LEGALISMO E ANTINOMIANISMO: DOIS EXTREMOS OPOSTOS QUE PISAM NA GRAÇA | JP Padilha
Você já ouviu falar em legalismo religioso? E em antinomianismo religioso? Trata-se de duas doutrinas malignas, porém opostas, de forma que o legalismo exige que você esteja debaixo da lei para ser salvo e o antinomianismo ensina que você está livre de qualquer tipo de lei para ser salvo. Quer entender a fundo sobre isso? Então vamos à leitura!
Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que, contanto que nossas boas ações superem nossas más, Deus nos receberá no Céu de braços abertos? Quantos sistemas religiosos são construídos sobre obras? Quantas pessoas se sentem presas pelas incessantes tentativas fracassadas de alcançar a perfeição? Esses são todos casos de legalistas (ou fariseus) – pessoas que pensam que pelas obras (ou pela obediência à lei e à tradição) serão salvas. No Arminianismo é a mesma coisa. Mas neste artigo iremos tratar exclusivamente do Legalismo e do Antinomianismo, que é o extremo oposto ao Legalismo e que também leva à perdição. Dentro do Legalismo (ou Farisaísmo, como é chamado nas Escrituras) encontramos também um compêndio de regrinhas inventadas pelos homens, como foi o caso dos fariseus na época de Jesus no que diz respeito à Torá (ou Tradição dos Antigos), que consistia numa lista de regras instituídas por eles mesmos, mas que nem mesmo eles obedeciam. Para dar um exemplo dos dias de hoje, observemos as várias denominações religiosas que estipulam regras do tipo: “Fumar é pecado, beber bebida alcóolica é pecado, ouvir músicas seculares é pecado, dançar é pecado, assistir filmes seculares é pecado, etc”. Tudo isso vale a pena para os fariseus da nossa era para alcançar o Céu por meio de obras ou por meio dessas regrinhas criadas pela própria mente. É uma epidemia! Trata-se de um sistema farisaico que começou há muito tempo, e Jesus repreendeu severamente esse sistema de coisas na sua época, deixando claro aos fariseus que Ele não fazia parte do sistema religioso criado por eles mesmos. A verdade é que nem a lei, nem a lista de regras criada por esses líderes religiosos podem torná-los mais espirituais ou levá-los à salvação. Evitar essas coisas supérfluas, as quais Deus nunca proibiu (algumas Ele apenas restringiu) não é garantia de salvação.
A expressão mais clara do legalismo nas Escrituras vem das histórias dos antagonistas nos evangelhos judaicos, os fariseus. De fato, graças a eles, temos o termo “farisaico”, definido como “severa autojustiça hipócrita”.
Cristo confrontou essa tendência de ser farisaico em todas as páginas dos evangelhos. Um desses lugares é a parábola sobre o fariseu e o coletor de impostos em Lucas 18:
“E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lucas 18.9-14).
Preste atenção: O fariseu orou: “graças te dou porque não sou como os demais homens” (vs. 11). Isso é autojustiça. O fariseu ainda afirma que jejua e dizima (vs 12). Isso é obediência exterior. Não há arrependimento de pecados, mas sim o ego do homem que se autoproclama perfeito. Por outro lado, contrastando o fariseu, o cobrador de impostos simplesmente ora: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador” (vs. 13)! Aqui há clamor pela graça.
Alguns versos depois, o governante rico vem até Cristo. Ele também se comporta como um fariseu, afirmando sua autojustiça. Parece que em todo lugar que Cristo vai, ele encontra fariseus.
Ironicamente, os fariseus, embora se gloriassem por guardarem a lei, não estavam verdadeiramente preocupados com a lei de Deus. Na verdade, eles criaram todo um sistema de regulamentos para permitir que eles contornassem a lei de Deus (é o que vemos nas denominações religiosas de hoje, em sua maioria). Eles eram especialistas em criar brechas para pecar e saírem com fama de justos. Eles tinham um sistema de leis feito pelo homem para evitar a lei divina (é também o que vemos nas instituições religiosas hoje). Eles levaram Israel para o caminho errado. Por isso, vemos por que Jesus, tão veementemente, se opôs a eles e os chamou de falsos pastores de Israel, como na série de “desgraças” desencadeadas em Mateus 23. Jesus não fazia parte do sistema religioso criado pelos fariseus. Jesus nos deu uma religião pura e simples, e nos ensinou a como nos reunir para adoração e ministério de uma forma totalmente diferente do sistema judaico de adoração (Mt 18.20).
Um caso clássico de legalismo é a Torá (Tradição dos Antigos), um sistema de regras criado pelos fariseus. Eles atingiram um nível de legalismo tão grande, que se colocaram debaixo dessas tradições criadas por eles mesmos em lugar dos mandamentos de Deus (Mc 7.6-13). Na Cristandade atual não é diferente. Temos como exemplo a Igreja Presbiteriana do Brasil. Ela desenvolveu um sistema próprio de regras que não pode ser desobedecido pelos membros da seita. São os “documentos confessionais” (seria o mesmo que a Tradição dos Antigos - Torá), conhecidos também como “Confissões de Fé”. Durante a iniciação do indivíduo que quer fazer parte da denominação, o iniciante deve fazer um juramento sobre essas Confissões de Fé para poder ser considerado um membro daquela instituição. Se ele pisar em um só ponto dessas Confissões ou fizer qualquer questionamento, ele é “convidado a se retirar” da denominação.
Jesus repreendeu severamente os fariseus por estes seguirem sua própria tradição ao invés dos mandamentos de Deus. Eles ensinavam doutrinas de homens, não de Deus. Eles guardavam doutrinas de homens, não de Deus. E a repreensão de Jesus vale tanto para os fariseus de sua época quanto para os fariseus de hoje:
“Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pai ou a mãe, certamente morrerá. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor; nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós mesmos ordenastes por conta própria. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas” (Marcos 7.6-13).
Antes de sua conversão, Paulo foi um desses falsos pastores. Paulo era o legalista consumado. Na verdade, seria difícil encontrar outra pessoa tão zelosa pela lei. Após sua conversão, vemos que ele tinha conhecimento de causa quando declarou: “visto que ninguém será justificado diante dele (de Deus) por obras da lei” (Romanos 3.20). Ele tinha conhecimento de causa quando lamentou: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição” (Gálatas 3.10). Paulo aqui está falando das leis cerimoniais do Antigo Testamento, incluindo o Sábado dos judeus, que não são regras para a Igreja.
“Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2.10).
Paulo teve uma experiência pessoal com a graça. Assim, ele declarou com alegria: “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei” (Gálatas 4.4-5). É impossível estudar Paulo sem entrar em contato com a graça. Assim, lemos em Romanos 5 que todo o nosso esforço para sermos salvos chega ao fim em Cristo. Só podemos alcançar a paz com Deus pela fé em Cristo – o único que guardou a lei perfeitamente.
JESUS NUNCA FOI SIMPÁTICO OU TOLERANTE
COM OS LEGALISTAS E DOUTORES DA LEI
A interação de Jesus com as autoridades religiosas de sua época não era nada cordial; pelo contrário: era hostil. Ao consultarmos a Bíblia, vemos o primeiro momento da relação de Cristo com os “doutores da lei” em Lucas 5.17. Daquele momento até chegarmos em Lucas 24.20, onde é mencionado um grupo de "chefes dos sacerdotes e autoridades", toda vez que a elite religiosa de Israel aparece diante de Jesus há conflito entre eles (entre Jesus e os fariseus - legalistas). Nessa rivalidade, muitas vezes é o próprio Jesus quem, de caso pensado, provoca as hostilidades. Quando Ele fala com os líderes religiosos ou sobre eles – seja em público ou em particular –, normalmente é para julgá-los e condená-los como tolos e hipócritas (Lc 11.40; 12.1; 13.15; 18.10-14). Quando Jesus percebe que eles estão o observando a fim de acusá-lo de violar suas restrições artificiais acerca do sábado ou dos sistemas de lavagem cerimonial criados por eles mesmos, Ele desafia de propósito suas regras (Lc 6.7-11; 11.37-44; 14.1-6). Em Lucas 11.45-54 observamos que Jesus fora informado de que Seu julgamento contra os fariseus ofendia os peritos na lei. Esses peritos na lei eram os principais estudiosos e acadêmicos do Antigo Testamento daquela época. Quando Jesus ficou sabendo que eles estavam ofendidos por causa de Seu apontamento contra eles, imediatamente Ele se dirigiu aos peritos da lei e rasgou o verbo contra eles também (Lc 11.45-54).
Jesus nunca usou a abordagem pacifista com legalistas e hereges, nem mesmo lhes estendeu a mão para cumprimentá-los. Jesus não tolerava religiosos hipócritas que insistiam em permanecer na ignorância. Ele jamais se reuniu com eles em uma fraternidade ecumênica e muito menos fez o tipo de apelo particular gentil que os ditos “cristãos” da nossa era normalmente costumam fazer antes de advertir os outros sobre os perigos de se relacionar com falsos mestres. Mesmo quando lidava com as figuras religiosas mais respeitadas de sua época, Ele enfrentava os enganos delas de um modo ousado e direto. Às vezes, o enfrentamento de Jesus contra as crenças e práticas dos doutores da lei era tão intrépido que Ele os colocava em uma situação de vergonha, expondo-os ao ridículo.
Jesus não era “simpático” com os doutores e mestres conforme algum padrão pós-moderno que conhecemos, nem lhes estendia a falsa cortesia acadêmica. Ele não convidava esses ditos “doutores” para uma conversa particular sobre seus diferentes “pontos de vista”, pois, para Jesus, não era uma questão de ponto de vista, mas da Verdade contra a mentira. Cristo não exprimia suas falas com eufemismos a fim de não ofender aqueles que o estavam ouvindo; não tentava suavizar sua repreensão contra os legalistas e hereges. Ele não se importava em transformar seus ensinamentos em discursos totalmente impessoais para evitar que os sentimentos dos ouvintes fossem feridos; Ele não se importava em fazer nada para diminuir a rigidez de suas críticas, nem se preocupava em amenizar o caráter repreensivo de suas severas palavras contra o erro, e muito menos tentava minimizar o constrangimento público dos fariseus quando estes eram repreendidos por Ele. Cristo deixava o mais claro possível que desaprovava a religião desses assim chamados “doutores” e “mestres”. Toda vez que Ele mencionava esses lobos em pele de cordeiro, parecia totalmente insensível à vergonha e frustração deles diante de Sua sinceridade. Sabendo que estavam buscando razões para serem insultados, Jesus muitas vezes fazia e dizia as mesmas coisas que sabia que os deixariam ainda mais ofendidos.
Sem dúvida, é significativo que a abordagem que Jesus usava para lidar com o engano religioso é nitidamente diferente dos métodos usados pelas ditas igrejas do nosso século.
Será que essa personalidade excêntrica e polêmica de Jesus ganharia a admiração dos acadêmicos e doutores em teologia hoje? Consideremos, pois, o modo como Jesus tratava seus adversários. Admitamos que seu proceder na terra é, na verdade, uma repreensão séria à Igreja da nossa geração. É necessário que nos atentemos cuidadosamente ao modo como o nosso Mestre Jesus Cristo lidava com falsos mestres, ao que Ele pensava a respeito do engano religioso, ao modo como Ele defendia a verdade, a quem Ele reconhecia como sendo de Deus e a quem Ele julgava como legalista, herege e condenado – e a como Ele, na verdade, não se encaixava no estereótipo meigo que hoje tão frequentemente os crentes lhe impõem.
O LEGALISMO LEVA AO ARMINIANISMO
Entendendo bem este conceito de Legalismo/Farisaísmo, concluímos que é muito difícil para um homem acreditar que Deus é gentil com ele quando ele se converte. O coração humano não consegue entender a graça que lhe foi dada. Se não olhamos para a graça, olhamos para nós mesmos e para nossos próprios esforços, e é aí que estão as raízes do legalismo. O homem pensa que só será salvo por meio de seu próprio esforço e boas obras. Isso é um engano de Satanás. Na Bíblia constatamos que não há participação alguma do homem no processo da salvação: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.8-10). Ou seja, somos salvos “para” as boas obras e não “pelas” boas obras. Só o que já fora dito aqui já prova que o livre arbítrio dos legalistas é uma ilusão ensinada na maioria das ditas igrejas evangélicas e no catolicismo romano. Tudo que a doutrina do livre arbítrio – também conhecida como Arminianismo – ensina não passa de mera filosofia humana. É o legalismo em seu grau máximo. É a raiz do legalismo.
Mas alguém poderá perguntar: “E quando a Bíblia fala das boas obras como uma das marcas do cristão? Quer dizer que o homem de Deus não faz o bem?”. Acabamos de responder a esta indagação no versículo 10 de Efésios 2: “somos feitura sua (de Deus), criados em Cristo Jesus PARA as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. Não somos salvos “pelas boas obras”, mas “para” as boas obras, as quais Deus determinou, de antemão, que operaria em nós, visto que Ele é quem opera em nós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade (Fp 2.13).
As raízes do legalismo estão no próprio coração humano pecaminoso e caído. Certamente você já deve ter ouvido em falar sobre “livre arbítrio”. Trata-se de uma doutrina satânica que visa atribuir ao homem algum mérito pela sua salvação. É a doutrina da “salvação pelas obras”. O coração manifesta sua condição pecaminosa em nosso desejo deformado de confiarmos em nossos próprios méritos e em nossas próprias habilidades na tentativa de, por algum modo, sair do poço do pecado e alcançar a plenitude do caminho até o Céu. Descobrimos a graça como o gosto amargo de uma pílula. Ela nos diz que nunca podemos ser bons o suficiente. Veja o que Isaías fala a respeito das nossas próprias obras de justiça:
“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia” (Isaías 64.6). No texto original, a expressão "trapo da imundícia" é "pano de menstruação". Ou seja, se você considerar o fato de que Deus coloca nossas justiças no mesmo nível de um absorvente higiênico usado, vai perceber que não existe nem reciclagem para nossas boas obras.
O apóstolo Paulo declara a respeito de sua natureza humana:
“Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Romanos 7.15.19).
ANTINOMIANISMO – CUIDADO! VENENO!
Curiosamente, o oposto do legalismo também tropeça na graça. O oposto do legalismo é o Antinomianismo. A palavra “Antinomianismo” vem de duas palavras gregas: anti, que significa "contra", e nomos, que significa "lei". Sendo assim, antinomianismo significa “contra a lei”. Tal crença se baseia na ideia de que, se Jesus pagou pelos nossos pecados na cruz e aboliu o Velho Testamento, os cristãos não são ordenados a obedecer as leis morais de Deus que, por meio de Cristo, são direcionadas à Igreja. De fato, Cristo cumpriu a lei, pagou pelos pecados dos eleitos e aboliu o Velho Testamento (2Co 3.2-18; Rm 10.4; Gl 3.23-25; Ef 2.15). Todavia, Ele estabeleceu leis para a Igreja cumprir e muitas delas de forma intensificada. Se antes não podia tocar em mulher alheia, agora o crente não pode sequer olhá-la para desejá-la (Mt 5.28). O antinomianismo trata-se de uma doutrina luterana de João Agrícola (1494-1566), que, em nome da “supremacia da fé e da graça divina”, ensina a indiferença para com a lei, como se a Igreja estivesse isenta de sua responsabilidade para com a Doutrina dos Apóstolos e livre para pecar.
De fato, Cristo encerrou, na Cruz do Calvário, as leis cerimoniais do Antigo Testamento, as quais para nós não passam de “fábulas judaicas” (Tt 1.14) e “ordenanças caducas” (Cl 2.11-23). Todavia, Sua LEI para a Igreja está intacta e o mandamento que resume todo o Novo Testamento, em termos de obediência, é: "Sede santos" (1Pe 1.15-16)... “porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação” (1Ts 4.7).
Teologicamente falando, os antinomianos fogem de qualquer obrigação legal ou de qualquer mandamento divino. Os antinomianos são como James Bond: eles têm licença para pecar. Mas essa é a triste mentira do antinomianismo: não é liberdade, é licença.
Certamente você já deve ter ouvido por aí, pela boca de alguns pregadores antinomianos, o seguinte: “Você não precisa obedecer a Cristo porque Ele disse que basta crer para ser salvo”. Para tal, eles isolam o versículo de Atos 16.31. Mas este versículo não está dizendo que a Igreja não precisa obedecer a Deus. Diz que basta crer em Jesus Cristo para ser salvo. O problema é que os antinomianos excluem todo o contexto da doutrina dos apóstolos, onde Jesus irá nos revelar mandamentos a serem seguidos rigorosamente. É claro que isso não será possível pelas nossas próprias mãos, pois é Cristo quem começa a boa obra em nós e é Cristo quem a termina até o dia da nossa partida: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1.6).
O Dictionary.com define o antinomiano como “uma pessoa que entende que os cristãos, em virtude da graça divina, são libertados não só da lei bíblica e das normas comportamentais prescritas para a Igreja, mas também de todas as leis morais”. Em outras palavras, um antinomiano se vê sem a obrigação de seguir qualquer tipo de código moral. Ele é completamente livre. O antinomiano prega um evangelho sem cruz, onde o cristão só tem que crer em Jesus e mais nada. O cristão tem licença para pecar e morrer no pecado porque basta crer. A mensagem é atrativa e parece coadunar com as doutrinas da graça, mas é um engano de Satanás. Trata-se de um completo sofisma teológico.
Jesus disse: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2.19-26).
Jesus asseverou: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16.24).
A doutrina antinomiana pode ser vista como uma versão extrema do fácil credulismo. É verdade que somos salvos pela graça através da fé, mas o crente deve sempre lutar contra a sua natureza pecaminosa, visto que ele nasceu morto em seus pecados (Rm 3; 7.20). As Escrituras ensinam que, após a fé, deve haver um modo de vida correspondente que agrada a Deus e está repleto de boas obras (Cl 1.10-12). Devemos confessar nossos pecados ao Senhor (1Jo 1.9), não somente pecados passados, como pecados presentes e futuros, visto que não temos a capacidade sequer de lembrarmos de todos os pecados que cometemos. Aquele que diz que não peca se faz mentiroso, e Deus não está nele. Mas, aquele que confessa seus pecados a Deus mostra que é um salvo, visto que seus pecados foram perdoados há mais de 2.000 anos na cruz do calvário, pelo sacrifício da cruz. Deus não irá condenar alguém por este ter se esquecido de confessar um pecado antes de morrer. Estamos falando de uma confissão definitiva e progressiva, e para definir o pecado devemos ter um padrão.
“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 João 1.5-10).
No versículo que acabamos de ler vemos a aversão de Deus pelos antinomianos. Toda a doutrina antinomiana se opõe, de forma maligna, a estes versos das Escrituras! Ao darem o nome de “graça” a licença para pecarem, pisam na graça de Deus. Não são livres, mas libertinos! Cristo nos chamou para a liberdade, não para a libertinagem.
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6.12). Oras, que luta é esta que travaremos contra as potestades, príncipes das trevas deste século e hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais, se para ser salvo basta somente “crer em Jesus”? Porventura o fruto da fé em Cristo não é justamente o contrário?
“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3.8).
A ideia básica por detrás do antinomianismo, de que não há lei moral que Deus ordena que os cristãos obedeçam, é manifestamente antibíblica. “Porque o amor de Deus está nisto: em guardarmos seus mandamentos, e seus mandamentos não são um peso” (1 João 5.3). Cristo tem comandos. Efésios 4 dá um código moral óbvio, e o antinomiano não pode simplesmente ignorar essas diretrizes:
– Deixai a mentira (vs. 25)
– Não se ponha o sol sobre a vossa ira (vs. 26)
– Aquele que furtava não furte mais (vs. 28)
– Trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom (vs. 28)
– Compartilhe com os necessitados (vs. 28)
– Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe (vs. 29)
– Seja toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia, tirada dentre vós (vs. 31)
Além do mais, as Escrituras são muito claras em outros capítulos sobre o fato de que aqueles que morrem em seus pecados estão condenados ao inferno, como por exemplo em 1 Coríntios 6.10: “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus”.
Em um trecho de meu livro (O Evangelho Sem Disfarces) onde eu falo sobre o pecado do adultério do segundo casamento entre divorciados, eu faço um chamado aos cristãos ao arrependimento:
UM CHAMADO AO ARREPENDIMENTO
A Bíblia diz que os adúlteros não herdarão o reino dos céus (1Co 6.10). O versículo de João 8.11 fala exatamente sobre uma mulher que adulterou. O que Jesus disse a ela? "Vá e não peques mais". Em momento algum Ele diz "permaneça no adultério", mas sim "Vá e não peques mais". Jesus não estava interessado se aquela moça (deveras casada, pois praticou moicheia - adultério) já havia construído outra vida e com outra pessoa. Jesus não perguntou a ela o que lhe faria sentir bem consigo mesma, ou, ainda, se as circunstâncias da sua vida possuíam barreiras demais para se acertar com Deus. E são exatamente estas coisas que os pastores do século presente fazem: "Ah... você já formou outra família? Bom, nesse caso concedemos uma exceção para você"! Quem inventou tal bestialidade? Quem deu o direito ou autoridade de revirarmos os 66 livros da Escritura de cabeça para baixo com a finalidade de "abrir uma exceçãozinha" para o irmão que está em pecado? Nem todos suportam ouvir essa verdade, mas é isso que a Bíblia ensina. Quem recasa destruiu, irremediavelmente, a figura indissolúvel do relacionamento entre Cristo e a igreja, comparados com o marido e com a esposa respectivamente (Ef 5.24-25 ).
O verdadeiro arrependimento produz mudança de pensamento, e o pensamento produz mudança de atitude. A própria lógica nos diz isso. Ou sai do adultério ou fica nele. As duas coisas ao mesmo tempo não existe. Os que aceitam que divórcio e “re-casamento” são de fato condenados pela Bíblia e, ao mesmo tempo, negam que aqueles que se mantém no erro do “segundo-casamento” estão em constante ADULTÉRIO, estão a cometer um paradoxo sem precedentes. Isso é afrontar a inteligência humana.
Quando uma pessoa ouve a verdade, ela toma uma atitude ou outra: Ou ela vai para o lado certo ou ela vai para o lado errado. Uma pessoa arrependida do divórcio e do "novo casamento" irá criar uma ruptura no adultério, por mais que ela tente impedir. Eu vi isso acontecer. Certa vez uma mulher adúltera entendeu meu artigo a respeito do tema e ficou ARREPENDIDA. Automaticamente a relação dela com o adúltero entrou em crise. O que ela fez para cessar a crise? Escolheu o caminho errado e voltou atrás! Ela encontrou uma brecha na lei de Moisés e justificou seu ato por meio desta brecha. Depois disso ela rompeu todos os contatos comigo para não ouvir mais nada sobre o assunto.
Diante do exposto, uma pergunta popular sempre surge: “O adultério anula o Sacrifício Expiatório de Cristo?” Esse tipo de pergunta jamais deveria ser feita por um cristão. Isso prova o quão longe ele se encontra de Deus. Pois nada e nem ninguém anula o sacrifício de Cristo. O fato é que, como qualquer outro pecado, o divórcio e o adultério do segundo casamento, quando não retratados (abandonados), são simplesmente o resultado da não-regeneração do pecador. É o fruto resultante de um não-eleito. Não existe justificação sem santificação. Do contrário, isso seria antinomianismo (cf. Rm 6.1-23). A obediência é o resultado da salvação e não um pré-requisito para ser salvo. "Porque somos feitura Sua [de Deus], criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2.10). Ou seja, o fato de sermos salvos pela graça e não pelas obras não significa permissão para pecar. Pelo contrário, a graça é concedida justamente para tornar possível a santificação do eleito. "Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" (Romanos 6.16). A ovelha pode cair na lama, mas só um porco consegue permanecer nela. (Trecho de: “Divórcio e Segundo Casamento de Divorciados” – Livro: “O Evangelho Sem Disfarces” – cap. 5 – “Casamento, Divórcio e Novas Núpcias”).
Infelizmente, muitos cristãos professos hoje vivem um estilo de vida antinomiano, mesmo que não se considerem antinomianos. Eles afirmam uma crença salvadora em Jesus Cristo, mas falham em viver de acordo com essa crença de maneira bíblica. O pecado é pecado, mesmo sob a graça. Romanos 6 adverte: “Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Romanos 6.15-16).
UM CHAMADO À SANTIFICAÇÃO
Tiago também fala claramente sobre a necessidade do crente de viver de forma justa. Ele até fala de uma “lei”: “Todavia, fazeis bem se estais obedecendo à lei real segundo a Escritura que diz: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Tiago 2.8). Tiago prossegue desafiando aqueles que acreditam que podem viver como querem: “Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me tua fé sem obras, e eu te mostrarei minha fé por meio de minhas obras” (Tiago 2.18). Para Tiago, importa muito como vivemos: “Vedes então que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé” (Tiago 2.24). O antinomiano está errado ao pensar que não está sob lei alguma. A Igreja está sob a lei de Cristo.
É bom para nós examinarmos periodicamente nossas próprias vidas a fim de sabermos se estamos vivendo um estilo de vida antinomiano de alguma forma. Estamos caminhando na moralidade, integridade e amor em todas as áreas de nossas vidas? Ou estamos de alguma forma relaxando em nossa moralidade, presumindo que a “graça” cobrirá nosso estado de pecado? “E sabemos que o conhecemos, se guardarmos seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele; mas todo o que guarda a sua palavra, neste o amor de Deus tem de fato se aperfeiçoado. E assim sabemos que estamos nele. Quem afirma estar nele também deve andar como ele andou” (1 João 2.3–6).
NÃO EXISTE JUSTIFICAÇÃO SEM SANTIFICAÇÃO
“Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos certamente mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação. Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 6.1-23).
POR QUE DEVO OBEDECER A DEUS
SE JÁ ESTÁ TUDO DECRETADO?
A mais satisfatória resposta para esta queixa está em Romanos 9.19-24. Nesta passagem Paulo antecipa a mesma lamúria de forma retórica (ele já 'previa' que alguém pudesse questionar sua mensagem) e que se refere aos eternos decretos de Deus. Veja o contexto da pergunta retórica e como Paulo lida com ela:
“Então me questionarás: ‘Por que Deus ainda nos responsabiliza? Pois, quem pode resistir à Sua vontade?’ Mas, quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: ‘Por que me fizeste assim?’ Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Romanos 9.19-24).
Do verso 14 ao 29 de Romanos 9 (vide o contexto) podemos encontrar uma “diatribe”. Trata-se de um recurso de retórica em que o escritor responde aos questionamentos de um opositor imaginário. Os questionamentos levantados pelo opositor arminiano estão em Romanos 9.14 e 9.19. A “diatribe” é um artifício muito eficaz ao lidar com incrédulos que tentam achar respostas não concedidas de forma exaustiva na Bíblia, mas que estão implícitas em seu determinismo em termos de soberania divina. Porém, este recurso só funciona se o autor está entendendo corretamente o opositor. Todos os dois questionamentos do opositor (9.14 e 9.19) tem a ver com a “injustiça de escolher uns para a salvação e predestinar outros para a perdição eterna”. Se o apóstolo Paulo estivesse lidando com os preceitos de Deus ou, ainda, com a ‘eleição de nações’ ao invés de indivíduos, ele poderia ter corrigido este equívoco e concluído da seguinte maneira: “Não estou tratando dos decretos eternos de Deus, mas de seus preceitos para a Igreja; não estou falando de pessoas, mas de nações”. Contudo, o apóstolo estabelece a objeção como legítima e a responde de forma direta, concisa e sem eufemismos, enfatizando sua intenção de falar sobre os decretos de Deus em termos de metafísica, e não de Suas ordens direcionadas a todos os homens para que obedeçam. Ele também deixa claro que não se refere à nenhuma ‘promessa terrena à Israel’ aqui (como em outras passagens), mas à eleição de indivíduos para a Salvação.
Sendo assim, a ordem é clara: Obedeça a Deus e se cale diante dos desígnios do Senhor. Prostre-se diante de Deus, em temor e tremor. Ponto final.
A Bíblia é assim: Ela não se coloca na obrigação de responder a todas as nossas perguntas. Ela não se permite dizer o "porquê" de muitas coisas, mas vai direto ao ponto e ordena que o homem se cale diante de Deus. A Palavra de Deus é DETERMINISTA, não fatalista. Antinomianos são fatalistas por definição, pois creem que, já que Deus preordenou todas as coisas, não tem porquê obedecer seus mandamentos. Isso é heresia de perdição.
DECRETOS E PRECEITOS
Muitos incautos apelam para passagens normativas como Ezequiel 18.32, na tentativa de driblar Deus de Seus eternos decretos e ainda assim o manter na posição de ‘totalmente Soberano’. Todavia, passagens como Ezequiel 18.32, assim como milhares de outras, onde Deus ordena a todos que se arrependam de seus pecados e escolham viver em santidade com Ele, não estão lidando com os decretos divinos, mas sim com os preceitos de Deus – Sua ordem universal para que todo homem se arrependa e se converta de seus maus caminhos (At 3.19). O Deus que ordenou a Faraó que libertasse Seu povo é o mesmo Deus que, no contexto seguinte, endureceu o coração de Faraó para que este não o obedecesse (Ex 8.1; 10.27). É por esta razão que Paulo menciona Faraó como exemplo clássico de como Deus lida com suas criaturas num nível metafísico, em Romanos 9: “Porque diz a Escritura a Faraó: ‘Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra’. Logo, pois, Deus se compadece de quem Ele quer e endurece a quem Ele quer”. (Romanos 9.17,18).
A solução para o legalismo não é antinomianismo. A solução para o antinomianismo não é legalismo. A solução para ambos é a graça, aquela que Lutero nos disse que era difícil de entender.
Assim como Cristo confrontou o legalismo em quase todas as páginas dos evangelhos, você pode encontrar legalismo em todas as páginas da história da igreja. Entretanto, você também pode encontrar o oposto. Como vimos na Bíblia, Jesus e os apóstolos confrontaram os antinomianos de sua época com ferrenha oposição a esse movimento libertino. O antinomianismo prosperou durante muitos séculos. Podemos vê-lo prosperar na Reforma Protestante e continua a prosperar em meio a bolsões de fundamentalismo. Infelizmente, podemos contar toda a história da busca equivocada da humanidade por Deus, traçando esses sempre presentes fios de legalismo e antinomianismo.
O oposto do legalismo não deve ser antinomianismo – licença para pecar. O oposto de legalismo é liberdade em Cristo. Costumo chamar a epístola aos Gálatas de minha “Camila”. Estou comprometido com ela. Isso é um elogio que tem dois aspectos: Reflete o quanto eu amo minha esposa e reflete o quanto eu amo profundamente a mensagem de Gálatas. É a “Epístola da Liberdade”, não da libertinagem.
A realidade é que não somos bons. Quão irônico é que parte das “boas novas” do evangelho é que não somos bons em nada. E por não sermos bons, nunca podemos olhar para nós mesmos, mas devemos olhar para aquele nascido de mulher, nascido sob a lei. Ele é o único justo. Ele guardou a lei e suportou sua punição por aqueles que confiam nele. Deus derrama sua graça livremente sobre nós por causa do que Cristo fez por nós. Cristo nos libertou (Gl 5.1), mas não nos deixou sem uma lei. Se Ele tivesse nos deixado sem lei alguma, não precisaríamos de uma Bíblia em casa para sabermos o que podemos e devemos fazer ou não em nossa peregrinação neste mundo. Simplesmente viveríamos sem regras.
A palavra Cânone, em hebraico “qenéh” e no grego “kanóni”, tem o significado de "régua" ou "cana [de medir]", no sentido de um catálogo. Isto significa que não somos nós quem determinamos as regras de nossas vidas. Temos um catálogo, e este catálogo contém regras. O antinomiano vive como se não existisse este catálogo – cânone bíblico.
CONCLUSÃO:
A soberania de Deus e a responsabilidade humana andam de mãos dadas. Não se pode separar uma da outra. Do contrário, isto seria antinomianismo. Podemos chamar também de fatalismo teológico – a crença de que, se Deus predestinou todas as coisas, não há por que obedecer suas regras. Não há espaço para a vontade do homem nos eternos decretos de Deus. De fato, o homem é um ser dotado de vontades, mas não de livre-arbítrio. Aquele que é chamado por Cristo recebe a liberdade da escravidão do pecado e do jugo de satanás e do mundo, mas jamais poderá dizer que um dia foi [ou é] livre de Deus.
Não existe justificação sem santificação. Do contrário, isto seria antinomianismo: uma afronta às leis de Deus direcionadas aos Seus filhos.
“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tiago 2.14-17).
"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou" (Romanos 8:29,30).
“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2.3-6).
Não somos salvos porque obedecemos a Deus. Obedecemos a Deus porque somos salvos!
SUMÁRIO – PELAS OBRAS OU PELA GRAÇA?
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Como congregar ao nome do Senhor? | Mario Persona
É uma alegria saber como o Senhor têm aberto os olhos de vocês para a ruína que há hoje na cristandade, e especialmente para buscarem honrá-Lo na simplicidade de estarem congregados em nome dEle, para Ele (Mt 18.20).
O próximo passo será vocês pedirem a comunhão à mesa do Senhor na assembleia mais próxima de vocês. Provavelmente vocês visitarão os irmãos lá ou eles visitarão vocês aí para conversarem mais e se conhecerem melhor. Não se espante se parecer que existe um zelo excessivo, mas isso não significa que vocês não sejam bem vindos ou amados. Significa apenas que, no atual estado da cristandade, é importante que aqueles que são responsáveis por manter a santidade da “casa de Deus” sejam criteriosos quanto ao recebimento à comunhão.
Cabe à assembleia local receber alguém à mesa do Senhor, e isso é feito com base na análise dessa pessoa para saber se ela está contaminada moral ou doutrinariamente. Da mesma forma, alguém que já está em comunhão pode ser excluído da comunhão caso caia em pecado ou contaminação (as instruções para isso você encontra em 1 Coríntios 5). Mesmo uma exclusão tem o caráter de disciplina e restauração, não de rejeição ou ódio. Um pai não ama menos um filho que põe de castigo, apesar de deixar de conversar com ele e impor certas restrições quanto ao convívio com os outros membros da família.
Normalmente as denominações religiosas enxergam na Bíblia apenas a “ceia do Senhor”, sem darem atenção à “mesa do Senhor”, e utilizam o batismo como forma de ingresso à comunhão daquela denominação em particular. Isso não tem base nas Escrituras.
No princípio a coisa era mais simples, pois não havia heresias ou divisões. Então, quando alguém se convertia era logo recebido à comunhão desde que apresentasse provas de estar limpo das práticas que tinha em sua incredulidade (idolatria, por exemplo). Hoje, com a confusão que há na cristandade, é preciso ser mais criterioso, pois não sabemos quem é a pessoa que está vindo participar da ceia. Hoje você encontra por aí pessoas que se dizem cristãs e negam a divindade de Cristo. Outras afirmam que Jesus poderia ter pecado. Há ainda quem acredite que a salvação seja pelas obras. É preciso ter essas questões claramente resolvidas antes de alguém entrar em comunhão conosco, pois a mesa é o lugar de comunhão, e, ao comer com alguém, estou me associando a essa pessoa.
Além desses erros doutrinários, o fato de uma pessoa partir o pão em uma denominação e ao mesmo tempo querer partir o pão com irmãos reunidos ao nome do Senhor cria uma incoerência. Ela não pode, ao mesmo tempo, dar um testemunho prático de que os cristãos fazem parte de um só corpo enquanto comunga com as ideias e princípios de uma denominação, a qual divide os crentes por um nome institucional, que não é o de Jesus e não é inclusivo o suficiente para ser levado por TODOS os salvos.
Quando falamos do lugar de reunião que Deus institui na Sua Palavra, algumas coisas são essenciais que você reconheça: a base ou fundamento é reconhecer o corpo de Cristo como um só e que TODOS os salvos são membros desse mesmo corpo, e reconhecer a autoridade do Senhor delegada à assembleia quando reunida ao Seu nome. Outra coisa essencial é o julgamento de pecado (com a autoridade do Senhor conforme vemos em 1 Coríntios 5). Um grupo de cristãos que não reconheça o princípio da unidade do corpo (reconhecendo TODOS os salvos como membros da única Igreja) e que deixe o pecado passar sem julgamento não pode ter a mesa do Senhor.
Outro ponto importante a ser reconhecido é que não pode existir independência num corpo que é todo interligado. Eu entendo que o recebimento de alguém à mesa do Senhor é feito através da autoridade do Senhor dada à assembleia local. Uma vez tomada uma decisão de receber (ligar) alguém, essa decisão deve ser respeitada por todas as assembleias em comunhão, o mesmo acontecendo com a decisão de “desligar”, que é excluir (ou “excomungar” = excluir da comunhão, como se dizia no passado) alguém por algum pecado. Não pode existir independência quando a decisão é tomada com a autoridade do Senhor. Um criminoso em uma cidade é criminoso na outra, segundo a lei de nosso país. Não fica a cargo de cada prefeito em cada cidade decidir.
Assim, uma pessoa recebida à comunhão à mesa do Senhor estará em comunhão à mesa do Senhor, onde quer que essa mesa esteja estabelecida. Se ela viajar a uma localidade onde os irmãos ali não a conhecem, deve levar consigo uma carta de recomendação da assembleia onde está congregada. Cartas de recomendação podem ser encontradas nas epístolas. Uma pessoa excluída da comunhão à mesa do Senhor estará excluída em qualquer lugar onde a mesa do Senhor estiver estabelecida, e as assembleias que aquela pessoa eventualmente frequentasse são avisadas também.
E antes que me perguntem, assim como acontece com toda autoridade delegada, as decisões tomadas em nome do Senhor têm o respaldo do Senhor (“será ligado no céu”), porém, não são infalíveis, como não é infalível a decisão de qualquer juiz humano. Pode ocorrer de uma assembleia se equivocar e precisar depois voltar atrás. Quando isso acontece, a “vítima” do equívoco deve simplesmente aguardar que o Senhor esclareça as coisas. Neste caso é importante que ela enxergue o próprio Senhor como a “instância superior” à qual podemos apelar.
Veja mais aqui sobre estes assuntos:
http://www.respondi.com.br/2010/11/o-que-fazer-agora-que-me-apartei.html
http://www.respondi.com.br/2010/11/devo-sair-da-igreja.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/o-que-significa-mesa-do-senhor.html
http://www.respondi.com.br/2010/04/o-que-fazer-para-me-congregar-ao-nome.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/como-celebrar-ceia-do-senhor.html
http://www.respondi.com.br/2007/12/como-voce-entende-expressao-casa-de.html
http://www.respondi.com.br/2010/04/voces-se-congregam-como-na-igreja.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/qual-o-verdadeiro-lugar-de-adorao.html
http://www.respondi.com.br/2010/04/com-que-frequencia-voces-se-reunem.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/onde-celebrar-ceia-do-senhor.html
– Mario Persona
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NÃO SE PODE "DESIGREJAR" A IGREJA | JP Padilha
Não frequentamos templos de pedras e tijolos, onde Deus não habita, mas somos templos vivos dEle (2Co 6.16b). Pessoas, e não denominações, são a Igreja.
“Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?” (Atos 7.48-49).
– JP Padilha
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Quem são os Filhos de Deus que fizeram filhos nas mulheres em Gênesis 6? | JP Padilha
Hoje vemos a maioria das pessoas usando a expressão “filhos de Deus” para designar todos os seres humanos. Isso é um erro. A Bíblia não chama qualquer um de filho de Deus. Todos nós nascemos sendo criaturas de Deus, e nem todas as pessoas deixam de ser criaturas, pois irão continuar sem Pai pela eternidade (o Pai celestial). A expressão “filhos de Deus” é hoje usada de forma genérica. Porém, se consultarmos a Bíblia, descobriremos que existe uma distinção entre “criaturas de Deus” e “filhos de Deus”. O evangelho de João explica quem são biblicamente considerados filhos de Deus:
"Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam (receberam a Jesus), deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (João 1.11-13 – grifo meu).
Quando João diz que Deus deu poder de tornarem-se filhos aqueles que receberam a Jesus, significa que estes que se tornaram filhos de Deus nasceram de novo (ou nasceram do alto; ou nasceram de Deus). Tornar-se filho de Deus significa nascer de novo. Se uma pessoa não nasce de novo, do Espírito, ela continua sendo apenas uma criatura de Deus (Gn 1.27; 5.1-2).
Dito isso, vamos à passagem de Gênesis 6.2,4. Aqui será mostrado que há outro sentido para o termo “filhos de Deus”:
“Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram (...). Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama".
Preste muita atenção agora. Em Gênesis 6, onde acabamos de ver a expressão “filhos de Deus”, o termo em nada tem a ver com pessoas nascidas de novo. O contexto da passagem nos mostra que seriam anjos (provavelmente anjos caídos – demônios). Podemos conciliar este texto com Jó 1.6: “E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles”. Em Jó 2.1 a cena se repete: “E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles, apresentar-se perante o SENHOR”. No capítulo 38, quando se fala de um tempo antes da criação do mundo, lemos o seguinte: “Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?” (Jó 38.7).
Portanto, diante de uma análise textual literal e consistente das Escrituras, podemos concluir que os “filhos de Deus” nesses contextos se tratam de anjos. Os anjos fizeram sexo com as mulheres e estas deram a luz a gigantes. Note-se, porém, que o termo “gigantes” veio de uma tradução posterior. O termo original usado na língua hebraica é Nefilins, que literalmente significa “os caídos” em hebraico. Refere-se especificamente aos anjos que estavam “caídos” e habitando em meio à humanidade naquela época. Trata-se de uma segunda queda de anjos que ocorreu.
Estes mesmos “filhos de Deus” que visitaram este planeta há muito tempo tentaram criar uma raça híbrida, uma das razões do posterior dilúvio. Uma raça híbrida seria o resultado do cruzamento entre duas espécies diferentes, ou entre duas linhagens puras de uma mesma espécie. Um exemplo disso é o cruzamento entre animais de espécies ou raças diferentes. O cruzamento de uma égua com um jumento resulta em um burro ou mula, tendo a esterilidade como sua principal característica. Daí a razão da aversão de Deus pelo que os anjos fizeram com as mulheres em Gênesis 6.
De certa forma, nos dias de hoje, esses “extraterrestres” ou “anjos caídos” frequentemente aparecem por aí. Alguns já estão no inferno. No Novo Testamento é dito que “não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça, o fim dos quais será conforme as suas obras” (2 Coríntios 11.14-15). Mas, aqui eu me refiro somente aos “ministros transfigurados em ministros da justiça”, não aos anjos que caíram na segunda queda, uma vez que eles estão no abismo, diferentemente de Satanás e seus demônios que permanecem por um tempo na terra.
No sentido da criação de filhos originais, os únicos criados diretamente por Deus foram Adão e os anjos, que são os únicos chamados de “filhos de Deus” no Antigo Testamento. Hoje, quem crê em Cristo é chamado de “filho de Deus” porque nasceu de Deus. Fora de Cristo, ninguém é filho de Deus. É criatura de Deus. Sendo assim, podemos dizer que a maioria da humanidade é composta por criaturas de Deus, não por filhos de Deus.
OS ANJOS POSSUEM SEXO DEFINIDO?
Algumas pessoas têm dificuldade em acreditar que anjos tiveram relação sexual com mulheres. Elas costumam alegar que anjos não têm sexo definido porque a Bíblia diz que “no Céu seremos como os anjos que não se casam, nem se dão em casamento” (Mt 22.30). No entanto, existe um grande erro nesta interpretação de Mateus 22.30. Onde neste versículo é dito que os anjos não têm sexo? Usar o texto que diz que os crentes “serão como os anjos no Céu que não se casam nem se dão em casamento” é uma falácia injustificável. Jesus aqui está falando que não haverá casamento no Céu, e não que os anjos não têm sexo. Tanto isso é verdade, que o casamento é “até que a morte os separe”. O assunto de Gênesis 6 é sobre sexo entre anjos caídos e mulheres, e não sobre casamento. Sexo é uma coisa. Casamento é outra. Os anjos têm sexo sim. Ninguém com sexo indefinido tem nome de Miguel ou Gabriel. Não existe um texto bíblico sequer que afirme que os anjos não têm sexo. Nenhum!
OS ANJOS PODEM SE MATERIALIZAR?
Outras pessoas, por falta de conhecimento, dizem que não existe nenhum versículo que mostre anjos se materializando como um ser humano. Elas duvidam da possibilidade de anjos gerarem filhos em mulheres na terra e pensam que Deus não poderia ter dado tal poder a esses anjos. Todavia, existe sim passagem que mostra anjos vindo em carne e osso à terra.
Primeiramente, o que gera filhos é o ato sexual, e João 1 mostra que isso pode acontecer por “vontade da carne” e “vontade do homem”.
Vemos na Bíblia que Satanás pode se transfigurar em um corpo físico, não somente com aparência de homem, mas de animais, como fez no Jardim do Éden, assumindo um corpo de serpente (Gn 3).
Lembremo-nos de que os homens de Sodoma queriam abusar sexualmente dos anjos que lá estavam em forma corpórea, na casa de Ló (Gn 19.1-25) . Sendo assim, estes anjos estavam lá com corpos tangíveis.
A Bíblia não faz distinção entre a natureza dos anjos fieis e dos anjos caídos. As duas classes são de anjos. Portanto, são capazes das mesmas coisas. A única coisa que os anjos fieis não fazem é pecar.
HOUVE MESMO UMA
SEGUNDA QUEDA DE ANJOS?
Outra evidência de que Gênesis 6 está falando de uma segunda queda de anjos está em Judas 1.6, que diz: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia". Existem diferentes traduções para “habitação”, que podem significar tanto um corpo como um estado original. Neste caso, não se trata necessariamente de anjos que já tinham caído ao seguirem Satanás antes da criação do mundo. Essa segunda queda de anjos recebeu um castigo distinto que os da primeira queda. Observemos Judas 1.6-7: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia; assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Judas 1.6-7).
Enquanto o diabo e os anjos que o acompanharam caíram em pecado por orgulho, esta segunda queda de Gênesis 6 foi motivada por concupiscência (desejos carnais).
Os anjos da primeira queda estão soltos na terra, como vemos em vários trechos da Bíblia. Vou citar alguns exemplos: No livro de Jó, quando Deus pergunta de onde Satanás vem, ele responde: “de rodear a terra e passear por ela” (Jó 2.2). Outro exemplo é quando ele tentou Jesus no deserto (Mt 4.1-3). Outro exemplo é a própria serpente no Éden (Gn 3). Pedro nos alerta sobre a atividade terrena de Satanás ao dizer: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1 Pedro 5.8-9).
Já os anjos que caíram em Gênesis 6 fazem parte de uma segunda queda e estes estão presos até que aconteça o Grande Trono Branco (o Juízo Final – cf. Jd 1.6-7). Eles não estão em atividade terrena como os que caíram juntamente com Satanás anteriormente.
Judas fala claramente dos anjos que não guardaram seu primeiro estado. A referência não é à queda de Satanás e dos seus anjos, pois, como bem sabemos, eles não estão atualmente acorrentados, mas podem vagar de um lado para o outro nesta terra. Em Gênesis 6 se fala de uma segunda queda dos anjos. O segredo da queda de Satanás foi o orgulho, pelo qual ele procurou exaltar-se ao trono de Deus. O segredo desta segunda queda dos anjos foi a luxúria, pela qual eles deixaram a sua própria habitação e não mantiveram o seu primeiro estado (Jd 1.6).
– JP Padilha
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TENHAM FILHOS – ISTO É UM MANDAMENTO | JP Padilha
“Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer;” (1 Timóteo 5.14)! E agora? Além da ordem na criação para “procriar e se multiplicar” (Gn 1.28), ainda temos a ordem direta do Espírito Santo às mulheres, sem dar explicações do porquê elas devem ter filhos. Simplesmente o Senhor ordena: “Gerem filhos”. E agora? Quem é cristão de verdade certamente não hesitará em ter filhos, independente das circunstâncias da vida.
FILHOS SÃO BÊNÇÃOS
“Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos que um homem tem na sua juventude. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, mas falarão com os seus inimigos à porta” (Salmos 127.3-5).
Vivemos numa sociedade anti-filhos. Já discuti demais com feministas por causa disso. Essa geração está perdida. Quando não são anti-filhos, são anti-2 filhos. Ou seja, não pode ter mais de um porque, segundo essas pessoas, é impossível criá-los com o que o mundo tem de melhor. Mas o salmo 127 vai no ponto: É DEUS QUEM SUSTENTA A FAMÍLIA, não o homem.
UM EXEMPLO DE FÉ
Mario Persona comenta o seguinte em um de seus artigos sobre o assunto:
“Acredito que Noé ainda não tivesse filhos quando foi avisado por Deus que o mundo seria destruído por um dilúvio. Lendo a história toda, do capítulo 5 ao 9 de Gênesis, e fazendo algumas contas com as idades também de outros capítulos, você irá descobrir que Noé não tinha filhos quando soube que o mundo iria terminar e foi instruído a construir a arca.
Se você já escutou algum casal dizer que não quer filhos porque o mundo está ruim, então já dá para ter uma ideia do que Deus pensa disso. Noé não só vivia em um mundo ruim; Noé vivia em um mundo condenado a ser destruído, um mundo com data de vencimento. Mesmo assim ele decidiu ter filhos, pois era um homem de fé. É disto que estou falando, da fé que confia e espera em Deus e não se aflige com as circunstâncias”.
Leia o artigo completo aqui: “Noé tinha filhos quando foi avisado do fim do mundo?”
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TER FILHOS É IDOLATRIA OU OBEDIÊNCIA AO SENHOR?
Ageu Magalhães comenta neste pequeno artigo dele:
“Filhos podem se tornar ídolos, assim como qualquer coisa que ocupe o lugar de Deus. Todavia, não querer ter filhos alegando idolatria é desobedecer a Deus e usar a idolatria como desculpa. Devemos ter filhos por alguns motivos:
1. Filhos são bênçãos do Senhor. “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” (Salmos 127.3). “Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR!” (Salmos 128.3,4). Herança, galardão, videira frutífera e rebentos da oliveira são palavras que apontam para a preciosidade que é ter filhos.
2. Filhos crentes são instrumentos de Deus para transformação do mundo. “Como flechas na mão do guerreiro, assim são os filhos que o homem tem na mocidade” (Salmos 127.4). “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).
3. Filhos são fonte de grande alegria. “Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado quando pleitear com os inimigos à porta” (Salmos 127.5). “Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” (Provérbios 29.17). “Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar a um sábio nele se alegrará” (Provérbios 23.24).
OBJEÇÕES E RESPOSTAS:
“Mas... filho custa muito caro...” – Muito provavelmente teus avós criaram mais filhos e com bem menos renda que você. O problema da nossa geração é que o materialismo infunde nas pessoas a ideia de que os filhos têm que ter do bom e do melhor: a melhor escola, as melhores roupas, os melhores eletrônicos... A maioria de nós cresceu com pouco e deveria valorizar isso.
“Mas... filho dá muito trabalho...” – Se você pensar bem, tudo na vida dá trabalho. Terminar os estudos dá trabalho, conseguir manter-se em uma carreira profissional dá trabalho, cuidar de relacionamentos dá trabalho, etc. A questão é: o Deus que nos manda ter filhos não nos deixa sozinhos. É ele quem nos capacita a criá-los. Assim, criar filhos para o Senhor vai dar trabalho, mas somos ajudados por Ele e abençoados em toda a jornada. Ademais, alguns de nós demos muito trabalho aos nossos pais. Pergunte a eles se estão arrependidos de terem te criado.
Por fim, se ter muitos filhos é idolatria, Jó, Jacó, Gideão, Noé, José e outros homens abençoados por Deus estiveram em grandes pecados. Não dê ouvidos a quem quer justificar seus erros inventando razões que não estão na Bíblia. Tenha filhos! São bênçãos de Deus! Se não pode tê-los naturalmente, adote. Deus será contigo”. (Comentário de Ageu Magalhães)
A estratégia do diabo desde o princípio tem sido frustrar o primeiro mandamento dado pelo Senhor. – “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos” (Gênesis 1.28).
Como o diabo faz isso?
– Matando Abel (Gn 4.8);
– Corrompendo a humanidade, criando híbridos de anjos (Gn 6.2);
– Assassinando bebês machos (Ex 1.22);
– Proibindo casamento entre macho e fêmea (1Tm 4.3), etc.
Satanás está interessado em eliminar a espécie humana por estes e outros meios, tais como esterilização em massa, lei do aborto, e, assim, frustrar o primeiro mandamento do Senhor no Éden.
Evitar ter filhos é pecado. Camisinhas, anticoncepcionais (que são comprovadamente abortivos, assim como a "pílula do dia seguinte"), entre outros, são várias formas de se pecar contra Deus ao evitar ter filhos, não importando o motivo pelo qual o ser humano comete tamanha iniquidade. É pecado e ponto final!
– JP Padilha
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O Batismo com o Espírito e o Batismo com fogo | JP Padilha
Quando João Batista fala de dois batismos que Jesus iria fazer – o batismo com o Espírito Santo e o batismo com fogo – ele está falando de dois batismos distintos: um para os salvos e outro para os perdidos. O batismo com o Espírito é o que salva; o batismo com fogo (o qual nunca se apaga) é o que condena o homem à perdição. Vamos conferir a passagem juntos?
"... eis que vem Aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele tem a pá na sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo* no seu celeiro, mas queimará a palha** com fogo que nunca se apaga" (Lucas 3.16,17).
Veja bem: João Batista fala dos salvos, batizados com o Espírito, se referindo a eles como o trigo que Jesus ajuntará em Seu celeiro. Porém, ele compara os perdidos à palha, a qual Jesus queimará com o "fogo que nunca se apaga" (lago de fogo e enxofre - Ap 20.10-15). No verso, o trigo representa os salvos e a palha representa os condenados. Simples assim.
"Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha* [cf. Lucas 3.16,17]; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo" (Malaquias 4.1).
– JP Padilha
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ONDE DEVO CONGREGAR? | JP Padilha
No seu lar (Mt 18.20). Você pode congregar com seus irmãos em outros lugares também, nos lares deles, por exemplo. Os primeiros cristãos congregavam em suas casas (1Co 16.5,19; Cl 4.15; Fm 1.2), fazendo da adoração no lar um substituto para a adoração no Templo. Por mais que os líderes religiosos do nosso século insistam em negar, o princípio de que é o nome do Senhor que valida o lugar da adoração cristã permanece: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). A ordem dirigida a nós, Igreja, é muito clara nesse sentido: “Saiamos, pois, a Ele [Jesus] para fora do arraial” (Hb 13.13). O arraial aqui é o sistema judaico de adoração ou qualquer coisa semelhante a isso. Mas alguém pode perguntar: “Aonde iremos?”. O melhor a se fazer é perguntarmos ao próprio Senhor Jesus, como os apóstolos fizeram: “Onde queres que a preparemos?” (Lc 22.9).
Para melhor entendimento sobre o tema, clique nos links abaixo:
O que é a Igreja?
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A Bíblia ensina que os cristãos devem congregar no templo?
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Fim dos Templos
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CRISTIANISMO OU JUDAÍSMO? - O Judaísmo não é o padrão para a adoração cristã
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– JP Padilha
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A BÍBLIA FALA DE TRANSUBSTANCIAÇÃO? | JP Padilha
Segundo a crença católica, a transubstanciação ocorre durante a “Santa Missa”, quando o sacerdote ministerial (Padre, Bispo) realiza o “Sacrifício Eucarístico”, fazendo as vezes de Cristo (in persona Christi), repetindo as palavras ditas por Jesus na ceia feita antes de sua morte: “Isto é o Meu Corpo... Isto é o Meu Sangue” (cf. Mateus 26.26-28).
A seita católica romana declara que, após as palavras do sacerdote, os elementos pão e vinho se transformam literalmente no corpo e sangue de Cristo durante a ceia. O Concílio de Trento declara: “Se alguém negar que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia está contido verdadeira, real e substancialmente o corpo e sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por conseguinte o Cristo todo, e disser que somente está nele como sinal, figura ou virtude – seja excomungado” (Concílio de Trento, Cânones Sobre a Santíssima Eucaristia).
E acrescenta: “Se alguém negar que aquilo que se oferece na missa não é Cristo para ser comido, seja excomungado” (Concílio de Trento, citado em A Igreja que veio de Roma, op. cit., p. 127).
Se, por um lado, há ampla evidência histórica por parte do Romanismo em defesa da transubstanciação, por outro, como veremos aqui, não há nenhum fundamento bíblico que favoreça essa prática. Na verdade, há base bíblica suficiente para condená-la. Não existe na Bíblia a ideia de que ocorra uma transubstanciação durante a ceia, isto é, a ideia de que o pão se transforma no corpo de Cristo e o vinho no seu sangue. Ver Deus em objetos é costume pagão, e todas as passagens da Bíblia onde encontramos objetos com referência ao Senhor estão sempre apontando para representações ou exemplos da realidade. O Senhor Jesus disse: “Eu sou a Porta” (Jo 10.9), “Eu sou o Caminho” (Jo 14.6), “Eu sou a Videira verdadeira” (Jo 15.1), “Eu sou o pão vivo que desceu do céu” (Jo 6.51), etc. Acerca dEle foi dito que é o “Cordeiro” (Jo 1.36). Ele também disse: “Eu sou a Resplandecente Estrela da manhã” (Ap 22.16). Mesmo assim, todos nós entendemos que Ele sempre disse essas coisas no sentido figurado, pois jamais alguém iria adorar uma porta, uma estrada ou uma videira (com exceção dos católicos). A ideia da transubstanciação surgiu inicialmente nos escritos de um tal de Pascácio Radberto, em 818, tendo depois se transformada em um dogma no concílio de Latrão, em 1200.
Mateus 26.27-28 nos fala da ceia que foi celebrada ANTES da morte do Senhor. Aquela ceia não era uma transubstanciação, pois o Senhor estava presente ali entre os discípulos e nem passaria pela cabeça deles olhar para o pão como sendo o Senhor que estava, em carne e osso, diante de seus olhos. Vale ressaltar também que esta ceia não era uma recordação da morte do Senhor, visto que Ele ainda não havia morrido. Aquela ceia era uma antecipação da Sua morte, diferente da ceia de 1 Coríntios 11.23-29, que é a ceia que agora celebramos como memória de algo passado. A ceia de Mateus 26.27-28 (feita antes da morte de Jesus) não é a ceia instituída à Igreja na epístola de Paulo aos coríntios.
A ceia que o Senhor revelou a Paulo, para que este, por sua vez, nos ensinasse, foi uma revelação nova, a qual Paulo não aprendeu de Pedro ou dos outros discípulos do Senhor. “Porque eu recebi DO SENHOR o que também vos ensinei...” (cf. 1Co 11.23-29).
O PÃO QUE CAIU DO CÉU
Dentre as passagens mais usadas por católicos romanos para a doutrina demoníaca da transubstanciação, João 6.48-58 está no topo da lista. Todavia, a passagem de João 6.48‑58 nada tem a ver com o pão da ceia. O pão da ceia é um símbolo do Corpo de Cristo, que morreu para nos dar eterna salvação. O pão de que João fala é em referência ao pão que caiu do céu, alimento do povo de Deus. Isto significa que hoje nos alimentamos de Cristo, comemos Sua carne e bebemos o Seu sangue, ou seja, somos mantidos vivos eternamente pelo Seu sacrifício. Esta passagem fala da SALVAÇÃO, não da ceia instituída à Igreja por meio do apóstolo Paulo. Vejamos a passagem:
“Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer? Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre” (João 6.48-58).
O Senhor não faz nenhuma referência à ceia aqui, pois a ceia foi dada aos Seus somente (Judas saiu antes) e Ele não iria ensinar coisas tocantes à ceia a judeus incrédulos, como é o caso da passagem de João 6. A passagem toda nos fala de salvação e não de celebração. Se considerarmos a passagem como sendo a ceia, então uma pessoa só seria salva se recebesse o pão da ceia, pois o Senhor diz que “se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” (vs 53). Portanto, esta passagem não trata da ceia do Senhor – nem da que foi feita entre os apóstolos antes de sua morte e ressurreição (Mt 26.27-28), nem da que foi instituída à Igreja para celebrar sua morte e ressurreição (1Co 11.23-29). Sendo assim, não há base bíblica alguma que sustente o dogma romanista da transubstanciação.
Ora, qualquer cristão esclarecido e que estudou a doutrina da seita católica sabe que a missa é uma blasfêmia contra Jesus Cristo. Nos seus dois aspectos de sacramento e sacrifício, ela cobiça anular completamente a mensagem do evangelho. Como sacramento, ela supostamente confere graça ao participante, que pensa que ao engolir aquela “bolachinha”, vai engolir o próprio Jesus Cristo. Como sacramento, a missa é uma acintosa IDOLATRIA e BRUXARIA abomináveis! Como sacrifício, em suas “repetições”, ela cobiça anular totalmente o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário, que fora feito de uma vez por todas; e, uma vez feito, todo sacrifício é vão, herético e odioso diante de Deus. A missa pisa e despreza a expiação suficiente e imutável de Jesus Cristo. Sendo a missa totalmente rejeitada por Deus, em seu aspecto sacrificial ela se trata de um culto prestado aos DEMÔNIOS! A advertência cristalina das Escrituras provam isso:
“Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demónios” (1 Coríntios 10.20).
A doutrina da transubstanciação deve ser rejeitada por vários motivos. Por ora, deixarei para tratar desses motivos em um outro artigo.
No mais, a transubstanciação implica até mesmo em canibalismo. Se, como dizem os católicos, o pão se transforma verdadeiramente no corpo de Cristo, e este corpo será comido pelos comungantes, o canibalismo é inevitável. Os católicos podem alegar que não acreditam estar mordendo os membros do corpo de Cristo ou comendo sua carne como um canibal faria. Porém, isso não muda o fato de que substancialmente o que há ali é o corpo de Jesus que será ingerido pelos fiéis. Há coisa mais hedionda que isso? A resposta é uma só: a missa católica toda é uma blasfêmia e uma forma de sacrificar Cristo repetidas vezes, ignorando seu sacrifício vicário que fora feito uma só vez pelos santos de Deus.
– JP Padilha
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