CAPÍTULO 3: A Doença da Melancolia

CAPÍTULO 3

A DOENÇA DA MELANCOLIA

Eu não culparia todos aqueles que são muito dados ao medo, pois de certa forma trata-se mais de sua doença do que de seus pecados e mais do seu infortúnio do que de suas faltas.[25]

Às vezes a depressão não se origina a partir de circunstâncias dolorosas. De acordo com Charles, “algumas pessoas são constitucionalmente tristes”.[26] Às vezes somos marcados pela melancolia desde o momento de nosso nascimento.[27]

MARCADO DESDE O NASCIMENTO
Que diferença essa melancolia, enquanto marca de nascença, faz na vida de uma pessoa? Responder a essa questão pode ajudar, a nós que sofremos, a começar a nos conhecer melhor e àqueles que nos amam a obter entendimento.

Para começar, nossa imaginação pode possuir uma fronteira mais sombria. Conforme observou Charles, “todos os nossos pássaros são corujas ou corvos”.[28] Quando “alguém nasce com um temperamento melancólico, vê uma tempestade se formando até na calmaria”.[29]

Nós também somos propensos a medos exagerados. “Pessoas desanimadas”, de acordo com Charles, “podem encontrar motivo para o medo onde não há”.[30]

Isso faz com que nos seja mais difícil encontrar alívio ou certeza de segurança. Se as coisas estão calmas, procuramos encontrar qual é o mal que nos espreita. Se as coisas vão mal, presumimos que o pior ainda está por vir. Imaginamos futuros catastróficos e, embora nenhuma das coisas más que imaginamos tenha acontecido conosco, “convertemos nossas suspeitas em realidade” e com elas torturamos a nós mesmos em nossa própria imaginação.[31]

Então, diferente de outros cujas dúvidas e medos diminuem, nosso “temperamento constitucional é tal que persistimos em duvidar”.[32] Preocupações e ansiedades de muitas formas nos assolam. “Na menor alteração das circunstâncias, começamos a nos afligir”.[33] Todo mundo se aflige e se preocupa, evidentemente. Mas a doença intensifica isso. Nós nos preocupamos mais. Ficamos com mais medo.

Às vezes, nossas responsabilidades corriqueiras nos fazem ficar ansiosos e pressionados. A ansiedade por um bom desempenho nos massacra. Pequenas coisas parecem gigantes. “Uma pessoa pode sentir que deveria fazer algo tão bem que, por esse mesmo motivo, não chegue a fazer o que poderia ter sido feito. Um excessivo senso de responsabilidade pode levar à estagnação.”[34] A menos que possamos fazê-lo perfeitamente não tentaremos fazer de maneira alguma.

Então, frequentemente nos sentindo incapazes de fazer o que nossas responsabilidades demandam, somos perturbados por pensamentos acusadores e condenatórios em relação a cada engano e erro crasso, quer sejam reais ou imaginários. Podemos finalmente ficar entorpecidos. É como se nos fechássemos e sentíssemos tanto que acabamos não sentindo absolutamente nada.

Isso ressoa com sua experiência? A depressão é como uma escuridão que nos cobre aonde quer que vamos. “Quando as pessoas estão no escuro, elas têm medo de qualquer coisa, de tudo.”.[35] Assim, quando nos sentimos constantemente na escuridão mental, trememos e estremecemos pelo que está à espreita ao virar a esquina.

Claro que nem sempre. A depressão tem suas fases de “remissão”. Não somos assediados a todo momento. Às vezes o descanso vem. As portas do porão se abrem e caminhamos bem felizes e à vontade pela luz do sol. Porém, o “corvo negro”[36] deseja e espera para nos atacar subitamente, e às vezes ele o faz.

Marcas biológicas de nascença, como as mencionados acima, podem até produzir certo tipo de “transtorno físico”, segundo Charles. A “imaginação” melancólica pode aumentar e intensificar o que nos aflige. Entretanto, a “depressão do espírito” origina-se de “uma doença real, e não imaginária”[37]. Esses casos biológicos, Charles diz claramente, exigem “a intervenção do médico” mais do que do pastor ou do teólogo.[38] Pastores e cristãos precisam de profissionais médicos em sua equipe de cuidado pastoral.

O CORPO ALTERA NOSSOS HUMORES
Através da identificação de algumas formas de depressão como doença[39], Charles alude a um livro de sua biblioteca, escrito por Timothy Rogers e intitulado Trouble of Mind and the Desease of Melancholy. Roger definiu a melancolia de uma maneira típica a seu tempo, descrevendo como ela nos altera e nos endurece contra a alegria.[40] Segundo ele, a depressão é uma ladra de alegria.

Essa ladra de alegria também gosta de saquear nossa percepção de Deus. “Há algumas almas verdadeiras às quais Deus ama”, observa Charles, “que, no entanto, não costumam desfrutar um dia de sol brilhante. São muito sombrias, tanto com relação a sua esperança quanto sua alegria. Algumas delas talvez tenham perdido, por meses, a luz do semblante de Deus”.[41]

Agora, o que estou prestes a escrever demanda nossa atenção. A depressão é capaz de vandalizar tanto nossa alegria e nossa percepção de Deus de tal modo que nenhuma de suas promessas pode nos confortar, na ocasião, não importa quão verdadeiras sejam ou quão gentilmente sejam ditas. E pior, “tudo no mundo parece sombrio”. Até mesmo as misericórdias de Deus nos assustam “e erguem-se como terríveis presságios do mal” ante os olhos de nossa mente.[42]

Vamos parar por um momento a fim de ressaltar três auxílios importantes:

1. Sejamos nós aqueles que sofrem ou os cuidadores, devemos levar em conta a contribuição do corpo para a depressão. Sobre esse ponto, Charles nos lembra da teologia cristã básica: “o homem é um ser duplo, composto de corpo e de alma, e cada uma das porções do homem pode receber feridas e dor.”[43]

2. A depressão não é pecado. Embora por causa dela os pecados possam acontecer e as tentações se intensificar, a depressão em si não é um pecado. “Podemos ficar deprimidos no espírito; talvez fiquemos nervosos, amedrontados, tímidos; podemos até mesmo chegar aos limites do desespero”, e mesmo assim “separados do pecado.”[44]. Às vezes o que prenuncia o senso da ausência de Deus em nossa vida não é nosso coração duro, mas um trapaceiro psicológico.

3. A depressão não é unicamente para nós. Depois de citar exemplos históricos, como os de Martinho Lutero, Isaac Newton e William Cowper, e bíblicos, como o de Jó, Davi, Elias e nosso Senhor Jesus Cristo, Charles inevitavelmente dirá: “Você não é o primeiro filho de Deus a ficar deprimido ou atribulado”. Até “entre os mais nobres dos homens e mulheres que já viveram, houve muito desse tipo de coisa (...) portanto não pense que você está totalmente sozinho em sua aflição.”. Embora você possa “ir para a cama nas trevas”, você “acordará na eterna luz do dia”.[45]

A GRAÇA ALIVIA, MAS NEM SEMPRE CURA
A DEPRESSÃO
Mas seguir a Jesus não deveria mudar tudo isso? Jesus não deveria curar nossas doenças? Muitos de nós sentimos que, se fôssemos mais fiéis a Jesus não teríamos de lutar dessa maneira. Outros até nos dizem que nossa salvação em Jesus está ameaçada e a colocam em questão.

Mas assim como um homem com asma ou uma mulher que nasceu muda provavelmente permanecerão dessa forma, embora amem Jesus, de igual maneira nosso transtorno mental e nossa inclinação à melancolia frequentemente continuam conosco também. A conversão a Jesus não é o céu, e sim a sua antecipação. Deste lado do paraíso, a graça nos assegura, contudo não nos cura em definitivo. “Existem traços de fraqueza na criatura que até mesmo a graça não apaga.”[46]. Embora a cura substancial possa vir, Charles nos lembra que, usualmente, ela espera o paraíso para completar sua obra plena.

Não professamos que a crença em Jesus Cristo mudará tão completamente um homem, levando dele todas as suas tendências naturais. Isso garantiria ao que se desespera algo que lhe aliviaria o desânimo. Porém, quanto ao que é causado por um baixo estado do corpo ou de uma mente doente, não professamos que a crença em Jesus vai removê-lo totalmente. Em vez disso, vemos todos os dias que entre os melhores servos de Deus há aqueles que estão sempre duvidando, olhando para o lado sombrio de cada providência, para a ameaça mais do que para a promessa, e que estão prontos para escrever coisas amargas contra si mesmos (...)[47]

Portanto, nós cristãos que sofremos de depressão podemos ficar terrivelmente fracos, mesmo na fé. Todavia, não estamos perdidos para Deus. Ao contrário daqueles que nos dizem que não temos fé suficiente ou que estamos condenados por causa da nossa incapacidade de sorrir mais, a “depressão do espírito não é um índice de declínio da graça”.[48] É Cristo e não a ausência de depressão que nos salva. Declaramos essa verdade. Nossa sensação da ausência de Deus não significa que ele esteja ausente. Embora o nosso sofrimento corporal não nos permita sentir seu toque suave, ele nos segura firme. Nossos sentimentos em relação a ele não nos salvam. Ele sim.

Por isso nossa esperança não reside em nossa capacidade de preservar um bom humor, mas em sua capacidade de nos sustentar. Jesus nunca nos abandonará com nosso coração abatido. Conforte-se no modo como Charles coloca isso:

Talvez você não esteja bem, ou talvez tenha desenvolvido uma doença que desgastou intensamente seu sistema nervoso e você esteja deprimido e por isso acha que a graça o está deixando. Mas ela não está. Sua vida espiritual não depende da natureza. Se assim fosse, ela poderia expirar. Ela depende da graça e a graça nunca cessará de brilhar até que o ilumine para a glória.[49]

Embora toda nuvem escureça com a formação da tempestade, sabemos que o sol ainda brilha. Nós que já voamos de avião podemos atestar essa verdade.

Também sabemos que embora nos sacudamos e nos viremos em um sono inquieto e doentio, nosso amado segura nossa mão e enxuga o suor de nossa cabeça nas profundezas da noite, mesmo que não tenhamos consciência disso.

Assim é com Deus. Enquanto nossos corpos podem, às vezes, fazer com que os nossos humores naufraguem e lançar dúvidas sobre nossa fé, mesmo que não saibamos, ele nos mantém seguros enquanto nossa crise se faz violenta.

Lembre-se, a depressão é um “infortúnio, não uma falta”, como recorda Charles na citação de abertura deste capítulo. Um tipo de luta que não assegura nossa condenação.

O que isso significa? Em contraste com aqueles que iriam lhe dizer para ser mais forte e suplicar suas forças junto a Deus, Charles nos diz: “deixe sua fraqueza suplicar a Deus em Jesus Cristo”.[50] Suas misericórdias são grandes o bastante, profundas o bastante, largas o bastante, altas o bastante para mantê-lo seguro no que você não consegue. A graça de que você precisa aumenta com a ocasião (Hb 4.12). Sua esperança não é sua saúde, mas a capacidade dele deve ser a força de que você precisa.

DEUS NÃO RI DE NOSSA DEPRESSÃO
Ao passo que concluo esse capítulo, admito que comecei a falar de Deus explicitamente. Muitos de nós podem achar muito duro de aceitar isso. O assunto “Deus” não nos foi gentil e nossas misérias foram reais de mais para pessoas religiosas más e banais solucionarem. Você está certo sobre isso e espero que cada capítulo daqui por diante se mostre útil enquanto se refere à sua depressão e a Deus.

Por ora, entretanto, pode lhe interessar saber que Charles, em sua depressão, de alguma forma viu Deus como compassivo para com ele e para com todos nós que sofremos dessa maneira, distinguindo o próprio Deus daqueles que dele zombaram:

Alguns de vocês podem estar em grande agonia de espírito, uma angústia de que nenhuma criatura companheira pode lhes libertar. Vocês são pobres pessoas nervosas das quais os outros frequentemente riem. Posso lhes assegurar que Deus jamais rirá de vocês. Ele sabe tudo sobre essa sua triste queixa. Então os encorajo a irem até ele, pois a experiência de muitos de nós nos ensinou que “o Senhor é gracioso e cheio de compaixão.”[51]

–– Zack Eswine / A Depressão de Spurgeon: Esperança realista em meio à angústia – PARTE1 – Cap. 3 – Pág. 47-57

SUMÁRIO DA SÉRIE "A DEPRESSÃO DE SPURGEON: Esperança Realista em meio à Angústia"
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NOTAS:
25. Charles Spurgeon, “Lançai Fora o Medo,” MTP, Vol. 16, Sermão 930
(http://www.projetospurgeon.com.br/2012/01/lancai-fora-o-medo/)
26. Charles Spurgeon, “Joy, Joy, Forever!,” MTP, Vol. 36, Sermão 2146 (Ages Digital Library, 1998), p.
373.
27. Charles Spurgeon, “Joyful Transformations,” MTP, Vol. 14, Sermão 847, The Spurgeon Archive
(http://www.spurgeon.org/joyful.htm), acessado em 13/12/13.
28. Charles Spurgeon, “First Things First,” MTP, Vol. 31, Sermão 1864 (Ages Digital Library, 1998), p.
712.
29. Charles Spurgeon, “Soberania Divina,” NPSP, Vol. 2, Sermão 77,
(http://www.monergismo.com/textos/chspurgeon/Soberania_Spurgeon.htm).
30. Charles Spurgeon, “Lançai Fora o Medo,” MTP, Vol. 16 , Sermão 930
(http://www.projetospurgeon.com.br/2012/01/lancai-fora-o-medo/).
31. Ibid.
32. Charles Spurgeon, “A Prayer for the Church Militant,” MTP, Vol. 13, Sermão 768 (Ages Digital
Library).
33. Charles Spurgeon, “The Yoke Removed and the Lord Revealed,” MTP, Vol. 25, Sermão 1462 (Ages
Digital Library, 1998), p. 183.
34. Charles Spurgeon, “A Maior Luta do Mundo” (São José dos Campos: Editora Fiel, 2006), p. 11.
35. Charles Spurgeon, “Como Entender a Doutrina da Eleição,” MTP, Vol. 30, Sermão 1797
(http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/files/pdf/Como_Entender_a_Doutrina_da_EleicaoSpurgeon.
pdf)
36. Jane Kenyon, “Having it Out With Melancholy,” Jane Kenyon: Collected Poems (Saint Paul,
Minnesota; Grey Wolf Press, 2005) p. 233.
37. Charles Spurgeon, “The Cause and Cure of a Wounded Spirit,” MTP, Vol. 42, Sermão 2494 (Ages
Digital Library, 1998), p. 786.
38. Spurgeon, “The Cause and Cure of a Wounded Spirit,” p. 786.
39. Charles Spurgeon, “Bells for the Horses,” em Sword and Trowel
(http://www.spurgeon.org/s_and_t/bells.htm), acessado em 13/12/13.
40. Timothy Rogers, (1660-1729) “Trouble of Mind, and the Disease of Melancholy,” citado em
Charles Spurgeon, The Treasury of David, Psalm 107, Explanatory Notes and Quaint Sayings
(http://www.spurgeon.org/treasury/ps107.htm), acessado em 13/12/13. Nota do revisor: Esta obra,
publicada originalmente em 1691, tem sido reeditada recentemente. Confira 2a. edição por Don Kistler.
Morgan (PA): Soli Deo Gloria, 2002, p. 396.
41. Spurgeon, “Means for Restoring the Banished,” Vol. 16, Sermão 950, p. 645.
42. Charles Spurgeon, “The Garden of the Soul,” MTP, Vol. 12, Sermão 693 (Ages Digital Library, 1998),
p. 370.
43. Charles Spurgeon, “Healing for the Wounded,” NPSP, Vol. 1, Sermão 53, The Spurgeon Archive
(http://www.spurgeon.org/sermons/0053.htm), acessado em 13/12/13.
44. Charles Spurgeon, “Our Youth Renewed,” MTP, Vol. 60, Sermão 3417 (Ages Digital Library, 1998), p.
462.
45. Charles Spurgeon, “The Cause and Cure of a Wounded Spirit,” MTP, Vol. 42, Sermão 2494 (Ages
Digital Library, 1998), pp. 791-792.
46. Charles Spurgeon, “Faintness and Refreshing,” MTP, Vol. 54, Sermão 3110 (Ages Digital Library, 98),
p. 590.
47. Charles Spurgeon, “Weak Hands and Feeble Knees,” NPSP, Vol. 5, Sermão 243, The Spurgeon
Archive (http://www.spurgeon.org/sermons/0243.htm), acessado em 13/12/13.
48. Charles Spurgeon, “Sweet Stimulants for the Fainting Soul,” MTP, Vol. 48, Sermão 2798 (Ages Digital
Library, 1998), p. 575.
49. Charles Spurgeon, “Smoking Flax,” MTP, Vol. 31, Sermão 1831 (Ages Digital Library, 1998), p. 224.
50. Charles Spurgeon, “The Frail Leaf,” MTP, Vol. 57, Sermão 3269 (Ages Digital Library, 1998), p. 595.
51. Charles Spurgeon, “Remembering God’s Works,” MTP, Vol. 49, Sermão 2849 (Ages Digital Library,
1998), p. 591.

CAPÍTULO 2: A Depressão e Nossas Circunstâncias

CAPÍTULO 2

A DEPRESSÃO E NOSSAS CIRCUNSTÂNCIAS

A mente pode desabar muito mais profundamente do que o corpo, pois nela há poços sem fundo. A carne pode suportar apenas um certo número de feridas e não mais, mas a alma pode sangrar de dez mil maneiras, e morrer repetidas vezes a cada hora.[10]

O guarda-chuva era cinza como as nuvens. Eu o segurei sobre eles enquanto se ajoelhavam na lama coberta com lona verde. Lá se ajoelharam debaixo da chuva, ao lado da cova. Lá se ajoelharam com a Bíblia aberta, lendo “eu sou a ressureição e a vida”. As páginas estavam manchadas pelos grandes pingos d’água, não tanto pela chuva, mas por suas lágrimas.

Choravam também em alta voz. Gritavam. Às vezes eram orações o que bradavam enquanto eu segurava o guarda-chuva e a multidão permanecia acinzentada e imóvel. Outras vezes era como se um choro profundo explodisse para apanhar as sílabas e mutilá-las, ao mesmo tempo em que ela balançava seu corpo para frente e para trás, enquanto ele permanecia de joelhos, parado, mas não quieto. Não conseguíamos decifrar suas frases. Mas não precisávamos. O significado estava claro. Um caixão tão pequeno para uma criança tão jovem não era algo que deveria acontecer.

Coisas na vida podem nos machucar, circunstâncias que não desejaríamos para ninguém nos fazem dizer, junto com o apóstolo Paulo, “nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro.” (2Co 7.5). Dentro de uma comunidade de circunstâncias gritantes, os sobreviventes uivam com racionalidade:

Ouviu-se um clamor em Ramá,
pranto, choro e grande lamento;
era Raquel chorando por seus filhos
e inconsolável porque não mais existem. (Mt 2.18)


Até mesmo a beleza de um milagre como o nascimento de uma criança pode originar palavras que não conseguem sair da cama, palavras como “pósparto”. “Quem há em nossa espécie humana que seja totalmente livre de aflições?” Charles nos pergunta. “Vasculhem por toda a terra, e em todo lugar, o espinheiro e a erva daninha serão encontrados”.[11]

“Há tempo de prantear” (Ec 3.4), não importa quem sejamos.

O PAPEL DAS CIRCUNSTÂNCIAS DOLOROSAS
Uma circunstância já partiu seu coração? “Há várias formas de um coração partido”[12], Charles nos lembra afetuosamente.

● Deserção: negligência ou traição por parte de um cônjuge, membro da família ou amigo.
● Perda ou privação: doença ou morte de alguém que amamos.
● Penúria: perda de emprego, tensão financeira, pobreza em relação às necessidades básicas.
● Desapontamento e Derrota: sonhos frustrados, objetivos bloqueados, tentativas fracassadas, inimigos vitoriosos.
● Culpa: remorsos, sofrimentos que causamos aos outros, pecados contra Deus.

Tantas outras circunstâncias além dessas podem nos traumatizar, aqui debaixo deste sol, neste mundo assolado por crimes e tsunamis. Os sábios da antiguidade nos ensinam que se entristecer com coisas tristes é sensato:

Melhor é ir à casa onde há luto
do que ir à casa onde há banquete,
pois naquela se vê o fim de todos os homens;
e os vivos que o tomem em consideração. (Ec 7.2)


Então, vamos lembrar a nós mesmos desde o início: por si só, a tristeza ou a dor “é um dom de Deus para nós. É como sobrevivemos.”[13]. É um ato de fé e sabedoria ficar triste com coisas tristes.

DEPRESSÃO COMO SINTOMA DE
CIRCUNSTÂNCIAS DOLOROSAS
Às vezes a tristeza em resposta a uma circunstância dolorosa pode tomar um rumo sombrio. Ela se transforma em algo diferente de si mesma. O luto não termina e a criatura sombria a que chamamos depressão desperta de sua toca.

“Há certas formas de doença”, observa Charles, “que afetam o cérebro e todo o sistema nervoso de tal forma que a depressão torna-se um sintoma melancólico da doença.”[14].

De forma bastante involuntária, a infelicidade da mente, a depressão do espírito e a aflição do coração virão sobre você. Você pode não ter nenhuma razão real para a tristeza e ainda pode vir a tornar-se um dentre os homens mais infelizes, porque, por ora, seu corpo subjuga a sua alma.[15]

Note que Charles fala da depressão como se nossas escolhas fossem anuladas. A depressão nos vem “involuntariamente”, como se a coisa tivesse vontade própria. Perceba também que não existe uma razão identificável para o tamanho dessa angústia. Exibimos a infelicidade da mente, não importa se as circunstâncias de nossa vida são boas ou más.

Tristezas multiplicadas também podem tomar um rumo sombrio em direção à depressão. “Provações atrás de provações” acabaram com todas as nossas esperanças.[16] As provas se tornam como ondas no mar que rolam sobre nós uma após a outra. Tal “acúmulo de dores, tormentas, fraquezas e aflições” pode causar sérios danos em nós.[17] Nosso barco começa a naufragar.

Ansiosos, enquanto as ondas nos sobrevêm, tampamos um buraco aqui outro acolá. A tempestade vai tomando forma. Nosso barco sobe e desce. Logo surgem mais buracos do que temos energia para tampar. As águas se quebram sobre nós. Esforçamo-nos o máximo que pudemos. A última onda passou do ponto. Nosso barco afundou. Nesse caso, essa depressão é mesmo “uma agonia fora de proporção”? Ou em meio a todo esse sofrimento a depressão em si já é a própria agonia?

Afinal de contas, para alguns de nós, fomos incapazes de viver qualquer outra cena se não aquela que nos massacrou. Fomos tragados tão profundamente que jamais conseguimos levantar a cabeça novamente. É como se, daquele tempo em diante, tivéssemos de prosseguir lamentando até nossas sepulturas.[18] As circunstâncias nos assombraram e prosseguiram fazendo-o. A depressão chegou e nunca partiu. Ela ainda nos assombra.

Talvez, em meio às nossas mais dolorosas circunstâncias, estão aquelas sofridas na infância. A depressão conquistou seu momento em nossa juventude e algo central em nosso temperamento é alterado permanentemente. Tornamo-nos como uma planta sensível, cujas gavinhas se enrolam ao toque. Desde então, nossas vidas exibem um constante encolhimento ao contato com outras pessoas. Não mais ousamos encarar o mundo19. Presumimos que o mundo nos persegue, sempre a fim de nos prejudicar.

Como então distinguir a diferença entre o dom da tristeza e o trauma da depressão circunstancial? Em seu aclamado livro, O Demônio do Meio-Dia; Uma Anatomia da Depressão, Andrew Solomon responde: “O pesar é a depressão proporcional à circunstância” enquanto “a depressão é um pesar desproporcional à circunstância.”[20].

Vamos fazer uma pausa por um instante e admitir quão feio pode ser o sofrimento ordinário em proporção à circunstância. Por exemplo, qual a proporção de sofrimento que faz sentido para o sobrevivente de um genocídio? E a respeito de uma mãe cujo filho foi assassinado, ou o pai cuja filha perdeu uma longa luta contra o câncer e morreu jovem? Como definimos o que é saudável e proporcional não pode ser mensurado por nossa própria impaciência pessoal ou decoro cultural. A cruel situação, por si própria, deve revelar a merecida proporção de sofrimento.

SEM CURA PARA A TRISTEZA
Nessa perspectiva, contrária ao que algumas pessoas nos dizem, a tristeza não é um sinal de indolência ou pecado, nem de pensamento negativo ou fraqueza. Pelo contrário, quando nos encontramos impacientes com a tristeza, revelamos nossa preferência pela insensatez, nossa resistência à sabedoria e nosso descaso por profundidade e proporção.

Então, quando vemos pessoas que estão sofrendo, e queremos impedi-las disso, não devemos subestimar o que elas tiveram de superar em suas vidas. A depressão exige ainda mais compaixão e aceitação. Elas pecam sim. Porém todos nós já fomos alvos de pecado também. Se conhecêssemos as provações que as atacaram, talvez descobriríamos também uma vida em que tristezas medonhas e olhares miseráveis visitam mais nossa memória do que queremos.

A memória é, afinal, uma coisa muito poderosa. Ela pode tanto nos abençoar quanto assombrar. Alguns de nós são assombrados em suas memórias. Circunstâncias deixaram suas cicatrizes. Tais pessoas precisam de misericórdia e não de olhares reprovadores. Afinal, no lado de cá do paraíso, “Não há cura para a tristeza”[21] ou para a inevitável realidade da depressão. Nenhum santo ou herói está imune. O espaço para chorar alto ou por muito tempo continua sendo fortemente necessário, merecido e nobremente humano.

Então, enquanto nos dirigimos ao nosso próximo capítulo, vamos segurar juntos o guarda-chuva ensopado, próximo à beira do túmulo, e estabelecer esta importante verdade: neste mundo caído, a tristeza é um ato de sanidade e nossas lágrimas, o testemunho daquilo que é são.

O QUE NOS ENSINA A DEPRESSÃO
ORIGINÁRIA DAS CIRCUNSTÂNCIAS
1. A fé cristã na terra não é nem escapismo nem paraíso. Charles fala sobre certos cristãos que, por sua posição de saúde e riqueza, sugerem que a perfeição, facilidade e imunidade às tribulações humanas descrevem o que a fidelidade a Jesus produz. Charles contradiz essa noção e descreve, ao invés disso, “o povo provado de Deus” que “não com frequência cavalga esses cavalos altos.” O número expressivo de suas ansiedades e preocupações os forçam a uma vida na qual devem frequentemente clamar a Deus e que expõe sua condição humana de simples mortais.[22]

2. Não equiparamos bênçãos espirituais com comodidade circunstancial. “Estou certo de que meus irmãos estão frequentemente em tribulações. A vida inteira deles é rastejar-se para sair de um pântano de desânimo e afundar em outro. Você teve muitas perdas nos negócios — nada mais além de perdas talvez; você teve muitas cruzes, privações, lutos, nada prospera com você (...) isso não é sinal, amado, de que você não é um filho de Deus (...) lembre-se que nenhuma de suas provações pode provar que você é um homem perdido.”[23]

3. Nós que não sofremos depressão circunstancial devemos aprender o cuidado pastoral para com aqueles que a sofrem. Quando uma pessoa “passou por uma experiência similar” de depressão, “ela usa outro tom de voz totalmente diferente. Ela sabe que, mesmo que seja algo sem sentido para os fortes, assim não o é para os fracos, e ela então adapta seus comentários de modo que anime” o sofredor “onde outros só infligem dor adicional. A você que tem o coração quebrantado, Jesus conhece todas as suas aflições, pois aflições semelhantes foram a sua porção” também.[24]


–– Zack Eswine / A Depressão de Spurgeon: Esperança realista em meio à angústia – PARTE 1 – Cap. 2 – Pág. 37-45

SUMÁRIO DA SÉRIE "A DEPRESSÃO DE SPURGEON: Esperança Realista em meio à Angústia"
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NOTAS:
10. Spurgeon, “Honey in the Mouth,” MTP, Vol. 37, Sermão 2213, p. 485.
11. Charles Spurgeon, “The Man of Sorrows,” MTP, Vol. 19, Sermão 1099 (Ages Digital Library, 1998),
p.155.
12. Charles Spurgeon, “Healing for the Wounded,” NPSP, Vol. 1, Sermão 53
(http://www.spurgeon.org/sermons/0053.htm), acessado em 13/12/13.
13. Rick Warren citado por Jaweed Kaleem, “Rick and Kay Warren Launch Mental Health Ministry at
Saddleback Church After Son’s Suicide,” (March 31, 2014: Huffington Post):
(http://www.huffingtonpost.com/2014/03/28/rick-warren-mental-health_n_5051129.html), acessado em
31/03/14.
14. Charles Spurgeon, “The Fear of Death,” MTP, Vol. 58, Sermão 3286 (Ages Digital Library, 198), p.
52.
15. Charles Spurgeon, “The Saddest Cry from the Cross,” MTP, Vol. 48, Sermão 2803 (Ages Digital
Library, 1998), p. 656.
16. Charles Spurgeon, “Sweet Stimulants for the Fainting Soul,” MTP, Vol. 48, Sermão 2798 (Ages Digital
Library, 1998), p. 575.
17. Charles Spurgeon, “Faintness and Refreshing,” MTP, Vol. 54, Sermão 3110 (Ages Digital Library,
1998), p. 591.
18. Charles Spurgeon, “Weak Hands and Feeble Knees,” NPSP, Vol. 5, Sermão 243
(http://www.spurgeon.org/sermons/0243.htm), acessado em 6/3/14.
19. ibid.
20. Andrew Solomon, O Demônio do Meio-dia: uma anatomia da depressão (São Paulo: Companhia
das Letras, 2014), p. 16.
21. Susanna Kaysen, “One Cheer for Melancholy,” em Unholy Ghost: Writers on Depression (New
York: Perennial, 2002), p. 41.
22. Charles Spurgeon, “Night and Jesus Not There!” MTP, Vol. 51, Sermão 2945 (Ages Digital Library,
1998), p. 457.
23. Charles Spurgeon, “The Believer Sinking in the Mire,” MTP, Vol. 11, Sermão 631 (Ages Digital
Library, 1998), p. 361.
24. Charles Spurgeon, “Binding Up Broken Hearts,” MTP, Vol. 54, Sermão 3104 (Ages Digital Library,
1998), p. 491.

SUMÁRIO DA SÉRIE "A DEPRESSÃO DE SPURGEON: Esperança Realista em meio à Angústia"

SUMÁRIO

Prefácio à Edição em Português

PARTE 1 – BUSCANDO ENTENDER A DEPRESSÃO
CAPÍTULO 1: A Estrada da Aflição
CAPÍTULO 2: A Depressão e Nossas Circunstâncias
CAPÍTULO 3: A Doença da Melancolia
CAPÍTULO 4: Depressão Espiritual


PARTE 2 - APRENDENDO A AJUDAR OS QUE SOFREM DE DEPRESSÃO
CAPÍTULO 5 - Diagnóstico Não Cura
CAPÍTULO 6 - Uma Linguagem para as nossas Aflições
Capítulo 7 - Ajudas que Fazem Mal
Capítulo 8 - Jesus e a Depressão

PARTE 3 - CONHECENDO FORMAS DE AJUDA PARA LIDAR DIARIAMENTE COM A DEPRESSÃO
Capítulo 9 - Promessas e Orações
Capítulo 10 - Ajudas Naturais
Capítulo 11 - O Suicídio e a Escolha pela Vida
Capítulo 12 - Os Benefícios da Aflição

CAPÍTULO 1: A Estrada da Aflição

CAPÍTULO 1

A ESTRADA DA AFLIÇÃO

A estrada da aflição tem sido bastante pisoteada; ela é a trilha regular das ovelhas para o Céu, e todo o rebanho de Deus tem tido de passar por ela.[4]

Como os atravessaremos? Os tempos que acabam com nosso fôlego, quando até mesmo os mais fortes e mais valentes dentre nós têm de admitir com os olhos desolados: “eu não sei o que orar” (parafraseando o que Paulo expressa em Romanos 8.26). Como atravessar tais momentos em que o silêncio supera as palavras? É como se nossas palavras não oferecessem coletes salva-vidas. Elas precisam manter-se flutuando em águas rasas e observar-nos a certa distância. As palavras não têm força para se aventurar conosco nas profundezas que nos tragam e engolem.

E muitos de nós que acreditamos em Jesus não gostamos de admitir isso, mas aqui também não encontramos imunidade. Muitos de nós sabemos o que é perder cabelo, peso, apetite e a nossa própria aparência física. Circunstâncias dolorosas ou uma disposição à tristeza em nossa química podem vestir botas enlameadas e colocar-se de pé, de uma maneira densa e pesada, sobre o nosso peito cansado. É quase como se a ansiedade estivesse amarrando uma corda ao redor dos calcanhares e mãos de nossa respiração. Presos a uma cadeira, com as luzes apagadas, assentados e, em pânico, engolindo o ar sombrio.

Esses tipos de circunstância e condição química de nosso corpo também podem roubar os dons do amor divino, como se o álbum fotográfico de Deus e todas as suas cartas de amor estivessem queimando em uma fogueira bem do outro lado da porta, uma fogueira que somos incapazes de apagar. Ali sentamo-nos, desamparados nas trevas da ausência divina, atados à cadeira, na presença de cinzas e ao som de nossa respiração ofegante, enquanto tudo o que prezamos parece perdido para sempre. Até nos questionamos se não fomos nós mesmos que causamos tudo isso. A culpa é nossa. Deus está contra nós. Perdemos o direito à ajuda de Deus. Mentalmente, tudo isso – e ainda é terça-feira! Como atravessamos isso?

NOSSA SENSAÇÃO DE DESAMPARO
Em uma manhã de novembro, um pregador chamado Charles Spurgeon usou sua pregação para descrever os ajudadores nocivos, que gostam de dizer aos deprimidos: “Oh! Você não deveria se sentir assim!” ou “Oh! Você não deveria dizer nem pensar tais coisas”.[5] Então, proferiu uma palavra em defesa daqueles que sofrem de depressão: “não é fácil dizer como uma outra pessoa deve sentir e como deve agir,” ele disse.

Somos diferentes, cada um de nós, mas tenho certeza de que há uma coisa em que todos somos unidos em tempos de profunda agonia, a saber, a sensação de desamparo.[6]

Sentimos o desamparo, sim, e a vergonha também. À semelhança de outros problemas relacionados à saúde mental, nós não falamos a respeito da depressão. E se falamos, ou sussurramos como se o assunto fosse escandaloso, ou o repreendemos como se fosse um pecado. Não é à toa que muitos de nós não procuram ajuda, pois quando o fazemos, aqueles que tentam ajudar apenas tornam mais constrangedora a situação.

Como é então que este pregador pôde se levantar publicamente em uma congregação e falar tão abertamente sobre a depressão? Ele era pastor de uma mega-igreja, uma das primeiras que houve. Era nos anos de 1800. Ele era britânico, vitoriano e batista. Como um rapaz como aquele estava falando tão abertamente sobre um assunto como esse?

A resposta é parcialmente revelada em meio ao luto que resultou de uma circunstância catastrófica. Apenas duas semanas antes desse sermão de início de novembro, quando falou sobre o desamparo e defendeu os depressivos, ele havia pregado para milhares de pessoas naquele exato local. Mas, enquanto pregava, um “brincalhão” gritou “Fogo!”. O pânico gerado deixou sete pessoas mortas e vinte e oito seriamente feridas.

Charles (posso chamá-lo assim?) tinha apenas vinte e dois anos de idade e abraçava o décimo mês de seu recente casamento. Ele e sua esposa estavam dobrando fraldas bem no auge de seu primeiro mês como pais de filhos gêmeos em uma casa nova e cheia de coisas ainda encaixotadas. Agora, com tantas pessoas mortas, jornais por toda Londres culpavam-no cruelmente e sem misericórdia. A tragédia sem sentido e a acusação pública quase acabaram com a sanidade mental de Charles, não só nesses momentos iniciais, mas também com os duradouros efeitos que trouxeram.

Inicio nossa conversa sobre depressão com esse sermão de novembro, em meio à honestidade confessa de um pastor à sua congregação. Eu inicio dessa forma, pois essa pregação revela o que o homem afligido disse na primeira vez que subiu novamente ao púlpito depois daquela “brincadeira” fatal. Ele começou — e espero que você também perceba o quão útil é isto — confessando publicamente sua condição humana:

Nesta manhã, quase me arrependo de ter me aventurado a ocupar esse púlpito, pois eu me sinto profundamente incapaz de pregar-lhes para seu bem. Eu tinha achado que o silêncio e o repouso dessa última quinzena já tivessem anulado os efeitos daquela terrível catástrofe, entretanto, ao voltar novamente ao mesmo local, e mais especificamente, ficando aqui em pé para me dirigir a vocês, sinto um pouco daquelas mesmas emoções dolorosas que quase me deixaram prostrado. Portanto me perdoem nesta manhã (...) fiquei completamente impossibilitado de estudar (...) Oh, Espírito de Deus, aperfeiçoa tua força na fraqueza de teu servo, e capacita-o para honrar a seu Senhor, mesmo quando sua alma está abatida em seu interior.[7]

O fato de que um pastor cristão tão proeminente tenha lutado contra a depressão, e dela tenha falado tão abertamente, convida-nos à amizade com um companheiro sofredor. Porque esse pastor e pregador saiu à luta com fé e dúvida, sofrimento e esperança, nós ganhamos um companheiro na jornada. Em meio a sua história, podemos começar a encontrar também a nossa própria. O que ele encontrou de Jesus na escuridão pode nos servir de luz para as nossas próprias trevas.

A AFLIÇÃO DO MEU AMADO
Chega um momento na vida da maior parte de nós em que não temos mais a força para nos levantar ou para fingir que somos fortes. Às vezes nossas mentes querem colapsar porque a vida nos pisoteou e Deus não a refreou. À semelhança de uma família que, de férias aos pés de uma montanha, assiste a um de seus entes queridos escorregar e cair sobre as pedras, exatamente quando tudo deveria ser bonito e divertido; ou como um pai cujo filho foi maltratado ou baleado enquanto estava na escola, Charles e aqueles que perderam seus amados naquele dia terrível tiveram de entrar em acordo com o sofrimento na casa de Deus, enquanto a Palavra era pregada e um brincalhão gargalhava.

Indagações enchem nossos pulmões. Nossa mente ofega. Ficamos entorpecidos. Quando estamos de férias, na escola ou na igreja, tal tipo de coisa não deveria acontecer ali.

Até mesmo os joelhos de um seguidor de Jesus se enfraquecem. A esposa de Charles, Susannah, disse a respeito de seu marido naquele tempo: “a aflição do meu amado era tão profunda e violenta que a razão parecia desfalecer em seu trono e, às vezes, temíamos que ele nunca mais pregasse.”[8]

Embora isso não possa ser dito de todos nós ou de todas as pessoas que amamos, nesse caso, Charles Spurgeon pregou novamente. Porém, aflições de todo o tipo o assombraram e perseguiram-no pelo resto de sua vida. Sua depressão veio não apenas em função das circunstâncias, ou questões sobre se era ou não consagrado a Deus, mas também em função da química de seu corpo. Deus nos deu um pregador que soube em primeira mão o que realmente é sentir sua razão cambalear, não apenas uma vez, mas muitas vezes durante sua vida e seu ministério. E, de alguma forma, esse companheiro sofredor chamado Charles e sua querida esposa Susannah (que também sofreu fisicamente a maior parte de sua vida adulta) ainda tiraram proveito disso, insistindo para si e para a sua geração que os aflitos têm mesmo um Salvador.

Naquela manhã de novembro, enfraquecido, Charles fez o que alguns de nós ainda não são capazes de fazer em meio às aflições; ele leu a Bíblia. Talvez isso irá confortá-lo ao saber que, por um instante, “a simples imagem da Bíblia” o fez chorar.[9] Muitos de nós sabem como é isso. Todavia esta passagem das Escrituras, Filipenses 2.9-11, “teve grande poder consolador em seu espírito aflito”:

E, achado na forma de homem, a si mesmo se humilhou, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome. (Fp 2.8-9)

A partir dessa passagem das Escrituras, Charles definiu diante de nós a maior história de sua esperança. O mesmo Pai Celestial que resgatou seu filho da lama, do tormento e dos maus tratos pode fazer o mesmo por nós.

ENCONTRANDO FORÇAS
Você pode ou não saber o que pensar sobre isso agora. Mas sabemos, com certeza, você e eu, que mais frequentemente do que queremos, nossas estradas são terra e calor, puramente formigas e mosquitos. Às vezes nossos pés não conseguem se mover quando a música toca.

Nós também sabemos (“não sabemos?”) que alguns de nossos amigos transpiram impaciência para conosco, os que têm de percorrer esses caminhos de aflição. O método deles se resume a piadas de bar, tapinhas nas costas e frases de efeito.

Eu não presumo que um pequeno livro como este possa curar tão grandes e profundas feridas ou que a história de uma pessoa, como Charles Spurgeon, por si mesma, possa trazer conforto em sua vida.

Porém, eu sei de algo, e pergunto: Você já percebeu que, quando nosso nariz fica vermelho e esfolado por causa do lenço ou nossos cabelos começam a cair, conseguimos até nos recompor para receber com prazer um bilhete escrito à mão de uma pessoa que nos deseja melhoras, ou o desenho de uma criança, mas não conseguimos aturar a palestra de um teólogo ou os escritos de um filósofo? Por isso, aquele amigo que gosta de ficar afirmando coisas, impaciente demais para ficar em silêncio, também terá de esperar para nos visitar em outro dia. Doentes por dentro, nosso estômago simplesmente não consegue digerir uma refeição inteira. Mas um pedacinho de biscoito pode ajudar. Um fragmento de gelo ou poucas sílabas de uma palavra amiga, escolhida no tempo certo, às vezes podem nos ajudar imensamente, não podem?

E ninguém deve pensar que os nutrientes vitais estão ausentes em uma dieta aparentemente tão escassa e em um momento tão estéril. Pelo contrário, os melancólicos que estão firmados graciosamente em Cristo testemunham com frequência sobre a nutrição surpreendente dada por alguns pedaços de pão diário. Dia após dia, a força os encontra e os conduz, embora não saibam como ou de onde vem o sustento.

Escrevo este livro esperando em oração que esses poucos fragmentos igualmente o nutram no sustento do Senhor. Quero ajudá-lo a atravessar. Deste modo, espero que você o possa receber da maneira que foi planejado, a saber, não como uma palavra exaustiva ou um tratado prosaico acerca da depressão, mas como um bilhete manuscrito de alguém que lhe deseja o bem. Bilhetes da graça, dos quais eu outrora também precisei desesperadamente.

–– Zack Eswine / A Depressão de Spurgeon: Esperança realista em meio à angústia – PARTE 1 – Cap. 1 – Pág. 27-35

SUMÁRIO DA SÉRIE "A DEPRESSÃO DE SPURGEON: Esperança Realista em meio à Angústia"
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4. Charles Spurgeon, “The Fainting Hero,” MTP, Vol. 55, Sermão 3131.
5. Charles Spurgeon, “A Exaltação de Cristo,” NPSP, Vol. 2, Sermão 101, (2 de novembro, 1856).
(http://www.monergismo.com/textos/chspurgeon/exaltacao-Cristo-sermao101_CH-Spurgeon.pdf).
6. ibid.
7. Charles Spurgeon, “A exaltação de Cristo,” NPSP, Vol. 2, Sermão 101.
8. Charles Ray, The Life of Susannah Spurgeon, em Morning Devotions by Susannah Spurgeon:
Free Grace and Dying Love (Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 2006), p. 166.
9. Charles Spurgeon, “Honey in the Mouth,” MTP, Vol. 37, Sermão 2213 (Ages Digital Library, 1998),
p.485.

PREFÁCIO À EDIÇÃO EM PORTUGÊS | Gilson Santos

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) foi um pregador batista britânico que pastoreou o Tabernáculo Metropolitano em Londres. Havendo exercito um ministério muito influente em grande parte do mundo, o seu monumental trabalho, inclusive o vastíssimo material escrito, constitui-se em um legado singular na história do Cristianismo Protestante. Sua vocação notória para a pregação bíblica, bem como os marcos norteadores de sua teologia, renderam-lhe os títulos de “O Príncipe dos Pregadores” e “O Último dos Puritanos”.

Alguém no meio cristão evangélico colocaria em questão a importância do pensamento de Spurgeon? Há alguém que ignore que ele é considerado um “campeão da fé”, do púlpito, do ministério pastoral e da controvérsia evangélico-reformada? O que uma pessoa assim teria a comunicar sobre a depressão? Neste livro, Zack Eswine trabalha principalmente com a sermonística de Spurgeon. Percebe-se que, em rigor, o que o autor pretende é solicitar que o próprio Spurgeon ofereça a sua ajuda pastoral àqueles que sofrem de depressão. Pensar que um homem como Spurgeon lidou com este assunto, tanto na experiência pessoal quanto no púlpito, pode ser de imensa relevância hoje em dia e, talvez, surpreendente para muitos.

Observe-se, inicialmente, que o cuidado pastoral de Spurgeon, alinhado em seus principais referenciais teóricos com a tradição puritana (conquanto em alguns aspectos também se posicionasse criticamente em relação a ela), era pautado pelas Escrituras Sagradas, buscando nestas a luz para lidar com os problemas de seu rebanho. Como ele mesmo disse: “Creio em uma inspiração plenária e humildemente olho para o Senhor em busca de um cumprimento plenário de cada frase que Ele fez registrar”.

Um segundo aspecto a ser observado no cuidado pastoral de Spurgeon é o seu meticuloso esforço por encontrar o ensino das Escrituras Sagradas acerca do “coração” e “alma” humanos. Isto é, ele esforçou-se para alcançar uma compreensão bíblica daquilo que se convenciona chamar de “vida interior” do homem, e da relação que esta possui com o comportamento exterior. Depois de Cristo, há de se duvidar que algum personagem bíblico tenha conhecido tão bem a alma humana quanto Davi; também é de se duvidar que alguém tenha conhecido tão bem o coração de Davi quanto Spurgeon. A opus magna de Spurgeon é O Tesouro de Davi, cujos volumes contêm uma profunda investigação dos Salmos e nos oferecem uma igualmente profunda percepção da alma humana.

A convicção de Spurgeon era que a revelação divina que está na Bíblia não oferece apenas a verdade fidedigna e mais elevada acerca de Deus, mas também da verdadeira e mais profunda natureza humana. Desta forma, somente à luz das Escrituras o ser humano é capaz de perceber desde o começo a realidade sobre o próprio coração, em vez de ficar tateando sem rumo no escuro, ou, por fim, acabar em um beco sem saída. Em seu cuidado pastoral, Spurgeon procurava chegar perto do coração de sua ovelha. É no coração que o ser humano se encontra posicionado, para bem ou para mal, em relação a Deus ou aos ídolos. Foi para tal profundidade interior que ele procurou dirigir o seu cuidado pastoral.

Um terceiro aspecto é que Spurgeon, submetido à luz da Escritura Sagrada, e tal como aprendia dos sábios dos tempos bíblicos, notavelmente no Antigo Testamento, também não se esquivou de observar a pessoa humana neste mundo “debaixo do sol”, criado por Deus e regulado por leis que Ele mesmo estabeleceu. Protótipos dos conselheiros encontrados no registro bíblico, os sábios, orientados pelo princípio do “temor do Senhor”, observavam com discernimento e judiciosamente o mundo criado por Deus, a fim de extrair compreensões acerca da pessoa humana, inclusive em sua própria experiência, confrontando-as com a palavra normativa e autoritativa do Senhor. O sábio do Antigo Testamento é alguém distinguido por uma sabedoria que lhe dá discernimento, critério e medida justamente por observar e refletir na Escritura e na criação, no temor e amor a Deus. Deste movimento, derivava um conhecimento que não era apenas descritivo mas também prescritivo, como se pode observar com clareza no livro de Provérbios. O leitor observará a prática de tal princípio aqui neste livro, onde Spurgeon recorre, inclusive, à sua experiência pessoal.

Assim, afirmados os indubitáveis compromissos de Spurgeon com a Bíblia, é necessário lembrar que nem tudo o que podemos saber sobre o homem está registrado na Bíblia. A Bíblia não nos dá uma resposta concreta e específica a toda e qualquer pergunta. Nesse sentido, Spurgeon, alinhado à tradição reformado-puritana, encontrava o seu ponto de partida na Bíblia, e usava a luz esplêndida que a Bíblia lança sobre toda a criação a fim de adquirir mais conhecimento sobre o homem por meio da observação, e para interagir criticamente com áreas mais específicas de pesquisa e experimentação. Ele esforçava-se por responder, ao espírito e à luz da Bíblia, as questões não tratadas diretamente pela Bíblia. Sua intenção era, entretanto, ser fiel à Bíblia, a saber, fiel à forma ou ensino pelo qual a Bíblia em geral se expressa, embora procurasse derivar dela o seu conhecimento mais essencial e profundo acerca do ser humano. Devotado à pregação, ao ensino e à aplicação bíblica, a abordagem de Spurgeon era, definidamente, aquela denominada de Sola Scriptura (“somente a Bíblia”), não postulando, portanto, a abordagem geralmente conhecida como Nuda Scriptura (“a Bíblia sozinha”).

Dessa maneira, em quarto lugar, o leitor poderá observar neste livro que Spurgeon não estabelecia uma abordagem aprioristicamente antitética entre o seu cuidado pastoral e os estudos ou conclusões das ciências, e particularmente no assunto aqui abordado, da medicina e de pesquisas psicológicas de seus dias. Nisso, mais uma vez, ele se encontrava alinhado com a fé reformada, notadamente a puritana, a qual valorizou grandemente a experimentação empírica. Através da história do cristianismo, a ciência tem sido vista, fundamentalmente, como um dom de Deus, embora cristãos amadurecidos não a tiveram simploriamente como infalível ou neutra por definição em relação a Deus – o que pode ser particularmente observado a partir de meados do século dezenove. Assim, cristãos têm preferido uma abordagem positivamente crítica em relação à ciência, e no caso de Spurgeon, o que se vislumbra é o manejo das Escrituras Sagradas como a “vara de medir”.

O que temos dito já nos permite situar, assim, a abordagem de Spurgeon para a depressão. Representante da clássica poimênica puritana, Spurgeon alinhava-se à tradição de muitos pregadores e escritores em seu entendimento sobre as depressões e senso de “deserção espiritual”, os quais utilizavam-se das experiências de Jó (13, 16, 19, 31), Asafe (Sl 77) e Hemã (Sl 88), bem como outros exemplos escriturísticos, a fim de exemplificá-las. De um modo geral, essa tradição sustentava três contextos ou categorias para as depressões. O leitor deve atentar para o fato de que Eswine propõe igualmente uma tríplice categorização na primeira unidade deste livro, e isso deve ser tomado em contexto especialmente na leitura do capítulo oito, “Jesus e a Depressão”. Assim, por um lado, algo muito importante na abordagem de Spurgeon é que ela não reduz a depressão a uma questão de medicina.

Neste ponto, porém, algo mais deve ser dito. Os conceitos de saúde e doença experimentaram com a medicina grega uma importante inflexão. Hipócrates de Cós (460–377 a.C.), considerado o pai da Medicina, e Galeno de Pérgamo (ca. 129–217) propuseram uma medicina humoral, caracterizada pela valorização da observação empírica. Desde o início, os puritanos valeram-se de contribuições da medicina hipocrático-galênica e recorreram ao conceito de “melancolia”, que era usualmente utilizado por eles para definir a condição de depressão para a qual o sujeito não podia oferecer nenhuma razão coerente, e que resultava de causas naturais (“constitucionais”), em distinção das causas definidamente espirituais ou circunstanciais. Nesse contexto militaram, por exemplo, o pastor e “médico leigo” Richard Baxter (1615-1691), Timothy Rogers (1658–1728), em seu volumoso tratado sobre os problemas da mente e a doença da melancolia, Jonathan Edwards (1703-1758) e muitos outros. O cuidado pastoral desses homens expressou a abordagem puritana padrão para a depressão, conquanto também tenha havido alguma variação quanto ao foco ou contexto. Assim, é compreensível que nessa tradição, Richard Baxter tenha recomendado medicamentos em um dos seus sermões sobre o assunto, e Thomas Brooks (1608–1680) tenha escrito em uma nota de rodapé que “a cura da melancolia pertence ao médico em vez do ministro religioso; a Galeno em vez de Paulo”. Pela época de Spurgeon, já estava grandemente superado o conceito humoral de melancolia, que se supunha resultar da prevalência de um fluido que modulava o temperamento. Não obstante, permanecia o entendimento de que ela resultava de causas naturais (“constitucionais”) e de que podia ser detectada por meio de observação empírica, inclusive pelo ministro em seu cuidado pastoral. Neste particular, no século dezenove, Spurgeon não era exatamente um “inovador” nessa abordagem poimênica; ao contrário, era herdeiro e o último grande representante dela, antes do alvorecer do século vinte.

Por fim, é muito significativo que Spurgeon, igualmente alinhado na mesma tradição puritana, haja tratado ampla e regularmente deste tema em sua pregação. Neste tempo em que os mais maduros expositores bíblicos acautelam-se, com razão, de uma sermonística degenerada em discursos de auto-ajuda, é igualmente vital resgatar o entendimento de que os sofrimentos e problemas no cotidiano das pessoas não podem ser negligenciados pelo cuidado pastoral de um modo mais amplo e pelo púlpito em particular.

O livro que o leitor tem em mãos pode contribuir para uma pastoral reformada no contexto do sofrimento. Zack Eswine encontra em Spurgeon grande encorajamento para o problema que também conhece por experiência pessoal. A sua intenção é que “as aflições de Spurgeon” ofereçam “esperança realista para aqueles que sofrem de depressão”. E o autor sublinha que “a esperança realista é algo saturado de Jesus”. O profeta Isaías apresenta Cristo como “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3), e o escritor da Epístola aos Hebreus enfatiza que “não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15); logo, “naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18). Neste livro, o leitor encontrará a conclusão de Spurgeon de que a “simpatia” de Cristo com os nossos sofrimentos inclui o sofrimento mental. A pessoa que sofre de depressão pode, então, encontrar em Cristo um bom amigo para a sua aflição, pois Cristo sabe o que é este padecer.
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* Gilson Carlos de Souza Santos possui bacharelado em Teologia, formação em Psicologia, e licenciaturas em História e Geografia. É concluinte de uma especialização em Avaliação Psicológica Clínica, e aluno de especialização em Psicopatologia na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com atuação prática no Centro de Atenção Integral à Saúde Mental (antigo “Hospital Psiquiátrico da Vila Mariana”). Exerce atividades pastorais desde 1987 e docentes desde 1988. Preside desde 1999 o corpo pastoral da Igreja Batista da Graça em São José dos Campos, São Paulo. Integra o conselho administrativo do Seminário Martin Bucer no Brasil, no qual leciona especialmente disciplinas na área pastoral. www.gilsonsantos.com

QUEM É O JP PADILHA? QUAL É A SUA PROFISSÃO?

Se você me perguntar o que eu sou, eu lhe responderei: "sou esposo". Se você insistir, lhe responderei: "sou pai". Você ...