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UM LADRÃO NA NOITE | JP Padilha



A ideia do “ladrão” em relação à vinda de Cristo é usada sete vezes, apenas no Novo Testamento (Mt 24.43; Lc 12.39; 1Ts 5.2,4; 2Pe 3.10; Ap 3.3; Ap 16.15). Cristo faz alusão a “um ladrão vindo no meio da noite” na ilustração do pai de família sensato apresentada em Mateus e Lucas (Mt 24.43; Lc 12.39). Nenhum desses textos se refere ao Arrebatamento da Igreja. Em vez disso, ambos os contextos apoiam a noção de que Jesus se referiu à Sua Segunda Vinda. Nessas passagens, Jesus fala da nação de Israel durante o tempo da Tribulação de sete anos (Dn 9.24-27; Mt 24), quando os crentes judeus fiéis daquela época estarão aguardando o retorno do Senhor, diferentemente daqueles que não estavam esperando pela chegada do Messias em Sua primeira vinda.

À medida que nos movemos cronologicamente através do cânon do Novo Testamento, chegamos a uma importante passagem dos escritos de Paulo que se refere duas vezes a “um ladrão vindo de noite” (1Ts 5.2,4). 1 Tessalonicenses 5.1-11 é uma seção que segue o parágrafo anterior (1Ts 4.13-18), no qual Paulo fala sobre o Arrebatamento (1Ts 4.16-17). Paulo usa a frase transitiva do grego peri de (“relativamente”) em 1 Tessalonicenses 5.1 à medida que muda do assunto profético do Arrebatamento para “o Dia do Senhor” (Segunda Vinda).

Paulo empregou palavras gregas conhecidas para indicar a mudança referente aos tópicos dentro do mesmo tema geral da profecia (cf. 1Ts 4.9,13; 1Co 7.1,15; 8.1; 12.1; 16.1). A expressão aqui aponta para a ideia de que, num contexto mais amplo sobre o tempo final da vinda do Senhor Jesus, o tema está mudando de uma discussão a respeito do Arrebatamento dos cristãos para o julgamento dos incrédulos em Sua Segunda Vinda (aqui não é o Juízo Final, quando os incrédulos são julgados e condenados no Grande Trono Branco. Aqui se refere ao Julgamento das Nações para decidir quem entra no Reino Milenar e quem é morto fisicamente e imediatamente – “Julgamento dos bodes e ovelhas” – Mt 25).

Deve-se observar que Paulo, logo após falar do Arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4.16-17, muda seu foco para a Segunda Vinda de Cristo e identifica claramente seu tópico em 1 Tessalonicenses 5.2 como “o dia do Senhor”, que “vem como o ladrão de noite” (1Ts 5.2b). O Arrebatamento não é mencionado como algo que vem como um ladrão à noite. O versículo 3 nos fala daqueles que estarão dizendo: “Há paz e segurança”. Então, o verso continua:... “então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão”. Os incrédulos, descritos como “das trevas” (v. 5), são aqueles que serão pegos desprevenidos e despreparados para a ira de Deus durante a Tribulação. Isso ocorrerá na segunda metade do tempo da Tribulação.

Na verdade, o versículo 9 lembra aos crentes que eles não experimentarão a ira de Deus durante a Tribulação, pois diz: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5.9). O meio de livramento da ira de Deus será o Arrebatamento da Igreja mencionado por Paulo no final do capítulo 4, versos 16-17 especialmente.

A figura do ladrão também é usada em 2 Pedro 3.10, onde o Dia do Senhor é o assunto abordado por Pedro. Fica bem claro que essa passagem não é uma referência ao Arrebatamento, uma vez que diz: “Os céus desaparecerão com um grande estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo o que nela há, será desnudada”.

“Mas se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você” (Apocalipse 3.3).

As duas últimas referências ao tema do ladrão ocorrem em Apocalipse 3.3 e 16.15. Jesus está falando diretamente à igreja carnal de Sardes, a quem Ele diz para acordar da inércia espiritual e se arrepender: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”. Essa passagem certamente não está relacionada ao Arrebatamento, mas a uma promessa de juízo para aqueles dentro da Igreja que não se arrependerem. Eles não serão arrebatados e certamente entrarão na Tribulação caso não se arrependam.

Apocalipse 16.15 é um enunciado intercalado que ocorre entre a sexta e a sétima taça de juízo. Desta forma, dezoito dos dezenove juízos da Tribulação já aconteceram. Como a última taça de juízo está associada à preparação para a Segunda Vinda de Cristo, ela é uma admoestação para os santos da Tribulação observarem os sinais que apontam para o retorno de Cristo, o que está descrito na segunda metade de Apocalipse 19. Esta certamente não é uma referência ao Arrebatamento. “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas” (Apocalipse 16.15).

CONCLUSÃO

Embora haja outras questões de maior importância do que analisar se o Arrebatamento pode ser comparado com a chegada de um ladrão na noite, creio que é importante manejarmos adequadamente a Palavra de Deus (2Tm 2.15), relacionando frases e descrições bíblicas da mesma forma que a Bíblia o faz. Pode acontecer que, quando aplicamos mal o imaginário bíblico, não apenas criamos associações falsas, mas também deixamos escapar a aplicação do tema que a Bíblia está realmente ensinando. Este poderia ser o caso da linguagem do ladrão na noite.

A figura do “ladrão na noite” NUNCA se aplica ao Arrebatamento. Tal linguagem é geralmente descritiva dos incrédulos e da ira e juízo de Deus relacionados com a Tribulação ou com a Segunda Vinda de Cristo. A figura de “um ladrão na noite” mostra que ela se aplica aos incrédulos que são pegos desapercebidos, uma vez que eles nunca realmente crêem que Deus vai julgar a história. O incrédulo pensa que vai sair impune, mesmo ignorando Deus por toda a sua vida. Portanto, Deus não é um fator decisivo, pensa ele.

O que a Bíblia quer enfatizar sobre o ímpio é: “Algum dia ele vai ter uma grande surpresa”, exatamente como o indivíduo que é roubado por um ladrão. Ser roubado é um acontecimento que interrompe o estado normal de voltarmos para casa todos os dias, encontrando-a da maneira como deveria estar. Como o aluno indolente, que nunca está pronto para o exame e, portanto, é pego desprevenido quando chega realmente a hora da prova, assim o incrédulo nunca estará preparado, já que ele não acredita em Deus de jeito nenhum, ou não acredita que Deus um dia o responsabilizará por seus erros.

Muitos de nós conhecemos a errônea e estúpida canção de Larry Norman que diz: “Jesus virá como um ladrão na noite, e levará todos os que o amam”. Mas, Cristo não levará nada como um ladrão no Arrebatamento. Ele virá para Sua Noiva – a Igreja, o Corpo de Cristo (1Ts 4.16-17). Os crentes são chamados “filhos da luz” em 1 Tessalonicenses 5.5 e instruídos por Paulo a ficarem despertos durante o tempo presente, que antecede o Arrebatamento, ao qual ele dá o nome de noite. “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” (1 Tessalonicenses 5.4-5). Isto é, nós, a Igreja, não pertencemos ao grupo de pessoas que serão pegas de surpresa na Segunda Vinda de Cristo, pois já teremos sido arrebatados no mínimo 7 anos antes. A Igreja não entrará na Tribulação. No contexto de 1 Tessalonicenses 5, o dia se refere ao Dia do Senhor, que é o tempo da ira de Deus, que geralmente chamamos de Tribulação.

Para melhor entendimento sobre “O Dia do Senhor”, leia o capítulo 29 – “O que é o Dia do Senhor?”. Você também encontrará meu artigo no Blog sobre o mesmo tema.

Os acontecimentos dos últimos dias pegarão o mundo desapercebido, já que, mesmo em seus sonhos mais desvairados, as pessoas não crêem que aqueles cristãos malucos e suas Bíblias poderiam estar certos sobre o Arrebatamento (Para elas, esse evento será chocante, pois os escolhidos de Deus desaparecerão em uma fração de segundo). Todavia, nós, crentes, conhecemos a verdade e não nos surpreenderemos quando os acontecimentos da profecia bíblica começarem a se desenrolar. Maranata!

– JP Padilha
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A diferença entre o Arrebatamento da Igreja e a Aparição de Cristo | JP Padilha



É importante entender a distinção que existe nas Escrituras entre o Arrebatamento e a “Aparição de Cristo” (Segunda Vinda ou Manifestação, dependendo da tradução ou do texto usado). Os dois eventos não devem ser confundidos. Embora o Senhor venha do Céu em ambas as ocasiões, o Arrebatamento e a Aparição de Cristo são explicitamente diferentes. É importante entender que a vinda do Senhor tem duas fases – Sua vinda para os Seus santos (Jo 14.2-3; 1Ts 4.16-17 – Arrebatamento) e Sua vinda com os Seus santos (Jd 1.14; Zc 14.5). Conforme a visão dispensacional da Bíblia, esses dois eventos são o Arrebatamento e a Manifestação de Cristo – sendo que, no Arrebatamento, Jesus arrebata Sua Igreja nos ares, enquanto que, em Sua Aparição, Ele desce à terra com a Igreja já arrebatada ao final da Tribulação. Os cristãos da Teologia do Pacto confundem os dois eventos. Embora o Senhor venha do Céu em ambas as ocasiões, o Arrebatamento e a Manifestação de Cristo são coisas distintas. No original da Bíblia traduzida por J. N. Darby é utilizada a palavra “appearing”, traduzida aqui como “Manifestação”. Dependendo da versão em português da Bíblia, a tradução do termo pode variar, como “Manifestação”, “Esplendor”, “Aparição” ou “Vinda” em passagens como 2 Tessalonicenses 2.8 e 2 Timóteo 1.10; 4.1,8 (ARC e ARA). Neste livro usarei os termos “Manifestação”, “Aparição de Cristo” e “Segunda Vinda de Cristo”.

• O Arrebatamento é quando o Senhor vem para os Seus santos (Jo 14.2-3); a Aparição de Cristo é quando Ele vem com os Seus santos que foram levados em glória no Arrebatamento (Jd 1.14; Zc 14.5).

• O Arrebatamento pode ocorrer a qualquer momento. Já a Aparição de Cristo não acontecerá até aproximadamente sete anos após o Arrebatamento (A Tribulação durará sete anos – Dn 9.24-27; Mt 24).

• No Arrebatamento, o Senhor vem secretamente, num piscar de olhos (1Co 15.52 – JND); em Sua Aparição, Ele vem publicamente e todo olho o verá (Ap 1.7).

• No Arrebatamento, Ele vem para livrar a Igreja (1Ts 1.10); em Sua Aparição, Ele vem para livrar Israel (Sl 6.1-4).

• No Arrebatamento, Ele vem nos ares para a Sua Igreja, pois ela é o Seu povo celestial (1Ts 4.15-18); em Sua Aparição, Ele volta à Terra (no Monte das Oliveiras) para Israel, que é o Seu povo terrenal (Zc 14.4-5).

• No Arrebatamento, o Senhor mesmo reúne os Seus santos (1Ts 4.15-18; 2Ts 2.1); em Sua Aparição, Ele envia os Seus anjos para reunir os eleitos de Israel (Mt 24.30-31).

• No Arrebatamento, Ele leva os crentes para fora deste mundo, deixando para trás os ímpios (Jo 14.2-3); em Sua Aparição, os ímpios é que são tirados do mundo para julgamento, enquanto os crentes (aqueles que tiverem sido convertidos por meio do evangelho do Reino que será pregado durante a Tribulação) são deixados na terra para desfrutarem de bênçãos na terra (Mt 13.41-43; 25.41).

• No Arrebatamento, Ele vem para livrar os Seus santos (a Igreja) da ira vindoura (1Ts 1.10); em Sua Aparição, Ele vem para derramar a Sua ira (Ap 19.15).

• No Arrebatamento, Ele vem como o Noivo (Mt 25.6,10); em Sua Aparição, Ele vem como o Filho do Homem (Mt 24.27-28).

• No Arrebatamento, Ele vem como a “Estrela da Manhã” que desponta pouco antes de raiar o dia (Ap 22.16); em Sua Aparição, Ele vem como o “Sol de Justiça”, que é o próprio raiar do dia (Ml 4.2).

• No Arrebatamento, Ele vem sem qualquer sinal, pois o cristão anda por fé e não por vista (2Co 5.7); a Sua Aparição será cercada de sinais, pois os judeus buscam sinais (Lc 21.11,25-27; 1Co 1.22).

● O Arrebatamento fecha a atual dispensação do Mistério (Ef 3.9); a Manifestação de Cristo abre a Dispensação da Plenitude dos Tempos (Ef 1.10).

• O Arrebatamento nunca é mencionado na Escritura como um “ladrão de noite”, mas Sua Aparição é assim comparada 5 vezes (1Ts 5.2; 2Pe 3.10; Mt 24.43; Ap 3.3; 16.15).

Haverá:

1. A vinda do Senhor para o que era Seu (na primeira vinda Ele já havia feito isso, mas foi rejeitado pelo Seu povo – Jo 1.10-11; Hb 10.7).

2. A vinda do Senhor pelos que lhe pertencem (o Arrebatamento – Jo 14.2-3; 1Ts 4.15-18).

3. A vinda do Senhor com os que lhe pertencem (a Aparição de Cristo – Jd 1.14).

O corpo dos santos “arrebatados” para encontrar o Senhor nos ares passará por uma tremenda mudança física. Não se trata de receber um novo corpo, mas de ter um corpo “transformado”[1] (1Co 15.51-52; Fp 3.21; Jó 14.14). O corpo deles será glorificado como o corpo do Senhor Jesus Cristo, quando apareceu aos Seus discípulos em Sua ressurreição (Rm 8.17,28-30; Fp 3.21; Lc 24.39).

Os santos arrebatados experimentarão uma permanente semelhança moral com Cristo, tanto quanto terão uma mudança física em seu corpo. Essa conformidade moral com Cristo nos santos, que é efetuada pelo trabalho silencioso do Espírito de Deus, já teve início enquanto ainda se encontram na terra, mas então ela se completará (Rm 8.28-30; 2Co 3.18). E então, todos eles serão fisicamente (Fp 3.21) e moralmente (1Jo 3.2) semelhantes a Cristo. Esta será uma condição imutável que continuará para todo o sempre.

A natureza caída pecaminosa nos santos assim “arrebatados” será erradicada. Isso significa que eles nunca mais pecarão (Hb 11.40; 12.23 – “aperfeiçoados” diz respeito à pessoa na sua totalidade: espírito, alma e corpo; Nm 24.20 – “Amaleque” é figura da carne, que é a natureza caída pecaminosa).

As crianças sem idade suficiente para serem consideradas responsáveis por seus pecados, cujos pais (ou mesmo um deles) são redimidos, subirão também para encontrar o Senhor nos ares no Arrebatamento (1Co 7.14 – “santos”). Porém, os pais incrédulos com seus filhos serão deixados para trás para entrarem na Tribulação. À medida que essas crianças forem crescendo durante a Tribulação, terão oportunidade de ouvir e crer no evangelho do Reino, o qual será pregado nessa época[2]. Se alguma dessas crianças for morta durante os sete anos de Tribulação, sua alma estará a salvo com Cristo no Céu (Mt 18.10-11; 2Sm 12.23). Isso será um ato de misericórdia, pois, se fosse deixada para crescer e atingir a idade adulta, separada da operação da graça de Deus, iria se tornar como seus pais incrédulos, rejeitando o evangelho do Reino e, consequentemente, sendo levada a julgamento (Gn 19.15). O mundo não ficará esvaziado de crianças no Arrebatamento. O Sr. C. H. Brown, com toda a razão, costumava dizer que “Deus não assaltará o berço dos incrédulos no Arrebatamento”. Deus deixará a família do incrédulo intacta.[3]

O Espírito de Deus, na forma como age atualmente, também será tirado da terra (2Ts 2.6-7)[4]. Hoje Ele está na terra habitando na Igreja – que é Sua habitação (1Co 3.16-17; Ef 2.22). O Senhor prometeu que, uma vez que o Espírito tivesse vindo para habitar na Igreja, o Espírito jamais a deixaria (At 2.1-4; 1Co 12.13; Jo 14.16). Quando a Igreja for chamada para a glória, então o Espírito Santo também sairá deste mundo para nunca mais vir aqui habitar. Isso não significa que o Espírito deixará de trabalhar sobre a Terra. Porém, daquela hora em diante, Ele fará Sua obra neste mundo a partir de Seu lugar no Céu, como fazia na época do Velho Testamento. Ele continuará a operar em uma diversidade de ações (Ap 1.4), como na vivificação das almas, etc.

A partir dessa ocasião, o Noivo (Cristo), a noiva (a Igreja) e os amigos do Noivo (os santos do Velho Testamento, etc.) estarão juntos para sempre (1Ts 4.17; Hb 11.40).

ELE e eu, glória à rebrilhar,
Alegria profunda partilhar,
O meu prazer, sempre estar com ELE
E ter-me no Seu lar, será o d'ELE.

A Igreja não passará pela Tribulação. Ela será levada em glória no Arrebatamento antes que o período de Tribulação comece. O Senhor falou: “Eu te guardarei da hora da tentação (Tribulação) que há de vir sobre todo o mundo” (Apocalipse 3.10). Veja o Apêndice ‘C’ para maiores informações sobre este ponto.

A glorificação do corpo dos santos acontecerá “num momento, num piscar de olhos” (1Co 15.51-56 – JND).

Nenhum homem sabe “o dia nem a hora” da vinda do Senhor – o Arrebatamento (Mt 25.13).[5]

A dispensação do Mistério começou e irá terminar com uma Pessoa divina vinda do Céu. No início, “veio do céu um som, como de um vento veemente... e todos foram cheios do Espírito Santo” (At 2.2-4,33). No final, “o mesmo Senhor descerá do céu com alarido” (1Ts 4.16).

As duas coisas são mencionadas como ocorrendo em uma fração de segundo. O Espírito Santo veio “de repente” (At 2.2) e o Senhor também virá “num momento”, transformará nossos corpos “num abrir e fechar de olhos” e nos levará para a Casa do Pai (1Co 15.52). Assim, a atual dispensação irá terminar tão rapidamente quanto começou.

Além disso, do mesmo modo como a Igreja começou com “todos concordemente no mesmo lugar” (no cenáculo no dia de Pentecostes — Atos 2.1), ela irá terminar com “todos concordemente no mesmo lugar” (a Casa do Pai). É triste reconhecer que, entre os dois eventos e no tempo em que a Igreja esteve na terra não é isso que temos visto. A Igreja falhou terrivelmente em seu testemunho. Ela não foi cheia do Espírito e, como consequência, ao longo de sua história ela acabou dividida e espalhada. Todavia, na vinda do Senhor para arrebatar Sua Igreja, a convocação que Ele fará à reunião irá recriar a unidade que tem ficado perdida desde os primórdios da Igreja (1Ts 4.16). “Nossa reunião com Ele” naquele momento será uma demonstração do poder de Deus que é capaz de reunir o Seu povo para estarem juntos (2Ts 2.1).

Essas coisas demonstram que a Igreja, desde o seu início até o seu destino final, é uma criação celestial de Deus designada e criada para habitar com Cristo no Céu. Ela não é uma instituição permanente na terra, apesar de estar atualmente na terra. A Igreja está apenas passando por este mundo em seu caminho para o Céu. O Senhor disse: “Não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (João 17.14). Os cristãos são apenas “peregrinos e forasteiros” aqui na terra (1Pe 2.11). Um “forasteiro” é alguém que não está em sua própria casa, e um “peregrino” é alguém que está a caminho de casa. O Céu é o nosso destino.

– JP Padilha
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NOTAS:
[1] N. do A.: Não conhecemos qualquer versículo bíblico que diga que os santos receberão um novo corpo. Dizer que os santos receberiam um corpo novo, na verdade, nega a ressurreição! Se ensinarmos que os santos receberão novos corpos no Arrebatamento, estaremos dando a entender que os corpos em que viveram não ressuscitarão dos mortos. A verdade é que o mesmo corpo com que os santos viveram enquanto estavam na terra será ressuscitado. Não obstante, os santos não serão ressuscitados na mesma condição caída em que estiveram, mas serão “ressuscitados incorruptíveis” (1Co 15.53-54). O corpo deles será então glorificado. Os santos que estiverem vivos na terra no momento do Arrebatamento também terão seus corpos transformados e glorificados naquele momento.

[2] N. do A.: O evangelho do Reino não deve ser confundido com o evangelho da graça de Deus (At 20.34), o qual os cristãos estão pregando hoje. O evangelho da graça de Deus promete a justificação pela fé em Cristo e um lar com Ele pela eternidade no Céu. O evangelho do Reino declara as boas novas do Rei que está vindo e que irá estabelecer o Seu reino na terra em poder, de acordo com as profecias do Velho Testamento. Aqueles que crerem no evangelho do Reino e forem preservados do martírio durante a Tribulação entrarão no Reino Milenar de Cristo para desfrutarem de suas bênçãos na terra. Trata-se do mesmo evangelho pregado antes do dia de Pentecostes por João Batista (Mt 3.1-2), pelo Senhor Jesus Cristo, o Rei (Mt 4.17) e por Seus discípulos (Mt 10.7).

[3] N. do A.: As figuras que encontramos no Velho Testamento do julgamento do mundo também indicam o mesmo. Ao contrário do que aconteceu com Noé e sua família, por ocasião do dilúvio, os filhos dos incrédulos não foram tirados do mundo antes que chegasse o dilúvio. No julgamento de Sodoma e Gomorra, os filhos dos incrédulos não foram tirados antes que fogo e enxofre queimassem aquelas cidades, mas a família de Ló foi tirada.

[4] Alguns poderiam perguntar: “Como podemos saber quando o Espírito será tirado?” Cremos que é evidente, pelas seguintes passagens, que será no Arrebatamento. Na noite em que foi traído, o Senhor prometeu a Seus discípulos que quando o Espírito de Deus viesse para fazer morada na Igreja (At 2), isso seria para sempre (Jo 14.16-17). Quando a Igreja for chamada para fora deste mundo no Arrebatamento, o Espírito de Deus irá junto, pois o Senhor disse que Ele (o Espírito) nunca os deixaria. Isso também é encontrado no livro de Apocalipse. Nos primeiros três capítulos, quando a Igreja é vista como estando na terra, o Espírito é encontrado falando constantemente à Igreja. Mas, a partir do capítulo 4.1-2, quando a Igreja aparece como sendo tirada do mundo para o Céu, o Espírito não é mais mencionado até os capítulos 14.13 e 22.17, os quais se passam após a Tribulação. Compare também os capítulos 2.7,11,17,29; 3.6,13,22 com o capítulo 13.9. Repare na ausência notória de qualquer menção à expressão “o que o Espírito diz às igrejas” no capítulo 13.9, quando a Tribulação estiver sobre a terra. Isso também é visto figuradamente em Gênesis 24, onde é procurada uma noiva (uma figura da Igreja) para Isaque (uma figura de Cristo) pelo servo (uma figura do Espírito de Deus). Assim que a noiva foi assegurada pelo servo, ele a levou ao longo de todo o caminho de volta à casa, a Isaque, que estava aguardando por ela. Assim como o servo voltou para casa com a noiva, também o Espírito Santo voltará para o lar para morar no Céu com a Igreja quando o Senhor vier para arrebatá-la.

[5] N. do A.: Muitos cristãos usam Mateus 24.36 para ensinar que ninguém sabe quando o Arrebatamento ocorrerá. No entanto, esse versículo não está falando do Arrebatamento, mas da Aparição de Cristo. É verdade que ninguém sabe quando o Arrebatamento ocorrerá; o versículo correto a ser usado para indicar o Arrebatamento é Mateus 25.13 – que tem a ver com a vinda do Noivo com Sua noiva. (N. do T.: As palavras finais de Mateus 25.13, ... em que o Filho do Homem há de vir”, estão incorretamente acrescentadas nas versões Almeida Corrigida – ARC e Fiel – ARF, pois o termo “Filho do Homem” se refere à Aparição de Cristo quando Ele vem nesse caráter para reinar por mil anos sobre a terra – Segunda Vinda).

– JP Padilha
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Como será a Segunda Vinda de Jesus? | JP Padilha


“Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém” (Apocalipse 1.7).

A parte do versículo que mais gera discussão é: “todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram”. Isso acontece porque muitos ainda não compreendem que “todo o olho o verá” não significa que isso acontecerá tudo de uma só vez. Isso não acontecerá de forma simultânea, mas progressiva. A Bíblia diz que Jesus virá com as nuvens do céu, exatamente como os discípulos o viram subir quando estavam no Monte das Oliveiras. Todavia, esse processo será gradual e pouco a pouco as pessoas comparecerão ao evento de Sua presença na terra – mais precisamente no Monte das Oliveiras, que é de onde Ele subiu para o Céu da primeira vez, e isso será explicado mais à frente.

Em Mateus 25 constatamos que esse evento é chamado de Julgamento das Nações devido ao modo como elas se comportaram em relação aos Seus “pequenos irmãos”, os judeus. O panorama completo da profecia da Segunda Vinda de Cristo nos mostra que diferentes juízos irão cair em diferentes partes do mundo naquele momento: Primeiro Jesus irá tratar, de forma privativa, com o Seu povo Israel – os judeus –, representados pelas duas tribos: Judá e Benjamim.

A Bíblia nos fornece uma figura disso na maneira como José, um tipo de Cristo no Reino, se revelou a seus irmãos. “Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei sair daqui a todo o homem; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos” (Gênesis 45.1). Da primeira vez, Cristo “veio para o que era seu (os judeus), e os seus não o receberam” (João 1.11), e só depois disso Ele passou a tratar com as demais nações do mundo. Da mesma maneira, isso acontecerá em Sua Segunda Vinda. Primeiro Ele tratará com o Seu povo Israel e, em segundo lugar, com os pagãos.

A dificuldade com a interpretação desse evento começa quando as pessoas associam o versículo de Apocalipse 1.7 a uma outra passagem de Mateus 24, a qual parece falar de uma “manifestação gloriosa”, como aquelas que os artistas costumam pintar em quadros ou as imagens que são publicadas em revistas de seitas como “Testemunhas de Jeová” e “Adventismo do Sétimo Dia”. Nessas imagens mirabolantes há multidões olhando para uma imagem de Jesus descendo das nuvens abertas e cercado de raios de luz e anjos tocando trombetas. Obviamente, pessoas que passaram a vida sendo condicionadas a verem essas imagens como legítimas acabam achando que, para o mundo inteiro enxergar a Segunda Vinda de Jesus, a terra teria de ser plana e não esférica, ou com transmissão global de TV via satélite, o que condicionaria a vinda de Cristo à invenção da TV, satélites, repórteres etc.

À parte dessas questões inventadas pelo misticismo moderno, vamos à passagem:

“Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias... Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24.28-30).

Essa passagem começa falando dos falsos anúncios da volta de Cristo que poderão confundir o remanescente judeu fiel que irá se converter nos períodos mais difíceis da Grande Tribulação. Neste capítulo 24 de Mateus a Igreja já terá sido arrebatada ao Céu anos antes, e, se você não entende o arrebatamento ou as diferentes dispensações das Escrituras, terá de aprender isso, pois são coisas fundamentais para se compreender a profecia bíblica. As palavras “relâmpago”, “ocidente” e “oriente” significam que a vinda de Jesus será inquestionável, porém, com foco no juízo que Ele traz consigo. O “relâmpago” nos fala de um juízo rápido. Quando um raio cai sobre uma árvore, ela é queimada imediatamente. “Águias” ou “aves de rapina” têm o mesmo sentido de juízo rápido sobre os cadáveres — homens com aparência de que vivem, mas que estão mortos espiritualmente. Em suma, a volta de Cristo para julgar as nações será inequívoca, e seu juízo rápido como um raio do qual ninguém escapará.

ONDE E COMO JESUS VIRÁ EM SUA SEGUNDA VINDA?

Para saber onde e como Ele virá em Sua Segunda Vinda após a Tribulação de sete anos, é preciso consultar a Bíblia para ver de onde e como Ele partiu ao despedir-se dos discípulos após Sua ressurreição.

“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir. Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado” (Atos 1.9-12).

Se Atos 1.9-12 fala da subida de Jesus, Zacarias 14.4 fala da descida:

“E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul” (Zacarias 14.4).

Portanto, eis aí a resposta. Em Sua Segunda Vinda, Jesus descerá no Monte das Oliveiras em Jerusalém, assim como também havia subido de lá.

Aqui será o momento do encontro com “a casa de Davi”, enquanto as outras tribos ainda estarão para ser recolhidas pelos anjos. Jesus será visto, primeiramente, por aqueles que o pregaram na cruz. Essas pessoas não serão as mesmas de Sua época na terra, mas serão os descendentes daqueles que há dois mil anos disseram: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mateus 27.25).

Em Zacarias 12.10, onde se encontra uma das profecias da Segunda Vinda de Jesus, vemos mais detalhes desse encontro: “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e prantea-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zacarias 12.10).

Diante dos fatos expostos, vemos como é importante conhecer as dispensações da Bíblia, o arrebatamento da Igreja que ocorre sete anos antes da Segunda Vinda de Cristo e o panorama de toda a profecia para entender a Segunda Vinda de Jesus para reinar sobre a terra, o que só irá ocorrer após a Tribulação de sete anos na terra (Septuagésima Semana de Daniel – Dn 9.24-27). Se não tivermos um entendimento claro dessas dispensações, podemos ser enganados pela visão reducionista das seitas religiosas normalmente propagada pelo denominacionalismo católico e evangélico. Muitas dessas religiões nem mesmo conseguem distinguir a diferença entre o Arrebatamento da Igreja e a Segunda Vinda de Jesus. A manifestação de Cristo para restabelecer o Seu reino em Sua Segunda Vinda acontecerá no mínimo sete anos após o arrebatamento. Durante esse intervalo entre o arrebatamento e a Segunda Vinda haverá a Tribulação e a Grande Tribulação. Como já fora dito, a manifestação de Cristo na terra tem uma sequência que começa com Sua aparição em particular aos judeus, levando-os a sair pela terra para dar a boa notícia de que Cristo, o Rei de Israel, voltou. “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14 – o evangelho do Reino será pregado na Tribulação pelo remanescente judeu fiel). O evangelho do Reino não é o evangelho da Graça pregado hoje. O evangelho do Reino anuncia o retorno do Rei de Israel durante a Tribulação. O evangelho da Graça em nada tem a ver com o evangelho do Reino que será pregado na Tribulação. O evangelho da Graça diz: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos 16.31). O evangelho do Reino, que foi pregado por João Batista aos judeus de sua época e que ainda voltará a ser pregado pelo remanescente judeu no futuro, diz: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 3.2). Um é o evangelho da Graça; o outro é o evangelho do Reino.

A propósito, é disso que fala a passagem de Isaías 52.6-8, a qual temos o costume de usar como exemplo de evangelização. No entanto, sua aplicação primária é profética. Vejamos:

“Portanto o meu povo saberá o meu nome; pois, naquele dia, saberá que sou eu mesmo o que falo: Eis-me aqui. Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina! Eis a voz dos teus atalaias. Eles alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o Senhor fizer Sião voltar (Isaías 52.6-8).

– JP Padilha
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