Quando
abrimos a Bíblia, vemos que a Igreja surgiu no dia de Pentecostes (At 2). No
entanto, adeptos da Teologia do Pacto insistem que a Igreja já existia no Velho
Testamento e que agora, no Novo Testamento, a Igreja passou a ser o “Israel
espiritual”, tomando para si, de forma espiritual, as bênçãos terrenas prometidas
a Israel no Velho Testamento. Há alguns dias me deparei com um artigo de um
site cujo título era "Vinte Provas de que a Igreja existia antes
de Pentecostes". Eu diria que ficaria melhor se o título fosse "Vinte
provas de que o autor não entendeu o que é a Igreja".
Precisamos de apenas duas coisas para entender que a Igreja não existia no
Antigo Testamento, nem mesmo nos dias em que o Senhor Jesus esteve na terra
(visto que os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João são de conteúdos
basicamente judaicos): Primeiro, ler Mateus 16.18, onde Jesus disse: "Sobre esta pedra EDIFICAREI a
minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Segundo,
aprender a conjugar os verbos e diferenciar seus tempos. Por exemplo: O verbo
Edificar, no futuro do presente simples, é “eu edificarei”, “tu edificarás”, “ele
edificará”, “nós edificaremos”, “vós edificareis”, “eles edificarão”. Alguém
que não tenha faltado a essa aula na escola saberá a diferença entre o que
Jesus disse – “edificarei a minha Igreja” – e o
que ele NÃO disse – “edifiquei a minha
Igreja”. Os seguidores da Teologia do Pacto acham que ouviram assim: “edifiquei a minha Igreja”.
A dificuldade do autor que escreveu o artigo supracitado, assim como a de todos
os adeptos da herética Teologia do Pacto, ocorre por ele não conhecer as
diferentes dispensações e maneiras de Deus tratar com o homem ao longo do
tempo. Por exemplo, ele certamente não percebeu que os israelitas nunca chamavam
a Deus de Pai e nem possuíam promessa e esperança de habitar no Céu. Tudo
girava em torno de viver num Reino na terra. As promessas feitas a Israel são
de bênçãos terrenas, não celestiais. Deus prometeu a Israel que voltará a
estabelecer seu reino público sobre Israel por mil anos, e Ele irá cumprir esta
promessa porque Ele não é mentiroso.
Sem entender que Deus não falhará em nenhuma promessa feita a Israel, e que no
presente momento os judeus estão apenas por um tempo deixados de lado enquanto
Deus reúne uma noiva (Igreja) para o seu Filho, o autor do artigo e os
seguidores da Teologia do Pacto não entendem que nos evangelhos os discípulos
eram judeus, vivendo como judeus e esperando o estabelecimento do reino na
terra. Os dois que encontram Jesus no caminho de Emaús deixam muito claro isso.
Nem aqueles dois discípulos e nem os onze apóstolos sabiam o que era a Igreja,
visto que a Igreja era um mistério ainda não revelado.
E aqui temos mais uma vez um problema causado pela dificuldade com a linguagem
e o vocabulário, além dos verbos que já mencionei. O dicionário traz a palavra
"mistério" como algo que é secreto, escondido, não divulgado, enfim,
um segredo. Ora, então, quando Paulo diz que recebeu um mistério é válido
entender que ninguém sabia disso antes, pois foi uma revelação exclusiva. E se
lermos as epístolas iremos descobrir que Paulo fala de pelo menos nove
mistérios aos quais lhe foi dado o privilégio de conhecer de primeira mão:
1. O mistério do evangelho da graça de Deus (Rm 16.25-26);
2. O mistério do endurecimento de Israel por um tempo (Rm 11.25-27);
3. O mistério do arrebatamento e da ressurreição do corpo de Cristo (1Co 15.51-53);
4. O mistério do um só corpo, a Igreja (Ef 3.1-9);
5. O mistério da cidadania ou vocação celestial do crente no corpo de Cristo (Ef
1.3; Fp 3.20-21);
6. O mistério do propósito de Deus de reunir todas as coisas em Cristo na
dispensação da plenitude dos tempos (Ef 1.9-10);
7. O mistério da graça de Deus (Rm 6.14);
8. O mistério da identificação do crente com Cristo (1Co 15.1-4);
9. O mistério da iniquidade (2Ts 2.6-12).
O autor do texto argumenta que o fato de Jesus ter se referido aos seus como "rebanho"
e o mesmo termo ser encontrado nas epístolas dos apóstolos significaria tudo a
mesma coisa. Ele está errado. Muito errado! Esse rebanho se refere a todo um conjunto
de seres vivos que sejam conduzidos por alguém, seja um pastor, quando são
ovelhas ou cabras, seja um vaqueiro, quando se trata de bovinos. Sendo assim,
Deus tem sim um rebanho de Israelitas e um rebanho que é a Igreja andando na
terra sob a autoridade do mesmo Pastor.
Mas, como já fora dito, neste momento o Pastor está cuidando do rebanho Igreja.
E o rebanho Israel? Paulo explica de como eles seriam deixados de lado por um
período:
"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não
sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a
Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o
Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará
de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus
pecados" (Romanos 11.25-27).
A expressão "quando eu tirar os seus pecados" denota
que a Igreja NÃO é a continuidade de Israel, mas uma entidade distinta, pois
Deus ainda irá tratar com Israel no futuro, que é o tempo também citado no
versículo 31: "Assim também estes agora foram desobedientes, para
também alcançarem [no futuro] misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada" (Rm
11.31).
Um dos vinte argumentos do autor em seu cômico artigo é que "Eles
tinham poder do Espírito Santo antes de Pentecostes". Sim, eram
revestidos de poder como eram também os santos do Antigo Testamento, porém,
ocasionalmente e para algum propósito especial, e não eram selados com o
Espírito Santo. Todavia, o evangelho deixa claro:
"Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios
de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que
haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até
aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado" (João
7.39).
Em conexão a isso, temos outra passagem que também não é compreendida por quem
faltou às aulas de conjugação verbal. Se tivesse estudado, saberia diferenciar
algo ainda futuro: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro
Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade,
que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis,
porque ele habita convosco e estará em vós." (João
14.16).
A descida do Espírito Santo para formar a Igreja dependia de Jesus ser antes
glorificado, o que só aconteceu após a ressurreição e ascensão ao Céu. Quanto
aos outros argumentos do autor “reformado”, nem há o que comentar porque estão
todos igualmente errados. Mas tem um argumento que é até curioso e que ele
apresenta como "prova" de que a Igreja já existia no Velho Testamento: "Eles
tinham um tesoureiro antes de Pentecostes" (???).
O site ao qual me refiro só publica doutrina “reformada”, o que significa que
seus autores seguem a Teologia do Pacto e, portanto, não entendem a diferença
entre Israel e Igreja, entre esperança terrena e esperança celestial, entre o
reino na terra e o Céu, etc. Uma boa leitura para entender isso é o livro "Teologia do Pacto ou Dispensações", de Bruce
Anstey, que pode ser baixado grátis no link abaixo em formato e-book, ou
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– JP Padilha
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