A Teologia do Pacto contradiz a Bíblia | JP Padilha


A Teologia do Pacto (também conhecida como Teologia da Substituição ou Aliancismo) essencialmente ensina que a Igreja substituiu Israel no plano de Deus. Os aderentes à Teologia do Pacto acreditam que os judeus não sejam mais o povo escolhido de Deus e que Deus não tem planos futuros específicos para a nação de Israel.

Todas as opiniões diferentes do relacionamento entre Igreja e Israel podem ser divididas em duas áreas:

1. A Igreja é a continuação de Israel (Teologia do Pacto / Teologia da Substituição / Amilenismo / Preterismo / Pós-milenismo / Pós-tribulacionismo);

2. A Igreja é um povo completamente diferente de Israel (Dispensacionalismo / Pré-milenismo Futurista / Pré-tribulacionismo).

A Teologia do Pacto ensina que a Igreja é a substituição de Israel e que muitas promessas feitas a Israel na Bíblia são cumpridas na Igreja, não em Israel. Ela chega a inventar um termo que nem sequer existe na Bíblia, denominando a Igreja como sendo o “Israel Espiritual”. De qual Bíblia tiraram essa ideia estapafúrdia? Não há resposta! A Teologia do Pacto também ensina, hereticamente, que os cristãos agora são os verdadeiros “israelitas”. Mas, como, se nós, cristãos gentios, nem mesmo temos sangue judeu? A resposta que dão para isso é que somos “israelitas espirituais”. Todavia, essa ideia também não é encontrada na Bíblia. O “Israel Espiritual” realmente existe, mas a Igreja nunca é chamada de “Israel Espiritual” nas Escrituras. Para entender isso, volte ao capítulo 3 – Igreja não é Israel – Parte 2. No capítulo 6 há um resumo sobre isso também (“Será que “Israel de Deus” em Gálatas 6.16 significa que os cristãos são israelitas?”).

De acordo com a visão da Teologia do Pacto, as profecias nas Escrituras sobre bênção e restauração de Israel à Terra Prometida são "espiritualizadas" ou “alegorizadas” em promessas de bênçãos de Deus para a Igreja. Todavia, há grandes problemas com essa visão, tais como a existência contínua do povo judeu durante os séculos e especialmente com a revivificação do estado moderno de Israel. Se Israel tem sido condenado por Deus, e se não há nenhum futuro para a nação judaica, como podemos explicar a sobrevivência sobrenatural do povo judeu durante os últimos 2.000 anos, apesar de muitas tentativas de destruir essa nação? Como podemos explicar o porquê e como Israel reapareceu como uma nação no século XX depois de não existir por 1.900 anos? Outras perguntas que ficam à deriva no mar são: E quanto às maldições que cairão sobre Israel? E quanto aos horrores que Israel passará na Tribulação? E quanto ao dia da indignação do Senhor? Essas promessas não foram igualmente transferidas para a Igreja? Certamente os teólogos do pacto terão que dar mais algumas cambalhotas exegéticas para lidar com essas objeções.

A HISTÓRIA SOMADA ÀS PROFECIAS

É importante e muito motivador notar que a história se encaixa com todas essas profecias que temos visto, especialmente com relação a Israel. Em 1967, soldados judeus entraram em Jerusalém, largaram suas armas e correram para o Muro das Lamentações, chorando profundamente. Isso mostra que atualmente Israel tem mostrado, com mais clareza do que nunca, que seu atual estado está em perfeita harmonia com o que Deus prometeu que faria a esta nação. É impressionante ver teólogos do pacto negarem a significância disso no corredor da história em conformidade com as Escrituras. Ora, do ano 70 d.C até 1967, cerca de 2.000 anos até aqui, Jerusalém tem estado sob o domínio e controle dos gentios, e agora os judeus reconquistaram a cidade de Jerusalém. Jesus profetizou sobre isso. Ele disse que Jerusalém seria pisada sob os pés dos gentios até que a medida destes fosse completada (Rm 11.25-27). Isso é assombrosamente maravilhoso para quem aceita o que é dito pelas Escrituras sagradas, mas é estarrecedor para quem ainda acredita que Israel é uma nação esquecida por Deus e que a Igreja tomou o seu lugar de alguma forma espiritual.

Todavia, o que parece estarrecedor e confuso para os teólogos do pacto está perfeitamente de acordo com as Escrituras. A sobrevivência dos judeus é exatamente o que deveríamos esperar ao aplicarmos consistentemente a hermenêutica literal à profecia bíblica e se entendermos que a eleição soberana de Deus sobre a nação de Israel é incondicional e distinta da Igreja. Ele fez promessas a Israel no Antigo Testamento que ainda não foram cumpridas, mas serão no futuro. Uma futura geração de israelitas étnicos na salvação e no restabelecimento do Reino Messiânico terreno está por vir, juntamente com o cumprimento total de todas as promessas feitas a Israel.

A ideia da Igreja substituir Israel ou ser sua continuação não deve ser tratada como uma mera questão secundária ou “opinião teológica”, como muitos têm afirmado. Esse pensamento a respeito de Israel e Igreja é uma heresia e ponto final. A propósito, eu a considero até mesmo maligna por desprezar todas as promessas feitas por Deus especificamente a esse povo e tentar usurpá-las para a Igreja. Até meados do século 19, Israel era visto pela cristandade em geral com indiferença e desprezo. Agora, pense comigo, caro leitor: a "menina dos olhos" de Deus vista com desprezo pelos que se dizem seguidores de Cristo, um judeu! Consegue imaginar como isso é visto por Deus?

Desde o século 19, temos visto como muitos entenderam as verdades dispensacionais da Bíblia. Porém, infelizmente, a atual Teologia da Prosperidade, filha caçula da Teologia do Pacto, volta a tentar aplicar à Igreja as promessas feitas a Israel no Antigo Testamento, causando um retrocesso dos cristãos aos tempos do catolicismo medieval.

DEUS NÃO É UM MENTIROSO

Embora Israel tenha falhado em seu testemunho, sua identidade como povo e as promessas ainda não cumpridas a esta nação não deixaram de existir. Por quê? Porque Deus não é um mentiroso. Portanto, Suas promessas para Israel são verdadeiras e certamente ainda serão cumpridas (2Co 1.20). As pessoas que se perderam nas heresias da Teologia do Pacto necessitam reajustar sua eclesiologia e escatologia para se conformarem com a verdade das Escrituras e com a verdadeira natureza de Deus, o qual não mente. E dizer que Israel não tem um futuro a ser cumprido por Deus é chamá-lo de mentiroso. Não seria isso uma blasfêmia? Essa é a lógica de tudo isso.

É realmente difícil compreender como os ditos “teólogos” e “pregadores” da Teologia do Pacto podem aplicar à Igreja promessas da Escritura que, em seu sentido normal de interpretação, aplicam-se claramente ao povo de Israel e à Palestina. E essas promessas ainda devem ser cumpridas no futuro. Os livros proféticos estão cheios de ensinamentos que, se forem interpretados normalmente, sem alegorizações infundadas, seriam inspiradores. O aprendizado resultante da compreensão dessas profecias seria uma magnífica segurança de um futuro grande e glorioso. A partir do instante em que essas profecias são espiritualizadas em sua interpretação, elas se tornam ridículas – Quando aplicadas à Igreja, elas são uma comédia.

Como já fora dito em vários de meus artigos sobre o tema, o Israel de Deus tornará a ser o centro da atenção neste mundo e Deus tornará a tratar com ele, não importa quanto tempo demore. Se não fosse assim, não teríamos mais que nos preocupar com Israel, e até seria um favor se tal nação desaparecesse da face da terra para deixar o caminho livre para a Igreja. Era assim que pensavam os católicos medievais, era assim que pensava Lutero e outros protestantes, e é assim que muitos ainda pensam.

O apóstolo Paulo, apesar de admitir o fracasso de Israel e falar da Igreja sendo introduzida por Deus como Seu testemunho na presente dispensação, deixa claro que ainda há uma dispensação à frente, chamada de “dispensação da plenitude dos tempos” (Ef 1.10), prevista para Israel no fim de toda a história humana, confirmando assim a identidade e singularidade desse povo que ainda irá ver cumpridas as promessas feitas por Deus no Antigo Testamento:

“Digo, pois: Porventura [os israelitas] tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!” (Romanos 11.11-12).

CONCLUSÃO

A visão de que Israel e Igreja são povos totalmente distintos entre si é ensinada claramente no Novo Testamento. Biblicamente falando, a Igreja é completamente distinta de Israel e estes dois povos nunca devem ser confundidos ou mencionados como se fossem a mesma coisa. As Escrituras nos ensinam que a Igreja é uma criação completamente nova que passou a existir no Dia de Pentecostes (At 2) e continuará na terra até ser levada ao Céu no arrebatamento (Ef 1.9-11; 1Ts 4.16-17). A Igreja não tem nenhum relacionamento com as maldições e bênçãos para Israel. A propósito, é interessante notar como os gurus da Teologia do Pacto alegorizam somente as bênçãos prometidas a Israel, mas nunca trazem para a Igreja as maldições que igualmente são profetizadas contra ele no Antigo Testamento. As alianças, promessas e advertências são válidas apenas para Israel. Israel tem sido temporariamente colocada de lado no programa de Deus durante esses últimos 2.000 anos de dispersão.

Após o arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16-17), Deus irá restaurar Israel como o foco principal do Seu plano. O primeiro evento durante esse tempo será a Tribulação (Ap 6–19). O mundo será julgado por rejeitar a Cristo, enquanto Israel será preparado através das provações da Grande Tribulação para a Segunda Vinda do Messias. Portanto, quando Cristo retornar à terra no final da Tribulação, Israel estará pronta para recebê-lo. O restante de Israel que sobreviver à Tribulação será salvo e o Senhor estabelecerá o Seu Reino na terra com Jerusalém como a sua capital. Com Cristo reinando como Rei, Israel será a nação principal, e representantes de todas as nações irão a Jerusalém honrar e louvar o Rei – Jesus Cristo. A Igreja retornará com Cristo e reinará com Ele por um período literal de 1.000 anos (Ap 20.2-7).

O Antigo e o Novo Testamento sustentam uma compreensão pré-milenar e dispensacionalista do plano de Deus para Israel. Mesmo assim, o suporte mais forte para o pré-milenismo é encontrado no ensino de Apocalipse 20.2-7, onde diz, seis vezes, que o Reino de Cristo irá durar 1.000 anos. Depois da Tribulação, o Senhor retornará para estabelecer o Seu Reino em Israel, de onde governará todo o mundo “com vara de ferro” (Ap 2.27). Cristo reinará sobre toda a terra e Israel será o líder das nações. A Igreja reinará com Ele por 1.000 anos. A Igreja não substituiu Israel no plano de Deus. Embora Deus esteja focalizando a Sua atenção na Igreja nessa dispensação da graça, Ele não se esqueceu de Israel (Sua “menina dos olhos” – Dt 32.10) e um dia restaurará Israel ao Seu papel como a Sua nação escolhida (Rm 11).

– JP Padilha
___________________________________________________
Acesse o blog do livro E-BOOK "O Evangelho Sem Disfarces" completo e baixe-o gratuitamente clicando aqui:
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/sumario-o-evangelho-sem-disfarces.html

Coleção do livro “O Evangelho Sem Disfarces”:
https://clubedeautores.com.br/livro/o-evangelho-sem-disfarces-volume-4

Compre o livro “O EVANGELHO SEM DISFARCES” com todos os volumes reunidos em uma só obra aqui:
https://clubedeautores.com.br/livro/o-evangelho-sem-disfarces-2

Compre o livro “A OBRA DA SALVAÇÃO” aqui:
https://clubedeautores.com.br/livro/a-obra-da-salvacao

OBSERVAÇÃO: Nesse site você encontra os volumes da coleção “O Evangelho Sem Disfarces” separados por tema. Basta rolar o mouse para baixo. Meus livros estão todos no link acima.

– Facebook
JP Padilha
– Página 
JP Padilha
– BLOG JP Padilha: 
https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
– BLOG “O Evangelho Sem Disfarces”: 
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/
– YOUTUBE: https://www.youtube.com/@jppadilha7523/featured

Será que a Teologia do Pacto prova que Israel e Igreja são a mesma coisa? | JP Padilha


Quando abrimos a Bíblia, vemos que a Igreja surgiu no dia de Pentecostes (At 2). No entanto, adeptos da Teologia do Pacto insistem que a Igreja já existia no Velho Testamento e que agora, no Novo Testamento, a Igreja passou a ser o “Israel espiritual”, tomando para si, de forma espiritual, as bênçãos terrenas prometidas a Israel no Velho Testamento. Há alguns dias me deparei com um artigo de um site cujo título era "Vinte Provas de que a Igreja existia antes de Pentecostes". Eu diria que ficaria melhor se o título fosse "Vinte provas de que o autor não entendeu o que é a Igreja".

Precisamos de apenas duas coisas para entender que a Igreja não existia no Antigo Testamento, nem mesmo nos dias em que o Senhor Jesus esteve na terra (visto que os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João são de conteúdos basicamente judaicos): Primeiro, ler Mateus 16.18, onde Jesus disse: "Sobre esta pedra EDIFICAREI a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Segundo, aprender a conjugar os verbos e diferenciar seus tempos. Por exemplo: O verbo Edificar, no futuro do presente simples, é “eu edificarei”, “tu edificarás”, “ele edificará”, “nós edificaremos”, “vós edificareis”, “eles edificarão”. Alguém que não tenha faltado a essa aula na escola saberá a diferença entre o que Jesus disse (“edificarei” a minha Igreja) e o que ele NÃO disse (“edifiquei” a minha Igreja). Os seguidores da Teologia do Pacto acham que ouviram assim: “edifiquei a minha Igreja”.

A dificuldade do autor que escreveu o artigo supracitado, assim como a de todos os adeptos da herética Teologia do Pacto, ocorre por ele não conhecer as diferentes dispensações e maneiras de Deus tratar com o homem ao longo do tempo. Por exemplo, ele certamente não percebeu que os israelitas nunca chamavam a Deus de Pai e nem possuíam promessa e esperança de habitar no Céu. Tudo girava em torno de viver num Reino na terra. As promessas feitas a Israel são de bênçãos terrenas, não celestiais. Deus prometeu a Israel que voltará a estabelecer seu reino público sobre Israel por mil anos, e Ele irá cumprir esta promessa porque Ele não é mentiroso.

Sem entender que Deus não falhará em nenhuma promessa feita a Israel, e que no presente momento os judeus estão apenas por um tempo deixados de lado enquanto Deus reúne uma noiva (Igreja) para o seu Filho, o autor do artigo e os seguidores da Teologia do Pacto não entendem que nos evangelhos os discípulos eram judeus, vivendo como judeus e esperando o estabelecimento do reino na terra. Os dois que encontram Jesus no caminho de Emaús deixam muito claro isso. Nem aqueles dois discípulos e nem os onze apóstolos sabiam o que era a Igreja, visto que a Igreja era um mistério ainda não revelado.

E aqui temos mais uma vez um problema causado pela dificuldade com a linguagem e o vocabulário, além dos verbos que já mencionei. O dicionário traz a palavra "mistério" como algo que é secreto, escondido, não divulgado, enfim, um segredo. Ora, então, quando Paulo diz que recebeu um mistério é válido entender que ninguém sabia disso antes, pois foi uma revelação exclusiva. E se lermos as epístolas iremos descobrir que Paulo fala de pelo menos nove mistérios aos quais lhe foi dado o privilégio de conhecer de primeira mão:

1. O mistério do evangelho da graça de Deus (Rm 16.25-26);
2. O mistério do endurecimento de Israel por um tempo (Rm 11.25-27);
3. O mistério do arrebatamento e da ressurreição do corpo de Cristo (1Co 15.51-53);
4. O mistério do um só corpo, a Igreja (Ef 3.1-9);
5. O mistério da cidadania ou vocação celestial do crente no corpo de Cristo (Ef 1.3; Fp 3.20-21);
6. O mistério do propósito de Deus de reunir todas as coisas em Cristo na dispensação da plenitude dos tempos (Ef 1.9-10);
7. O mistério da graça de Deus (Rm 6.14);
8. O mistério da identificação do crente com Cristo (1Co 15.1-4);
9. O mistério da iniquidade (2Ts 2.6-12).

O autor do texto argumenta que o fato de Jesus ter se referido aos seus como "rebanho" e o mesmo termo ser encontrado nas epístolas dos apóstolos significaria tudo a mesma coisa. Ele está errado. Muito errado! Esse rebanho se refere a todo um conjunto de seres vivos que sejam conduzidos por alguém, seja um pastor, quando são ovelhas ou cabras, seja um vaqueiro, quando se trata de bovinos. Sendo assim, Deus tem sim um rebanho de Israelitas e um rebanho que é a Igreja andando na terra sob a autoridade do mesmo Pastor.

Mas, como já fora dito, neste momento o Pastor está cuidando do rebanho Igreja. E o rebanho Israel? Paulo explica de como eles seriam deixados de lado por um período:

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados" (Romanos 11.25-27).

A expressão "quando eu tirar os seus pecados" denota que a Igreja NÃO é a continuidade de Israel, mas uma entidade distinta, pois Deus ainda irá tratar com Israel no futuro, que é o tempo também citado no versículo 31: "Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem [no futuro] misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada" (Rm 11.31).

Um dos vinte argumentos do autor em seu cômico artigo é que "Eles tinham poder do Espírito Santo antes de Pentecostes". Sim, eram revestidos de poder como eram também os santos do Antigo Testamento, porém, ocasionalmente e para algum propósito especial, e não eram selados com o Espírito Santo. Todavia, o evangelho deixa claro:

"Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado" (João 7.39).

Em conexão a isso, temos outra passagem que também não é compreendida por quem faltou às aulas de conjugação verbal. Se tivesse estudado, saberia diferenciar algo ainda futuro: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós." (João 14.16).

A descida do Espírito Santo para formar a Igreja dependia de Jesus ser antes glorificado, o que só aconteceu após a ressurreição e ascensão ao Céu. Quanto aos outros argumentos do autor “reformado”, nem há o que comentar porque estão todos igualmente errados. Mas tem um argumento que é até curioso e que ele apresenta como "prova" de que a Igreja já existia no Velho Testamento: "Eles tinham um tesoureiro antes de Pentecostes" (???).

O site ao qual me refiro só publica doutrina “reformada”, o que significa que seus autores seguem a Teologia do Pacto e, portanto, não entendem a diferença entre Israel e Igreja, entre esperança terrena e esperança celestial, entre o reino na terra e o Céu, etc. Uma boa leitura para entender isso é o livro 
"Teologia do Pacto ou Dispensações", de Bruce Anstey, que pode ser baixado grátis no link abaixo em formato e-book, ou adquirido na editora Clube de Autores em formato impresso.

Consulte o SUMÁRIO aqui:
https://jppadilhabiblia.blogspot.com/2025/07/sumario-igreja-nao-e-israel.html

Link do livro e-book “Teologia do Pacto ou Dispensações”:
https://acervodigitalcristao.com.br/produto/teologia-do-pacto-ou-dispensacoes/

Link do livro impresso “Teologia do Pacto ou Dispensações”:
https://clubedeautores.com.br/livro/teologia-do-pacto-ou-dispensacoes

– JP Padilha | Livro: O Evangelho Sem Disfarces – Volume 1 – A identidade e o funcionamento da Igreja segundo a Bíblia
___________________________________________________
Acesse o blog do livro E-BOOK "O Evangelho Sem Disfarces" completo e baixe-o gratuitamente clicando aqui:
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/sumario-o-evangelho-sem-disfarces.html

Compre o Volume 1 impresso aqui:
https://clubedeautores.com.br/livro/o-evangelho-sem-disfarces-volume-4

– Fonte 1: Facebook JP Padilha
– Fonte 2: Página 
JP Padilha
– Fonte 3: 
https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
– Fonte 4: 
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/

CAPÍTULO 1 – A DOUTRINA ACERCA DAS ESCRITURAS (Bibliologia)



“Quando a Palavra de Deus é negligenciada, a religião pura e verdadeira desaba. Quando ela desaba ninguém pode, nem será salvo”. – Erasmus Sarcerius (1501 - 1559)

INTRODUÇÃO

A Bíblia é a única base da doutrina cristã. Por isso, se o conceito formulado sobre as Escrituras for errado, todas as outras doutrinas serão afetadas de modo negativo.

Daí percebe-se a importância da concepção sadia da Bíblia. Quando ela não é considerada do modo como exige, não pode servir de base para a conservação da “sã doutrina” (Tt 2.1).

Intimamente ligada à doutrina está a vida diária do cristão. O comportamento do crente deve ser um exemplo de doutrina posta em prática. Portanto, se uma pessoa não tiver uma ideia correta acerca da Bíblia, isso também influenciará o seu modo de andar.

Com efeito, a Bíblia deve ser para o cristão um manual de padrões para a vida. Se não for assim, o homem estará à mercê dos seus próprios modos errados e pecaminosos de pensar, os quais fatalmente o conduzirão à ruína.

Deve ser lembrado que há pessoas que, apesar de professarem um conceito sadio da Bíblia, vivem em desacordo com isso. É claro que essas pessoas envergonham o Evangelho. Suas vidas espirituais são um verdadeiro fracasso.

A REVELAÇÃO

Revelação é, basicamente, o desvendamento de algo que era desconhecido ou a manifestação de alguma coisa que estava escondida. No contexto judaico-cristão essa palavra é usada para se referir à comunicação que Deus faz de si mesmo e da sua vontade. Assim, em termos teológicos, a revelação é um processo por meio do qual Deus desvenda ao homem seu caráter e seus desígnios. O resultado desse processo também é chamado de revelação.

Para fins de estudo, a revelação de Deus se divide em dois aspectos:

A revelação geral: Refere-se ao testemunho que Deus dá si mesmo a todos os homens por meio da criação (Rm 1.19-20), da sua providência na história (At 14.15-17) e da consciência humana (Rm 2.14-15). A revelação geral alcança todos os homens em todos os lugares (Sl 19.1-6), mas não tem conteúdo redentor. O máximo que ela faz é expor alguns atributos de Deus, tornando os homens indesculpáveis por rejeitá-lo (Rm 1.20-23).

A revelação especial ou específica:
 Refere-se ao desvendamento do caráter e do plano de Deus na história da redenção (Sl 78; 107), na pessoa de Cristo (a expressão máxima da revelação – Jo 1.18; 14.9; Cl 1.15; 2.9; Hb 1.1-3) e nas Escrituras Sagradas (2Tm 3.16; 2Pe 1.20-21). A revelação especial tem conteúdo salvífico, ou seja, é possível alguém compreender o plano redentor de Deus por meio dela (2Tm 3.15). Contudo, ainda que destinada a todos, a revelação especial alcança efetivamente um número limitado de pessoas.

A INSPIRAÇÃO

Conforme visto, a Bíblia compõe a revelação especial de Deus, tendo sido inspirada por ele. Quando se diz que a Bíblia é inspirada por Deus, isto significa que o Espírito Santo supervisionou aquilo que os autores bíblicos escreveram nos autógrafos, isto é, nos escritos originais (as cópias não foram inspiradas) de tal modo que eles o fizeram sem cometer qualquer erro. Deus não ditou as palavras da Bíblia (apenas poucas partes foram provavelmente ditadas – e.g., a Lei), nem tampouco os autores bíblicos entraram em estado de êxtase para escrever os livros.

O que Deus fez na realidade foi mover (2Pe 1.21) ou dirigir os escritores para que compusessem sua revelação usando suas personalidades, culturas e faculdades mentais. Desse modo, pode-se dizer que Deus falou através do homem (Mt 1.22; 2.15;1Co 14.37).

É importante destacar que não é correto dizer que os autores bíblicos foram inspirados por Deus. O termo “inspirados” se aplica apenas aos livros bíblicos. Seus autores foram movidos ou impelidos (Gr. ferómenoi) pelo Espírito Santo. Alguns textos bíblicos que servem de base para esse ensino são Mateus 5.18; 22.43; 2Timóteo 3.16; 2Pedro 1.20-21 e Hebreus 1.1.

Hoje não existe nenhum fragmento sequer dos escritos originais. Todos se perderam ao longo dos séculos. O que se tem agora são cópias, a maioria delas preparada por homens zelosos e habilidosos. Para se chegar ao texto original um trabalho científico denominado crítica textual tem sido realizado nessas cópias e em fragmentos delas. Graças à ação de Deus em preservar sua Palavra (1Pe 1.24-25) e aos esforços da crítica textual, o conteúdo dos autógrafos foi mantido acessível com precisão praticamente total.

O crente deve ter sempre em mente que a Bíblia, por ser divinamente inspirada, é:

Inerrante: Não há erros na Bíblia, seja no campo da ciência, da geografia, da história ou da filosofia (Jo 10.35; 17.17).

Infalível: O que a Bíblia ensina não conduz as pessoas ao erro. Nos caminhos e soluções que prescreve, ela nunca falha, de modo que a pessoa que a obedece pode caminhar segura, sabendo que está seguindo um mapa que a leva na direção certa. Ademais, suas promessas e profecias nunca falham. O que ela diz acerca do amanhã, certamente se cumprirá (Nm 23.19; Sl 119.9,11; Mt 5.18; Tt 1.2).

Além disso, uma vez que Deus a destinou a criaturas inteligentes com o objetivo de lhes transmitir verdades essenciais, a Bíblia também é interpretável. Isso significa que há um sentido específico (e não vários!) em cada porção do texto sagrado. Esse sentido pode ser descoberto por meio do emprego das regras normais de hermenêutica, usadas, inclusive, pelo próprio Cristo (Mt 22.41-46).

É verdade que há trechos difíceis de entender, mas isso não autoriza ninguém a dar ao que foi escrito o sentido que achar mais conveniente, distorcendo as Escrituras (2Pe 3.15-16). Antes, o leitor deve buscar o significado pretendido pelo autor sagrado, sabendo que esse significado é claro na maioria das vezes e compõe a mensagem do próprio Deus ao homem.

Por ser inspirada, inerrante, infalível e interpretável, somente a Bíblia pode ensinar o que é correto acerca do Deus único e verdadeiro. Assim, qualquer crença que a rejeite jamais poderá levar o homem ao real conhecimento da divindade.

A CANONICIDADE

Sendo inspirados por Deus, os livros da Bíblia são dotados de canonicidade. O termo “cânon” vem do hebraico (qaneh) e do grego (kánon) e significa, basicamente, vara de medir ou régua. Com o tempo, essa palavra passou a ter um significado mais amplo, indicando também uma norma ou padrão de qualquer natureza (Gl 6.16).

Assim, quando se afirma que um livro é canônico, isso significa que deve ser usado como uma régua para “medir” a validade do que o homem crê e faz.

Deve ficar bem claro que a canonicidade dos livros bíblicos não lhes foi imposta por homens. O fato de Deus tê-los produzido usando o processo da inspiração visto acima é que lhes confere canonicidade. Os homens simplesmente reconheceram essa qualidade presente nos livros bíblicos desde a sua produção. Aliás, mesmo os escritores bíblicos tinham consciência da autoridade de seus escritos por serem revelação de Deus. Isso se pode ver, por exemplo, em 2Samuel 23.2; 1Coríntios 2.13 e 14.37.

Para reconhecer um livro como canônico foram usados os seguintes critérios:

Autoria profética ou apostólica: Para ser reconhecido, o livro deveria ser escrito por um profeta, por um apóstolo ou por alguém sob a autoridade de um apóstolo (por exemplo, Marcos escreveu seu evangelho sob a autoridade do apóstolo Pedro).

Aceitação: Para ser reconhecido, o livro tinha que ter ampla aceitação entre o povo de Deus. O reconhecimento da igreja em geral foi considerado fator muito importante, uma vez que o Senhor manifesta sua direção por meio do povo santo.

Conteúdo: Para ser reconhecido, o livro tinha que mostrar harmonia doutrinária com a ortodoxia já fixada. Livros que apresentassem desvios ou negação de doutrinas consagradas foram rejeitados.

Inspiração: Para ser reconhecido, o livro tinha que dar evidências de origem divina, falando com autoridade e apresentando valores morais e espirituais elevados, próprios de uma obra inspirada pelo Espírito Santo.

O CÂNON

Enquanto o termo canonicidade se aplica a uma qualidade sobrenatural dos livros bíblicos, a palavra “cânon” é usada para se referir ao conjunto de livros que compõem tanto o Antigo como o Novo Testamento.

A Bíblia é composta por 66 livros. Dessas obras, 39 fazem parte do Antigo Testamento e 27 do Novo. Os livros do Antigo Testamento são classificados da seguinte maneira:

CLASSIFICAÇÃO DOS LIVROS BÍBLICOS

PENTATÊUCO: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio (São os cinco livros de Moisés).

HISTÓRICOS: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.

POÉTICOS: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares (Os livros de Provérbios e de Eclesiastes são também chamados de Sapienciais).

PROFÉTICOS: Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias (Lamentações de Jeremias foi escrito na forma de poesia).

EVANGELHOS: Mateus, Marcos, Lucas e João.

ATOS (Foi escrito por Lucas)

EPÍSTOLAS PAULINAS: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom.

EPÍSTOLAS GERAIS: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1,2 e 3 João e 1 Judas.

APOCALIPSE (Foi escrito por João)

O judaísmo ortodoxo não aceita os livros do Novo Testamento. Já o catolicismo romano, desde o Concílio de Trento (1545-1563), recepciona os livros apócrifos que são 13 obras (incluindo fragmentos de livros) escritas durante a época do Império Grego (também chamado de período interbíblico) e que não são reconhecidas nem pelo judaísmo, nem pelo protestantismo.

O termo “apócrifo” significa “oculto” e os livros sob essa designação são os seguintes: 1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, adições a Daniel (Salmo de Azarias, Cântico dos Três Jovens, História de Susana, Bel e o Dragão), adições a Ester, Oração de Manassés, Epístola de Jeremias, Baruque, Eclesiástico (Siraque), Sabedoria de Salomão e 1 e 2 Macabeus. Alguns manuscritos da Septuaginta incluem 3 e 4 Macabeus e os Salmos de Salomão.

A CONCEPÇÃO DE JESUS ACERCA DAS ESCRITURAS

Jesus expressou uma concepção extremamente elevada das Escrituras. No tocante a isso, os Evangelhos mostram o seguinte:

1. Jesus usou a Escritura para repudiar as tentações de Satanás (Mt 4.1-11).
2. Jesus realçou a perenidade da Lei Mosaica e dos Profetas (Mt 5.17-18), tornando esses escritos comparáveis às suas próprias palavras (Mt 24.35).
3. Jesus destacou que o testemunho de todo o Antigo Testamento acerca dele se cumpriria (Lc 24.44).
4. Jesus aprovou a visão de que nas Escrituras se encontra a vida eterna (Jo 5.39).
5. Jesus afirmou que o Espírito Santo falou através dos autores bíblicos (Mc 12.36).
6. Jesus aceitou a historicidade de eventos bíblicos considerados questionáveis na atualidade (Mt 12.39-41; Mc 10.6; Lc 17.26-27; Jo 6.49).
7. Jesus defendeu a inerrância (ou, talvez, a integridade. Cp. Tg 2.10) da Escritura dizendo que ela não pode ser desmembrada (Jo 10.35).
8. Jesus  destacou a  importância  de  se  conhecer  profundamente  a  Escritura  (Mt 22.29).
9. Jesus valorizou detalhes gramaticais e palavras específicas do texto bíblico (Mt 5.18; 22.31-32, 43-45).
10. Jesus garantiu a composição inerrante do Novo Testamento, dizendo que enviaria o Consolador que guiaria os apóstolos nessa tarefa (Jo 14.26; 16.12-15).

A ILUMINAÇÃO

Iluminação é o ministério do Espírito Santo de capacitar o homem que é alcançado por sua graça a compreender a revelação escrita de Deus.

Essa obra é necessária porque as verdades da Palavra pertencem a uma dimensão que está muito acima do alcance da mente humana (Is 55.8-9), sendo conhecida somente pelo Espírito (1Co 2.11). Por isso, sem o auxílio do Senhor não há como o homem acolher o que foi revelado (Lc 24.44-45; 1Co 2.12).

Pra piorar a situação, Satanás cega o entendimento das pessoas, impedindo--as de compreender o evangelho (2Co 4.3-4). É por causa disso que os incrédulos, não tendo a ação iluminadora do Espírito, não conseguem entender nem mesmo as verdades espirituais mais elementares (1Co 2.14).

A iluminação do Espírito Santo na mente do homem por ele favorecido é iniciada, assim, ao tempo da conversão, quando o conhecimento da pessoa é aclarado, passando ela a enxergar as realidades espirituais do evangelho (At 16.14; 2Co 3.15-16; 4.6; Hb 10.32). A partir daí, a ação do Espírito Santo de trazer luz à mente do crente prossegue (Ef 1.17-19), fazendo-o entender mais e mais a verdade revelada e também levando-o à aceitação dela, fatores essenciais para o crescimento na vida cristã (2Co 3.18; Cl 1.9-10).

CUIDADO! VENENO!

Liberalismo teológico: Ensina que a revelação de Deus acontece por meio de fatos que se situam dentro da ordem natural das coisas. Segundo os liberais, os escritores antigos testemunharam esses fatos e os interpretaram como milagres, adicionando-lhes uma dimensão sobrenatural inexistente. Por isso, as descobertas da ciência, da filosofia e da psicologia da religião devem ser usadas para corrigir as ideias distorcidas dos autores bíblicos, removendo do texto bíblico tudo que é mitológico (demitização ou desmitologização).

Neo-ortodoxia:
Ensina que Deus só pode ser conhecido quando sua Palavra viva, o Cristo eterno, se encontra pessoalmente com o indivíduo. A Bíblia descreve essa experiência na vida de vários de seus personagens e assinala o caminho para esses encontros existenciais. Dessa forma, as Escrituras contêm testemunhos da revelação divina feita a homens do passado e, na medida em que servem para levar o indivíduo a um encontro com Deus, são revelação também hoje. Há, assim, dois momentos de revelação: um passado (as experiências registradas na Bíblia) e um presente (desde que, lendo a Bíblia, o homem tenha um encontro com Deus).

Movimentos sectários e heréticos: A seitas e os movimentos heréticos que se dizem cristãos geralmente adotam um livro além da Bíblia, atribuindo-lhe o mesmo grau de autoridade que dizem reconhecer nas Escrituras. É assim com os mórmons que creem na natureza sacrossanta do Livro de Mórmon. É assim também com os Adventistas do Sétimo Dia que consideram como proféticos os escritos de Hellen G. White. Outros movimentos heréticos põem certas pessoas, entidades ou tradições no mesmo pé de igualdade das Escrituras. Esse é o caso do romanismo que confere autoridade divina à sua tradição e também ensina a doutrina da infalibilidade papal. Também é o caso das Testemunhas de Jeová que consideram o conselho que as preside, o chamado Corpo Governante, como detentor de autoridade sobrenatural. Na prática, ainda que digam estar sujeitos à Bíblia, esses movimentos tendem a situar seus livros e líderes muito acima das Escrituras.

“O conhecimento aprofundado da Bíblia vale mais do que um diploma universitário”. – Theodore Roosevelt

Traduções espúrias: O fato de existirem milhares de manuscritos bíblicos antigos faz com que pequenas diferenças surjam entre um e outro. São as chamadas variantes textuais. Ao lidar com essas variações, nem sempre o trabalho da crítica textual é conclusivo, o que faz com que os tradutores da Bíblia tenham eventualmente que escolher qual texto deverão adotar em seu trabalho. Ocorre, porém, que não raro os tradutores divergem em suas opções, o que faz com que traduções diferentes apareçam. Outras vezes, o leque de significado de um termo ou de uma expressão hebraica ou grega é muito amplo e o tradutor tem que escolher a alternativa que acredita ser a melhor. Naturalmente, nem sempre os tradutores fazem a mesma opção e, mais uma vez, traduções bíblicas distintas aparecem (ARA, ARC, ACF, NVI, NTV...). Nada disso é condenável ou errado. Na verdade, dificuldades assim são comuns em qualquer esforço de transmitir a mensagem dada em uma língua por meio de outra totalmente diferente. Ademais, é preciso lembrar que, mesmo havendo um campo textual que admita diferentes traduções, esse campo é limitado e jamais afeta a mensagem central das Escrituras. O que se deve evitar, porém, são as traduções espúrias, ou seja, traduções que, sem a menor base textual, gramatical ou semântica, fazem acréscimos e alterações na Bíblia com o fim (às vezes declarado!) de transmitir conceitos errados e até blasfemos. É o caso da versão Novo Mundo das Escrituras Sagradas (NM), tradução feita pelas Testemunhas de Jeová. Essa tradução remove ou altera descaradamente qualquer expressão que aponte para a divindade de Cristo ou do Espírito Santo. Há também traduções feministas que evitam a referência a Deus como Pai e chamam Cristo de “a criança de Deus”, em vez de Filho. São as chamadas versões com “linguagem inclusiva”. Em tempos recentes, até mesmo paráfrases repletas de gírias e palavrões (e.g., Bíblia Free Style) têm sido preparadas sob o pretexto de alcançar pessoas que usam esse tipo de linguagem. Esses esforços, porém, sequer podem ser chamados de traduções, posto que em nada reproduzem a real mensagem do texto sagrado para a língua a que se propõem traduzi-la.

Continua em: CAPÍTULO 2 – A DOUTRINA ACERCA DE DEUS (Teontologia)

Para voltar ao início, clique no índice abaixo:
ÍNDICE –  
PEQUENO MANUAL DE DOUTRINAS BÁSICAS | Marcos Granconato

APRESENTAÇÃO



Embora contenha a Santa Escritura uma doutrina perfeita, a que nada se pode acrescentar, pois que aprouve a Nosso Senhor revelar os infinitos tesouros de sua sabedoria, entretanto, a pessoa que não seja bastante experimentada no seu manuseio e entendimento necessita de certa orientação e ajuda, para saber que deva nela buscar a fim de não vaguear incerta, ao contrário, alcance rota segura que lhe faculte atingir sempre o fim a que a convoca o Santo Espírito.

João Calvino, Institutas da Religião Cristã.

Prefácio à Edição Francesa de 1541


O famoso pai da igreja João Crisóstomo disse certa vez com a propriedade que lhe era peculiar: “Quando a vida é corrompida, ela concebe uma doutrina que combina com ela.” Certamente Crisóstomo não ficaria indignado se eu de certo modo invertesse a sua máxima para afirmar outra verdade do mesmo porte: “Quando a doutrina é corrompida, ela concebe uma vida que combina com ela.”

Foi movido pela preocupação com esta última verdade que preparei, em 1987, este pequeno manual de doutrinas. Procurei produzir algo de fácil compreensão, com várias ilustrações, a fim de que o conhecimento das principais doutrinas da fé cristã não se tornasse propriedade de qualquer número de pessoas que não representasse a totalidade dos membros da igreja. Não ouso afirmar que atingi este propósito na íntegra, pois a sã doutrina, por ser extremamente rica, nem sempre pode ser apresentada satisfatoriamente com palavra superficiais.

De qualquer modo, eis aqui nosso manual. Sua ampla aceitação em minha própria igreja me encorajou a levá-lo ao povo evangélico em geral, chegando a ser produzido em quatro edições distintas e adotado como material didático em várias igrejas, grupos de discipulado e seminários teológicos espalhados pelo Brasil. Minha sincera expectativa é que esta nova edição revista e ampliada seja ainda mais útil na trasmisssão da doutrina cristã à igreja tão carente do nosso país.

De maneira nenhuma é meu intento apresentar este livro como algo original. A própria ideia de preparar um livreto para o ensino dos crentes é antiga na história da igreja cristã. Na verdade, já no século II, manuais de ensino prático eram usados pelos cristãos sendo o Didaquê o exemplo clássico disso.

A falta de originalidade em nosso livreto não se limita, contudo, à ideia de prepará-lo, mas se estende também, e de modo necessário, ao seu conteúdo. O que se encontra aqui é baseado nos diversos livros alistados na bibliografia ao final, os quais devem ser consultados caso o estudante tenha o desejo de se aprofundar mais no estudo da doutrina bíblica.

 

O que temos à mão é algo modesto. Apesar disso, é um trabalho que requereu o auxílio de pessoas a quem eu sou grato. Dentre elas quero destacar o nome do Pr. Thomas Tronco dos Santos que deu ao manual um formato mais estético e didático. Também detaco o esforço do meu querido irmão na fé Leandro Boer que preparou cuidadosamente cada uma das ilustrações, sempre preocupado em fazer delas ferramentas eficazes para a apreensão e memorização das verdades ensinadas. Eu sei que o Senhor recompensará o trabalho dedicado desses homens.

É com bastante alegria que entrego o PEQUENO MANUAL DE DOUTRINAS BÁSICAS aos evangélicos do nosso país, na esperança de que ele possa ser usado, conforme disse um teólogo amigo, “em defesa da fé histórica, atual e relevante”.

 

Marcos Granconato

 

Soli Deo gloria

Continua em: 
CAPÍTULO 1 – A DOUTRINA ACERCA DAS ESCRITURAS (Bibliologia)

Para voltar ao início, clique no índice abaixo:
ÍNDICE –  
PEQUENO MANUAL DE DOUTRINAS BÁSICAS | Marcos Granconato

PEQUENO MANUAL DE DOUTRINAS BÁSICAS | Marcos Granconato

ÍNDICE

● APRESENTAÇÃO

● CAPÍTULO 1 – A DOUTRINA ACERCA DAS ESCRITURAS (Bibliologia)

● CAPÍTULO 2 – A DOUTRINA ACERCA DE DEUS (Teontologia)

● CAPÍTULO 3 – A DOUTRINA ACERCA DE CRISTO (Cristologia)

● CAPÍTULO 4 – A DOUTRINA ACERCA DO ESPÍRITO SANTO (Pneumatologia)

● CAPÍTULO 5 – A DOUTRINA ACERCA DO HOMEM (Antropologia)

● CAPÍTULO 6 – A DOUTRINA ACERCA DO PECADO (Hamartiologia)

● CAPÍTULO 7 – A DOUTRINA ACERCA DA SALVAÇÃO (Soteriologia)

● CAPÍTULO 8 – A DOUTRINA ACERCA DA IGREJA (Eclesiologia)

● CAPÍTULO 9 – A DOUTRINA ACERCA DOS ANJOS (Angelologia)

● CAPÍTULO 10 – A DOUTRINA ACERCA DAS ÚLTIMAS COISAS (Escatologia)

Vontade Preceptiva e Vontade Decretiva | JP Padilha



É necessário entender que existem, no caráter soberano de Deus, duas vontades, porém, com um único intuito: Glorificar o seu nome. Quais são essas DUAS VONTADES? Vontade Preceptiva e Vontade Decretiva:

O que a Bíblia quer dizer quando fala da vontade de Deus? Deus sempre impõe sua vontade? Pode a vontade de Deus ser resistida ou frustrada? Considere os seguintes textos:

“Bem sei que tudo podes, e que nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2).

“Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35).

“No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3; cf Ef 1.11).

Todavia, a Bíblia também diz que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos (1Tm 2.4) e que todos cheguem ao arrependimento (2Pe 3.9). Como podemos reconciliar essas duas declarações aparentemente contraditórias às mensagens relacionadas aos seus decretos eternos? Uma resposta é encontrada na distinção entre a vontade preceptiva de Deus e sua vontade decretiva.

Considere Êxodo 4.21-23 e a dureza do coração de faraó. Deus, através de Moisés, ordenará que Faraó deixe o povo ir. Esta é a vontade preceptiva de Deus, isto é, sua vontade de preceito ou ordem. Ela é o que Deus diz que deveria acontecer. Podemos também chamar isso de vontade revelada de Deus ou de vontade moral. Mas Deus também diz que endurecerá o coração de Faraó, de sorte que Faraó recusará a ordem de deixar o povo ir. Esta é a vontade decretiva de Deus, ou seja, sua vontade de decreto ou propósito. Neste ponto estamos lidando com metafísica; com coisas que acontecem nos lugares celestiais, onde o homem não tem acesso. O que Deus decretou acontecerá. A vontade decretiva de Deus é também conhecida como sua vontade oculta, ou vontade soberana ou vontade eficiente. Assim, o que vemos [em Êxodo] é que Deus ordena que Faraó faça algo que a vontade do próprio Deus não permite. A boa coisa que Deus ordena Ele impede. E aquilo que Ele decreta que aconteça envolve pecado.

Assim, a vontade decretiva de Deus refere-se ao secreto, tudo que engloba seu divino propósito de acordo com o que Ele predestinou, seja o que for que venha a acontecer. Sua vontade preceptiva refere-se às ordens e proibições nas Escrituras. Alguém necessita contar com o fato de que Deus muitas vezes decreta aquilo que Ele mesmo proibiu. Ou seja, a sua vontade preceptiva é uma ordem de que o evento X deve ocorrer, ao passo que nas Escrituras a vontade decretiva de Deus irá fazer com que o evento X não ocorra.

A vontade de Deus é às vezes frustrada porque Ele assim o quer, pois Ele tem dado a um dos seus desejos precedência sobre outro. Deus não planeja causar tudo o que Ele valoriza, mas Ele nunca falha em causar tudo o que Ele planejou.

– JP Padilha | O Evangelho sem disfarces – Cap. 3 – Predestinação Vs. Livre Arbítrio
___________________________________________________
Acesse o blogger do livro "O Evangelho Sem Disfarces" e baixe-o gratuitamente clicando aqui:
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/sumario-o-evangelho-sem-disfarces.html

– Fonte 1: Facebook JP Padilha
– Fonte 2: Página JP Padilha
– Fonte 3: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
– Fonte 4: https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/

DETERMINISMO BÍBLICO OU FATALISMO? | JP Padilha


Você que crê na doutrina da Predestinação sempre irá ouvir dizer por aí que, se Deus já preordenou tudo quanto há de acontecer e predestinou um grupo de salvos para a vida eterna e outro grupo [de réprobos] para a perdição eterna, significa que não precisamos nos preocupar com os Seus mandamentos, já que, o que tem de ser será. Mas, será que é isso que caracteriza as Doutrinas da Graça?

São muitas as ramificações de seitas arminianas e pentecostais que, com discursos sofísticos e isolamento de textos cruciais para o entendimento bíblico, espumam heresias e ignoram o fato bíblico de que a Soberania de Deus e a Responsabilidade Humana não são inimigas, mas estão de mãos dadas. Não se pode separar essas duas irmãs inseparáveis. Portanto, deixarei algumas dicas para que você saiba como lidar com os “espantalhos teológicos” do arminianismo, como este supracitado, que certamente encontrará aos montes pela internet, sobretudo em blogs e páginas [heréticas] arminianas e pentecostais.

1. A subjeção apresentada não se trata de Calvinismo e das doutrinas da graça, muito menos interfere na bíblica Doutrina da Eleição Incondicional.

2. A queixa supracitada é geralmente repetida pelos oponentes da verdade numa sequência mórbida de "psico-afirmacionismo" (ou PA), onde “psico” significa maluco e “afirmacionismo” refere-se à prática de afirmar suas visões repetidamente sem fornecer argumentos para suportá-las.

3. A construção do espantalho é notória. O que é um espantalho nesse aspecto? Os opositores da verdade criam um conceito Calvinista que nunca existiu, para então poder atacá-lo, já que são incapazes de confrontar ou refutar a Soteriologia Calvinista (pois ela é bíblica). O Calvinismo jamais afirmou que o fato de tudo estar predestinado significa que Deus não nos responsabiliza por nossos atos, e isso é muito importante saber.

4. O espantalho construído na pergunta tem nome – Fatalismo – uma seita que adota o pressuposto que os arminianos tanto atribuem a nós calvinistas, desonestamente, na tentativa de nos caluniar e fazer com que pessoas mais incautas caiam no erro de julgar o que não conhecem.

5. O Calvinismo, ao contrário do Fatalismo, defende que a Bíblia é Determinista. E é muito importante que você entenda a diferença entre um e outro para nunca mais ser trapaceado por doutrinas demoníacas que não zelam pela verdade, mas buscam ofuscá-la através de ensinos heréticos.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE FATALISMO E DETERMINISMO?

● DETERMINISMO: Todo evento tem uma causa e tudo no universo é absolutamente dependente e regido por Deus. Todo genuíno calvinista é determinista por definição. O fato de nós, deterministas, acreditarmos que todos os eventos, incluindo as ações humanas, são predeterminados de antemão por nosso Deus, faz com que muitos incautos confundam nossa crença com o Fatalismo, doutrina esta que anula a responsabilidade humana ou as ordens estabelecidas por Deus para serem seguidas e obedecidas. O determinismo é incompatível com o livre-arbítrio, mas não exclui a “vontade humana” (que desemboca na responsabilidade por seus atos), que é o termo usado para referirmos ao arbítrio. Que existe arbítrio, isso é fato. Só que o arbítrio não é livre. Podemos provar isso sem usar a Teologia, dando como exemplo circunstâncias empíricas, tais como: uma pessoa traumatizada com a dor de dente não consegue escolher a profissão de dentista. Ela está sob influência de seu TRAUMA interno. Ela pode negar isso, mas os fatos não podem ser negados sob o uso do senso comum. Outro exemplo: Se você foi picado por uma abelha, dificilmente admitirá, em sã consciência, que escolheu passar por isso. Quem escolhe uma terrível picada de abelha? A menos que se tenha uma INFLUÊNCIA interna ou externa, ninguém se moveria. Você escolhe ser médico porque quando criança sonhou com esse ofício por meio de influências alheias, ou, no mínimo, está sendo influenciado pela VOCAÇÃO interna.

O Determinismo de Deus faz isso. Ele faz com que suas criaturas estejam sujeitas a alguma influência, seja ela interna ou externa. Sendo assim, ainda que os hereges tenham milhares de chiliques com a verdade exposta pela Escritura, eles tem de lidar com o fato de que, ainda que colocássemos de lado a Bíblia, a própria Ciência irá dizer que ele não possui o arbítrio livre, mas que ele sempre será escravo de alguma coisa. No caso da Escritura, ou você é escravo do pecado que herdou de Adão, ou você é escravo de Cristo. De modo que, ainda que não possamos explicar esse mistério com nosso entendimento limitado, e, considerando que a Bíblia não explica o “porquê” Deus determina todos os acontecimentos e ações humanas e, mesmo assim, o homem continua responsável por suas escolhas, nós, calvinistas, nos dobramos diante da verdade divina sem questioná-la. Se houvesse a resposta do “porquê” Deus age assim, certamente afirmaríamos. Todavia, o lema do verdadeiro cristão continua de pé: “Onde a Bíblia se cala, nós nos calamos”. Isso é Determinismo Bíblico: Soberania de Deus e Responsabilidade Humana são princípios que não se opõem um ao outro, mas andam juntos. São milhares de versículos onde esses dois acontecimentos ocorrem simultaneamente, ou seja, o decreto de Deus sendo ali estabelecido enquanto o seu preceito está sendo desobedecido por determinação do próprio Deus que proibiu a desobediência. Em poucas palavras, o Determinismo Bíblico defende que Deus determina que um homem faça aquilo que Ele mesmo reprova. Mas, como isso ocorre? A Bíblia não responde. Por isso ela é determinista. Ela determina, mas não dá explicações ao homem.

● FATALISMO: A crença de que não precisamos obedecer a Deus nem nos responsabilizar por nossos pecados, já que todos os eventos passados, presentes e futuros já foram predeterminados por Deus ou outra força poderosa. Esta doutrina antibíblica sustenta que, se as nossas almas vão para o céu ou para o inferno, independente de nossas escolhas, significa que não precisamos nos responsabilizar ou nos mover para nada. O Fatalismo vai de encontro com o Determinismo Bíblico porque lança na fogueira todas as passagens em que o homem é responsabilizado por suas obras, mesmo Deus tendo o predestinado para aquilo. Isso não é e nunca foi a Soteriologia Calvinista. E sempre que um pseudo-cristão, herege ou arminiano (dá no mesmo) vier até você para apontá-lo como fatalista por crer na Doutrina da Eleição e da Predestinação Ativa, leve-o a se questionar, antes, o que venha a ser Fatalismo. Após isso, é só ver a mágica acontecer. Ou o indivíduo se manterá em estado circular, repedindo e repedindo aquilo que ele não pode provar nem contradizer, ou simplesmente ficará furioso com você e o acusará de não ter o “espírito” (eu sempre escuto essa).

– JP Padilha | O Evangelho sem disfarces – Cap. 3 – Predestinação Vs. Livre Arbítrio
___________________________________________________
Acesse o blogger do livro "O Evangelho Sem Disfarces" e baixe-o gratuitamente clicando aqui:
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/sumario-o-evangelho-sem-disfarces.html

Compre o Volume 3 aqui:
https://clubedeautores.com.br/livro/o-evangelho-sem-disfarces-volume-6

– Fonte 1: Facebook JP Padilha
– Fonte 2: Página JP Padilha
– Fonte 3: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
– Fonte 4: https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/

QUEM É O JP PADILHA? QUAL É A SUA PROFISSÃO?

Se você me perguntar o que eu sou, eu lhe responderei: "sou esposo". Se você insistir, lhe responderei: "sou pai". Você ...