplina de Deus ou juízo de Deus.

Salmos 34.19; 57.1: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades”. Estes versos referem-se às "aflições" e "calamidades" que os justos enfrentam, buscando abrigo em Deus.

Amós 3.6: “Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?”. Aqui, o servo do Senhor questiona se algum "mal" (desastre) na cidade ocorre sem a soberania de Deus.

Lamentações 2.21: “ Jazem por terra pelas ruas o moço e o velho, as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira; mataste e não te apiedaste”.

A EXPRESSÃO HEBRAICA PARA MAL – “RA” (ISAÍAS 45.7)

“Eu formo a luz, e crio as trevas; Eu faço a paz, e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Isaías 45.7).

A expressão hebraica usada para mal é “Ra”. Esta palavra é utilizada na Bíblia tanto para referir-se ao “mal”, contrário de bem (moral), quanto para “mau”, contrário de bom (adjetivo). Em Gênesis 2.9, 3.5 e 3.22, “Ra” é o termo hebraico usado para definir o mal absoluto. Da mesma forma, o mesmo termo é usado em Gênesis 6.5 para afirmar que o coração do homem é inclinado para o mal, resultado de sua depravação total.

Eu poderia passar dias, meses e anos citando dezenas de outros textos bíblicos onde “Ra” (mal ou mau) é expressado na Bíblia para definir tanto o mal moral e absoluto quanto o mau adjetivo: nocivo, danoso, defeituoso, desastroso – contrário ao que é bom; algo ou alguém muito ruim; moralmente reprovável; que faz maldades. Tudo dependerá do princípio da hermenêutica irrefutável, isto é, do contexto em que a palavra “Ra” está inserida. No caso de Isaías 45.7, por exemplo, a palavra tem o seu significado mais amplo, significando tanto “mal” quanto “mau”. Basta ler o contexto. Em primeiro momento, Deus fala de calamidades (v. 8), mas, quando chegamos no verso 9, constatamos que Ele fala da criação do “barro” (termo geralmente usado para descrever o homem – Rm 9.21).

Ora, qualquer teólogo honesto, ao atentar-se para todo o contexto do capítulo 45 de Isaías, pode constatar que o vocábulo hebraico “Ra” está claramente apontando para mal moral e também para mal no que diz respeito à infelicidade ou desastres naturais. Quando a passagem é verificada de forma minuciosa, fica patente que Deus é o criador do mal. Tão clara como a neve, esta compreensão virá à tona se percebermos que o autor inspirado nesse capítulo apresenta Deus como absolutamente SOBERANO e CONDUTOR sem par da história (incluindo a de Ciro). Para provar este ponto, basta que analisemos passagens que nos falem mais claramente:

“E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).

Perceba que Mateus 6.13 está falando de tentação. Sabemos que o tentador é Satanás, e que seu objetivo é nos convencer a pecar (Mt 4.1). Logo, o termo “Ra” (mal ou mau) usado em Mateus 6.13 é para definir o mal moral – perversão, pecado, transgressão (grego – Kakós)..., e se você nega a autoria e domínio de Deus sobre o mal, não tem o direito de orar com estas palavras: “E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”...!

Quando oramos com estas palavras, estamos, por definição, declarando que Deus é o Autor do mal, pois Ele é quem nos conduz à tentação, assim como fez com Seu próprio Filho (Mt 4.1). Contudo, Deus não tenta a ninguém e nem pode ser tentado pelo mal, pois nEle não há trevas (Tg 1.13). Há de se compreender a diferença entre criador e tentador. O criador é quem deu vida ao tentador, e não o contrário. Nesse sentido, Deus, o Criador, é quem conduz o homem à tentação, possui domínio sobre o tentador e rege todo o cenário, bem como as criaturas que estão sob tentação, conforme os eternos decretos de um Deus Soberano e que não deve explicações às Suas criaturas (Lm 3.37). Isto é biblicamente óbvio, irrefutável e cristalino. Somente incrédulos, pagãos, moleques metidos a teólogos (na verdade são papagaios de outros homens que se dizem teólogos) e calvinistas inconstantes negam tamanha e estupenda verdade: a de que Deus é o Autor de tudo quanto acontece, não sendo Ele o responsável pelas ações humanas, mas o condutor destas ações, as quais Ele determinou (na eternidade) que satisfariam toda a Sua vontade e, sobretudo, manifestariam a Sua glória.

Tanto a ACF (Almeida Corrigida Fiel) quanto a ARC (Almeida Revista e Corrigida), edição 1948, trazem esta mesma definição: “E não nos induzas (ou “conduzas”) à tentação; mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).

O Espírito Santo conduziu Cristo para ser provado no deserto, Deus conduziu Abraão para ser provado no Monte Moriá, e Deus nos conduz para sermos provados: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” (Tiago 1.2-3). Mas Deus NUNCA nos tentou (no sentido de operar o pecado diretamente) para pecarmos. “Ninguém, sendo tentado, diga: 'De Deus sou tentado;' porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1.13). Neste sentido, a Bíblia é clara e se explica a si mesma. Definitivamente, Deus a ninguém tenta, mas conduz tudo e a todos, tanto a tentação como o tentador, bem como o que está sendo tentado.

CONCLUSÃO:

Sendo assim, a Bíblia claramente nos ensina que Deus criou o mal em todos os seus aspectos: (1) o mal personificado (materializado; encarnado), (2) o mal em forma de pecado e (3) o mal em forma de tragédias, catástrofes, enfermidades, sofrimentos, et.

Não estamos usando a palavra “criar” no mesmo sentido da criação original de Deus do nada, mas estamos nos referindo ao controle de Deus sobre coisas que Ele já criou. Isto é, embora os maus pensamentos e as inclinações devam ser ativamente causadas na criatura por Deus, e, portanto, Ele deva ativamente causar a má ação correspondente, Ele não cria um novo material ou substância quando Ele faz isso, visto que Ele está controlando o que Ele já criou. Quando falamos que Deus criou o mal, estamos falando do ponto de vista metafísico, isto é, que Deus criou o mal na eternidade passada, antes mesmo de existir qualquer coisa, e, então, ao decretar que esses males existissem, historicamente criou tudo perfeito. A partir daí, usou de Suas criaturas para colocar nelas as suas inclinações para o mal.

– JP Padilha
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OBSERVAÇÃO: Nesse mesmo site você encontra os volumes da coleção “O Evangelho Sem Disfarces”, separados por tema. Basta rolar o mouse para baixo. Meus livros estão todos no link acima.

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BATISTA TRADICIONAL X BATISTA PENTECOSTAL – UM RESUMO SOBRE AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS | JP Padilha



Uma das principais diferenças entre a Igreja Batista (Tradicional; Conservadora) e a Pentecostal reside na compreensão do Batismo com o Espírito Santo. Batistas creem que ele ocorre na conversão como selo (o que é confirmado pelas Escrituras), enquanto pentecostais veem como segunda bênção posterior, evidenciada pelo falar em línguas (o que acreditam ser “línguas estranhas” não compreendidas pelo não-crente). Outro ponto que coloca um abismo entre eles é que batistas focam na exposição bíblica e ordem, enquanto pentecostais nos “dons espirituais” e cultos emotivos.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS:

Batismo com o Espírito Santo:

● Batista: Ocorre na conversão (salvação). Não é necessária manifestação externa, como línguas (sejam essas línguas idiomáticas, como consta em Atos 2, sejam essas línguas “estranhas”, como os pentecostais creem).

● Pentecostal: Uma experiência posterior à conversão (segunda bênção), marcada pelo falar em outras línguas como sinal inicial.

Dons Espirituais:

● Batista: Cessacionista, acredita que os dons servem para a edificação da Igreja, mas é totalmente cético quanto à atualidade pós-apostólica de dons como línguas e cura física milagrosa.

● Pentecostal: Enfatiza a atualidade e a necessidade de todos os dons espirituais, incluindo profecia (no sentido de receber novas revelações de Deus, fora da Bíblia), curas milagrosas com imposição de mãos e línguas estrangeiras ou “estranhas”.

Culto e Liturgia:

● Batista: Geralmente mais formal e racional, com ênfase na pregação expositiva e liturgia planejada, baseado somente no que diz a Bíblia Sagrada.

● Pentecostal: Mais espontâneo e emocional, com música de fundo fervorosa, orações audíveis e manifestações carismáticas.

Governo Eclesiástico:

● Batista: Congregacional, onde a assembleia dos membros decide.

Pentecostal: Frequentemente mais centralizado na figura do pastor, que age como um "clérigo" acima dos leigos, facilitando decisões rápidas.

Soteriologia (Doutrina da Salvação):

● Batista:
Calvinista, crê na predestinação divina (decretos eternos de Deus) como forma de Deus salvar o homem, isto é, antes mesmo da fundação do mundo, na eternidade, não com base em Sua presciência divina somente, mas segundo o beneplácito de Sua vontade, o que significa que Deus decretou cada ato humano, incluindo o pecado e a perdição dos ímpios. O homem não tem participação nenhuma em seu processo de salvação e é impossível que ele a perca após ser habitado pelo Espírito Santo. Da mesma forma, o perdido não pode fugir de seu destino, que é a perdição eterna. A salvação é um dom exclusivo de Deus, sem nenhuma participação ativa ou passiva do homem. É um dom gratuito, conquistado na cruz do calvário.

● Pentecostal: Arminiano, crê no livre arbítrio humano e, portanto, se posiciona na visão arminiana (católica romana). Ou seja, o homem possui uma vontade livre para escolher ou não ser salvo. Deus supostamente não tem o direito de violar este dom (o livre arbítrio) concedido ao homem, deixando o homem a mercê de suas próprias disposições. O pentecostal crê que o ser humano precisa fazer a “sua parte” no processo de sua salvação ou, ainda pior, buscá-la por ele mesmo, com jejuns, sacrifícios e boas obras. Nem sempre o pentecostal irá negar que exista os decretos de Deus, mas crerá que esses decretos estão firmados unicamente em Sua presciência, ou seja, Deus previu que o homem escolheria crer em Cristo e ser salvo por si mesmo e, por isso, o salvou.

Escatologia (Fim dos Tempos) – A Única Semelhança Entre Batistas Conservadores e Pentecostais:

● Batistas e Pentecostais: Geralmente possuem uma mesma visão. Ambos adotam uma visão dispensacionalista, focada na iminência do arrebatamento da Igreja.

PONTOS EM COMUM BÁSICOS

Ambos os grupos creem na Bíblia como regra de fé, na Trindade, na salvação pela graça através da fé em Jesus Cristo e batizam por imersão os crentes professos.

– JP Padilha
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A VINDA DO SENHOR ESTÁ PRÓXIMA (Texto baseado no sermão de Bruce Anstey em vídeo – link no fim do texto)



Eu gostaria de tratar da proximidade da vinda do Senhor. Cremos com toda a certeza que o Senhor está vindo muito em breve.

Vamos ler o versículo de introdução em João 14. Esta é a primeira vez que o Senhor anunciou que Ele viria tomar o que era Seu para estar com Ele na casa do Pai. Isso aparece muitas vezes depois nas Escrituras, mas esta é a primeira vez que o próprio Senhor apresenta esse assunto maravilhoso. João 14:1: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”. Esta é uma promessa maravilhosa que o Senhor deu a seus discípulos para consolar seus corações. E certamente é um conforto para nossos corações saber que o Senhor está vindo para nos tirar desse mundo corrupto e doente que vivemos. O próprio Senhor colocou esta esperança diante de nós, que Ele irá nos levar para casa.

Agora, a questão que queremos tratar esta tarde não é o fato de que o Senhor virá, porque temos sua própria palavra prometendo isso. Nossa pergunta é, quando? Quando ele virá? E a resposta que eu quero lhe dar das escrituras é esta: muito, muito em breve! Agora, eu não quero simplesmente dizer, como um pressentimento que tenho ou alguma ideia de alguns teólogos. Não, querermos mostrar nas escrituras como sabemos que o Senhor está vindo muito, muito em breve. Quero examinar quatro passagens diferentes das Escrituras que nos mostram esse fato impressionante, que o retorno do Senhor é iminente.
***
Vejamos Daniel 12 como ponto de partida. Você sabe que o livro de Daniel fala a respeito de profecias e assuntos proféticos; fala sobre a restauração e bênção de Israel no que se chama últimos tempos, últimos dias, fim dos tempos. Mas há algo em Daniel 12 que indicaria a proximidade do retorno do Senhor. Nós não temos o arrebatamento, o Senhor vindo nos levar para o céu no livro de Daniel; no entanto, Daniel descreve o que acontecerá nos últimos dias, após o arrebatamento. Daniel 12:4 diz: “E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará”. Isto descreve a hora do fim, quando Deus se refere a Israel e os abençoa após um tempo de dificuldade. Daniel 12:1 nos diz que haverá um tempo turbulento – a Grande Tribulação – que sabemos, virá sobre este mundo. Sabemos que a Igreja será arrebatada antes da grande tribulação.

Mas o tempo do fim será caracterizado pelas duas coisas mencionadas aqui: (1) muitos correrão de um lado para o outro, e (2) o conhecimento aumentará. Esse foi o caso nos últimos 100-150 anos. Pense nisso! O avanço do conhecimento que aconteceu nos últimos 100-150 anos foi surpreendente. Pense nos computadores que temos e em todos os avanços na ciência e tecnologia médica. Tudo isso é uma prova de que definitivamente estamos nos últimos dias. Pense em como, há milhares de anos, a história do homem avançou, puxando uma carroça com um cavalo, trabalhando com madeira, martelo e coisas assim. E então, de repente, nos últimos 150 anos temos computadores e rádios e todos os outros tipos de aparelhos que você pode imaginar. Pense na ciência médica: agora existe uma câmera tão pequena que vai dentro da corrente sanguínea, dentro de suas veias e tira fotos do que está acontecendo dentro do seu corpo! Essa é uma das mil coisas que eu poderia usar esta tarde para ilustrar os recentes avanços tecnológicos nos últimos 100-150 anos.

Talvez já tenha contado essa história, um dia meu pai voltou para casa da escola e disse a seu pai: “Papai, eu vi carro hoje!” Seu pai disse, “você não viu”. Ele não acreditou, e meu pai teve que fazer tudo o que podia para convencer seu pai de que ele tinha visto um carro! Isso foi no tempo do meu pai, o que não faz muito tempo. É incrível pensar que, no tempo da nossa vida, houve tal avanço no conhecimento, na proporção que estamos falando aqui.

Não ignore o comentário em Daniel 12:4: “muitos correrão de uma parte para outra”. Este versículo descreve pessoas que atravessam a terra em aviões, indo e vindo, estabelecendo um ritmo de vida incrível. Antes, os dialetos locais eram mais facilmente identificados porque as pessoas não viajavam. Povos viviam a 20 milhas um do outro e falavam diferentes dialetos, porque nunca saiam de onde moravam. Hoje, estamos zigzagueando por todo o país e em todo o mundo! Isso só aconteceu nos últimos anos. Há quanto tempo as companhias aéreas comerciais existem? Acho que logo após a Segunda Guerra Mundial – 1947 ou 1946.

Estamos falando de coisas com as quais temos que nos acostumar neste mundo. Nossos filhos não sabem o que é viver sem computador. É incrível como eles podem operar esses telefones! Meu pai não sabia nada sobre isso. Na verdade, eu não conhecia nada sobre isso e demorei para aprender.

O que caracterizará os últimos dias, quando Deus trabalhará com Israel novamente, é que esse conhecimento será amplamente aumentado e os homens estarão correndo por todo o mundo com meios de transporte mais sofisticados. Isso não descreve o nosso dia? Sabemos uma coisa desta passagem: estamos perto do fim dos tempos e sabemos que o Senhor virá para nós antes disso. O que isso nos diz? Que estamos muito perto do momento em que o Senhor vai descer com alarido e nos chamar a todos para o arrebatamento como lemos em 1 Tessalonicenses 4.
***
Mas há outras indicações da proximidade da vinda do Senhor. Mateus 25:1-13: “Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir”. As últimas cinco ou seis palavras não deveriam estar aqui, sobre a vinda do Filho do homem. O assunto aqui é a chegada do Noivo, não a vinda do Filho do homem. Na tradução de Darby as últimas seis palavras desse versículo 13 foram omitidas. Deve-se ler, “você não sabe nem o dia nem a hora”, ponto.

A semelhança do reino nos mostra quatro etapas na história da profissão cristã. Aqui temos uma pequena figura da profissão cristã. A primeira etapa começa quando diz que todas “saíram”. Dez virgens saíram com suas lâmpadas para encontrar o noivo. Isso marca a postura original da Igreja nos primeiros dias, no tempo dos apóstolos. Eles eram separados de tudo, fosse secular ou religioso, que era inconsistente com a santidade de Deus. Eles saíram com um propósito, para esperar o noivo que viria.

Mas então descobrimos que cinco delas eram loucas e cinco eram prudentes. Em outras palavras, a profissão cristã foi misturada com crentes verdadeiros e os meramente professos, e desde então tem havido uma mistura. Eu gosto de chamar isso de “profissão cristã” porque envolve mais do que apenas a Igreja, e inclui aqueles que professam ser crentes e aqueles que realmente são. Mas diz aqui que “tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram”. Esta é a segunda fase da história da profissão cristã. Pouco depois dos dias dos apóstolos, a igreja perdeu de vista o fato de que o Senhor, o noivo, estava vindo, e adormeceram para essa verdade. Esta foi uma condição que permeou a profissão cristã por 1.500 anos – de qualquer maneira, mais de 1.000 anos. As pessoas não tinham ideia de que o Senhor viria para levá-las para casa como lemos em João 14. Elas conheciam pelas Escrituras sobre a aparição de Cristo para juízo, mas não tinham ideia do arrebatamento. Parece que foi riscada das mentes da chamada Igreja naquela época. Tomada de sono, dormiu. Isso leva a uma cena noturna e traz diante de nós a ideia da Idade das Trevas, que durou muitos séculos.

A terceira etapa na história da profissão cristã é o que lemos no versículo 6: “à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!”. Naquela época, na profissão cristã, tomou-se consciência do fato de que o Senhor estava vindo. Qualquer um que entenda a história da profissão cristã sabe que esse grito da meia-noite aconteceu há cerca de 150 anos, em meados dos anos 1800, quando os irmãos cavaram na Escritura e aprenderam, comparando a profecia e as Escrituras do Novo Testamento, que o Senhor estava vindo, Que o arrebatamento estava prestes a acontecer. Houve um clamor e a profissão cristã tomou conhecimento no século 19 da volta do Senhor, como lemos em João 14: “virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo”.

“Aí vem o esposo”. Foi-me dito que a próxima palavra “vem” não deveria estar no versículo 6. Os tradutores a colocaram lá para nos ajudar a vê-la como um evento, mas é mais do que um evento. Deus trata a vinda do Senhor diante das almas, não apenas como um evento profético no calendário de eventos que acontecerá na profecia (embora seja isso), mas que nossos corações seriam ocupados com a Pessoa que está vindo. Nosso Noivo está vindo para nós – é Ele! Então, deveria ser: “Eis o noivo”.

O grande resultado no ministério cristão do conhecimento da vinda do Senhor foi a apresentação de Cristo. Foi o ministério que apresentou Cristo aos que escutaram e escutarão, e teve um grande efeito. ” Saí-lhe ao encontro!”. Havia um retorno ao estado original do início da Igreja, que era separada de tudo o que é secular e religioso. Isso existia na profissão cristã no século 19. Qualquer pessoa que conheça um pouco a história da Igreja é capaz de identificar isso; Houve uma grande agitação na profissão cristã sobre este grande fato de que o Noivo logo viria.

A quarta etapa está no versículo 10: “veio o noivo”. Este evento encerra a dispensação e fecha o presente dia da graça. Refere-se ao arrebatamento – a vinda do Senhor – veio o Noivo. Os que estão prontos irão, os que não estão serão deixados de fora. Entre o clamor da meia-noite e o retorno do noivo, vemos que houve muita comoção. Isso nos fala da comoção que tem estado na profissão cristã nos últimos 100 anos. Todo mundo anda por aí buscando óleo – com foco mais no Espírito de Deus do que no próprio Senhor. As virgens sábias dizem: “ide… e comprai”. Esta é a ideia do trabalho do evangelho. O trabalho do evangelho aumentou por causa do entendimento que o Senhor está vindo. Agradecemos a Deus por todo homem que prega o Evangelho e toda mulher que prega o Evangelho. Isso mostra que vocês percebem que o Senhor está chegando e há uma urgência nisso.

A quarta etapa, então, como eu disse, acontece quando o noivo vem e as virgens entram com ele para as bodas e a porta é fechada. O grito da meia-noite que alarmou a profissão cristã e despertou a profissão cristã para o fato de que o Senhor estava vindo, aconteceu há 170 anos, e o Senhor ainda não chegou! O que isso nos diz? Isso nos diz uma coisa: devemos estar muito perto, porque Ele cumpre Sua promessa! Ele não seria Deus se Ele não cumprisse Sua promessa. Nós sabemos que Ele está vindo, nós simplesmente não sabemos o momento. Mas nós sabemos quando – é muito, muito em breve.
***
Outra indicação aparece em Apocalipse 3, quando o Senhor trata da Igreja em Laodicéia. Isso aconteceu na profissão cristã logo após o despertar pelo clamor da meia-noite. Apocalipse 3:14-17: “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. A condição da igreja de Laodicéia é outro sinal de que sabemos que a vinda do Senhor está muito próxima. Dizemos isso, porque nesses dois capítulos (Apocalipse 2 e 3) temos as sete igrejas mencionadas. Como você sabe, cada uma delas representa um estágio distinto na história da Igreja que é facilmente identificável agora nos dias em que vivemos.

O que encontramos aqui na Igreja de Laodicéia é uma indiferença incrível com Cristo, e uma incrível ignorância quanto à verdadeira condição da Igreja, seu próprio estado. Ela acha que está enriquecida com toda riqueza espiritual, e não faz ideia de que ela está espiritualmente destituída, nua, miserável e cega. Ela nem tem as coisas mais elementares, como o ouro. Ela nega categoricamente o fato de que a profissão cristã está em ruína; esta é uma atitude que caracteriza o dia em que vivemos. O que restou da recuperação da verdade, dada à igreja no século 19, é uma indiferença em relação a tudo que tinha sido recuperado. A profissão cristã, particularmente o lado evangélico da profissão cristã, é marcada por essas duas coisas: (1) indiferença a Cristo e (2) ignorância do nosso verdadeiro estado coletivo. Laodicéia ostenta, acha que tudo está bem e bom, tudo certo; é uma negação absoluta da ruína da Igreja.

Ao olhar para a profissão cristã, podemos ver que somos uma parte desta condição generalizada de indiferença para as reivindicações de Cristo. O que marca a condição de Laodicéia é ter algum conhecimento da verdade que foi recuperado nos tempos de Filadélfia, mas essa verdade não tem efeito moral ou espiritual sobre a vida dela. Não há melhor exemplo disso do que a própria verdade que estamos mostrando esta tarde: a vinda do Senhor. “O Senhor está vindo!” você pode contar a alguém. Eles respondem: “Sim, eu sei que o Senhor está vindo. Não, isso não muda nada na minha vida. Faço tudo o que quero fazer no Dia do Senhor, e coloco meus interesses em primeiro lugar. Ele está vindo, posso dizer os versículos, mas isso não significa nada para mim”. Essa é a condição de Laodicéia, e é isso que caracteriza a profissão cristã em geral.

Precisamos perceber que esta condição é a última etapa que a Igreja experimentará antes que o Senhor venha. Lembre-se, existem apenas sete estágios, e este é o sétimo e final. Se estamos nesse sétimo estágio agora – e definitivamente estamos – o que está por vir? Nada além do Senhor e Seu clamor. É interessante ver que o Espírito estava falando nos capítulos 1, 2 e 3 de Apocalipse para as igrejas. Depois disso, Ele nunca mais fala com as Igrejas. Por quê? Porque a Igreja, depois do capítulo 3, é vista como tendo ido para o céu. Do capítulo 4 em diante, não lemos nada sobre a Igreja até o fim, quando ela sai do céu com o Senhor, no capítulo 19, a noiva e esposa do próprio Cordeiro. Estamos chegando muito perto do fim, quando virá o Senhor com Seu clamor, porque a profissão cristã foi marcada pelo Laodiceanismo há quase 150 anos. Não foi muito tempo depois que a verdade foi recuperada nos tempos de Filadélfia que este estágio final começou.
***
Finalmente, vamos voltar para Mateus 14, outra passagem que aponta para o fato de que a vinda do Senhor está muito próxima. Esta história é outra imagem que ilustra a história da profissão cristã em relação à vinda do Senhor. Nos versículos 15 a 21, temos o Senhor reunindo pessoas no deserto e alimentando-as. Antes disso, Ele estava curando, abençoando e fazendo todos os tipos de obras que caracterizam o mundo por vir, que são chamados de poderes do mundo vindouro. O alimento para os 5.000 é o único milagre que se encontra nos quatro Evangelhos. Ele ilustra o ministério terrenal do Senhor Jesus quando Ele esteve aqui. Em todos os casos, é significativo e interessante que, quando alimentou os 5.000 com este milagre incrível, todos comeram, se fartaram e disseram… nada. Eles não O agradeceram por isso, eles não apreciaram. Em todos os quatro relatos desse milagre, ninguém O agradeceu, ninguém O agradeceu por isso, ninguém disse: “Você deve ser o Messias, vamos aceitá-lo e recebê-lo agora”. Nem uma palavra! Isso nos mostra que Ele foi rejeitado. Não significava nada para eles, não os movia. E então, imediatamente, a cena muda.

Encontramos, então, a partir do versículo 22 em diante que Jesus constrangeu seus discípulos a entrar num barco e a ir para o outro lado, enquanto Ele enviou as multidões para longe. Ele despede a multidão que acabou de alimentar, que não tinha apreciação pelo que Ele fez. Esta é uma imagem dEle deixando Israel de lado por um tempo. Os discípulos, uma figura do remanescente da nação, ele coloca em um testemunho completamente novo – o barco – e eles são enviados através do mar. Isso retrata a jornada da Igreja como testemunho através deste mundo para o outro lado da margem. Quando Ele despediu as multidões, é interessante que o Senhor não se junta imediatamente aos discípulos no barco. Primeiro, Ele vai para uma montanha, que retrata Sua ascensão ao céu. Ele não vai lá para se distrair, Ele vai lá para orar! Esta é a oração sacerdotal intercessora do Senhor Jesus, enquanto o povo Dele – a Igreja – está naquele barco atravessando o mar para o outro lado. Ele ora lá sozinho.

No versículo 25, à quarta vigília da noite, o Senhor começa a caminhar no mar, e Ele vai até eles. A quarta vigília é a última antes do amanhecer. Isso está perto do fim do tempo da ausência do Senhor durante a noite. Os discípulos O veem caminhar sobre o mar, ficam assustados e gritam (versículo 26). Isso é como o clamor da meia-noite na história das dez virgens. Eles podem ver o Senhor chegar! Novamente, isso é algo que tem ocorrido historicamente na história da Igreja há cerca de 150 anos.

Então o Senhor Jesus diz: “tende bom ânimo, sou eu; não temais”. Algo motiva Pedro a sair do barco. Ele estava tão absorto com o fato de que o Senhor estava vindo que ele saiu do barco e caminhou, somente onde a fé pode andar, para o Senhor. Foi o que aconteceu quando a Igreja aprendeu sobre a vinda do Senhor. Como resultado, um testemunho remanescente separou – e afastou – o denominacionalismo e todo apoio oficial que poderia haver, caminhando apenas onde a fé podia andar. Isso aconteceu há 150 anos, em meados do século 19, quando houve aqueles que se separaram do denominacionalismo, da ordem e do formalismo oficial da igreja e caminharam onde somente a fé pode caminhar. Não tinham nada para se apoiar, mas confiaram no Espírito de Deus para todas as coisas relativas à adoração e ao ministério.

É um testemunho remanescente. Não estou dizendo que os santos reunidos sejam o remanescente, eles simplesmente representam uma posição no testemunho cristão de um testemunho remanescente e estão onde todo o remanescente – todo verdadeiro crente – deveria estar. O testemunho remanescente foi estabelecido naqueles dias em meados do século 19. O Senhor disse a Pedro para sair do barco e caminhar na água, ele não estava agindo em desobediência ou tentando a Deus. “Vem”, disse o Senhor (versículo 29), Pedro desceu e foi para onde o Senhor estava caminhando para encontrá-lo. Ele estava tão absorto com a vinda do Senhor que nem percebeu que estava caminhando sobre a água! Incrível.

Mas esse não é o fim da história. Pedro tirou os olhos do Senhor e começou a afundar. Muitas vezes dissemos que ele tentou continuar o que estava fazendo, mas sem olhar para o Senhor. Ele descobriu que não poderia fazê-lo. Da mesma forma, aqueles que fazem parte do testemunho remanescente perderam de vista o Senhor. E ainda estamos tentando continuar fazendo as coisas que sempre fizemos, mas não está funcionando. Não está funcionando e vamos afundar! O testemunho remanescente está começando a afundar. Mas não se desanime com esse fato, de olharmos ao redor e vermos Pedro afundando. Porque quando Pedro começou a afundar, ele clamou: ” Senhor, salva-me”, e imediatamente o Senhor estava lá para pegá-lo. Isso nos faz pensar na chegada do Senhor e no fim da nossa jornada aqui.

Você viu Pedro afundando? Sim. Isso o desencoraja? Não deixe que isso o desencoraje, porque isso significa que o Senhor deve estar vindo e devemos estar no final da jornada! Se você vir Pedro afundando, então você sabe que o Senhor está vindo. Ele poderia estar aqui esta tarde, porque Pedro está afundando. Mas é bom lembrar que Pedro não se afoga. O testemunho remanescente não se afogará, não será submerso, mas está afundando. Isso significa algo para o meu coração: o Senhor está próximo. O Senhor está perto! O Senhor está chegando. Você está pronto?

Não é hora de desistir. Não é hora de se desviar. É hora de esperar e aguentar. F.B. Hole disse em um de seus livros (eu acho que o que diz respeito a Hebreus), ele nos pediu para imaginar um irmão que estivesse tendo dificuldade em se identificar com o testemunho remanescente reunido ao nome do Senhor. Ele estaria perdendo a energia e querendo desistir. Sem esperança e tão desencorajado, ele não tinha energia para continuar. Ele sabia que deveria continuar, então ele ficou lá mais algumas semanas. Assim ele foi, semana a semana. Finalmente, ele não aguentou mais. Ele disse aos irmãos que queria sair da comunhão e não mais seguiria esse caminho. Era difícil e desanimador demais. No dia seguinte, o Senhor chegou. O Sr. Hole disse: “O que você acha que o homem deve ter sentido de si mesmo?” Apocalipse 3:11 nos diz: “guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Ele teria perdido a coroa que ele poderia ter tido, porque ele partiu no último minuto. O que ele teria sentido? “Por que não poderia ter ficado apenas mais uma semana?”

O Senhor está vindo. Ele está muito, muito perto. Vemos Pedro afundando por todos os lados, mas não vamos desanimar, vamos nos encorajar. “Eis que venho sem demora!”

– BRUCE ANSTEY
– Vídeo do sermão original no link:
https://www.youtube.com/watch?v=C2bxFwL1mtc

OBSERVAÇÃO: Se a legenda do vídeo não for gerada automaticamente, configure o vídeo no próprio youtube para gerar a legenda automaticamente, escolhendo a opção “Português”. Na maioria das vezes, o youtube gera a legenda automaticamente.
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#arrebatamento #vindadosenhor #fimdostempos

O FIM DO MEU MINISTÉRIO | JP Padilha


"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda" (2 Timóteo 4.7-8).

O FIM DO MEU MINISTÉRIO

Quando o apóstolo Paulo disse as palavras que aqui repliquei, ele continuou a instruir e pregar, tanto a Timóteo quanto a outros, mesmo após declarar em 2 Timóteo 4.7 que havia "acabado a carreira". Essa frase, proferida no final de sua segunda carta a Timóteo, representa uma “despedida vitoriosa” e não uma desistência, indicando que ele sabia que sua morte estava próxima (no caso dele, o martírio). 

Após esse versículo, Paulo ainda pregou e deixou as seguintes últimas recomendações:

• A Ordem Para Pregar: Ele exorta Timóteo a "pregar a Palavra", a insistir "a tempo e fora de tempo", repreendendo, corrigindo e exortando com paciência (2Tm 4.2-5).

• Instruções Práticas e de Fé: Paulo pede a Timóteo que traga sua capa (para o frio), livros e pergaminhos (2Tm 4.13).

• Mensagens Pessoais: Ele relata quem o abandonou (Demas, que se desviou, amando o presente século) e quem o ajudou (Lucas, Marcos), pedindo a colaboração de Timóteo (2Tm 10-11).

• A Garantia da Vitória: Ele reafirma sua confiança em receber a "coroa da justiça" das mãos do Senhor (2Tm 4.8 ).

O contexto mostra que Paulo continuou seu ministério de ensino e exortação até seus últimos dias na prisão em Roma, transmitindo o legado para a próxima geração.

No meu caso, amados irmãos, por mais que meu ministério tenha durado apenas cerca de 13 anos, foi algo muito intenso e com embates que me sobrecarregaram demasiadamente, piorando meu quadro depressivo, me levando à uma exaustão física e mental a qual não posso mais resistir. Há também a sensação da iminência da morte (seria por conta da mente doente? Ou seria porque aceitei minhas limitações físicas e mentais? Deus o sabe).

Findo aqui a minha despedida sem, contudo, desistir de exortar, repreender, corrigir e instruir a Igreja segundo a Palavra de Deus enquanto eu estiver vivo e na medida do possível, não mais escrevendo livros e artigos extensos que requerem o entusiasmo que eu tinha.

Graça e paz sejam com todos os santos da Igreja de Deus.

– JP Padilha
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QUEM É O JP PADILHA? QUAL É A SUA PROFISSÃO?

Se você me perguntar o que eu sou, eu lhe responderei: "sou esposo". Se você insistir, lhe responderei: "sou pai". Você ...