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A FUGA NO INVERNO OU NO SÁBADO | JP Padilha
“Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado; porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias” (Mateus 24.15-22).
O problema de incluir os cristãos nesta passagem é que as pessoas pensam que Jesus está falando com a Igreja. Isso é uma falsa interpretação do texto. O capítulo 24 de Mateus inteiro é direcionado a Israel, em especial ao remanescente de judeus fieis que irá se converter na Tribulação, após a Igreja deixar a terra no arrebatamento. Muitos têm dificuldade para entender a profecia por não discernirem o lugar distinto que Israel e Igreja ocupam nas Escrituras e nos propósitos de Deus. Não existia Igreja no contexto de Mateus 24, nem em nenhum lugar do Velho Testamento, o que inclui os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. A Igreja só veio a existir em Atos 2. Em Mateus 24 Jesus está falando com ISRAEL e de ISRAEL, se referindo ao período da Tribulação sobre a terra, quando a Igreja já terá sido arrebatada nos ares no mínimo alguns meses antes. A Tribulação NÃO É para a Igreja. A Tribulação é um período onde Deus irá refinar a nação de Israel e cumprir Sua promessa de trazer de volta o Seu remanescente judeu fiel, conforme a nova aliança que Ele fará com eles (Jr 31.31-33; Rm 11.23,25-27,31).
O EVANGELHO DO REINO NÃO É O EVANGELHO DA GRAÇA
Sim, a nova aliança prometida na Escritura é com Israel, não com a Igreja. O remanescente de judeus que virá a sofrer na Tribulação dará testemunho durante os sete anos de Tribulação, levando o evangelho do Reino a toda criatura. Sim, a ordem do “ide” foi dada claramente aos apóstolos em circunstâncias judaicas, falando do evangelho do reino, aquele que anuncia o retorno do Rei de Israel após a Tribulação (Mt 28.19). Esse não é o evangelho da graça, o qual pregamos hoje. O evangelho da graça diz: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos 16.31). O evangelho do Reino, que foi pregado por João Batista aos judeus de sua época e que ainda voltará a ser pregado pelo remanescente judeu no futuro, diz: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 3.2). Um é o evangelho da graça; o outro é o evangelho do Reino.
Mas, e quanto à “fuga no inverno ou no sábado” (vs. 20)? Por que Jesus alertou os judeus a orarem para que a Tribulação não ocorra nessas circunstâncias? E quanto ao possível sofrimento maior entre as “grávidas e as que amamentarem” (vs. 19)? Há pelo menos quatro boas razões para acreditarmos que Jesus está se referindo ao remanescente judeu fiel que sofrerá com a terrível Tribulação que virá sobre a Terra após o arrebatamento da Igreja:
1 – O LUGAR SANTO
No versículo 15 é dito sobre o “lugar santo” sendo ocupado pela abominação da desolação. Esse lugar santo não é uma construção onde se reúnem cristãos, muito menos um edifício católico ou evangélico como vemos por aí. O lugar santo citado em Mateus 24 será o terceiro Templo de Jerusalém que será ocupado e profanado pelo Anticristo (Mt 24.15,16; 2Ts 2.3,4; Ap 11.1,2). Também podemos ver no Antigo Testamento a profecia sobre o terceiro Templo em Daniel 9.27; 11.31; 12.11.
Em Daniel 9.27, o profeta refere-se aos eventos finais da última semana da chamada “70 Semanas de Daniel” ou “Septuagésima Semana de Daniel” (Dn 9.24), em que o pronome “ele” diz respeito ao “príncipe que há de vir”, conhecido no Novo Testamento como o Anticristo (Anti-Messias): “e ele firmará aliança com muitos por uma semana” é uma referência ao povo judeu (Dn 9.24). Essa “semana” citada refere-se aos sete anos de Tribulação em que, “na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação”, afirmação que aponta para a existência de um templo em funcionamento em Jerusalém nos últimos dias.
A vinda desse príncipe, o pequeno chifre (Dn 7.8), trará profanação ao templo e perseguição violenta contra o povo judeu: “e sobre a asa das abominações virá o assolador”... enquanto a expressão “e isso até à consumação” aponta para a volta vitoriosa do Messias (Dn 2.35,45). Com o fim da septuagésima semana virá juízo sobre o assolador: “e o que está determinado será derramado sobre o assolador”.
Ainda em Daniel 11.31, para corroborar com a presença de um templo judaico reconstruído em Jerusalém, é dito que o Anticristo profanará o santuário e cessará o sacrifício contínuo. Essa será a primeira metade dos sete anos de Tribulação. A partir desse tenebroso evento, começará a contar os últimos três anos e meio, ou mil, duzentos e noventa dias (Dn 12.11).
“Ai daqueles que desejam o dia do Senhor! Para que quereis vós este dia do Senhor? Será de trevas e não de luz” (Amós 5.18). O “dia do Senhor” é justamente o dia de Sua ira – o período da Tribulação. A ira do Senhor jamais cairá sobre a Sua Igreja, pois Cristo disse que não há condenação para a Igreja, já que ninguém pode tirá-la de Suas mãos (Jo 10.28).
A prova de que essa semana final (Tribulação e Grande Tribulação) ainda não se cumpriu na história está no fato de Cristo definitivamente relacionar esses importantes eventos com sua segunda vinda para julgar as nações (Mt 24.6,15-16). Esse evento se difere do arrebatamento da Igreja, que terá ocorrido antes da Tribulação de sete anos. O arrebatamento da Igreja ocorre antes do período da Tribulação (Ap 3.10), enquanto a segunda vinda de Cristo ocorre após esse período (Mt 24.27-30). Sendo assim, Cristo descerá em Sua segunda vinda com a Igreja já arrebatada para reinar por mil anos sobre a Terra.
Portanto, no primeiro ponto, tratando-se do versículo 15, quando chegamos na parte em que diz “no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel”, estamos falando do Anticristo invadindo e profanando o novo e terceiro Templo de Jerusalém. O apóstolo Paulo fala da manifestação do Anticristo como “o homem do pecado” e “o filho da perdição”, querendo ser adorado. Para isso ele “se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Tessalonicenses 2.3,4).
Por isso, o terceiro templo também é conhecido como o templo da Tribulação e o templo do Anticristo. Conforme João em Apocalipse, haverá um templo com altar e adoração construído pelos judeus ortodoxos para o período da Tribulação (Ap 11.1). Esse templo será profanado pelo Anticristo e pisado pelos gentios:
“E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses” (Apocalipse 11.2).
Mas o domínio do Anticristo não durará para sempre sobre o Monte do Templo, pois ele será interrompido pelo advento do Messias, isto é, na segunda vinda de Cristo com Sua Igreja, o qual o destruirá e finalmente estabelecerá o seu reino em Jerusalém e sobre toda a terra (Ap 20.4).
AS GRÁVIDAS, O INVERNO E O SÁBADO
No versículo 16 Jesus fala para os judeus fugirem para os montes quando virem que a “abominação da desolação entrou no lugar santo” – no Templo de Jerusalém.
Quando chegamos nos versículos 19 e 20, vemos Jesus falando do sofrimento maior entre as grávidas e alertando para que eles orem para que tudo isso não ocorra no inverno ou no sábado. Sendo assim, temos três problemas aqui quando ocorrer aquele terrível dia: 1 – “Ai das grávidas e das que amamentarem naquele dia” (vs. 19); 2 – A fuga não pode ocorrer no inverno (vs. 20a) nem no sábado (vs. 20b)). Mas, por que?
Jesus adverte sobre o sofrimento das grávidas e os perigos de "fugirem para os montes" no inverno ou no Sábado. Temos três empecilhos para a fuga dos judeus que estiverem em Jerusalém neste dia.
Deve-se ressaltar que não há espaço para a interpretação estapafúrdia dos teólogos do pacto que dizem que essa passagem está direcionada a nós, a Igreja de Deus. Oras, se a fuga para os montes, em Mateus 24, se referisse ao povo celestial de Deus, aos nascidos do Espírito Santo, sendo convertidos em Cristo Jesus, não haveria necessidade de adverti-los sobre o inverno, o Sábado judaico e as grávidas, já que:
A IGREJA NÃO PRECISA FUGIR DE NADA
Mais uma vez, esse recado (de fugir para os montes) não é para a Igreja. Não precisamos fugir de nada! Assim como os primeiros cristãos da era apostólica e pós-apostólica, somos entregues à morte todos os dias por amor a Cristo (Rm 8.36), e “nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6.12). Durante toda a era da Igreja (povo celestial de Deus), os cristãos são perseguidos e assassinados por seguirem a Cristo, e não há registro no Novo Testamento, isto é, de Atos até Apocalipse, de uma ordem dada à Igreja para que fuja do Anticristo. Isso mostra que nós, o Corpo de Cristo, não teremos nem contato com ele. Então, sabemos que a ordem de “fugir para os montes” só pode estar conectada ao povo judeu que estará exatamente onde o Anticristo estará, isto é, em Israel, no Templo.
2 – POR QUE ORAR PARA QUE NÃO OCORRA NO INVERNO?
Por que orar para que aquelas coisas não ocorram no inverno? Quem tem um pouco de conhecimento sobre a região de Israel e de toda a Palestina saberá que nos finais de ano, por volta de dezembro segundo o nosso calendário, os invernos na região de Israel são rigorosos, impedindo qualquer deslocamento amplo de pessoas. O frio lá é quase insuportável nessa época. No Oriente Médio em novembro, quando o clima está mais ameno, possibilitava que os pastores guardassem o rebanho de suas ovelhas durante as vigílias da noite (Lucas 2.8).
Esse ato jamais poderia ocorrer na Judéia durante o inverno, perto do fim do ano. Por que? Porque os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de outubro e, durante a noite, os abrigavam rapidamente para protegê-los do rigoroso inverno que se aproximava. Era um tempo frio e de muitas chuvas.
A Bíblia nos mostra com muita clareza, em Esdras 10.9,13, que o inverno em Israel era época de chuvas e de muito frio, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frígidas noites no campo:
“Então todos os homens de Judá e Benjamim em três dias se ajuntaram em Jerusalém; era o nono mês, aos vinte dias do mês; e todo o povo se assentou na praça da casa de Deus, tremendo por este negócio e por causa das grandes chuvas” (Esdras 10.9).
“Porém o povo é muito, e também é tempo de grandes chuvas, e não se pode estar aqui fora; nem é obra de um dia nem de dois, porque somos muitos os que transgredimos neste negócio” (Esdras 10.13).
Portanto, é essa a razão de Jesus ter dito aos judeus para que, naquele dia, eles orem para que a sua fuga não aconteça no inverno. Será impossível saírem nos campos para se deslocarem para qualquer lugar que seja nessa época do ano.
3 – POR QUE ORAR PARA QUE NÃO OCORRA NO SÁBADO?
O que os gentios ou a Igreja de Deus tem a ver com o Sábado dos judeus? NADA. Portanto, mais uma vez, vemos que Jesus se dirige diretamente aos judeus que sofrerão na Tribulação. Por que orar para que não ocorra no Sábado (vs. 20)? Aqui já podemos incluir a resposta para o sofrimento das grávidas caso o Anticristo apareça neste dia sagrado, o Sábado. A palavra “Sábado” vem do hebraico Shabat, que significa “Descanso” – o dia judaico dedicado ao descanso e ao culto. Todavia, para o cristão, mediante o evangelho da graça e conforme vários versículos do Novo Testamento, o próprio Cristo é o nosso sábado, pois é Ele quem diz ser o nosso Sábado, e é Nele que somos convidados a descansar todos os dias, em espírito e em verdade (Mt 11.28; Mc 7.27,28; Jo 4.23).
O Sábado está entre os Dez Mandamentos do Antigo Testamento da Bíblia. A ordem de Deus para o povo de Israel na dispensação da lei era esta:
“Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou” (Êxodo 20.8-11).
Em Deuteronômio vemos mais uma razão para Deus ter ordenado ao povo de Israel que guardasse o dia do Sábado. Os israelitas deviam guardar o Sábado para que se lembrassem da libertação da escravidão do Egito:
“Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor teu Deus. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado” (Deuteronômio 5.12-15).
A pena de morte era imputada àqueles que não cumpriam com a guarda do sábado. Ninguém, dentre os judeus, podia fazer qualquer obra ou trabalho, por mais pequeno que fosse o ato. Essa é uma aliança perpétua para com o Seu povo terreno, Israel. Assim, Deus disse a Israel:
"Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica. Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo. Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao Senhor; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se" (Êxodo 31.12-17).
O texto é claro: A guarda do sábado é um sinal ou aliança apenas para os filhos de Israel e a ninguém mais.
O Sábado era o sinal da aliança de Deus para com eles. Era um prenúncio do descanso no qual o povo de Deus deveria entrar. Todavia, por causa da desobediência e total desprezo por parte daqueles que se dirigiam à terra prometida, Deus jurou em Sua ira que não entrariam no Seu “descanso” (Salmo 95.11). Deus tem o propósito de introduzir o Seu povo (Israel) no Seu descanso, para o qual permanece ainda a guarda do Sábado (Hebreus 4.9).
Aprofundando-nos um pouco mais na questão etimológica, vemos que a palavra hebraica שבת, shabāt, tem relação com o verbo שבת, shavāt, que significa "cessar", "parar". Ou seja, apesar do Shabat ter uma relação predominante com "descanso" ou "período de descanso", temos uma tradução mais literal, que seria "Cessação", com a nítida implicação em "parar o trabalho". Portanto, Shabat é o dia de cessação do trabalho.
4 – AS GRÁVIDAS
O fato dos judeus não poderem se esforçar no Sábado e a dificuldade de locomoção das grávidas judias irão dificultar em muito a fuga para os montes quando o Anticristo se introduzir no Templo santo e se autoproclamar “Deus”. É por isso que Jesus alertou os judeus sobre o sofrimento das grávidas (vs 19) e para que o Anticristo não chegue ao Templo no inverno ou no santo Sábado dos judeus (vs. 20).
Já imaginou o sofrimento das grávidas e das que amamentam quando o Anticristo chegar até o Templo no inverno ou no sábado? Como já fora explicado, o Sábado judaico é o dia da “Cessação”, quando não se pode fazer obra ou esforço algum.
Desde a queda do homem Deus tem trabalhado no sentido de ser misericordioso. Porém, o homem sempre rejeita a Deus. No Antigo Testamento dizia que Deus visitaria a maldade dos pais nos filhos por gerações, e isso nos mostra como são graves as consequências de nossas escolhas erradas.
Mateus 24 é dirigido ao povo judeu, o mesmo que rejeitou o Messias e irá sofrer por isso. Hoje os judeus estão de volta à terra, mas em incredulidade, isto é, não como o cumprimento da profecia que diz que o próprio Deus os levará para lá. Por terem voltado por iniciativa própria, eles nada mais do que agravaram sua própria situação, pois é ali mesmo que cairão os juízos descritos em Mateus 24. Do povo judeu, que estiver na terra de Israel por ocasião da grande tribulação, apenas um terço sobreviverá.
“Em toda a terra, diz o Senhor, as duas partes dela serão exterminadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela. E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O Senhor é meu Deus” (Zacarias 13.8-9).
Portanto, quando você lê “ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias”, você está lendo sobre as mulheres judias e seus filhos, os quais sofrerão o dano das escolhas erradas daquele povo ou da rejeição de seu Messias.
“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias” (Mateus 24.21,22).
– JP Padilha
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Seria o Domingo um substituto do Sábado judaico? | JP Padilha
Não. O Domingo do calendário ocidental não substitui o Sábado dos judeus. As regulamentações que regem a observância da guarda do dia do Sábado estão no Antigo Testamento. Tais regulamentações são aspectos da lei cerimonial (lei de Moisés) e não moral. Ou seja, o Sábado judaico não tem lugar no Novo Testamento. Essas regulamentações mosaicas não estão mais em vigor, pois foram juntamente findadas com o sistema de sacrifícios, o sacerdócio levítico e todos os outros aspectos da lei de Moisés que prefiguravam Cristo.
Em Colossenses 2.16-17, Paulo refere-se explicitamente à guarda do dia do Sábado como uma “sombra de Cristo”, a qual não é mais obrigatória desde que a substância (Cristo) veio. Os versos nos mostram que o Sábado semanal está em vista quando lemos a frase "nos sábados, nas luas novas e nas festas fixas". Essa frase faz referência aos dias santos judaicos do ano, dos meses e das semanas do calendário judaico, os quais fazem parte da aliança perpétua com Israel (cf. 1 Cr 23.31, 2 Cr 2.4; 31.3, Ez 45.17; Os 2.11).
Se o apóstolo da graça estivesse falando de datas cerimoniais especiais de descanso na passagem de Colossenses 2.16-17, por que ele usaria a palavra "Sábado” (Shaba)? Sendo assim, fica patente que Paulo trata esses “dias e festas cerimoniais” como algo ultrapassado e ilegítimo para a Igreja de Deus.
Como já fora tratado neste capítulo, o Sábado era um sinal para Israel na aliança mosaica (Ex 31.16-17, Ez 20.12; Nm 9.14). Todavia, a Igreja não é o cumprimento da nova aliança prometida a Israel. Esta nova aliança ainda será cumprida no futuro (Hb 8). Todavia, a Igreja de Cristo não está obrigada a observar o sinal da aliança mosaica, nem o sinal da nova aliança que será feita com Israel.
Também observamos que o Novo Testamento não ordena que os cristãos guardem o dia do Sábado, e as razões aqui mostradas são mais do que suficientes. Os apóstolos estabeleceram o "primeiro dia da semana" (At 20.7; 1Co 16.2) para culto, adoração e ministério. Deus não ordenou que o cultuássemos no primeiro dia da semana. Isso foi uma decisão humana apenas. Portanto, o culto público pode ser feito em qualquer dia da semana, se assim for possível ou necessário. Não há sequer uma ordem de Deus no Novo Testamento de que devemos "guardar o domingo" como um "dia especial" para Ele.
Vale ressaltar que não somente na era da Igreja o Sábado jamais fora ordenado às nações gentílicas, como também em nenhum período do Antigo Testamento Deus ordenou que os gentios guardassem o dia do Sábado, senão que Ele o fez somente a Israel, Seu povo terreno, a Sua “menina dos olhos”. Na Bíblia, os gentios nunca são condenados por não guardarem o dia do Sábado. Ora, se a observância deste dia sagrado dos judeus fosse um princípio moral e universal, certamente teríamos ordens detalhadas nas epístolas dos apóstolos acerca deste mandamento. Mas o fato é que não vemos nada disso no evangelho da graça. Também não existem quaisquer comandos na Bíblia para se guardar o dia de Sábado antes da promulgação da lei no monte Sinai. Ou seja, antes de Moisés, ninguém foi ordenado a seguir esta lei.
No dia em que os apóstolos se reuniram no Concílio de Jerusalém (At 15), eles não estabeleceram a guarda do dia do Sábado para os cristãos gentios, simplesmente porque não faria qualquer sentido. Jesus nunca deu tal ordem aos apóstolos, nem enquanto estava fisicamente com eles nem nas revelações à Igreja primitiva.
Qualquer israelita que descumprisse a guarda do Sábado estava sujeito à pena de morte (Ex 31.12-17). O apóstolo Paulo advertiu os gentios sobre diferentes pecados em suas epístolas, mas nunca falou nada sobre ter que guardar o Sábado. Absolutamente nada. A propósito, não somente Paulo, como nenhum apóstolo jamais deu tal ordem aos gentios.
Em Gálatas 4.10-11, Paulo repreende os gálatas por pensarem que Deus esperava que eles guardassem “dias santos e especiais”, incluindo o Sábado:
“Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio que eu haja trabalhado em vão para convosco” (Gálatas 4.9-11).
Em um determinado período da Igreja primitiva, os cristãos judaicos (judeus recém convertidos) ainda guardavam o dia do Sábado e condenavam os cristãos gentios por não fazerem o mesmo. Isso ocorria porque os cristãos judaicos ainda não compreendiam que estavam em uma nova dispensação. Os cristãos gentios estavam sendo mal tratados pelos cristãos judaicos por não guardarem o dia do Sábado. Assim, Paulo repreendeu severamente os cristãos judaicos por imporem tal lei aos gentios:
“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz” (Romanos 14.4-6).
Portanto, definitivamente, o Domingo do calendário ocidental não substituiu o Sábado para ser dia de Shabat. Em contrapartida, temos o primeiro dia da semana como referência dos apóstolos, momento em que os crentes se reúnem para a celebração de Sua ressurreição, a qual ocorre no primeiro dia da semana. Para nós, cristãos, cada dia, cada hora, cada minuto e cada momento é um momento santo como o Sábado, mas não por cessarmos de trabalhar ou de fazer quaisquer tarefas, e sim porque fazemos um trabalho espiritual em nós mesmos e descansamos sob o nome do Senhor Jesus Cristo e na Sua salvação em nós (Hb 4.9-11).
“Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas. Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar. Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4.9-16).
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O cristão deve guardar o Sábado? | JP Padilha
A resposta é “não”. O Sábado nunca foi ordenado às nações pagãs, nem à Igreja de Deus, mas tão somente à nação de Israel. Dentre os pecados citados no Novo Testamento, a guarda do Sábado nunca é mencionada. A transgressão do Sábado simplesmente não existe na dispensação da graça, porque o povo celestial (Igreja) de Deus não possui essa lei.
O maior problema dos cristãos professos da atualidade não é a falta de estudo da Palavra, mas a falta de compreensão da diferença entre o que é dito para Israel e o que é dito para a Igreja. Não sancionam a distinção que há entre a nação terrenal de Deus e o Seu povo celestial. Quando exortamos essas pessoas a respeito do tema, agem como animais irracionais; nos acusam de sermos "estudiosos e detalhistas demais". Por conta disso, fica a critério de cada um o que irão ou não cumprir na Bíblia. Cada denominação religiosa segue uma cosmovisão mais bizarra do que a outra por causa desse distúrbio. Na visão dessas pessoas, a Bíblia é um conjunto de leis direcionadas somente à Igreja, quando, na verdade, a Igreja só veio a existir em Atos 2.
Vale salientar que a Lei não foi abolida. A Lei continua tendo o seu papel, pois foi o próprio Senhor Jesus Cristo que afirmou que não veio para abolir a lei, mas sim para cumpri-la (Mt 5.17). Aliás, Ele foi o único capaz de cumpri-la. Nenhum outro homem pode cumprir a Lei.
No entanto, é preciso que entendamos que, na Bíblia, existem duas coisas completamente distintas: o que funcionava antes da Igreja e o que é direcionado para a Igreja. Enquanto a morte e ressurreição de Cristo não ocorre na Bíblia, Deus está tratando com Seu povo terreno, Israel. Após a morte e ressurreição de Jesus, Deus coloca Israel de lado e começa a tratar com o Seu povo celestial, a Igreja, escolhida antes mesmo dos judeus nos desígnios de Deus, antes mesmo da fundação do mundo. Finalmente, após o período experimental de Atos, chegamos na doutrina dos apóstolos (epístolas), onde os preceitos para a Igreja estão compilados. Ali sim, Deus está falando especificamente com os santos da Igreja.
Todavia, por não entender o que vem antes da Igreja e o que vem depois dela, a maioria das pessoas da cristandade encontra muita dificuldade para compreender o princípio do Sábado ou o Shabat dos judeus. Muita gente acredita que o cristão deve guardar o Sábado da mesma maneira que faziam os israelitas.
O SÁBADO NÃO É ENCONTRADO
NO NOVO TESTAMENTO
Não só nos preceitos de Atos 15.19-20, 29, como também em todo o Novo Testamento, ou seja, na doutrina dos apóstolos, não há recomendação ou mandamento para se guardar o Sábado, apesar de encontrarmos todos os outros mandamentos do Decálogo:
1º Mandamento no Antigo Testamento: "Não terás outros deuses diante de mim" (Êxodo 20.3).
1º Mandamento no Novo Testamento: "Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só" (I Coríntios 8.4).
2º Mandamento no Antigo Testamento: "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra" (Êxodo 20.4).
2º Mandamento no Novo Testamento: "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém" (1 João 5.21)
3º Mandamento no Antigo Testamento: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êxodo 20.7)
3º Mandamento no Novo Testamento: "Para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados". (I Timóteo 6.1b)
4º Mandamento no Antigo Testamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas" (Êxodo 20.8-10)
4º Mandamento no Novo Testamento: NÃO EXISTE!
5° Mandamento no Antigo Testamento: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá" (Êxodo 20.12).
5º Mandamento no Novo Testamento: "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa" (Efésios 6.2).
6º Mandamento no Antigo Testamento: "Não assassinarás" (Êxodo 20.13)
6° Mandamento no Novo Testamento: "Com efeito:...não matarás..." (Romanos 13.9).
7º Mandamento no Antigo Testamento: "Não adulterarás" (Êxodo 20.14)
7º Mandamento no Novo Testamento: "Não erreis:... nem os adúlteros herdarão o reino de Deus" (1 Coríntios 6.10).
8º Mandamento no Antigo Testamento: "Não furtarás" (Êxodo 20.15).
8º Mandamento no Novo Testamento: "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade" (Efésios 4.28).
9º Mandamento no Antigo Testamento: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êxodo 20.16).
9º Mandamento no Novo Testamento: "Com efeito:... não darás falso testemunho, ..." (Romanos 13.9).
10º Mandamento no Antigo Testamento: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êxodo 20.17).
10º Mandamento no Novo Testamento: "Com efeito:... não cobiçarás" (Romanos 13.9).
POR QUE O QUARTO MANDAMENTO DO DECÁLOGO NÃO APARECE NO NOVO TESTAMENTO?
"Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei" (Hebreus 7.12).
“Porque não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4.15,16).
“Chamado por Deus Sumo Sacerdote (Jesus), segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 5.10).
“... Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 6.20).
“Temos um Sumo Sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem. Porque todo o sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; por isso era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer. Ora, se ele estivesse na terra, nem tão pouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei, Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais” (Hebreus 8.1-5).
“Mas, vindo Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hebreus 9.11,12).
Porque em Deuteronômio Deus diz a Israel: "Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Deuteronômio 5.15).
O texto sagrado nos mostra que Deus ordenou a guarda do Sábado em lembrança da libertação de Israel da escravidão do Egito, e, por isso, a ordenança do Sábado é exclusiva para Israel. Ela em nada tem a ver com a Igreja.
Agora, note bem uma coisa: É muito importante perceber que o apóstolo Paulo disse que tudo de útil ensinou, e que não deixou de ensinar todo o conselho de Deus à Igreja. Ora, se Paulo não deixou passar nada do que Deus estabelecera ao Seu povo celestial, onde está o “Sábado Cristão”? A resposta para tal é que o apóstolo nada ensinou para nós cristãos a respeito do Sábado:
"Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas, testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (Atos 20.20,21,26,27)
Sendo assim, pergunto aos defensores do Sábado: Paulo ensinou ou não todo o conselho de Deus? Teria Paulo esquecido de ensinar que temos que guardar o Sábado? Precisamos separar as coisas e abrir mão de doutrinas de homens, dos nossos vãos costumes e tradições religiosas a fim de compreender a simplicidade do que é dito para nós, cristãos. Nós, a Igreja de Deus, somos salvos quando cremos no Senhor Jesus, quando cremos no evangelho da graça e recebemos o Espírito Santo, e não por guardar o Sábado ou outro “dia santo” que tenham inventado por aí:
"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Efésios 1.3).
"Não deem ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade" (Tito 1.14).
Todos os dias para os cristãos devem ser santos, visto que a qualquer momento Jesus arrebatará a Igreja nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17).
AS PROMESSAS DE QUE A
GUARDA DO SÁBADO CESSARIA
"Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo" (Jeremias 31.31-33).
NOTA: Essa promessa é feita à Israel, não à Igreja. Essa nova aliança é prometida à nação de Israel. Israel está agora em estado de total cegueira enquanto Deus trata com a Igreja. Por isso que essa promessa se cumpre em todo homem que se converte a Jesus Cristo, como no caso dos cristãos judeus, que antes estavam debaixo da Lei de Moisés. No entanto, quanto à Israel, essa promessa ainda não foi cumprida, mas será futuramente.
Essa Nova Aliança trará o fim do Sábado:
"E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades" (Oséias 2:11)
Essa promessa se cumpriu na pessoa de Cristo para todos aqueles que se convertem ao Seu nome:
"Havendo (Cristo) riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados" (Colossenses 2.14-16).
Por essa razão, nos preceitos ensinados pelos apóstolos aos gentios que se convertem ao Evangelho de Cristo, a guarda do Sábado não aparece. Há sim muitas coisas as quais devemos guardar no Novo Testamento, mas nada é dito a respeito de guardar o Sábado:
"Por isso julgo que não se deve perturbar os gentios que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se guardem das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. Que vos guardem das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá" (Atos 15.19-20; 29).
Isso é o que a Bíblia diz. Isso é o princípio da hermenêutica irrefutável, quando os contextos acerca de um determinado assunto são unidos através de uma exegese histórico-gramatical consistente e concluem uma premissa sensata, sem eufemismos filosóficos.
QUAIS SÃO AS ORDENS PARA A IGREJA?
Enquanto os opositores do evangelho da graça pensam em uma resposta ridícula e esdrúxula para a minha explanação sobre o tema, tecerei aqui os princípios da Igreja de Deus que colocam em xeque toda essa prática judaizante infundada. Todo “sabatista” ou “dominguista” defende a ideia de que a Igreja deve guardar um dia especial para santificação, culto, adoração, oração e demais ordens de Deus. Porém, quando olhamos para os ensinamentos de Jesus Cristo a respeito da conduta cristã, não é bem assim que funciona. O Senhor Jesus Cristo ensinou que:
1 – Devemos desenvolver nossa santidade em todo o tempo, sem cessar (1 Pe 1:7; 1:15-20; 1 Tm 2:1-2; 2:8; At 6:4; 2 Tm 1:3; 1 Ts 1:3; Ef 4:20-32).
2 – Devemos orar e dar graças em todo o tempo, sem cessar (1 Ts 1:3; 2:13; 5:17; Lc 18:1; 1 Tm 2:8).
3 – Devemos cultuar a Deus todos os dias. Ainda que por tradição tenhamos o “dia do Senhor”, que é o primeiro dia da semana para culto, adoração e ministério públicos, esse culto também se estende à vida cotidiana e ao lar, sem cessar (Rm 12:1-2; Jo 4:19-24).
4 – Na nova dispensação, na Igreja de Deus, não há um templo onde devamos adorar a Deus, nem lugar especial algum que tenha sido estabelecido por Ele para culto, adoração e ministério. No evangelho da graça, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto a Deus está restrito a um determinado lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija. Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade (Jo 4.19-24; 5.21; Ml 1.11; 1 Tm 2.8; Jr 10.25; Jó 1.5; 2 Sm 6.18-20; Dt 6:6-7; Mt 6:11; 6:6; Is 56:7; Hb 10:25; Pv 5:34; At 2:42).
O apóstolo Paulo nivela a prática cerimonial de observância de dias festivos e sagrados, de judeus e gentios, quando diz:
“Digo, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo; mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco” (Gálatas 4.1-11).
Inspirado pelo Espírito Santo, o apóstolo da graça denomina a prática da “guarda de dias” como sendo rudimentos fracos e pobres, pois, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho para remir os que estavam “debaixo da lei” – presos à lei mosaica e às ordenanças caducas da era patriarcal. Paulo chama tais rudimentos de: Fracos, pobres, e que exigem subserviência. O apóstolo estabelece uma conexão de equiparação e isso acaba sendo estarrecedor, uma vez que, para Paulo, a prática vivenciada antes da fé cristã no paganismo e o assédio dos judaizantes na luta pela observância da Lei Mosaica são a mesma coisa! Para o apóstolo, tais práticas à parte da pessoa de Jesus Cristo possuem a mesma essência e tornam sem efeito a fé cristã. Sendo assim, ou você é um religioso partidário ou é uma nova criatura em Cristo (GL 5.6; 6.15; 2Co 5.17).
Jesus Cristo, nosso Sábado, nos chama para descansar nEle todos os dias da nossa vida terrena: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11.28,29).
"E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor" (Marcos 2.27-28).
A PRÁTICA MODERNA DA GUARDA DO SÁBADO
Examine a cena comigo: As crianças despertam com um cheiro agradável que toma conta de todos os recintos da casa. É o cheiro doce que brota do forno, de onde uma fornada de uma deliciosa challah está a ponto de sair. É o um odor marcante que aviva em sua mente a lembrança de que se aproxima um “dia especial”, o dia de Deus, pensam elas. Elas sabem que aquele pão especial somente pode ser preparado na véspera do Shabat, comemorando a provisão dupla de maná que o Eterno Jeová dava a Seu Povo no Deserto. Assim, elas se levantam bendizendo ao Eterno! É assim que começa o dia da preparação em uma família judia: com um marcante cheiro que não é sentido em nenhum momento durante a semana. É um dia “santo”, com propósitos santos em circunstâncias santas, pensam elas. Este momento é esperado com alegria pela família, pois todos se reunirão para receber as bênçãos do “Sábado” e agradecer a Deus por este “templo no tempo”, no qual nos encontramos com Ele.
Cada membro da família se prepara com esmero e emoção por esse dia maravilhoso e especial. Eles esperaram passar toda uma semana da agenda pagã para viverem esse momento. Com anseio e antecipação pelo “Sábado” que irão receber, a alegria se estampa no rosto de cada membro da família judaizante que certamente não irá cumprir o Sábado Judaico como ele de fato deveria ser cumprido, conforme o Antigo Testamento e o calendário de Israel.
Mas existe um problema: A palavra “Sábado” possui um outro sentido além de “Descanso”. O Sábado Judaico é também conhecido como "cessar de trabalhar". O que muitos não sabem é que o dia do Shabbat não é somente um dia de descanso – é um dia de “santidade”, quando as pessoas podem, por um curto período de tempo, deixar de lado suas perversidades, preocupações e objetivos da vida terrena e devotar-se à renovação espiritual e atividade religiosa no Templo. Porém, onde está o Templo? Sabemos ser o Templo de Jerusalém o único lugar escolhido pelo Senhor nas Escrituras para culto, adoração e guarda do Sábado. Como, então, os supostos guardadores do Sábado, do Domingo ou de qualquer outro “dia santo” irão fazer? Certo é que toda essa tentativa de cumprir com qualquer lei judaica faz com que o resultado seja nem Cristianismo nem Judaísmo, senão que uma mistura estapafúrdia de religiosidade seja praticada por cada um à sua maneira.
Quando as pessoas engrandecem somente um dia com o propósito de adorar a Deus, elas simplesmente o transformam em um ídolo. Na verdade, essas pessoas, presas ao sistema religioso denominacional, insistem que têm feito assim para a honra de Deus. Contudo, estão honrando ao diabo.
Nenhum dia é superior ao outro. Quando insistimos em criar uma prática baseada em nossas vãs filosofias e caprichos, blasfemamos contra Deus e criamos um ídolo, embora tenhamos feito tudo isso em nome de Deus. Quando tentamos adorar a Deus com ociosidade espiritual num “dia santo”, praticamos um pecado grave demais para ser suportado, pois tal obra carnal atrai outros pecados até atingirmos a medida da iniquidade.
– JP Padilha
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A verdade sobre o Sábado e outros "Dias Santos" | JP Padilha
A primeira coisa que um cristão deve saber a respeito do Sábado Judaico é que esta lei se trata de uma ordem de Deus dada ao povo de Israel e não à Igreja. A segunda coisa é que o sábado não foi abolido, nem mesmo um i ou um til da lei, como Jesus mesmo disse, e nós constataremos isso mais à frente. A terceira coisa importante é que devemos sempre saber diferenciar as ordens dadas por Deus a Israel das ordens dadas por Ele à Igreja. As ordens dadas a Israel são diferentes das que Ele estabeleceu para Sua Igreja. Dito isto, vamos tentar falar mais a respeito deste mandamento e entender por que a Igreja está isenta do mesmo.
A palavra “Sábado” vem do hebraico Shabat, que significa “Descanso” – o dia judaico dedicado ao descanso e ao culto. Todavia, para o cristão, mediante o evangelho da graça e conforme os versículos que aqui serão apresentados de forma sistemática, o próprio Cristo é o nosso sábado, pois é Ele quem diz ser o nosso Sábado, e é Nele que somos convidados a descansar todos os dias, em espírito e em verdade (Mt 11.28; Mc 7.27,28; Jo 4.23).
Muitos grupos e seitas religiosas, tais como Adventismo do Sétimo Dia, Igreja Presbiteriana do Brasil e Igreja Católica Romana, ensinam que deveríamos guardar um dia para o Senhor. No Adventismo do Sétimo Dia este dia é o sétimo, enquanto que na Igreja Presbiteriana e Católica é o primeiro. Isso ocorre porque, de acordo com a crença presbiteriana e católica, o Shabat foi transferido para o dia do Senhor, que é o primeiro dia da semana escolhido pelos apóstolos e primeiros cristãos para culto, adoração e ministério, quando partiam o pão entre si (At 20.7; 1 Co 16.2). Porém, o dia do Senhor não tem nenhuma relação com o Sábado judaico. Essas pobres almas dedicam um “culto especial” em favor de um “dia santo” nunca antes estabelecido pelo evangelho de Cristo! Isso se chama idolatria. Trata-se do ato de considerar um dia como sendo “santo” ou mais importante do que os outros. Isso ocorre pela falta de conhecimento, de um estudo responsável das Escrituras e pela ausência de uma compreensão saudável acerca das dispensações da Bíblia. De fato, como já fora dito em outro capítulo, o Sábado Judaico não é encontrado no Novo Testamento porque se trata de uma instituição puramente judaica, provida de um calendário lunar e impossível de ser praticada pela Igreja cristã, ainda que existisse tal lei na dispensação da graça, isto é, no Novo Testamento.
O SÁBADO JUDAICO
O Sábado está entre os Dez Mandamentos do Antigo Testamento da Bíblia. A ordem de Deus para o povo de Israel na dispensação da lei era esta:
“Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou” (Êxodo 20.8-11).
Em Deuteronômio vemos mais uma razão para Deus ter ordenado ao povo de Israel que guardasse o dia do Sábado. Os israelitas deviam guardar o Sábado para que se lembrassem da libertação da escravidão do Egito:
“Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor teu Deus. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado” (Deuteronômio 5.12-15).
A pena de morte era imputada àqueles que não cumpriam com a guarda do sábado. Ninguém, dentre os judeus, podia fazer qualquer obra ou trabalho, por mais pequeno que fosse o ato. Essa é uma aliança perpétua para com o Seu povo terreno, Israel. Assim, Deus disse a Israel:
"Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica. Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo. Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao Senhor; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se" (Êxodo 31.12-17).
O texto é claro: A guarda do sábado é um sinal ou aliança apenas para os filhos de Israel e a ninguém mais. Mas há uma profecia para a chegada de uma Nova Aliança ou Novo Pacto para com Israel. Falaremos sobre a cessação do Sábado mais à frente.
Em suma, o Tanach e o sidur (livro judaico de rezas) descrevem o Shabat como tendo três propósitos:
1 – Uma comemoração da redenção da escravidão dos israelitas do antigo Egito;
2 – Uma comemoração das criações do universo de Deus;
3 – Uma pequena experiência do mundo na Era Messiânica.
O primeiro mandamento relacionado ao Shabat é o quarto dos Dez Mandamentos (Ex 20.8-10 e Dt 5.12-14). O status especial do Shabat como dia sagrado aparece no Tanach: “E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera” (Gênesis 2.3).
Em Levítico 23 vemos que o Sábado tinha um lugar peculiar nas ordenanças de Israel: “Seis dias trabalho se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhum trabalho fareis; sábado do Senhor é em todas as vossas habitações” (Levítico 23.3). Para um melhor entendimento dos comandos de Levítico 23, sugiro que o leitor atente-se para o capítulo completo.
Nas festas de Jeová, nas santas convocações, o Sábado de Jeová é mencionado primeiramente como a prova da grandiosa intenção de Deus em libertar Israel da escravidão do Egito. Essa é a razão pela qual o Senhor ordenou os judeus a guardarem o sábado (Dt 5.15). O Sábado era o sinal da aliança de Deus para com eles. Era um prenúncio do descanso no qual o povo de Deus deveria entrar. Todavia, por causa da desobediência e total desprezo por parte daqueles que se dirigiam à terra prometida, Deus jurou em Sua ira que não entrariam no Seu “descanso” (Salmo 95.11). Deus tem o propósito de introduzir o Seu povo (Israel) no Seu descanso, para o qual permanece ainda a guarda do Sábado (Hebreus 4.9).
Nosso Senhor Jesus ofendeu os judeus várias vezes por não guardar o Sábado à maneira dos judeus segundo a Torá. Isso aconteceu devido aos atos de misericórdia que Ele praticava durante o dia em que se guardava o Sábado. No entanto, esses atos de Jesus prenunciavam a aproximação da dissolução da aliança da lei (Ex 31.13,17; Ez 20.12,20).
Aprofundando-nos um pouco mais na questão etimológica, vemos que a palavra hebraica שבת, shabāt, tem relação com o verbo שבת, shavāt, que significa "cessar", "parar". Ou seja, apesar do Shabat ter uma relação predominante com "descanso" ou "período de descanso", temos uma tradução mais literal, que seria "Cessação", com a nítida implicação em "parar o trabalho". Portanto, Shabat é o dia de cessação do trabalho. O descanso, nesse caso, é implícito na tradição judaica, não sendo uma denotação da palavra em si. Por exemplo, a palavra em hebraico para "greve" é shevita, que vem da mesma raiz hebraica que Shabat e tem a mesma implicação. Nesse caso, sempre que uma greve acontece vemos trabalhadores praticando o Shabat de alguma forma, porém, não de maneira ativa, consciente ou sequer normativa, visto que estes não estão pensando em honrar a Deus, mas em se rebelar contra o Estado ou governo instituído a uma nação gentia... etc.
AS SEITAS QUE GUARDAM O “SÁBADO”
Vale aqui um alerta sobre uma denominação religiosa muito conhecida por guardar o “sábado”: O Adventismo do Sétimo Dia. É bom alertar o leitor de que as crenças e ensinos de seitas como o Adventismo são instituídas em total desobediência à Palavra de Deus. São ensinamentos puramente heréticos e sem fundamento algum nas Escrituras Sagradas. De fato, o Adventismo do Sétimo Dia, assim como religiões semelhantes a ele, desenvolvem suas bases doutrinárias no movimento criado por William Miller, que tinha o péssimo hábito de marcar a data da volta de Cristo. Mais tarde, o movimento adotou para si uma profetisa chamada Ellen White, a qual alegava ter visões e receber revelações diretas de Deus. O Adventismo do Sétimo Dia é quase todo baseado nos ensinos e “visões” de Ellen White, e a Palavra de Deus nos dá razões suficientes para não darmos crédito a esses ensinos. Muito pelo contrário, a Palavra de Deus nos exorta a abominar tais doutrinas, chamando-as de doutrinas de demônios e preceitos de homens (1 Tm 4.1; Mt 15.9).
À propósito, o fato das seitas, tais como o Adventismo do Sétimo Dia, permitirem que mulheres estejam em funções que são direcionadas somente aos homens já as coloca na lista das piores seitas pentecostais e carismáticas da cristandade moderna:
"Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja. Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14.34-37).
Se Ellen White se considerasse realmente espiritual, ela teria reconhecido esse mandamento do Senhor: que as mulheres não devem ensinar e devem permanecer caladas nas reuniões da igreja. Não se trata de considerar a mulher inferior ao homem ou de um capricho cultural da época neo-testamentária, mas trata-se de uma questão de ordem que o próprio Deus estabeleceu: "Reconheça que as coisas que vos escrevo são MANDAMENTOS DO SENHOR".
A razão pela qual esse mandamento é dado à Igreja é esta:
"A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (1 Timóteo 2.11-14).
Ou seja, a razão pela qual a mulher não deve “abrir a boca” na congregação durante o culto ou no ministério é que Adão não foi enganado, mas simplesmente decidiu seguir sua mulher na decisão que ela já tinha tomado. Eva seguiu as palavras da Serpente e foi enganada. Por esta razão Deus não permite que a mulher ensine ou fale nas reuniões da igreja: a mulher é mais suscetível ao engano e à heresia nas coisas referentes à doutrina. Não sou eu quem digo isso, mas a doutrina dos apóstolos. A mulher possui sua esfera de atuação na Igreja, mas essa esfera não inclui o ato de ensinar doutrinas aos homens. É assim que funciona porque Deus assim ordenou à Igreja.
Portanto, na maioria das vezes, é infrutífero ensinar qualquer coisa aos membros da seita Adventista porque eles continuarão tirando suas conclusões com base em doutrinas ensinadas por uma mulher, algo claramente desautorizado por Deus. De nada adiantaria eu tentar curar o ferimento no pé de alguém que pretende continuar usando sapato com prego. A propósito, se Deus nos proíbe de ouvir “doutrinas e preceitos de homens”, quanto mais somos proibidos de dar ouvidos a doutrinas e preceitos inventados por mulheres?
Sendo assim, quando o alicerce da doutrina está fora do fundamento original, todas as doutrinas relacionadas a este alicerce estão corrompidas. Em outras palavras, quando o alicerce de uma casa está fora do projeto original de sua estrutura, todas as suas paredes, por mais belas e firmes que sejam, estarão igualmente fora do projeto original. É uma questão de fundamento. Você segue as doutrinas ensinadas por seitas judaizantes que guardam o “sábado”? Então você precisa se empenhar em resolver isso antes de querer entender outras coisas da Palavra de Deus. É necessário que o crente saia imediatamente do sistema no qual ele se acostumou com o erro para que ele possa aprender a verdade.
– JP Padilha
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