Por que os verdadeiros cristãos sofrem? - Parte 2 | JP Padilha
Antes de ler este artigo, leia a parte 1 aqui:
https://jppadilhabiblia.blogspot.com/2025/12/por-que-os-verdadeiros-cristaos-sofrem.html
Há algum tempo eu me deparei com um desses templos evangélicos e, na placa da denominação estava escrito: “Conheça Jesus e pare de sofrer!”. Obviamente isso é uma mentira! Quem conhece as Escrituras sabe muito bem que essa frase tem como objetivo atrair pessoas idiotas e incautas para encherem os bancos dessas sinagogas de Satanás, as quais chamam de “casa de Deus”.
Se você se converteu a Cristo, pode apostar que o sofrimento virá! O sofrimento é uma parte esperada da vida cristã. Jesus disse a Seus seguidores: "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16.33). Essa verdade sobre a superação sustenta os cristãos quando o sofrimento ameaça dominá-los. Os cristãos sofrem por uma variedade de razões, incluindo muitas das mesmas razões pelas quais os não-cristãos sofrem – a vida neste planeta amaldiçoado pode ser difícil. Os cristãos também podem sofrer pelos mesmos motivos que Jesus sofreu (Jo 15.18-19 – o mundo odeia Cristo e, consequentemente, odeia os cristãos). Os crentes representam uma verdade intransigente que o mundo não quer ouvir: que Jesus Cristo é o ÚNICO caminho para Deus (Jo 14.6; 1Tm 2.5).
O sofrimento de qualquer tipo não fazia parte da criação original de Deus. Tudo o que Ele criou era "muito bom" (Gn 1.31). O pecado corrompeu o mundo com a desobediência de Adão, e o pecado continua a corromper o mundo à medida que cada um de nós acrescenta nossas próprias decisões ruins, rebelião e egoísmo (Rm 3.23; 6.23; 8.19-23). O pecado também tem efeitos em cascata; nosso pecado prejudica os outros, e o pecado deles nos prejudica, mesmo quando não fazemos nada de errado. Tornar-se cristão não nos isola da feiura deste mundo, nem nos protege das consequências naturais e temporais do pecado.
O livro de 1 Pedro trata dos cristãos que estavam sofrendo (1Pe 1.6). Pedro os encoraja em suas provações, lembrando-os de que o sofrimento deles tinha um propósito: "... para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1.7).
Em 1 Pedro 4.12-14, Pedro nos adverte sobre os sofrimentos que haveriam de vir sobre nós por causa de Cristo, e nos encoraja: “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado”.
Em outras palavras, Deus usa o sofrimento temporário para refinar o caráter de Seus próprios filhos. Na epístola de Tiago, ele nos ordena: "Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tiago 1.2-4). O sofrimento, independentemente de sua causa, pode ser usado por Deus para nos completar nEle (Rm 8.28-30).
Há várias razões possíveis para o sofrimento cristão que são distintas das razões para o sofrimento geral vivenciado por todos:
1. O sofrimento pode ser uma forma de disciplina.
Deus é um bom Pai e, quando um de Seus filhos se desvia do Seu caminho, Ele pode usar o sofrimento para trazê-lo de volta. Hebreus 12.5-11 diz que Deus disciplina aqueles que Ele ama:
“Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado. E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: ‘Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho’. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hebreus 12.4-11).
Por exemplo, quando um homem que gasta todo o seu tempo e paixão no trabalho em vez de gastar tempo e paixão na família ou com Deus perde o emprego, pode ser que Deus esteja derrubando seus ídolos para ajudá-lo a reajustar suas prioridades (Mt 6.25-34). Os pagãos vivem preocupados com o sustento, com o dinheiro, etc., mas o cristão deve aprender que ele deve antes buscar pelo reino de Deus, sabendo que todas as coisas das quais ele precisa serão acrescentadas à sua vida (cf. Mt 6.25-34). O estresse financeiro pode parecer sofrimento, mas pode ter a intenção de produzir um caráter piedoso em uma pessoa que deu muita importância ao dinheiro. Mesmo que as dificuldades não tenham ligação com uma luta específica contra o pecado em nossa vida, Deus pode usá-las para nos treinar. Os pais, por exemplo, costumam designar tarefas para seus filhos, não para puni-los, mas para ajudá-los a aprender várias habilidades e desenvolver uma sólida ética de trabalho. Essas tarefas podem parecer um sofrimento para a criança, mas estão sendo usadas para desenvolver algo nelas que lhes será útil pelo resto da vida.
2. O sofrimento permite que os cristãos se identifiquem com outros cristãos que estão sofrendo e os encorajem.
Em 2 Coríntios 1.3-7 é dito: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos; e a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação”.
Aqueles que experimentam a graça de Deus em seus problemas estão mais bem equipados para ajudar os outros a encontrarem a mesma graça em seus problemas. Joni Eareckson Tada é um bom exemplo. Um acidente de mergulho ocorrido quando ela tinha 17 anos de idade a deixou tetraplégica em uma cadeira de rodas. Ela lida diariamente com a dor e a falta de mobilidade, mas aceitou o fato de que Deus a fez crescer e desenvolveu Seu caráter nela. Por várias décadas, ela e seu marido Ken supervisionaram ministérios que atendem aos deficientes. Desde acampamentos de verão para deficientes mentais até o Wheels for the World (Rodas Para o Mundo), um projeto que fornece cadeiras de rodas para deficientes empobrecidos, Joni usou seu próprio sofrimento para beneficiar milhares de pessoas. Ao permitir que Joni sofra por um tempo nesta vida, Deus está lhe proporcionando uma oportunidade única de acumular tesouros abundantes para a eternidade (Mt 6.19-21).
3. O sofrimento nos ajuda a aproximarmos do Senhor.
Muitas vezes parece que crescemos mais quando passamos por momentos difíceis. O sofrimento nos livra de seguranças artificiais ou temporais e nos força a nos aprofundarmos na Palavra de Deus para encontrar paz e propósito. Já foi dito que "quando Cristo é tudo o que você tem, você descobre que Cristo é tudo o que você precisa". A Bíblia ensina que o sofrimento, quando enfrentado com fé, pode nos aproximar de Deus, produzindo paciência, esperança e um caráter aprovado (Rm 5.3-5), pois revela nossa dependência dEle (2Co 12.7-10) e nos consola, mostrando que Ele está conosco e nos fortalece em meio às tribulações (2Co 1.3-7), sendo uma oportunidade para glorificar a Deus e participar dos sofrimentos de Cristo, culminando na Sua glória (1Pe 4.12-16; 2Co 4.7-11).
“... Nós nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5.3-5).
4. O sofrimento nos leva a priorizar as coisas do Céu.
Cristãos que vivem em partes mais ricas do mundo podem encontrar mais dificuldades para ansiar pelo Céu do que seus irmãos e irmãs empobrecidos. Quando a vida é confortável, a eternidade é apenas um vislumbre distante no futuro. Mas, quando os cristãos sofrem perseguição, pobreza e privações, a eternidade começa a se tornar a luz mais brilhante de suas vidas. Muitas vezes, os cristãos que sofrem têm uma vantagem em manter as prioridades corretas.
2 Coríntios 4.17-18 é uma passagem que contrasta a natureza temporária das aflições terrenas com o peso e a permanência da glória celestial, incentivando um foco no eterno.
Romanos 5.3-4 nos ensina que o sofrimento é apresentado como um processo que desenvolve o caráter cristão, resultando em esperança firme.
Tiago 1.2-4 nos mostra como as provações são vistas como um meio para alcançar a maturidade espiritual e a integridade.
Em 1 Pedro 1.6-7 aprendemos que o sofrimento é comparado ao fogo que refina o ouro, purificando a fé e mostrando seu verdadeiro valor.
Hebreus 12.1-3 nos ensina que as dificuldades da jornada cristã nos incentivam a nos livrarmos de distrações do mundo e a focar em Jesus e no alvo celestial.
Esses versículos mostram que o sofrimento, quando vivido com fé, redireciona o olhar do crente das preocupações mundanas para a realidade do Reino de Deus, o que é a verdadeira vantagem em manter as prioridades corretas.
5. O sofrimento nos lembra que este mundo não é o nosso lar.
A Bíblia constantemente nos lembra que, como cristãos, somos “estrangeiros e peregrinos” na terra, indicando que este mundo não é nosso lar permanente, mas que a nossa verdadeira pátria é celestial. Vejamos alguns versículos que atestam isso:
• Filipenses 3.20 (NVI): "A nossa pátria, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo".
• 1 Pedro 2.11 (NVI): "Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma".
• Hebreus 11.13-16 (NVI – passagem resumida): Esses versículos falam sobre aqueles que deram exemplo de fé e que "confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra... aspiravam uma pátria superior, isto é, celestial".
• 1 Crônicas 29.15 (NVI): "Diante de ti somos estrangeiros e forasteiros, como os nossos antepassados. Os nossos dias na terra são como uma sombra, sem esperança".
• 2 Coríntios 5.1 (NVI – passagem resumida): "Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos um edifício permanente no céu, casa não feita por mãos humanas".
• Salmos 119.19 (NAA): "Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos".
• Hebreus 11.16 (ACF): "Mas, agora, desejam uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porque lhes preparou uma cidade".
Essas passagens incentivam os cristãos a não se apegarem às coisas materiais e aos valores deste mundo, mas a focarem na esperança da vida eterna e nos propósitos de Deus.
Alguns ensinam que aqueles cristãos que têm fé suficiente nunca terão de sofrer. Porém, essa falsa ideia é confrontada em cada página do Novo Testamento. Desde João Batista sendo decapitado na prisão (Mt 14.1-12) até João, o apóstolo, sendo banido para a Ilha de Patmos (Ap 1.9), o Novo Testamento é um registro do terrível sofrimento que dominou a Igreja do primeiro século (At 8.1-4). Os homens e mulheres listados em Hebreus 11 foram elogiados por sua fé. Muitos da lista, incluindo Abel, Noé e Abraão, passaram por sofrimentos. Hebreus 11.16 nos diz como eles fizeram isso: "Mas, agora, desejam uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porque lhes preparou uma cidade". Lemos sobre o fiel Moisés que preferiu ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado. Ele entendeu que ser desprezado por causa de Cristo era uma riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a recompensa. Pela fé, Moisés deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível (Hb 11.25-27). A fé de Moisés não o protegeu do sofrimento, mas contribuiu para que ele o escolhesse para obter algo maior.
O autor de Hebreus também fala de fiéis não identificados que "foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de zombarias e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, serrados ao meio, mortos ao fio da espada. Andaram como peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras; passaram por necessidades, foram afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Andaram errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra" (Hebreus 11.35-38). Viver pela fé em um mundo decaído convida ao sofrimento e exige a aceitação de um adiamento da recompensa: "Todos estes, mesmo tendo obtido bom testemunho por meio da fé, não obtiveram a concretização da promessa, porque Deus tinha previsto algo melhor para nós, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados" (Hebreus 11.39-40).
Nossa esperança final não está neste mundo ou na obtenção de conforto terreno; nossa esperança está em Deus e em Seu plano maior. É preciso ter fé para agradar a Deus (Hb 11.6), e os fiéis sabem que a falta de sofrimento não é uma indicação confiável de Seu prazer. Tampouco a experiência do sofrimento é prova de Seu desagrado. Aliás, se um dito cristão é amado por todos, bem falado por todos e tem uma vida estável e feliz, pode acreditar que seu “cristianismo” é duvidoso (Lc 6.20-26).
A mesma esperança exemplificada pelas pessoas mencionadas em Hebreus 11 é a nossa também, quando sofremos por fazer o que é certo (1Pe 3.14). Mesmo quando sofremos como resultado direto de nossas próprias escolhas erradas, nosso sofrimento nunca é desperdiçado. Deus promete usar até mesmo nossa dor mais profunda para o bem maior de nossas almas (Rm 8.28-30 – escolhidos e predestinados). Paulo, que sofreu mais do que a maioria de nós, escreveu: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação, na medida em que não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem. Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas" (2 Coríntios 4.17-18). Esse conhecimento fortalece os cristãos quando eles são chamados a sofrer com Cristo (Cl 1.24; Fp 1.29; 2Tm 2.3; 1Pe 4.16).
“Tu pois, sofre as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo” (2 Timóteo 2.3).
– JP Padilha
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