6 - Será que Romanos 2:28-29 ensina que os cristãos são judeus espirituais?
“Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.” Romanos 2:28-29
Esta passagem tem sido usada para dizer que os cristãos seriam judeus espirituais, por ter ocorrido neles uma obra interna de fé em suas almas. Essa ideia equivocada resulta de se tirar os versículos de seu contexto. Trata-se de um exemplo clássico de não “manejar (gr. “dissecar”) bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). A compreensão do esboço básico da epístola aos Romanos e de suas várias seções corrigiria esse equívoco num instante. Tal compreensão iria mostrar que nesta parte Paulo não está falando de cristãos, mas de judeus em sua configuração natural como judeus na economia judaica.
Ele não introduz aqui as bênçãos do evangelho e a salvação da alma mediante a fé (mencionadas no capítulo 1:16), o que só fará ao chegar aos capítulos 3:21-5:11. Nesta seção anterior da epístola (Rm 1:18-3:20), onde nosso texto é encontrado, o apóstolo está mostrando a total depravação de toda a raça humana. Ele enxerga a raça humana como estando em três classes — o gentio degradado (Rm 1:19-32), o gentio culto (Rm 2:1-16), e o judeu esclarecido (Rm 2:17-3:8). Paulo conclui que todos os três estão necessitados de salvação (Rm 3:9-20). Então, nos capítulos 3:21-5:11, ele introduz o remédio de Deus que é encontrado no evangelho, recontando as muitas bênçãos que este assegura àquele que crê.
Romanos 2:28-29 se encaixa em um lugar da epístola onde Paulo está demonstrando que, mesmo tendo sido os judeus um povo favorecido por estar “exteriormente” conectado com Abraão, e por possuir “os oráculos de Deus” (as Escrituras do Antigo Testamento), e também por possuir uma religião dada por Deus (o Judaísmo), se os judeus não tivessem fé ao praticarem aquela religião, os seus privilégios e a circuncisão de nada adiantariam no que diz respeito ao seu destino eterno. Portanto, o fato de alguém ser judeu de nascença não é suficiente para salvá-lo eternamente. Os israelitas que viveram nos tempos do Antigo Testamento, precisavam ter fé — precisava ter existido uma obra “no interior” de suas almas — a fim de ter algum significado para Deus. O ponto que Paulo tentava frisar era que ser judeu exteriormente não era suficiente.
As pessoas acham que esta passagem esteja ensinando que todo cristão é um judeu, mas na verdade o que ela está ensinando é que nem todo judeu é judeu! Um verdadeiro judeu na religião dos judeus deveria não apenas ser da linhagem sanguínea de Abraão, mas também possuir a fé de Abraão (Rm 9:6-8). É triste admitir que nem todos os judeus têm fé. Como mencionado, o evangelho e as bênçãos que este oferece e pelo qual uma pessoa se torna cristã, nem sequer entra no assunto da epístola de Paulo até ele chegar ao capítulo 3:21. Até esse ponto da epístola ele está estabelecendo a necessidade do judeu de ir a Cristo para ser salvo. Portanto, Romanos 2:28-29 não está sequer falando de cristãos. Entender o contexto da passagem esclarece esse equívoco imediatamente.
Continua em: 7 - Será que “circuncisão” em Filipenses 3:3 significa que os cristãos são judeus?
Volte ao início da série clicando aqui:
SUMÁRIO - A TEOLOGIA DO PACTO E SUAS HERESIAS
–– Bruce Anstey | Teologia do Pacto ou Dispensações
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
5 - Será que Gálatas 3:7-9,29 ensina que os cristãos são filhos de Abraão?
Os teólogos do Pacto ensinam que a promessa que Deus fez a Abraão — de que pessoas de “todas as famílias da terra” seriam abençoadas como “filhos” de Deus mediante a fé (Gn 12:1-3; 13:14-16; 15:5-6) — estaria se cumprindo hoje. Por conseguinte, os cristãos seriam israelitas espirituais. Os versículos do Novo Testamento que usam para supostamente provar isso são apresentados nos próximos tópicos.
“Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.” Gálatas 3:7-9, 29
Segundo entendemos, nas Escrituras os cristãos nunca são chamados de “filhos” de Abraão. Aqueles de quem Paulo está falando nesta passagem — que são abençoados “da fé” — são crentes descendentes de Abraão (Jo 8:39) e gentios crentes no reino milenial de Cristo. Dizer que Gênesis 12:1-3, 13:14-16 e 15:5-6 se referem a cristãos é o mesmo que dizer que a Igreja é mencionada no Antigo Testamento, o que as Escrituras (e os Dispensacionalistas) negam categoricamente. “Todas as famílias da terra” (Gn 12:3) e “os gentios” (Gl 3:8) são gentios que serão abençoados com Israel no futuro. Esses não poderiam ser a Igreja, pois estão designados como “famílias da terra” e a Igreja, como já observamos, é uma companhia especial de crentes cuja origem e destino são celestiais. Além disso, a expressão “... são benditos com o crente Abraão” (Gl 3:9) demonstra que está falando de uma bênção terrena, pois as bênçãos que foram prometidas a Abraão e sua família eram terrenas.
Paulo corrigiu esse equívoco dos Gálatas a respeito de quem seria a “semente” ou “descendência” de Abraão em Gênesis 13:15 e 22:18, mostrando que não se trata dos descendentes naturais de Abraão, mas do próprio “Cristo” (Gl 3:16). Ele toma o cuidado de indicar que, quando a promessa foi feita, era para a “semente” (singular) de Abraão, não para suas “sementes” (plural). A ausência da letra “s” muda totalmente o significado. Portanto, Gênesis 13:15 e 22:18 se referem ao Senhor Jesus Cristo que viria da posteridade de Abraão. Ele é um descendente direto de Abraão (Mt 1:1; Lc 3:34). Não saberíamos disso lendo o relato em Gênesis, mas o Espírito de Deus nos mostrou isso aqui em Gálatas 3:16. O ponto a ser observado na passagem é que Deus prometeu abençoar “todas as nações” ou “famílias da terra” (judeus e gentios igualmente) “da fé”, ou sobre o princípio da fé. É a única maneira de pessoas serem abençoadas, sejam israelitas, gentios ou cristãos. Todavia, o povo em particular ao qual o apóstolo está se referindo ao ilustrar seu argumento é aquele formado pelos israelitas e gentios redimidos que entrarão no reino milenial.
Paulo segue falando do lugar especial de bênção que os cristãos têm (como parte da Igreja) na última porção de Gálatas 3, em contraste com Israel e os santos do milênio. O versículo 26 declara que os cristãos são “filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus”. A distinção entre crentes judeus e gentios nessa nova posição desaparece, o que já não é o caso com os santos terrenos no Milênio. Na Igreja de Deus “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28). Como já observado em um capítulo anterior, a expressão “em Cristo” denota a posição do cristão diante de Deus no Cristo ressuscitado. Ela significa literalmente ocupar o lugar de Cristo diante de Deus. Mas existe algo mais, e isto pelo fato de o cristão fazer parte dessa raça de homens da nova criação sob Cristo, e é o que o versículo 29 declara, ou seja, que o crente também é “de Cristo”. Isto significa que na nova criação somos da mesma substância de Cristo. Somos “todos de um” juntamente com Ele, sendo do mesmo tipo que ele, e assim somos Seus “irmãos” (Hb 2:11-12; Rm 8:29). O ponto que Paulo quer frisar aqui é que, uma vez que Cristo é a “semente” ou “descendência” de Abraão (Gl 3:16), e nós estamos “em Cristo” e somos “de Cristo”, somos também “semente de Abraão” em virtude de nossa vívida união com Cristo. Somos semente ou descendência de Abraão por meio de nossa conexão com Cristo. É apenas neste sentido que Abraão poderia ser visto como “pai de todos os que creem” (Rm 4:11).
Portanto, os judeus e gentios que irão crer e herdar a terra são “filhos” de Abraão, mas os cristãos são “semente” ou “descendência” de Abraão. Os judeus e gentios terrenos “são benditos com o crente Abraão” (Gl 3:9), mas os cristãos são abençoados “com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). Como já observado, estas são duas esferas totalmente diferentes de bênção — uma terrenal e a outra celestial.
É verdade que Paulo usa a palavra “descendência” (ou semente) num sentido literal em Romanos 9:7 e 2 Coríntios 11:22 para designar os descendentes naturais de Abraão, mas em Gálatas 3 ele usa a palavra para falar de Cristo, e de todos os que estão “em Cristo” e são “de Cristo”.
Continua em: 6 - Será que Romanos 2:28-29 ensina que os cristãos são judeus espirituais?
Volte ao início da série clicando aqui:
SUMÁRIO - A TEOLOGIA DO PACTO E SUAS HERESIAS
–– Bruce Anstey | Teologia do Pacto ou Dispensações
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
4 - Exemplos de erros de interpretação na Teologia do Pacto
Existe algo mais que precisa ser colocado diante de nossos leitores nesta exposição da Teologia do Pacto. Precisamos examinar algumas das passagens das Escrituras que os teólogos do Pacto dizem terem se cumprido hoje na Igreja, e mostrar como foi que eles chegaram às suas interpretações errôneas. Essas passagens são encontradas no livro de Atos e nas epístolas, e são citações das Escrituras do Antigo Testamento. Um olhar mais apurado irá demonstrar que elas não são um cumprimento daquelas profecias do Antigo Testamento, mas foram citadas apenas para mostrar que o caráter de algo que ocorreu na Igreja está em conformidade com a maneira de Deus lidar com os homens, isto é, o objetivo foi mostrar que Deus mantém seus padrões morais.
A maioria desses erros de interpretação ocorre por quem não “maneja [gr.: ‘disseca’] bem a palavra da verdade” (1 Tm 2:15), e isola um versículo ou parte de um versículo fazendo sua “particular interpretação” (2 Pe 1:20) que não se encaixa no restante das Escrituras. Somos alertados pelo apóstolo Pedro que viriam aqueles que se levantariam na profissão cristã e seriam “indoutos e inconstantes” na verdade, que “torcem” os ensinos das Escrituras (1 Pe 3:15-16). “Torcer” significa deformar, enrolar ou desviar-se do significado ou uso correto. Isto é exatamente o que os teólogos do Pacto têm feito com muitas passagens do Novo Testamento a fim de fazê-las encaixar em seu sistema errôneo de ensino. Homens assim podem até possuir uma coleção de diplomas na parede, mas são bem “indoutos” (2 Pe 3:16), como pessoas que “aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Tm 3:7).
Se a doutrina do Pacto fosse verdade, existiria na Palavra de Deus um lugar especialmente designado para ensinar essas coisas aos cristãos. Considerando que não estamos falando aqui de alguma pequena nuance no entendimento, mas de todo um sistema de ensino que diz respeito a muitas coisas envolvidas na compreensão de alguém do programa de Deus para o futuro deste mundo, Deus teria devotado ao menos uma epístola no Novo Testamento para tratar do assunto. Existiria um lugar nas Escrituras onde a comunidade cristã ficaria bem informada de que não haveria uma restauração literal de Israel, e que Israel teria se transformado na Igreja, que não haveria um reino milenial por vir etc. Mas não encontramos nada disso em nossa Bíblia, e nem podemos encontrar, pois se trata de um erro.
O melhor que os teólogos do Pacto podem fazer para dar suporte ao seu sistema de ensino da Palavra de Deus é apontarem para uma frase isolada de Paulo ou de algum outro autor do Novo Testamento. Mas invariavelmente são versículos obscuros e isolados, ou partes de versículos. E se eles não nos deixaram claro seu significado, não é provável que alguém pudesse usá-los para construir seus próprios pensamentos. Isso mostra claramente que a Teologia do Pacto é uma “particular interpretação” (2 Pe 1:20). Isto deve servir de alarme para o estudante criterioso da Bíblia.
Como contraste, temos demonstrado nos capítulos iniciais deste livro que a verdade dispensacional é exposta à exaustão no Novo Testamento e ilustrada em muitas figuras do Antigo Testamento. Existe uma tão grande abundância de evidências da ordem dispensacional do programa de Deus nas Escrituras que é de surpreender que alguém pudesse querer contestar.
As páginas a seguir apresentam alguns exemplos desses erros de interpretação que são tirados de versículos isolados e obscuros do Novo Testamento.
Continua em: 5 - Será que Gálatas 3:7-9,29 ensina que os cristãos são filhos de Abraão?
Volte ao início da série clicando aqui:
SUMÁRIO - A TEOLOGIA DO PACTO E SUAS HERESIAS
–– Bruce Anstey | Teologia do Pacto ou Dispensações
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
3 - Diferenças entre o Reino e a Igreja
Os teólogos do Pacto também confundem o reino com a Igreja, e consequentemente usam frases sem fundamento bíblico, como “O reino da Igreja”. Todavia, o reino não é sinônimo da Igreja pelas seguintes razões:
Primeiro, o reino em mistério abrange um período de tempo maior que o da Igreja na terra. Ele é mais longo em sua duração, tendo iniciado dez dias antes do início da Igreja, quando o Senhor voltou para o céu (Lc 19:12; At 1:9-11). E também irá continuar na terra depois que a Igreja tiver sido levada para o céu (no Arrebatamento) até o final do período de sete anos de Tribulação.
Segundo, o reino é mais extenso que a Igreja, no que concerne aos que participam dele. Como temos visto, o reino no momento atual possui tanto “joio” (meros professos) como “trigo” (verdadeiros crentes), enquanto a Igreja é constituída apenas de crentes verdadeiros. As pessoas podem se associar a uma assim chamada “igreja” denominacional e ter seus nomes no rol de membros, mas se não tiverem sido verdadeiramente salvas pela fé em Cristo elas não fazem parte da verdadeira Igreja de Deus. Portanto é possível que alguém esteja no reino, mas não na Igreja.
Terceiro, Cristo é Rei em Seu reino e nós somos seus servos, mas as Escrituras nunca dizem que Ele seja Rei da Igreja. Ele é Cabeça da Igreja e os crentes são membros do Seu corpo (1 Co 12:12-13; Cl 1:18).
Quarto, Mateus 16:19 nos diz que Pedro recebeu “as chaves do reino dos céus”. Essas não são as chaves da Igreja, mas do reino. Elas são o batismo e o discipulado. Por meio destas duas coisas é que uma pessoa entra no reino de forma exterior. Mas para entrar na Igreja de Deus — o corpo de Cristo — a pessoa deve nascer de Deus e ser selada com o Espírito Santo (Jo 3:5; 1 Co 12:12-13; Ef 1:13).
Finalmente, na comunhão da Igreja devemos excluir o fermento por meio da excomunhão da pessoa ou pessoas nas quais for encontrado pecado (1 Co 5:11-13). No reino dos céus (em mistério) os que fazem o mal e o fermento não são removidos, mas é permitido que sigam adiante “até à ceifa” (Mt 13:28-30).
Continua em: 4 - Exemplos de erros de interpretação na Teologia do Pacto
Volte ao início da série clicando aqui:
SUMÁRIO - A TEOLOGIA DO PACTO E SUAS HERESIAS
–– Bruce Anstey | Teologia do Pacto ou Dispensações
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
2 - Consequências da Teologia do Pacto
1. A Teologia do Pacto viola princípios básicos de interpretação bíblica
Com frequência tem sido declarado que um dos testes mais simples para toda doutrina é saber se ela exalta a Deus e ao Senhor Jesus Cristo. Toda sã doutrina, evidentemente, faz isso. Todavia, a Teologia do Pacto não passa neste teste. Além do mais, quando examinada à luz das Escrituras, percebemos que alguns dos princípios básicos da interpretação da Bíblia (Hermenêutica) são violados. Quando essas interpretações são analisadas do ponto de vista de suas conclusões lógicas elas se mostram bastante problemáticas. Os pontos a seguir demonstram como esse ensino não exalta a Deus e ao Senhor Jesus Cristo, e até mesmo se opõe a vários princípios fundamentais da interpretação da Bíblia.
2. A Teologia do Pacto rebaixa o caráter de Deus
Para começar, esse sistema de ensino rebaixa o caráter de Deus. Deus é mostrado como se tivesse iludido os filhos de Israel ao levá-los a acreditar que haveria um reino literal no futuro, quando segundo essa teologia Deus nunca teria intencionado que isso viesse a existir para eles. E ao longo dos anos Deus não teria sequer tentado corrigir suas falsas expectativas. Desse modo Deus é visto como fazendo promessas enganosas que Ele nunca tinha a intenção de cumprir. Isso é rebaixar o caráter de Deus e comprova que a Teologia do Pacto não poderia ser de Deus.
Deus disse exatamente o que queria dizer, e quis dizer exatamente o que disse — literalmente (Nm 23:19). Quando o Senhor apareceu aos Seus discípulos em ressurreição e eles Lhe perguntaram: “Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?”, Ele não negou que iria restaurar o reino literalmente conforme esperavam. Ele simplesmente disse: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.” (At 1:6-7). O Pai tinha reservado o Seu tempo para introduzir o reino com as bênçãos que o acompanhavam conforme prometera e de forma literal, mas isso aconteceria em algum momento mais tarde. Se não fosse para existir o reino literal o Senhor certamente teria corrigido as expectativas de seus discípulos naquele momento, mas Ele não tentou fazer isso, indicando que suas expectativas eram corretas. O erro deles estava na interpretação do momento em que essas coisas aconteceriam, e o Senhor em graça fez a devida correção.
3. A Teologia do Pacto priva o Senhor Jesus de Sua glória pública
A doutrina da Teologia do Pacto priva o Senhor Jesus da exibição da glória do Seu reino neste mundo (Hc 2:14; 2 Ts 1:10; Ap 1:7), e priva a Deus Pai da satisfação de ver Seu Filho publicamente inocentado no lugar onde Ele foi desonrado (Jo 5:23).
4. A Teologia do Pacto negligencia as Escrituras
O ensino da Teologia do Pacto negligencia as Escrituras que declaram abertamente que o presente chamado da Igreja pelo evangelho, o Mistério revelado, era desconhecido dos santos do Antigo Testamento (Rm 16:25-26; Ef 3:3-10; Cl 1:25-27). Os teólogos do Pacto dizem que a Igreja era conhecida pelos profetas do Antigo Testamento, que teriam profetizado acerca dela. Mas isso é uma clara negação das patentes declarações das Escrituras de que eles não sabiam nada a respeito. Isso era um “mistério” que estava “oculto” daqueles que viveram nas eras passadas, e que foi revelado somente quando o Espírito de Deus veio habitar na terra na Igreja quando esta foi formada.
A Teologia do Pacto desconsidera as muitas passagens das Escrituras que falam da verdade dispensacional, conforme discorremos nos capítulos anteriores. A clara evidência dos desígnios dispensacionais de Deus cobre mais de cem capítulos da Bíblia!
5. A Teologia do Pacto posterga a vinda do Senhor
Esse sistema de ensino posterga ou atrasa a vinda do Senhor, e isso abre a porta para todos os tipos de coisas negativas que impactam a vida do crente de maneira prática (Mt 24:48).
6. A Teologia do Pacto rebaixa a Igreja
A nova Teologia do Pacto rebaixa a Igreja da posição que ela ocupa de uma entidade celestial, com bênçãos distintas que só pertencem a ela (Ef 1:3), à mesma condição dos santos mileniais na terra. As Escrituras ensinam que a Igreja é verdadeiramente uma entidade distinta dentre os grupos de pessoas abençoadas no sistema da graça. Ela é chamada de “igreja dos primogênitos” (Hb 12:22-23). Primogênito é um termo que aponta para aquilo que ocupa o primeiro lugar e de preeminência entre os outros santos de Deus.
Como já mencionado, aqueles que compõem a Igreja são vistos como “filhos” na casa de Deus, enquanto o santo do Antigo Testamento é visto como “menino” e “servo” na casa (Gl 4:1-7). O costume do lar judeu de celebrar um “bar mitzvá” ilustra essa diferença (N. do T.: “bar mitzvá” significa “filho do mandamento” e é também o nome da cerimônia de passagem, quando o menino é considerado adulto e responsável diante de Deus).
Além disso, Apocalipse 19 mostra a “esposa” do Cordeiro como distinta de outros santos celestiais, “aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro”, que compõem o “amigo do Noivo” (Jo 3:29). Sendo a esposa, ela ocupa um lugar especial em relação ao Cordeiro, ao contrário dos outros que não têm esse privilégio. As Escrituras declaram que Deus terá muitas famílias de seres abençoados no céu e na terra, tendo diferentes relacionamentos com Ele — eles não são todos um mesmo grupo (“toda a família nos céus e na terra” em Efésios 3:15 tem o sentido de cada família). Mas nenhum deles ocupa um lugar de favor e proximidade de Cristo como os cristãos que são membros do Seu corpo (Ef 5:23-32).
7. A Teologia do Pacto priva Israel de sua herança literal
A doutrina da Teologia do Pacto priva o remanescente de Israel de sua herança em sua terra. Ela rouba deles sua esperança nacional. As Escrituras afirmam que a herança de Israel não será retida para sempre. Apesar de seu fracasso, eles receberão uma herança literal em sua terra, “porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm 11:29).
8. A Teologia do Pacto se desvia dos princípios corretos da exegese bíblica
Esse sistema de ensino se desvia dos verdadeiros princípios da exegese bíblica e supõe que, por existirem coisas do Antigo Testamento que são citadas pelo Espírito Santo no Novo Testamento, isso significaria que elas teriam se cumprido nos dias atuais na Igreja. Isso é assumir algo que o Espírito de Deus não tinha a intenção de dizer.
Na verdade, como regra geral, quando uma passagem do Antigo Testamento é citada no Novo Testamento na forma de um cumprimento, isso será informado. Mas quando o Espírito de Deus cita uma passagem do Antigo Testamento no Novo Testamento, porém não diz que se trata de seu cumprimento, faz isso meramente para mostrar o caráter de algo, ou então que o princípio envolvido coincide com os desígnios morais de Deus. Compare João 19:36 com 19:37; Atos 1:16, 20 com Atos 2:16-21; Atos 13:27 com Atos 13:47 etc. A Teologia do Pacto não observa este princípio ao interpretar as Escrituras e infere coisas a partir de várias passagens que não foram citadas com esse objetivo, chegando a conclusões errôneas como resultado disso.
Os teólogos do Pacto também são, com frequência, inconsistentes em seu método de “espiritualizar” as Escrituras. Eles ensinam que as profecias do Antigo Testamento se cumprem alegoricamente nos dias de hoje na Igreja. Todavia muitas passagens do Antigo Testamento se cumpriram literalmente. Isso é impossível de se negar. Tome, por exemplo, as maldições e juízos pronunciados sobre Israel. Se eles não andassem de acordo com suas responsabilidades em seu relacionamento com Deus, conforme ditadas pelas alianças, eram avisados de que seriam destruídos por seus inimigos e levados cativos de sua terra. Essas coisas efetivamente aconteceram; as dez tribos foram levadas para a Assíria e as duas tribos para Babilônia. Além disso, as profecias relacionadas à primeira vinda do Messias — Seu nascimento virginal, Sua vida e ministério, Sua rejeição, Sua morte e ressurreição etc. — foram todas cumpridas literalmente. Os teólogos do Pacto admitem isso.
Sendo assim, os teólogos do Pacto ensinam que somente algumas profecias do Antigo Testamento se cumpriram de forma alegórica! Mas isso deixa o estudante sério da Bíblia na incerteza. Qual parte da Bíblia deve ser tomada literalmente e qual parte alegoricamente? E que autoridade ele teria para selecionar e escolher uma e não outra? Os teólogos do Pacto dirão que as bênçãos devem ser tomadas alegoricamente, mas que os juízos são literais. Todavia, com que autoridade das Escrituras eles fazem essa distinção qualificadora? Se fosse para ser assim, por que Deus não nos disse isso em Sua Palavra?
Quando examinamos esta ideia (as bênçãos do Antigo Testamento sendo cumpridas de forma alegórica, porém os juízos de forma literal) descobrimos que muitas vezes tal ideia não tem consistência. Muitas das bênçãos prometidas a Israel foram cumpridas literalmente! Por exemplo, as bênçãos de Deuteronômio 27-31 se realizaram nos dias de Josué e novamente nos dias de Davi e Salomão. Além disso, as bênçãos prometidas de restaurar os filhos de Israel do cativeiro — caso eles se humilhassem — se cumpriram literalmente nos dias de Esdras e Neemias. E mais uma vez os teólogos do Pacto são forçados a admitir isso. Portanto, os parâmetros desse método de interpretação não são seguidos por seus próprios interpretadores. E por que deveríamos pensar que algumas partes do Antigo Testamento se cumprem de forma espiritual ou alegórica quando Deus já nos mostrou como pretende cumprir essas coisas pelo fato de ter cumprido muitas delas de forma literal? Era de se esperar que, se Ele começou agindo dessa maneira, irá continuar a cumprir de forma literal as profecias que ainda restam.
A interpretação ortodoxa cristã da Bíblia vê um cumprimento literal da Bíblia. Isso não significa que toda palavra ou frase encontrada na Bíblia seja literal, mas o cumprimento dessas coisas é literal. O Espírito de Deus usa muitas figuras e símbolos na Palavra de Deus; não são coisas literais, mas simbolizam coisas que são literais. Por exemplo, as Escrituras falam do “sol” não brilhar e das “estrelas” caindo do céu (Mt 24:29). Isso não poderia ser tomado literalmente. A maioria das estrelas são milhares de vezes maiores que a terra, e se uma delas caísse na terra esta seria imediatamente destruída. Estas coisas obviamente são simbólicas. Elas têm o objetivo de representar que a grande apostasia que o Anticristo irá introduzir resultará na supressão da luz divina (o sol) e da verdade para os homens, e que muitos líderes dentre os homens (as estrelas) irão sucumbir nessas trevas espirituais e abandonar seu conhecimento de Deus. Estas são coisas literais que irão acontecer.
Os teólogos do Pacto não veem problema em inferir coisas das Escrituras para fazê-las encaixar em sua interpretação. Chamamos a isso de “fator de correção arbitrária”. Um exemplo disso é a invenção dos termos “Pacto das Obras” e “Pacto da Graça” — dos quais as Escrituras não fazem qualquer menção. Eles também dizem que a “nova aliança” (ou “novo pacto” ou “novo concerto”, dependendo da tradução) foi feito no tempo presente com a Igreja. Todavia não existe nada nas Escrituras que ensine isso. Cada vez que é mencionada a Nova Aliança ou Pacto as Escrituras declaram que não é algo que foi feito agora, mas algo que será feito no futuro. O Senhor diz, “estabelecerei uma nova aliança” e não “estabeleci uma nova aliança”. Além do mais, quando essa aliança ou pacto for feita as Escrituras dizem claramente que será “com a casa de Israel e com a casa de Judá” — não com a Igreja (Hb 8:8-12). (Em contraste, as bênçãos cristãs são, via de regra, vistas como possessão presente dos crentes — Ef 1:3-14; “fomos feitos...” — enquanto as bênçãos para Israel na profecia são futuras). O apóstolo Paulo confirma isso declarando que “as alianças” e “as promessas” pertencem aos seus conterrâneos. Ele qualifica com exatidão quem são eles, não deixando qualquer margem para dúvida, ao dizer: “meus parentes segundo a carne, que são israelitas” (Rm 9:3-4). Isso jamais poderia ser interpretado como uma companhia de crentes espirituais dos dias de hoje que tenham sido chamados dentre os gentios, como ensinam os teólogos do Pacto.
Os teólogos do Pacto rejeitam a ideia de que as promessas feitas a Israel no Antigo Testamento devam ser tomadas literalmente porque a Epístola aos Hebreus demonstraria (segundo sua maneira de pensar) que aquelas coisas tiveram seu cumprimento em coisas espirituais que agora temos no Cristianismo. É verdade que a maneira de se aproximar de Deus no Antigo Testamento — por meio de formas, cerimônias e rituais — cedeu lugar a um “novo e vivo caminho” no Cristianismo, e que esse novo caminho é uma ordem de coisas espirituais, não literais (Hb 10:19-22). O autor da epístola deixa bem claro que toda aquela ordem exterior de adoração encontrada no Antigo Testamento deve ser entendida figuradamente no Cristianismo (Hb 9:9). Todavia muitos capítulos nessa epístola mencionam também que existem coisas que ainda estão por se cumprir em conexão com Israel, as quais são distintas das coisas espirituais que temos no Cristianismo. São coisas literais. Portanto, a própria epístola aos Hebreus, que os adeptos da Teologia do Pacto tentam usar na tentativa de provar que não haverá nada de literal se cumprindo para Israel no futuro, diz sim que haverá.
Por exemplo, em Hebreus 4 o autor menciona que “resta ainda um repouso para o povo de Deus” (Hb 4:9). Isso se refere a algo que irá ocorrer depois que terminar o tempo do Cristianismo na terra. Tem a ver com um dia futuro quando o Senhor introduzirá o Seu povo em seu descanso final. Além disso, os capítulos 5 ao 7 falam do sacerdócio de Cristo sendo segundo a ordem de “Melquisedeque”. Este é um aspecto futuro e milenial de Seu sacerdócio, quando Ele irá reinar como rei e sacerdote, e um remanescente de Israel será abençoado por Ele (Zc 6:13; Sl 110:1-4). No capítulo 8 o autor de Hebreus mostra que a Nova Aliança será estabelecida “com a casa de Israel e com a casa de Judá”. O Senhor insiste que isso ainda não foi feito, mas é algo que irá fazer no futuro (“Estabelecerei...” Hb 8:8-12).
Além disso, Hebreus 9 menciona dois “tempos” distintos que não devem ser confundidos — “o tempo presente” (Hb 9:9) e “o tempo da correção” (Hb 9:10). O tempo atual tem a ver com o Cristianismo hoje, mas o tempo de corrigir todas as coisas tem a ver com a nova organização da terra no reinado público de Cristo. O versículo 11 segue falando “dos bens futuros”. Isso não poderia estar se referindo ao Cristianismo, pois ele tinha acabado de explicar no versículo 9 que as coisas cristãs são coisas para “o tempo presente”. Esses bens futuros são as bênçãos de Deus para Israel em um dia vindouro. O capítulo 10 menciona o Novo Pacto ou Aliança mais uma vez, e deixa claro que é algo que Ele ainda fará com Israel no futuro (“Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias” Hb 10:16). No capítulo 12 temos a promessa de que o Senhor irá abalar “não só a terra, senão também o céu” (Hb 12:26-29), o que se refere ao tempo quando Seus juízos cairão sobre a terra. Sabemos das Escrituras dos Profetas que essas coisas serão entendidas por Israel quando eles forem restaurados ao Senhor e abençoados em Seu reinado público.
O ponto que queremos frisar em tudo isso é que ainda existe algo que virá para Israel no futuro. Portanto, enquanto a Epístola aos Hebreus ensina que o Cristianismo é uma abordagem espiritual e celestial de Deus pelo Espírito Santo, isso não significa que as bênçãos literais prometidas a Israel sejam nulas e sem efeito.
É inconsistente para os teólogos do Pacto ensinarem que o Antigo Testamento deve ser interpretado num sentido alegórico ou espiritual que teria se cumprido no Cristianismo de nossos dias, pois quando se chega à eclesiologia da Teologia do Pacto (a doutrina e prática da igreja) eles adotam em muitas maneiras a ordem literal e exterior da adoração de Israel como padrão para seus cultos de adoração! Se tudo era para ser “espiritualizado” agora no Cristianismo, por que adotam tantas dessas coisas literais e as incorporam em sua adoração cristã?
A seguir temos uma lista de algumas coisas que as igrejas que seguem a Teologia do Pacto emprestaram do Judaísmo do Antigo Testamento e praticam literalmente.
● Templos e catedrais literais como lugares de adoração.
● Uma casta especial de homens para oficiarem em favor da congregação.
● Instrumentos musicais para auxiliar na adoração.
● O uso de um coral.
● O uso de incenso para criar uma atmosfera espiritual.
● Vestes religiosas para os “Ministros” e membros do coral.
● Um altar literal (não sacrificial).
● A prática do dízimo.
● Observância de dias santos e festas religiosas.
● Registro dos nomes e censo da congregação.
É verdade que muitas dessas práticas judaicas foram alteradas para serem adaptadas ao contexto cristão, mas elas continuam trazendo os paramentos do Judaísmo.
Outro exemplo de como a Teologia do Pacto se afasta dos sãos princípios da exegese bíblica está na inversão do significado de “Israel” do Antigo para o Novo Testamento. Isso causa uma ruptura na revelação progressiva da verdade nas Escrituras. Outro grande princípio da interpretação da Bíblia — que estudantes da Bíblia fariam bem em observar — é que novas revelações nunca contradizem as revelações já dadas. Um conceito no Antigo Testamento não pode ser usado para significar o oposto no Novo Testamento, caso contrário a Bíblia estaria cheia de contradições. À medida que as Escrituras iam sendo escritas, Deus dava uma medida adicional de luz em certos assuntos, mas essas novas revelações nunca contradiziam as anteriores. As Escrituras desdobram a verdade como um prédio que está sendo construído; primeiro é lançado o alicerce, depois é acrescentada uma estrutura etc. Uma coisa é construída sobre a outra, e cada nova coisa adicionada não destrói o que veio antes. Portanto, não pode ser (como supõe a Teologia do Pacto) que a nação de Israel, que é algo literal no Antigo Testamento, perca sua literalidade no Novo Testamento.
O Israel literal do Antigo Testamento não se transforma alegoricamente na Igreja do Novo Testamento. Quando a ideia é colocada à prova descobrimos que não encontra sustentação nas Escrituras. No livro de Atos Israel continua sendo chamado como a nação literal de Israel em contraste com os gentios — e isso foi depois de a Igreja ter sido estabelecida (At 3:12; 4:8, 10; 5:21, 31, 35; 21:28). Romanos 9-11 confirma isso. O termo “Israel” é usado em diversas ocasiões nesses capítulos para os descendentes naturais de Abraão (“parentes” de Paulo “segundo a carne”), mas nunca para uma companhia de pessoas chamadas dentre os gentios. Além disso, se aquilo que os teólogos do Pacto ensinam concernente a Israel fosse verdade, então a oração de Paulo por Israel não faria sentido: “O bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação” (Rm 10:1). Por que iria ele orar para que cristãos fossem salvos (caso a Igreja fosse Israel) se já estão salvos? Além do mais, se Israel e Igreja são uma mesma companhia de pessoas, não haveria necessidade de Paulo fazer distinção entre ambos, como ele faz em 1 Coríntios 10:32, onde diz: “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.”. Estas passagens provam que a palavra “Israel” não teve seu significado alterado no Novo Testamento; ela continua a ser usada para os descendentes naturais de Abraão, mesmo depois de a Igreja ter começado. E as Escrituras tampouco chamam a Igreja de “novo Israel”, como os teólogos do Pacto tomam a liberdade de fazê-lo.
Estas coisas são “non-sequitur”. Um “non-sequitur” é quando uma conclusão não decorre de premissas estabelecidas. Trata-se de um salto na lógica do raciocínio de alguém que acaba concluindo algo que não pode ser fundamentado. Por exemplo, “Sou um homem da raça humana, e como nessa raça os homens envelhecem e seus cabelos ficam grisalhos, e quanto mais velhos mais grisalhos ficam, PORTANTO sou mais velho que o José porque meu cabelo é mais grisalho que o dele”. Mas uma conclusão assim não é correta, pois na verdade José é vinte anos mais velho que eu, apesar de seu cabelo continuar preto. É triste afirmar, mas a Teologia do Pacto está marcada por esses non-sequitur em suas interpretações equivocadas das Escrituras.
A maneira correta e adequada de se manusear as Escrituras é demonstrada pelo apóstolo Paulo. Como vemos em Atos 17:2, ele discutia “com base nas Escrituras” (NVI) ou “tirando argumentos das Escrituras” (Tradução Brasileira). Ele não argumentava introduzindo pensamentos nas Escrituras com noções preconcebidas, mas tirava seus pensamentos de dentro das Escrituras.
9. A Teologia do Pacto desafia a lógica
A Teologia do Pacto desafia a lógica em muitas de suas interpretações. Quando submetidas à lógica muitas de suas “espiritualizações” não fazem sentido. Não importa a maneira que você escolhe para interpretar algumas das coisas que eles ensinam — alegoricamente, espiritualmente etc. — seria bem difícil convencer alguém de que isso é mesmo verdade. Por exemplo, os teólogos do Pacto nos dizem que já estamos agora mesmo no reino público de Cristo. Mas as descrições que as Escrituras fazem de Seu reino em poder indicam que Cristo irá governar com vara de ferro (Ap 2:27), e que a justiça irá encher o mundo todo (Is 32:1-19). Além disso, Satanás e seus anjos caídos serão aprisionados no abismo e não conseguirão sair para enganar as nações (Is 24:21-22; Ap 20:1-3). Acrescente-se a isso que o juízo será executado a cada manhã contra os que pecarem (Sl 101:8; Sf 3:5), e também que o reino animal, os leões e ovelhas, se deitarão juntos etc. (Is 11:6; 65:25 etc.).
Será que devemos crer que a justiça reina neste mundo hoje? Ao contrário, a injustiça está em todo lugar! Será que Satanás hoje se encontra mesmo aprisionado? Seu trabalho maligno pode ser visto em cada nação e modo de vida. Será que o juízo realmente cai sobre os que praticam o mal a cada manhã com atestam as Escrituras? (Os teólogos do Pacto poderão “espiritualizar” isto, mas então estariam indo contra seu ensino que afirma que no Antigo Testamento os juízos são literais). E o que dizer do reino animal vivendo em paz? Se eles dizem que o leão e a ovelha estão deitados juntos hoje espiritualmente, o que isso poderia significar?
10. A Teologia do Pacto destrói os tipos e figuras das Escrituras
A Teologia do Pacto destrói os tipos e figuras das Escrituras. Ela descarta como mera ficção a beleza das figuras dispensacionais, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, que mostram o afastamento temporário de Israel e a presente interposição do chamado celestial da Igreja, antes de Deus retomar suas tratativas com o remanescente de Israel para introduzi-los nas bênçãos do reino milenial. Essas figuras representativas cobrem mais de cem capítulos de nossa Bíblia!
11. A Teologia do Pacto quebra a ordem dos eventos proféticos
A Teologia do Pacto quebra a ordem dos eventos proféticos. Exceto, talvez, pela vinda do Senhor e pela condenação final dos ímpios no lago de fogo, ela nos diz que as profecias do Antigo Testamento e do livro de Apocalipse já se cumpriram! Portanto não existiria um período de sete anos de Tribulação por vir, nenhum Armagedom etc.!
Outro exemplo dessa confusão é a ideia de que quando o Senhor vier o Arrebatamento e a Manifestação ocorreriam ao mesmo tempo. Todavia as Escrituras indicam que isso é impossível, já que existem muitas coisas que devem ocorrer entre o Arrebatamento e a Manifestação. O Senhor deve primeiro nos levar para a casa do Pai (Jo 14:2-3), e nos fazer assentar à Sua mesa e nos servir com felicidade celestial (Lc 12:37). Ele irá então assumir Seu lugar no Tribunal de Cristo e revisar a vida de cada um (2 Co 5:10, etc.). Depois disso haverá um tempo de adoração ao redor do trono no céu, e lançaremos nossas coroas aos Seus pés (Ap 4-5). Em seguida acontecerão as bodas do Cordeiro (Ap 19:7-8) e então a ceia que se segue (Ap 19:9). Essas coisas seriam impossíveis de acontecer no curto espaço de tempo que a interpretação da Teologia do Pacto sugere.
Além disso, se a vinda do Senhor para julgar “os vivos e os mortos” (2 Tm 4:1; 1 Pe 4:5) ocorresse no final do reino de Cristo, quando a Igreja tivesse supostamente convertido o mundo todo a Deus, quem dentre os vivos seria julgado nessa ocasião?
É difícil de acreditar, mas os teólogos do Pacto acham que a profecia já se cumpriu de alguma forma mística ou espiritual! Como poderiam eles explicar, em um sentido espiritual, o Anticristo sentando-se no templo e declarando ser Deus? (2 Ts 2:3-4). E como poderiam eles interpretar espiritualmente a volta das tribos de Israel à sua terra e fazer com que isso signifique algo lógico? (Dt 30:1-5; Is 10:20-22; 11:11-13; 26:19; 27:12-13; 35:10; 49:8-26; 66:19-20; Jr 30-33; 46:27-28; Ez 20:34; 34:11-16; 36:16-38; 37:1-28; Dn 12:2; Os. 6:1-3; 14:1-9; Mq 4:6-7; 5:3; Zc 8:7-8; Am 9:14-15; Sl 68:22; Sl 120-134; Lv. 23:24-25 – “a Festa das Trombetas”). Poderíamos fazer ainda muitas outras perguntas para enfatizar este ponto.
Continua em: 3 - Diferenças entre o Reino e a Igreja
Volte ao início da série clicando aqui:
SUMÁRIO - A TEOLOGIA DO PACTO E SUAS HERESIAS
–– Bruce Anstey | Teologia do Pacto ou Dispensações
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
1 - O que é a Teologia Reformada do Pacto?
Como mencionado na Introdução, a maior oposição à verdade dispensacional vem da Teologia Reformada do Pacto. Em muitos aspectos essas duas interpretações são antagônicas. Infelizmente a Teologia do Pacto está reconquistando a aceitação no mundo cristão atual à medida que declina o entendimento da verdade dispensacional. Dizemos “reconquistando” porque antes de Deus ter dado ao mundo cristão uma completa redescoberta da verdade dispensacional nos anos 1800, a partir do que a verdade dispensacional foi entendida e amplamente aceita, a Teologia Reformada do Pacto era aceita como a interpretação bíblica ortodoxa pela maior parte da cristandade. Muitos no século 19 viram o erro dessa interpretação e a deixaram de lado. Mas hoje a verdade dispensacional está no processo de ser mais uma vez deixada de lado, enquanto ocorre um ressurgimento do interesse na Teologia do Pacto entre os cristãos.
Independente da popularidade da Teologia do Pacto, ela está repleta de erros. Se não fosse pelo fato de tantos cristãos estarem adotando esse erro nem estaríamos preocupados com isso. Todavia, a maior parcela da profissão cristã a professa, no todo ou em parte. Portanto sentimo-nos na responsabilidade de humildemente apontar os erros deste sistema de interpretação, na esperança de que as pessoas sejam libertas dele.
O que é a Teologia Reformada do Pacto?
1) A Teologia Reformada do Pacto trata-se de um sistema de ensino que não faz diferenciação na família de Deus. Ela enxerga os santos de todas as eras (Antigo Testamento, Novo Testamento e reino milenar) como sendo uma companhia de crentes igualmente abençoados em seu relacionamento com o Senhor. São considerados como parte da Igreja de Deus, o corpo e noiva de Cristo, como o “um só povo de Deus”. Portanto a Igreja (segundo o modo de pensar desses) é algo que teria começado há muito tempo no Antigo Testamento. E a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes (Atos 2) não seria mais que um reavivamento ocorrido dentro da Igreja. Assim, as bênçãos distintas que as Escrituras apresentam como sendo exclusivas dos cristãos seriam consideradas como pertencentes a todos os santos em todas as épocas.
2) A Teologia Reformada do Pacto rejeita a ideia de que haverá uma restauração literal de Israel e um reino literal sobre o qual Cristo irá reinar por mil anos (o Milênio). Ela enxerga Israel como tendo perdido para sempre suas bênçãos materiais por causa de sua incredulidade, e que o reino de Cristo seria algo apenas espiritual — não haveria um reino literal. Portanto, as promessas feitas para os patriarcas de Israel concernentes à bênção literal da nação teriam se tornado nulas e sem efeito, e os movimentos de Deus visando a restauração de Israel, que são registrados nos escritos dos Profetas do Antigo Testamento, teriam se concretizado no dia de Pentecostes de uma maneira meramente espiritual (Atos 2). A bênção agora, tanto para judeus como gentios, é possuída apenas em uma linha espiritual, não material, e todo aquele que crê é considerado o “Israel espiritual” e estaria sob a Nova Aliança (Jr 31:31-34).
3) A Teologia Reformada do Pacto nega que esteja para acontecer uma Grande Tribulação neste mundo, com uma Besta Romana, o Anticristo, o Armagedom, o Rei no Norte, Gogue etc. Todas essas coisas são consideradas como já tendo acontecido por volta do ano 70 D.C. Deste modo, os eventos no livro de Apocalipse e outras passagens proféticas teriam já acontecido ou estariam acontecendo hoje de uma maneira espiritual. Além disso, o Arrebatamento e a Manifestação de Cristo seriam considerados um único e mesmo evento que deverá ocorrer depois que a Igreja for bem sucedida em evangelizar o mundo. Já que o mundo está longe de ser convertido em curto prazo, a vinda do Senhor não seria considerada iminente! Enquanto isso, os Cristãos são encorajados a não apenas pregar o evangelho, mas também a exercer uma influência piedosa onde quer que puderem para ajudar na reforma do mundo. O envolvimento em política, reformas sociais, etc. é considerado um dever cristão.
* * * * *
No que concerne ao reino de Cristo, alguns teólogos do Pacto são Amilenistas (ou Amilenialistas) e outros Pós-milenistas ou (Pós-milenialistas). Ambos acreditam que estaríamos vivendo agora mesmo no tempo do reino público de Cristo, isto é, naquilo que os dispensacionalistas chamam de “Milênio”. Os Amilenistas ensinam que não haverá um reino literal de Cristo! Ao invés disso creem que o reino só existe como algo místico ou espiritual no qual estaríamos vivendo agora. Para eles os eventos proféticos registrados no livro de Apocalipse já teriam acontecido ou estariam acontecendo nos dias de hoje, porém de uma maneira espiritual. Eles creem que o Senhor não irá voltar à terra no sentido literal (o Arrebatamento), mas que Sua vinda seria algo espiritual que ocorre quando o crente morre. No momento da morte o Senhor viria (em espírito) e levaria a alma do crente para o céu. Portanto, a vinda do Senhor já teria acontecido milhares de vezes e continuaria a acontecer sempre que um crente morresse!
Os Pós-milenistas, por sua vez, acreditam que o Senhor voltará literalmente, mas que isso não é algo iminente. Isso só aconteceria após os cristãos terem evangelizado e convertido suficientemente o mundo a Cristo. Portanto, eles acreditam que o mundo será endireitado pela influência do evangelho, ao invés do juízo, como ensinam as Escrituras (Is 26:9), e que isso iria então se transformar no reino de Cristo. Além disso, acreditam que a Igreja já teria passado pela Grande Tribulação, a qual eles creem ter ocorrido na época da destruição de Jerusalém por Tito e pelos romanos no ano 70 da era cristã. Portanto, a Grande Tribulação não iria acontecer no futuro. Eles ensinam que, quando Senhor vier, tanto o Arrebatamento quanto a Manifestação irão acontecer ao mesmo tempo. O Senhor iria ressuscitar os mortos — justos e injustos ao mesmo tempo — levando os justos (com os santos vivos) entre nuvens para se encontrarem com o Senhor nos ares. Ele então os traria diretamente de volta à terra e estariam com o Senhor enquanto Ele julgasse os ímpios que Ele teria também ressuscitado nessa ocasião. Todos os justos iriam então viver com Cristo na terra durante o Estado Eterno. Os teólogos do Pacto não percebem que haverá uma seção celestial no reino para os santos glorificados quando Cristo reinar publicamente (Dn 7:18, 22, 27; Mt 13:43).
No que diz respeito ao atual chamado do evangelho, a Teologia do Pacto mistura o Evangelho da Graça de Deus com o Evangelho do Reino em um mesmo apelo evangelístico. A consequência é o erro de “reinalizar” a Igreja. A Igreja e o reino são vistos como uma coisa só, e consequentemente, Cristo é chamado de Rei da Igreja e dizem que Ele reina sobre ela agora. Por considerarem Israel como sendo a Igreja no Antigo Testamento, e a Igreja como o Israel no Novo Testamento, eles acreditam que os cristãos deveriam guardar a Lei. Por isso transmutam falsamente o Sábado para o Dia do Senhor, e insistem que os cristãos devem “observar” e “guardar” o Dia do Senhor como se fosse o Sábado. Consequentemente também não veem qualquer problema em adotar os métodos e princípios judaicos de adoração que Israel usava nos tempos do Antigo Testamento.
* * * * *
Em suma, a Teologia Reformada é uma interpretação errônea das Escrituras que enxerga a salvação e bênção do homem como o foco primário das tratativas de Deus sobre a terra. Deste modo os teólogos reformados acreditam que João 3:16 seja o versículo-chave da Bíblia. Todavia, as Escrituras ensinam que o propósito de Deus tem a ver com algo muito mais elevado que a bênção do homem. Esse propósito diz respeito à exibição da glória de Cristo no mundo porvir em duas esferas (o céu e a terra), através de um vaso especialmente formado por Deus, a Igreja. Efésios 1:10, portanto, é um versículo mais adequado para definir o propósito final de Deus na consumação dos séculos. Deus não ama a todos os homens e está salvando alguns por Sua graça, mas por maior e mais maravilhosa que seja esta obra, ela aparece no panorama geral enquanto Deus trabalha o Seu propósito final que é o de exibir a glória de Cristo naquele dia vindouro.
Colocando de uma maneira mais simples, a Teologia do Pacto é um sistema de interpretação da Bíblia que enxerga as promessas e profecias do Antigo Testamento como se estivessem sendo cumpridas hoje na Igreja e de maneira espiritual. Já que essas coisas não podem ser demonstradas como tendo acontecido literalmente, os teólogos do Pacto inventaram um falso princípio de interpretação conhecido como “espiritualização”. Desse modo eles tomam algumas declarações das promessas e profecias do Antigo Testamento e reivindicam que elas estariam se cumprindo hoje espiritualmente ou alegoricamente, ao invés de literalmente. Este método de interpretação da Bíblia é chamada de “Teologia do Pacto” ou “Aliança” por ser supostamente baseada nos pactos ou alianças de promessa que Deus fez com Abraão, Moisés, Davi, etc. Ela é também elaborada sobre dois pactos fictícios que não são mencionados nas Escrituras — o Pacto da Graça e o Pacto das Obras.
Suas origens podem ser traçadas desde os primeiros séculos da história da Igreja, quando homens (como Agostinho) ensinaram algumas dessas coisas. Elas foram mais tarde formuladas como um sistema de doutrina e popularizadas pelos reformadores nos anos 1500. Portanto, ela é às vezes chamada de “Teologia Reformada”, embora suas origens estejam muito antes da Reforma. É triste precisar dizer que este método errôneo de interpretação tem levado muitos amados cristãos a acreditarem em uma porção de coisas que são contrárias às Escrituras.
Quando você dá um passo para trás e observa esta interpretação errônea, pode até perguntar: “Quem é que iria acreditar em algo assim?”. A resposta é vista na figura apresentada no início deste livro, ou seja, a maior parte das organizações eclesiásticas cristãs atuais professa essa teologia como parte de sua declaração denominacional de fé!
* * * * *
O principal erro, do qual deriva boa parte dos erros colaterais da Teologia do Pacto, é a ideia equivocada do “um único povo de Deus”. Ela não enxerga a verdadeira natureza da Igreja, sua vocação e esperança como sendo uma companhia especial de crentes que pertencem ao céu e que possuem um lugar especial em relação a Cristo como seu corpo e noiva. A Teologia do Pacto possui, por assim dizer, uma espécie de fôrma na qual ela derrama os santos de todas as épocas e faz de todos eles o povo de Deus chamando-os de Igreja. Essa teologia não distingue “as coisas excelentes” (Fp 1:10 — ou “coisas que diferem” na Young’s Literal Translation) nas tratativas de Deus para com os homens, e por isso falham em enxergar que existem diferentes categorias em “toda família” de Deus — alguns estando nos “céus” e outros na “terra” (Ef 3:15). Portanto, os teólogos do Pacto tentam fazer da Igreja a continuadora espiritual de Israel. Em seu pensamento as bênçãos prometidas a Israel estão sendo cumpridas na Igreja de uma maneira espiritual, e por isso não se cumprirão no sentido literal para Israel. Essas noções deixam os que seguem a Teologia do Pacto em uma grande dificuldade quando interpretam as Escrituras, pois muitas das coisas que foram prometidas a Israel no Antigo Testamento não fazem sentido se interpretadas alegoricamente.
Desnecessário é dizer que esse sistema errôneo de interpretação se opõe a todo o conceito da interposição da vocação celestial da Igreja como sendo algo intercalado (como um parêntese) nas tratativas de Deus para com a nação de Israel.
Continua em: 2 - Consequências da Teologia do Pacto
Volte ao início da série clicando aqui:
SUMÁRIO - A TEOLOGIA DO PACTO E SUAS HERESIAS
–– Bruce Anstey | Teologia do Pacto ou Dispensações
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
Qual a diferença entre o Batismo e o ser cheio do Espírito? | John MacArthur
À medida que mantenho o diálogo com os carismáticos e estudo seus escritos, torna-se mais evidente que eles estão confusos a respeito do batismo do Espírito, o qual insere o cristão no Corpo de Cristo, e da plenitude do Espírito, que produz a vida cristã eficaz (ver Ef 5.18 — 6.11).
Charles e Frances Hunter, por exemplo, dirigem estudos que ensinam as pessoas a serem batizadas com o Espírito Santo. Charles Hunter escreveu:
“Imagine-se na posição de alguém a quem ministramos. Eis como levamos as pessoas ao batismo:
“Vocês estão a ponto de receber o que a Bíblia designa ‘batismo com o Espírito Santo’ ou o ‘dom do Espírito Santo’. Seu espírito, do mesmo tamanho de seu corpo, está prestes e ser preenchido completamente com o Espírito de Deus; e, como Jesus ensinou, vocês falarão uma ‘língua espiritual’, quando o Espírito Santo lhes conceder”.(18)
Em primeiro lugar, o conceito de que o espírito de uma pessoa possui o mesmo tamanho do corpo é absurdo. O espírito, por ser imaterial, não possui tamanho.(19) Em segundo lugar e mais importante, Hunter menciona o batismo com o Espírito Santo e a plenitude do Espírito Santo como se fossem idênticos. Eles não são iguais.
A revista Pentecostal Evangel (Evangelho Pentecostal), das Assembléias de Deus (nos Estados Unidos), têm publicado há décadas um credo junto ao expediente semanal que afirma, em parte: “Cremos... [que] o batismo no Espírito Santo, de acordo com Atos 2.4, é outorgado aos crentes que o pedem”. No entanto, Atos 2.4 simplesmente diz: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem”. Em todo o capítulo 2 de Atos, nada sugere que os crentes pediam o Espírito Santo.
Atos 2.1-4 ensina duas verdades diferentes. No Pentecostes, os cristãos foram batizados com o Espírito Santo no corpo de Cristo. Em seguida, o Espírito Santo encheu os crentes para que dessem um testemunho miraculoso — a capacidade de falar em outras línguas. Desde aquele momento, os crentes têm sido batizados com o Espírito Santo, pelo Senhor Jesus Cristo, no momento da conversão. Como somos preenchidos? Quando nos rendemos ao Espírito, que já está em nós, temos acesso ao poder e à plenitude do Espírito. Paulo disse aos crentes de Éfeso que se mantivessem cheios do Espírito como um padrão de vida (Ef 5.18).
Em nenhuma passagem da Escritura o cristão é ensinado a ficar quieto e esperar o batismo. Também não encontramos na Bíblia a ordem para nos reunirmos com um grupo de pessoas que nos ensinem a falar em línguas. Os cristãos são admoestados a manterem-se cheios do Espírito, mas isso não é o mesmo que esperar o batismo no Espírito. Existe um método simples para você conhecer a plenitude e poder do Espírito Santo em sua vida: obedecer ao Senhor. À medida que crescemos na obediência à palavra de Deus, o Espírito de Deus o enche e energiza nossa vida (v. Gl 5.25).
Os crentes não foram apenas colocados em Alguém (Cristo); eles são habitados por Alguém (o Espírito Santo). Por sermos cristãos, temos o Espírito Santo; nosso corpo é o templo dEle (1Co 6.19). O próprio Deus vive em nós (2Co 6.16). Todos os recursos necessários encontram-se em nós. A promessa do Espírito Santo já nos foi cumprida. A Bíblia é totalmente clara nesse ponto. Não existe nada mais pelo que devemos esperar. A vida cristã consiste em render-nos ao controle do Espírito, que já se encontra em nós. Fazemos isso por meio da obediência à Palavra (Cl 3.16).
É significativo que os escritores carismáticos não são todos unânimes a respeito de como os crentes devem receber o batismo do Espírito. Mas, por que toda essa confusão e contradição? Por que os escritores carismáticos não citam a Bíblia com clareza e permanecem no que ela afirma? A razão pela qual nenhum escritor carismático permanece no que as Escrituras afirmam é que a Bíblia nunca nos diz como proceder para recebermos o Espírito Santo; ela tão-somente informa aos crentes que eles já estão batizados com o Espírito.
Uma das maiores realidades da vida cristã está contida em duas declarações breves e completas: uma de Paulo; a outra, de Pedro:
“Também, nele, estais aperfeiçoados” (Cl 2.10).
“Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2Pe 1.3).
Como? Mediante “o pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor” (2Pe 1.2). É inútil procurarmos o que já nos pertence.
–– John MacArthur | O Caos Carismático
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
Um exame mais detalhado de Atos 2 | John MacArthur
Indubitavelmente, Atos 2 é a passagem da Escritura sobre a qual pentecostais e carismáticos desenvolvem sua teologia do batismo do Espírito Santo. Ao registrar o nascimento da igreja, Lucas disse:
“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem”.
Como já afirmamos, a doutrina da subseqüência, de pentecostais e carismáticos, é extraída principalmente dessa passagem. Os carismáticos alegam que os apóstolos e outros discípulos — que experimentaram o batismo e as línguas em Atos 2.1 a 4 — já eram salvos. Portanto, no Dia de Pentecostes eles receberam o poder do Espírito Santo que deveriam usar para transformar o mundo.
Nesse aspecto, o ponto de vista carismático não pode ser censurado. Temos certeza de que os discípulos mencionados em Atos 2 — ou pelo menos alguns deles — tinham experimentado a salvação. Eram provavelmente os mesmos cento e vinte discípulos, incluindo os apóstolos, que se reuniram no cenáculo, conforme Atos 1. Como sabemos que já eram salvos? Jesus lhes dissera: “Alegrai-vos... porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lc 10.20) e: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3). Não há dúvida de que Jesus assegurou-lhes a salvação.
A maior parte dos carismáticos sugere que os discípulos também haviam recebido o Espírito Santo antes do Dia de Pentecostes, no cenáculo, após a ressurreição de Jesus. Em João 20.21-22 lemos: “Jesus... soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. De acordo com a interpretação carismática padrão concernente a esses versículos, visto que Jesus já lhes tinha dado o Espírito Santo, a experiência do Dia de Pentecostes deve representar algo maior. Era uma experiência de nível superior do batismo do Espírito, que lhes concedeu poder verdadeiro.(6)
Mas eu pergunto: Essa é a interpretação correta de João 20.21-22? Neste ponto, a posição carismática não resiste ao escrutínio. Inicialmente, a passagem não afirma que os discípulos receberam realmente o Espírito Santo. Nenhuma passagem o afirma até ao Dia de Pentecostes. A passagem de João 20 assevera apenas que Jesus lhes disse: “Recebei o Espírito Santo”. O que isso significa? A declaração foi um penhor, uma promessa, que se cumpriria no Dia de Pentecostes. Crisóstomo (345-407 d.C.) e muito outros mantinham essa posição. As declarações seguintes de João 20 parecem confirmar que os discípulos não receberam o Espírito no cenáculo. Oito dias depois, Jesus veio ao encontro deles, no lugar em que se escondiam — cheios de temor — um local fechado (20.26). Mais de uma semana depois de Jesus haver soprado sobre eles e prometido o Espírito, os discípulos não haviam ido a lugar algum nem realizado nada que manifestasse o poder e a presença do Espírito.
No entanto, os argumentos mais fortes surgem nos primeiros versículos de Atos 1. Um pouco antes da ascensão, Jesus reuniu os discípulos e lhes disse que não se distanciassem de Jerusalém e esperassem a promessa do Pai (At 1.4). Jesus continuou e afirmou:
“João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. A “promessa do Pai” refere-se, aparentemente, a João 14.16: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”. Essa era a promessa da vinda do Espírito Santo. Ela foi confirmada por Jesus em João 20.26, mas ainda não fora cumprida. Naquele momento os discípulos ainda esperavam pelo Espírito Santo.
Jesus disse novamente: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Torna-se claro que o recebimento do poder seria correspondente ao recebimento do Espírito Santo. Os discípulos ainda esperavam. A promessa ainda não fora cumprida. Se o Espírito tivesse descido sobre eles na ocasião descrita em João 20, o poder também estaria neles, e não teriam nada a esperar.
Duas outras passagens indicam que os discípulos não receberam o Espírito Santo antes do Dia de Pentecostes. Em João 7, lemos que Jesus se levantou na Festa dos Tabernáculos e ofereceu água viva a todos os que desejassem vir e beber. No versículo 39, o apóstolo explicou que Jesus falava sobre o Espírito Santo: “Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”. Essa passagem afirma explicitamente que o Espírito não viria enquanto Jesus não fosse glorificado; e Jesus só seria glorificado quando ascendesse ao céu.(7)
Além disso, Jesus falou aos discípulos: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, se eu for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16.7). Jesus só “foi” quando ascendeu, conforme registra o início de Atos dos Apóstolos.
Deste modo, o estudo cuidadoso da Bíblia aponta convincentemente para a conclusão de que as palavras de Jesus (Jo 20.22) são apenas uma promessa da vinda do Espírito Santo; os discípulos não O receberam naquele momento.
Lembre-se também de que todos esses acontecimentos se deram em ‘um período de transição’. É claro que houve uma sobreposição entre a Antiga e a Nova Aliança. Os discípulos conheciam e confiavam em Cristo, mas ainda eram crentes do Antigo Testamento. Eram incapazes de entender e experimentar a habitação permanente do Espírito enquanto Ele não viesse no Pentecostes.
Como respondemos à afirmação carismática de que “o batismo no Espírito é algo que deve ser buscado com ardor”? Embora os cento e vinte discípulos no cenáculo estivessem orando numa atitude de antecipação e expectativa (At 1.4), não há evidência de que buscavam o Espírito Santo. Os discípulos não podiam fazer nada para que esse grande evento ocorresse. Apenas esperavam o cumprimento soberano da promessa divina.
Também não existe, em todo o livro de Atos, a menor indicação de que alguém buscou ou pediu o Espírito Santo ou as línguas. Nos capítulos 8, 10 e 19 não achamos NINGUÉM buscando o Espírito. Não existe nenhuma passagem bíblica que apresente os crentes das igrejas de Antioquia, Galácia, Filipos, Colossos, Roma, Tessalônica ou Corinto buscando o Espírito Santo ou as línguas. Estude as passagens do livro de Atos que descrevem pessoas sendo cheias do Espírito e falando em línguas. Não há nem um exemplo — nem mesmo onde esses fenômenos ocorreram — indicando que algum membro da igreja primitiva buscou essa experiência. Frederick Dale Bruner estava certo ao perguntar: “Isto não deveria afetar a doutrina pentecostal da “busca do batismo no Espírito Santo com a evidência inicial do falar em línguas”?”(8)
Quando o Espírito Santo veio no Pentecostes, uma nova ordem foi estabelecida. A partir daquela ocasião, o Espírito Santo viria a todo crente no momento da fé e habitaria nele em um relacionamento duradouro e permanente. Esse é o motivo por que Romanos 8.9 afirma: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Essa também é a razão pela qual Paulo afirmou que todos os cristãos são batizados, pelo Espírito no Corpo de Cristo e que a todos nós foi dado de beber do mesmo Espírito (1Co 12.13).
Atos 2.3-4 registra o recebimento do Espírito. Os discípulos foram batizados com o Espírito (vv. 2-3); esse acontecimento foi acompanhado por um som vindo do céu, semelhante a um vento impetuoso, e por línguas como de fogo, que pousaram sobre todos eles. Nesse momento, todos ficaram cheios do Espírito e começaram a falar em outras línguas. Essas línguas miraculosas possuíam um propósito definido: serviriam como sinal de juízo sobre o Israel incrédulo, comprovando a inclusão de outros grupos na igreja; serviriam também para confirmar a autoridade espiritual dos apóstolos. (Quanto a uma avaliação mais completa do propósito das línguas, ver Capítulo 10.)
Atos 2.5-12 relata que os judeus ali presentes — “homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu” — ficaram extasiados. Aceitaram esse milagre surpreendente como um sinal da parte de Deus. Quando Pedro se levantou e pregou um sermão, três mil pessoas creram e foram salvas. Todas essas pessoas receberam o Espírito Santo no momento em que creram (2.38). Novamente, nada sugere que as três mil pessoas tenham falado em línguas enquanto ouviam os discípulos fazê-lo.
O acontecimento registrado em Atos 2 foi uma maravilha ímpar. Foi o primeiro e último Pentecostes para a igreja. Deus desejava que todos soubessem que algo incomum estava acontecendo; por isso, houve um som semelhante ao vento impetuoso, as línguas de fogo repartidas sobre cada um dos discípulos; também foi por essa razão que eles falaram em outras línguas.
Deus queria que todos os recipientes do batismo inicial do Espírito soubessem que faziam parte de um acontecimento único e dramático. Também queria que os peregrinos em Jerusalém, provenientes de países diferentes e de regiões circunvizinhas, ouvissem a mensagem em sua própria língua. A igreja nasceu. Iniciava-se uma nova era. Como Merrill Unger destacou:
“O Pentecostes é tão irrepetível como a criação do mundo ou do homem. Além disso, o Pentecostes ocorreu de uma vez para sempre, como a encarnação, a morte, a ressurreição e a ascensão de Cristo. Deduzimos isso dos seguintes fatos:
1. O Espírito de Deus veio, chegou e fixou residência na igreja apenas uma vez, no Pentecostes;
2. O Espírito Santo foi outorgado, recebido e depositado na igreja apenas uma vez, no Pentecostes;
3. O Pentecostes ocorreu em um tempo específico (At 2.1) — em cumprimento de um tipo do Antigo Testamento (Lv 23.15-22), num local determinado (Jerusalém — cf. Lc 24.49), sobre poucas pessoas (At 1.13,14), com um propósito específico (cf. 1Co 12.12-20): introduzir uma nova ordem. Esse acontecimento não constitui uma característica contínua ou recorrente dessa nova ordem introduzida de uma vez por todas”.(9)
Entretanto, os carismáticos transformam esse acontecimento em algo normativo para os cristãos de todas as épocas. Afirmam que o eventos relatados nesse capítulo de Atos devem acontecer com qualquer pessoa. Se isso fosse verdade, qualquer pessoa também sentiria o vento impetuoso e as línguas repartidas. Evidentemente, esses fenômenos não são mencionados hoje.
Em 1976, os pentecostais realizaram uma conferência mundial em Jerusalém para celebrar “o milagre contínuo do Pentecostes”. De modo significativo, os delegados precisaram usar os serviços de intérpretes e fones de ouvido para entender o que era dito! Embora os carismáticos indiquem Atos 2 como base para sua crença e prática, os fenômenos carismáticos contemporâneos NÃO SÃO os mesmos experimentados pelos discípulos de Jerusalém no Pentecostes.
–– John MacArthur | O Caos Carismático
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
Assinar:
Postagens (Atom)
QUEM É O JP PADILHA? QUAL É A SUA PROFISSÃO?
Se você me perguntar o que eu sou, eu lhe responderei: "sou esposo". Se você insistir, lhe responderei: "sou pai". Você ...
-
“Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhece...
-
"Eu odeio o divórcio; Eu odeio o homem que faz uma coisa tão cruel assim. Portanto, tenham cuidado, e que ninguém seja infiel à sua...
-
Com a facilidade de se publicar vídeos na Internet as pessoas ganharam acesso a tudo o que existe de bem e mal. É claro que o mal sempre...







