Deus criou tudo perfeito, mas usou de Sua criação para impingir o mal nela | JP Padilha
A Bíblia apresenta o mal tanto como uma realidade espiritual e moral personificada (Satanás, líder ativo das forças das trevas) quanto como uma corrupção e distorção do bem. O mal também pode se referir a calamidades (catástrofe, tragédia, desastre, sofrimento, etc.). No entanto, as Escrituras evitam o dualismo, indicando que o mal não é um ser com poder igual ao de Deus.
O MAL COMO ENTIDADE E FORÇA REAL:
• Satanás e Demônios: A Bíblia descreve Satanás não como um conceito, mas como uma criatura espiritual real, um anjo caído que liderou uma rebelião. Ele é chamado de "o tentador" (Mateus 4.3), "o deus deste século" (2 Coríntios 4.4) e "o príncipe deste mundo" (João 12.31). Além do mais, Pedro nos adverte: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Ao qual resisti, firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” (1 Pedro 5.8-9). Deus criou Satanás como uma criatura perfeita, assim como o fez com o homem, mas impingiu nele o mal ao decretar que ele se rebelasse. Isso nos diz que Deus criou o mal personificado – Satanás e seus demônios.
Em Isaías 45.7 temos dois conceitos do mal criado por Deus, e isso depende do contexto que estamos tratando. Senão, vejamos:
“Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há deus... Eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas...” (vv. 5-7). “Porventura, dirá o barro ao que o formou: ‘Que fazes?’ Ou a tua obra: ‘Não tens mãos?’” (v.9). “Ai daquele que diz ao pai: ‘Que é o que geras?’ E à mulher: ‘Que dás tu à luz?’” (v. 10).
Em outras palavras, “Eu sou o único Deus. Seja na prosperidade ou desastre; seja na criação do “barro” (a criatura). Eu sou o Criador de todas estas coisas — não há outro Deus para fazê-las. Você ousa me questionar sobre isso? Quem é você para objetar?”.
• Conflito Cósmico: As Escrituras frequentemente retratam a história humana inserida em um conflito espiritual e real entre as forças de Deus e as forças das trevas (Efésios 6.11-20).
• A Personificação do Erro: Textos como Efésios 6.12 destacam que a luta cristã “não é contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
O MAL COMO CORRUPÇÃO E DISTORÇÃO DO BEM
• O Mal como Inversão de Valores: “"Ai dos que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isaías 5.20).
• O Pecado como um Desvio do Alvo: "[...] não torcerás o direito, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno, porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16.19).
• A Corrupção do Coração Humano: “Porque do interior, do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7.21-23).
• A Superação do Mal pelo Bem Original: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.21).
O MAL EM FORMA DE CALAMIDADES
Na Bíblia, o termo "mal" é frequentemente usado no sentido de calamidade, desastre, aflição, sofrimento, disciplina ou juízo divino, e não apenas como maldade personificada ou pecado. Nesses contextos, ele representa as consequências difíceis da vida ou as correções de Deus.
Aqui estão versículos-chave onde o "mal" denota adversidade:
• Deus como Causador direto dos Males no Mundo:
Isaías 45.7: “Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz e crio o mal; Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas”. Este verso já foi citado no início deste artigo como o mal em sua forma personificada (Satanás e seus demônios), mas este mesmo termo, de acordo com a língua original em que foi escrita, significa tanto mal moral como mal no sentido de sofrimento, adversidade, desastre, sofrimento disciplina de Deus ou juízo de Deus.
Salmos 34.19; 57.1: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades”. Estes versos referem-se às "aflições" e "calamidades" que os justos enfrentam, buscando abrigo em Deus.
Amós 3.6: “Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?”. Aqui, o servo do Senhor questiona se algum "mal" (desastre) na cidade ocorre sem a soberania de Deus.
Lamentações 2.21: “ Jazem por terra pelas ruas o moço e o velho, as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira; mataste e não te apiedaste”.
A EXPRESSÃO HEBRAICA PARA MAL – “RA” (ISAÍAS 45.7)
“Eu formo a luz, e crio as trevas; Eu faço a paz, e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Isaías 45.7).
A expressão hebraica usada para mal é “Ra”. Esta palavra é utilizada na Bíblia tanto para referir-se ao “mal”, contrário de bem (moral), quanto para “mau”, contrário de bom (adjetivo). Em Gênesis 2.9, 3.5 e 3.22, “Ra” é o termo hebraico usado para definir o mal absoluto. Da mesma forma, o mesmo termo é usado em Gênesis 6.5 para afirmar que o coração do homem é inclinado para o mal, resultado de sua depravação total.
Eu poderia passar dias, meses e anos citando dezenas de outros textos bíblicos onde “Ra” (mal ou mau) é expressado na Bíblia para definir tanto o mal moral e absoluto quanto o mau adjetivo: nocivo, danoso, defeituoso, desastroso – contrário ao que é bom; algo ou alguém muito ruim; moralmente reprovável; que faz maldades. Tudo dependerá do princípio da hermenêutica irrefutável, isto é, do contexto em que a palavra “Ra” está inserida. No caso de Isaías 45.7, por exemplo, a palavra tem o seu significado mais amplo, significando tanto “mal” quanto “mau”. Basta ler o contexto. Em primeiro momento, Deus fala de calamidades (v. 8), mas, quando chegamos no verso 9, constatamos que Ele fala da criação do “barro” (termo geralmente usado para descrever o homem – Rm 9.21).
Ora, qualquer teólogo honesto, ao atentar-se para todo o contexto do capítulo 45 de Isaías, pode constatar que o vocábulo hebraico “Ra” está claramente apontando para mal moral e também para mal no que diz respeito à infelicidade ou desastres naturais. Quando a passagem é verificada de forma minuciosa, fica patente que Deus é o criador do mal. Tão clara como a neve, esta compreensão virá à tona se percebermos que o autor inspirado nesse capítulo apresenta Deus como absolutamente SOBERANO e CONDUTOR sem par da história (incluindo a de Ciro). Para provar este ponto, basta que analisemos passagens que nos falem mais claramente:
“E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).
Perceba que Mateus 6.13 está falando de tentação. Sabemos que o tentador é Satanás, e que seu objetivo é nos convencer a pecar (Mt 4.1). Logo, o termo “Ra” (mal ou mau) usado em Mateus 6.13 é para definir o mal moral – perversão, pecado, transgressão (grego – Kakós)..., e se você nega a autoria e domínio de Deus sobre o mal, não tem o direito de orar com estas palavras: “E não nos “conduzas” à tentação; mas livra-nos do “mal”...!
Quando oramos com estas palavras, estamos, por definição, declarando que Deus é o Autor do mal, pois Ele é quem nos conduz à tentação, assim como fez com Seu próprio Filho (Mt 4.1). Contudo, Deus não tenta a ninguém e nem pode ser tentado pelo mal, pois nEle não há trevas (Tg 1.13). Há de se compreender a diferença entre criador e tentador. O criador é quem deu vida ao tentador, e não o contrário. Nesse sentido, Deus, o Criador, é quem conduz o homem à tentação, possui domínio sobre o tentador e rege todo o cenário, bem como as criaturas que estão sob tentação, conforme os eternos decretos de um Deus Soberano e que não deve explicações às Suas criaturas (Lm 3.37). Isto é biblicamente óbvio, irrefutável e cristalino. Somente incrédulos, pagãos, moleques metidos a teólogos (na verdade são papagaios de outros homens que se dizem teólogos) e calvinistas inconstantes negam tamanha e estupenda verdade: a de que Deus é o Autor de tudo quanto acontece, não sendo Ele o responsável pelas ações humanas, mas o condutor destas ações, as quais Ele determinou (na eternidade) que satisfariam toda a Sua vontade e, sobretudo, manifestariam a Sua glória.
Tanto a ACF (Almeida Corrigida Fiel) quanto a ARC (Almeida Revista e Corrigida), edição 1948, trazem esta mesma definição: “E não nos induzas (ou “conduzas”) à tentação; mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (Mateus 6.13).
O Espírito Santo conduziu Cristo para ser provado no deserto, Deus conduziu Abraão para ser provado no Monte Moriá, e Deus nos conduz para sermos provados: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” (Tiago 1.2-3). Mas Deus NUNCA nos tentou (no sentido de operar o pecado diretamente) para pecarmos. “Ninguém, sendo tentado, diga: 'De Deus sou tentado;' porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1.13). Neste sentido, a Bíblia é clara e se explica a si mesma. Definitivamente, Deus a ninguém tenta, mas conduz tudo e a todos, tanto a tentação como o tentador, bem como o que está sendo tentado.
CONCLUSÃO:
Sendo assim, a Bíblia claramente nos ensina que Deus criou o mal em todos os seus aspectos: (1) o mal personificado (materializado; encarnado), (2) o mal em forma de pecado e (3) o mal em forma de tragédias, catástrofes, enfermidades, sofrimentos, et.
Não estamos usando a palavra “criar” no mesmo sentido da criação original de Deus do nada, mas estamos nos referindo ao controle de Deus sobre coisas que Ele já criou. Isto é, embora os maus pensamentos e as inclinações devam ser ativamente causadas na criatura por Deus, e, portanto, Ele deva ativamente causar a má ação correspondente, Ele não cria um novo material ou substância quando Ele faz isso, visto que Ele está controlando o que Ele já criou. Quando falamos que Deus criou mal, estamos falando do ponto de vista metafísico, isto é, que Deus criou o mal na eternidade passada, antes mesmo de existir qualquer coisa, e, então, ao decretar que esses males existissem, historicamente criou tudo perfeito. A partir daí, usou de Suas criaturas para colocar nelas as suas inclinações para o mal.
– JP Padilha
___________________________________________________
Acesse o blog do livro E-BOOK "O Evangelho Sem Disfarces" completo e baixe-o gratuitamente clicando aqui:
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/sumario-o-evangelho-sem-disfarces.html
Compre o livro “O EVANGELHO SEM DISFARCES” com todos os volumes reunidos em uma só obra aqui:
https://clubedeautores.com.br/livro/o-evangelho-sem-disfarces-2
Compre o livro “A OBRA DA SALVAÇÃO” aqui:
https://clubedeautores.com.br/livro/a-obra-da-salvacao
Compre o livro “O FIM DOS TEMPOS” aqui:
https://clubedeautores.com.br/livro/o-fim-dos-tempos-2
OBSERVAÇÃO: Nesse mesmo site você encontra os volumes da coleção “O Evangelho Sem Disfarces”, separados por tema. Basta rolar o mouse para baixo. Meus livros estão todos no link acima.
– Facebook JP Padilha
– Página JP Padilha
– BLOG JP Padilha: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
– BLOG “O Evangelho Sem Disfarces”: https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/
– YOUTUBE: https://www.youtube.com/@jppadilha7523/featured
Assinar:
Postar comentários (Atom)
QUEM É O JP PADILHA? QUAL É A SUA PROFISSÃO?
Se você me perguntar o que eu sou, eu lhe responderei: "sou esposo". Se você insistir, lhe responderei: "sou pai". Você ...
-
Nossa finalidade aqui é explorar a relação entre a soberania de Deus, a assim chamada “liberdade humana” e o pecado. Argumentaremos, sob a b...
-
“Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhece...
-
Muitas das coisas que você encontra nas várias denominações religiosas você não encontrará na doutrina dos apóstolos – na Igreja que se enco...
.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário