Como congregar ao nome do Senhor? | Mario Persona



É uma alegria saber como o Senhor têm aberto os olhos de vocês para a ruína que há hoje na cristandade, e especialmente para buscarem honrá-Lo na simplicidade de estarem congregados em nome dEle, para Ele (Mt 18.20).

O próximo passo será vocês pedirem a comunhão à mesa do Senhor na assembleia mais próxima de vocês. Provavelmente vocês visitarão os irmãos lá ou eles visitarão vocês aí para conversarem mais e se conhecerem melhor. Não se espante se parecer que existe um zelo excessivo, mas isso não significa que vocês não sejam bem vindos ou amados. Significa apenas que, no atual estado da cristandade, é importante que aqueles que são responsáveis por manter a santidade da “casa de Deus” sejam criteriosos quanto ao recebimento à comunhão.

Cabe à assembleia local receber alguém à mesa do Senhor, e isso é feito com base na análise dessa pessoa para saber se ela está contaminada moral ou doutrinariamente. Da mesma forma, alguém que já está em comunhão pode ser excluído da comunhão caso caia em pecado ou contaminação (as instruções para isso você encontra em 1 Coríntios 5). Mesmo uma exclusão tem o caráter de disciplina e restauração, não de rejeição ou ódio. Um pai não ama menos um filho que põe de castigo, apesar de deixar de conversar com ele e impor certas restrições quanto ao convívio com os outros membros da família.

Normalmente as denominações religiosas enxergam na Bíblia apenas a “ceia do Senhor”, sem darem atenção à “mesa do Senhor”, e utilizam o batismo como forma de ingresso à comunhão daquela denominação em particular. Isso não tem base nas Escrituras.

No princípio a coisa era mais simples, pois não havia heresias ou divisões. Então, quando alguém se convertia era logo recebido à comunhão desde que apresentasse provas de estar limpo das práticas que tinha em sua incredulidade (idolatria, por exemplo). Hoje, com a confusão que há na cristandade, é preciso ser mais criterioso, pois não sabemos quem é a pessoa que está vindo participar da ceia. Hoje você encontra por aí pessoas que se dizem cristãs e negam a divindade de Cristo. Outras afirmam que Jesus poderia ter pecado. Há ainda quem acredite que a salvação seja pelas obras. É preciso ter essas questões claramente resolvidas antes de alguém entrar em comunhão conosco, pois a mesa é o lugar de comunhão, e, ao comer com alguém, estou me associando a essa pessoa.

Além desses erros doutrinários, o fato de uma pessoa partir o pão em uma denominação e ao mesmo tempo querer partir o pão com irmãos reunidos ao nome do Senhor cria uma incoerência. Ela não pode, ao mesmo tempo, dar um testemunho prático de que os cristãos fazem parte de um só corpo enquanto comunga com as ideias e princípios de uma denominação, a qual divide os crentes por um nome institucional, que não é o de Jesus e não é inclusivo o suficiente para ser levado por TODOS os salvos.

Quando falamos do lugar de reunião que Deus institui na Sua Palavra, algumas coisas são essenciais que você reconheça: a base ou fundamento é reconhecer o corpo de Cristo como um só e que TODOS os salvos são membros desse mesmo corpo, e reconhecer a autoridade do Senhor delegada à assembleia quando reunida ao Seu nome. Outra coisa essencial é o julgamento de pecado (com a autoridade do Senhor conforme vemos em 1 Coríntios 5). Um grupo de cristãos que não reconheça o princípio da unidade do corpo (reconhecendo TODOS os salvos como membros da única Igreja) e que deixe o pecado passar sem julgamento não pode ter a mesa do Senhor.

Outro ponto importante a ser reconhecido é que não pode existir independência num corpo que é todo interligado. Eu entendo que o recebimento de alguém à mesa do Senhor é feito através da autoridade do Senhor dada à assembleia local. Uma vez tomada uma decisão de receber (ligar) alguém, essa decisão deve ser respeitada por todas as assembleias em comunhão, o mesmo acontecendo com a decisão de “desligar”, que é excluir (ou “excomungar” = excluir da comunhão, como se dizia no passado) alguém por algum pecado. Não pode existir independência quando a decisão é tomada com a autoridade do Senhor. Um criminoso em uma cidade é criminoso na outra, segundo a lei de nosso país. Não fica a cargo de cada prefeito em cada cidade decidir.

Assim, uma pessoa recebida à comunhão à mesa do Senhor estará em comunhão à mesa do Senhor, onde quer que essa mesa esteja estabelecida. Se ela viajar a uma localidade onde os irmãos ali não a conhecem, deve levar consigo uma carta de recomendação da assembleia onde está congregada. Cartas de recomendação podem ser encontradas nas epístolas. Uma pessoa excluída da comunhão à mesa do Senhor estará excluída em qualquer lugar onde a mesa do Senhor estiver estabelecida, e as assembleias que aquela pessoa eventualmente frequentasse são avisadas também.

E antes que me perguntem, assim como acontece com toda autoridade delegada, as decisões tomadas em nome do Senhor têm o respaldo do Senhor (“será ligado no céu”), porém, não são infalíveis, como não é infalível a decisão de qualquer juiz humano. Pode ocorrer de uma assembleia se equivocar e precisar depois voltar atrás. Quando isso acontece, a “vítima” do equívoco deve simplesmente aguardar que o Senhor esclareça as coisas. Neste caso é importante que ela enxergue o próprio Senhor como a “instância superior” à qual podemos apelar.

Veja mais aqui sobre estes assuntos:
http://www.respondi.com.br/2010/11/o-que-fazer-agora-que-me-apartei.html
http://www.respondi.com.br/2010/11/devo-sair-da-igreja.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/o-que-significa-mesa-do-senhor.html
http://www.respondi.com.br/2010/04/o-que-fazer-para-me-congregar-ao-nome.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/como-celebrar-ceia-do-senhor.html
http://www.respondi.com.br/2007/12/como-voce-entende-expressao-casa-de.html
http://www.respondi.com.br/2010/04/voces-se-congregam-como-na-igreja.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/qual-o-verdadeiro-lugar-de-adorao.html
http://www.respondi.com.br/2010/04/com-que-frequencia-voces-se-reunem.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/onde-celebrar-ceia-do-senhor.html

– Mario Persona
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NÃO SE PODE "DESIGREJAR" A IGREJA | JP Padilha



Não frequentamos templos de pedras e tijolos, onde Deus não habita, mas somos templos vivos dEle (2Co 6.16b). Pessoas, e não denominações, são a Igreja.

“Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?” (Atos 7.48-49).

– JP Padilha
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Quem são os Filhos de Deus que fizeram filhos nas mulheres em Gênesis 6? | JP Padilha


Hoje vemos a maioria das pessoas usando a expressão “filhos de Deus” para designar todos os seres humanos. Isso é um erro. A Bíblia não chama qualquer um de filho de Deus. Todos nós nascemos sendo criaturas de Deus, e nem todas as pessoas deixam de ser criaturas, pois irão continuar sem Pai pela eternidade (o Pai celestial). A expressão “filhos de Deus” é hoje usada de forma genérica. Porém, se consultarmos a Bíblia, descobriremos que existe uma distinção entre “criaturas de Deus” e “filhos de Deus”. O evangelho de João explica quem são biblicamente considerados filhos de Deus:

"Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam (receberam a Jesus), deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (João 1.11-13 – grifo meu).

Quando João diz que Deus deu poder de tornarem-se filhos aqueles que receberam a Jesus, significa que estes que se tornaram filhos de Deus nasceram de novo (ou nasceram do alto; ou nasceram de Deus). Tornar-se filho de Deus significa nascer de novo. Se uma pessoa não nasce de novo, do Espírito, ela continua sendo apenas uma criatura de Deus (Gn 1.27; 5.1-2).

Dito isso, vamos à passagem de Gênesis 6.2,4. Aqui será mostrado que há outro sentido para o termo “filhos de Deus”:

“Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram (...). Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama".

Preste muita atenção agora. Em Gênesis 6, onde acabamos de ver a expressão “filhos de Deus”, o termo em nada tem a ver com pessoas nascidas de novo. O contexto da passagem nos mostra que seriam anjos (provavelmente anjos caídos – demônios). Podemos conciliar este texto com Jó 1.6: “E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles”. Em Jó 2.1 a cena se repete: “E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles, apresentar-se perante o SENHOR”. No capítulo 38, quando se fala de um tempo antes da criação do mundo, lemos o seguinte: “Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?” (Jó 38.7).

Portanto, diante de uma análise textual literal e consistente das Escrituras, podemos concluir que os “filhos de Deus” nesses contextos se tratam de anjos. Os anjos fizeram sexo com as mulheres e estas deram a luz a gigantes. Note-se, porém, que o termo “gigantes” veio de uma tradução posterior. O termo original usado na língua hebraica é Nefilins, que literalmente significa “os caídos” em hebraico. Refere-se especificamente aos anjos que estavam “caídos” e habitando em meio à humanidade naquela época. Trata-se de uma segunda queda de anjos que ocorreu.

Estes mesmos “filhos de Deus” que visitaram este planeta há muito tempo tentaram criar uma raça híbrida, uma das razões do posterior dilúvio. Uma raça híbrida seria o resultado do cruzamento entre duas espécies diferentes, ou entre duas linhagens puras de uma mesma espécie. Um exemplo disso é o cruzamento entre animais de espécies ou raças diferentes. O cruzamento de uma égua com um jumento resulta em um burro ou mula, tendo a esterilidade como sua principal característica. Daí a razão da aversão de Deus pelo que os anjos fizeram com as mulheres em Gênesis 6.

De certa forma, nos dias de hoje, esses “extraterrestres” ou “anjos caídos” frequentemente aparecem por aí. Alguns já estão no inferno. No Novo Testamento é dito que “não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça, o fim dos quais será conforme as suas obras” (2 Coríntios 11.14-15). Mas, aqui eu me refiro somente aos “ministros transfigurados em ministros da justiça”, não aos anjos que caíram na segunda queda, uma vez que eles estão no abismo, diferentemente de Satanás e seus demônios que permanecem por um tempo na terra.

No sentido da criação de filhos originais, os únicos criados diretamente por Deus foram Adão e os anjos, que são os únicos chamados de “filhos de Deus” no Antigo Testamento. Hoje, quem crê em Cristo é chamado de “filho de Deus” porque nasceu de Deus. Fora de Cristo, ninguém é filho de Deus. É criatura de Deus. Sendo assim, podemos dizer que a maioria da humanidade é composta por criaturas de Deus, não por filhos de Deus.

OS ANJOS POSSUEM SEXO DEFINIDO?

Algumas pessoas têm dificuldade em acreditar que anjos tiveram relação sexual com mulheres. Elas costumam alegar que anjos não têm sexo definido porque a Bíblia diz que “no Céu seremos como os anjos que não se casam, nem se dão em casamento” (Mt 22.30). No entanto, existe um grande erro nesta interpretação de Mateus 22.30. Onde neste versículo é dito que os anjos não têm sexo? Usar o texto que diz que os crentes “serão como os anjos no Céu que não se casam nem se dão em casamento” é uma falácia injustificável. Jesus aqui está falando que não haverá casamento no Céu, e não que os anjos não têm sexo. Tanto isso é verdade, que o casamento é “até que a morte os separe”. O assunto de Gênesis 6 é sobre sexo entre anjos caídos e mulheres, e não sobre casamento. Sexo é uma coisa. Casamento é outra. Os anjos têm sexo sim. Ninguém com sexo indefinido tem nome de Miguel ou Gabriel. Não existe um texto bíblico sequer que afirme que os anjos não têm sexo. Nenhum!

OS ANJOS PODEM SE MATERIALIZAR?

Outras pessoas, por falta de conhecimento, dizem que não existe nenhum versículo que mostre anjos se materializando como um ser humano. Elas duvidam da possibilidade de anjos gerarem filhos em mulheres na terra e pensam que Deus não poderia ter dado tal poder a esses anjos. Todavia, existe sim passagem que mostra anjos vindo em carne e osso à terra.

Primeiramente, o que gera filhos é o ato sexual, e João 1 mostra que isso pode acontecer por “vontade da carne” e “vontade do homem”.

Vemos na Bíblia que Satanás pode se transfigurar em um corpo físico, não somente com aparência de homem, mas de animais, como fez no Jardim do Éden, assumindo um corpo de serpente (Gn 3).

Lembremo-nos de que os homens de Sodoma queriam abusar sexualmente dos anjos que lá estavam em forma corpórea, na casa de Ló (Gn 19.1-25) . Sendo assim, estes anjos estavam lá com corpos tangíveis.

A Bíblia não faz distinção entre a natureza dos anjos fieis e dos anjos caídos. As duas classes são de anjos. Portanto, são capazes das mesmas coisas. A única coisa que os anjos fieis não fazem é pecar.

HOUVE MESMO UMA
SEGUNDA QUEDA DE ANJOS?


Outra evidência de que Gênesis 6 está falando de uma segunda queda de anjos está em Judas 1.6, que diz: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia". Existem diferentes traduções para “habitação”, que podem significar tanto um corpo como um estado original. Neste caso, não se trata necessariamente de anjos que já tinham caído ao seguirem Satanás antes da criação do mundo. Essa segunda queda de anjos recebeu um castigo distinto que os da primeira queda. Observemos Judas 1.6-7: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia; assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Judas 1.6-7).

Enquanto o diabo e os anjos que o acompanharam caíram em pecado por orgulho, esta segunda queda de Gênesis 6 foi motivada por concupiscência (desejos carnais).

Os anjos da primeira queda estão soltos na terra, como vemos em vários trechos da Bíblia. Vou citar alguns exemplos: No livro de Jó, quando Deus pergunta de onde Satanás vem, ele responde: “de rodear a terra e passear por ela” (Jó 2.2). Outro exemplo é quando ele tentou Jesus no deserto (Mt 4.1-3). Outro exemplo é a própria serpente no Éden (Gn 3). Pedro nos alerta sobre a atividade terrena de Satanás ao dizer: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1 Pedro 5.8-9).

Já os anjos que caíram em Gênesis 6 fazem parte de uma segunda queda e estes estão presos até que aconteça o Grande Trono Branco (o Juízo Final – cf. Jd 1.6-7). Eles não estão em atividade terrena como os que caíram juntamente com Satanás anteriormente.

Judas fala claramente dos anjos que não guardaram seu primeiro estado. A referência não é à queda de Satanás e dos seus anjos, pois, como bem sabemos, eles não estão atualmente acorrentados, mas podem vagar de um lado para o outro nesta terra. Em Gênesis 6 se fala de uma segunda queda dos anjos. O segredo da queda de Satanás foi o orgulho, pelo qual ele procurou exaltar-se ao trono de Deus. O segredo desta segunda queda dos anjos foi a luxúria, pela qual eles deixaram a sua própria habitação e não mantiveram o seu primeiro estado (Jd 1.6).

– JP Padilha
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TENHAM FILHOS – ISTO É UM MANDAMENTO | JP Padilha


“Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer;” (1 Timóteo 5.14)! E agora? Além da ordem na criação para “procriar e se multiplicar” (Gn 1.28), ainda temos a ordem direta do Espírito Santo às mulheres, sem dar explicações do porquê elas devem ter filhos. Simplesmente o Senhor ordena: “Gerem filhos”. E agora? Quem é cristão de verdade certamente não hesitará em ter filhos, independente das circunstâncias da vida.

FILHOS SÃO BÊNÇÃOS

“Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos que um homem tem na sua juventude. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, mas falarão com os seus inimigos à porta” (Salmos 127.3-5).

Vivemos numa sociedade anti-filhos. Já discuti demais com feministas por causa disso. Essa geração está perdida. Quando não são anti-filhos, são anti-2 filhos. Ou seja, não pode ter mais de um porque, segundo essas pessoas, é impossível criá-los com o que o mundo tem de melhor. Mas o salmo 127 vai no ponto: É DEUS QUEM SUSTENTA A FAMÍLIA, não o homem.

UM EXEMPLO DE FÉ

Mario Persona comenta o seguinte em um de seus artigos sobre o assunto:

“Acredito que Noé ainda não tivesse filhos quando foi avisado por Deus que o mundo seria destruído por um dilúvio. Lendo a história toda, do capítulo 5 ao 9 de Gênesis, e fazendo algumas contas com as idades também de outros capítulos, você irá descobrir que Noé não tinha filhos quando soube que o mundo iria terminar e foi instruído a construir a arca.

Se você já escutou algum casal dizer que não quer filhos porque o mundo está ruim, então já dá para ter uma ideia do que Deus pensa disso. Noé não só vivia em um mundo ruim; Noé vivia em um mundo condenado a ser destruído, um mundo com data de vencimento. Mesmo assim ele decidiu ter filhos, pois era um homem de fé. É disto que estou falando, da fé que confia e espera em Deus e não se aflige com as circunstâncias”.

Leia o artigo completo aqui: “Noé tinha filhos quando foi avisado do fim do mundo?”
https://jppadilhabiblia.blogspot.com/2020/01/noe-tinha-filhos-quando-foi-avisado-do.html?fbclid=IwY2xjawKbB2lleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFVbEluVE5IM1RXQkE2VUx6AR6L1OANYCmKQcSqR8Nts6mwmQkdcVil3cKXZcvZmcKst7naHD3s2P9ykbg4ww_aem_N4r0ErHHIxvCuBg0r5gpEw

TER FILHOS É IDOLATRIA OU OBEDIÊNCIA AO SENHOR?

Ageu Magalhães comenta neste pequeno artigo dele:

“Filhos podem se tornar ídolos, assim como qualquer coisa que ocupe o lugar de Deus. Todavia, não querer ter filhos alegando idolatria é desobedecer a Deus e usar a idolatria como desculpa. Devemos ter filhos por alguns motivos:

1. Filhos são bênçãos do Senhor. “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” (Salmos 127.3). “Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR!” (Salmos 128.3,4). Herança, galardão, videira frutífera e rebentos da oliveira são palavras que apontam para a preciosidade que é ter filhos.

2. Filhos crentes são instrumentos de Deus para transformação do mundo. “Como flechas na mão do guerreiro, assim são os filhos que o homem tem na mocidade” (Salmos 127.4). “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

3. Filhos são fonte de grande alegria. “Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado quando pleitear com os inimigos à porta” (Salmos 127.5). “Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” (Provérbios 29.17). “Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar a um sábio nele se alegrará” (Provérbios 23.24).

OBJEÇÕES E RESPOSTAS:

“Mas... filho custa muito caro...” – Muito provavelmente teus avós criaram mais filhos e com bem menos renda que você. O problema da nossa geração é que o materialismo infunde nas pessoas a ideia de que os filhos têm que ter do bom e do melhor: a melhor escola, as melhores roupas, os melhores eletrônicos... A maioria de nós cresceu com pouco e deveria valorizar isso.

“Mas... filho dá muito trabalho...” – Se você pensar bem, tudo na vida dá trabalho. Terminar os estudos dá trabalho, conseguir manter-se em uma carreira profissional dá trabalho, cuidar de relacionamentos dá trabalho, etc. A questão é: o Deus que nos manda ter filhos não nos deixa sozinhos. É ele quem nos capacita a criá-los. Assim, criar filhos para o Senhor vai dar trabalho, mas somos ajudados por Ele e abençoados em toda a jornada. Ademais, alguns de nós demos muito trabalho aos nossos pais. Pergunte a eles se estão arrependidos de terem te criado.

Por fim, se ter muitos filhos é idolatria, Jó, Jacó, Gideão, Noé, José e outros homens abençoados por Deus estiveram em grandes pecados. Não dê ouvidos a quem quer justificar seus erros inventando razões que não estão na Bíblia. Tenha filhos! São bênçãos de Deus! Se não pode tê-los naturalmente, adote. Deus será contigo”. (Comentário de Ageu Magalhães)

A estratégia do diabo desde o princípio tem sido frustrar o primeiro mandamento dado pelo Senhor. – “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos” (Gênesis 1.28).

Como o diabo faz isso?

– Matando Abel (Gn 4.8);
– Corrompendo a humanidade, criando híbridos de anjos (Gn 6.2);
– Assassinando bebês machos (Ex 1.22);
– Proibindo casamento entre macho e fêmea (1Tm 4.3), etc.

Satanás está interessado em eliminar a espécie humana por estes e outros meios, tais como esterilização em massa, lei do aborto, e, assim, frustrar o primeiro mandamento do Senhor no Éden.

Evitar ter filhos é pecado. Camisinhas, anticoncepcionais (que são comprovadamente abortivos, assim como a "pílula do dia seguinte"), entre outros, são várias formas de se pecar contra Deus ao evitar ter filhos, não importando o motivo pelo qual o ser humano comete tamanha iniquidade. É pecado e ponto final!

– JP Padilha
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A CONFRONTAÇÃO DAS ESCRITURAS


O Batismo com o Espírito e o Batismo com fogo | JP Padilha



Quando João Batista fala de dois batismos que Jesus iria fazer – o batismo com o Espírito Santo e o batismo com fogo – ele está falando de dois batismos distintos: um para os salvos e outro para os perdidos. O batismo com o Espírito é o que salva; o batismo com fogo (o qual nunca se apaga) é o que condena o homem à perdição. Vamos conferir a passagem juntos?

"... eis que vem Aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele tem a pá na sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo* no seu celeiro, mas queimará a palha** com fogo que nunca se apaga" (Lucas 3.16,17).

Veja bem: João Batista fala dos salvos, batizados com o Espírito, se referindo a eles como o trigo que Jesus ajuntará em Seu celeiro. Porém, ele compara os perdidos à palha, a qual Jesus queimará com o "fogo que nunca se apaga" (lago de fogo e enxofre - Ap 20.10-15). No verso, o trigo representa os salvos e a palha representa os condenados. Simples assim.

"Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha* [cf. Lucas 3.16,17]; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo" (Malaquias 4.1).

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ONDE DEVO CONGREGAR? | JP Padilha



No seu lar (Mt 18.20). Você pode congregar com seus irmãos em outros lugares também, nos lares deles, por exemplo. Os primeiros cristãos congregavam em suas casas (1Co 16.5,19; Cl 4.15; Fm 1.2), fazendo da adoração no lar um substituto para a adoração no Templo. Por mais que os líderes religiosos do nosso século insistam em negar, o princípio de que é o nome do Senhor que valida o lugar da adoração cristã permanece: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). A ordem dirigida a nós, Igreja, é muito clara nesse sentido: “Saiamos, pois, a Ele [Jesus] para fora do arraial” (Hb 13.13). O arraial aqui é o sistema judaico de adoração ou qualquer coisa semelhante a isso. Mas alguém pode perguntar: “Aonde iremos?”. O melhor a se fazer é perguntarmos ao próprio Senhor Jesus, como os apóstolos fizeram: “Onde queres que a preparemos?” (Lc 22.9).

Para melhor entendimento sobre o tema, clique nos links abaixo:

O que é a Igreja?
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/o-que-e-igreja.html

A Bíblia ensina que os cristãos devem congregar no templo?
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/a-biblia-ensina-que-os-cristaos-devem.html

Fim dos Templos
https://jppadilhabiblia2.blogspot.com/2019/08/fim-dos-templos.html

CRISTIANISMO OU JUDAÍSMO? - O Judaísmo não é o padrão para a adoração cristã
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A BÍBLIA FALA DE TRANSUBSTANCIAÇÃO? | JP Padilha



Segundo a crença católica, a transubstanciação ocorre durante a “Santa Missa”, quando o sacerdote ministerial (Padre, Bispo) realiza o “Sacrifício Eucarístico”, fazendo as vezes de Cristo (in persona Christi), repetindo as palavras ditas por Jesus na ceia feita antes de sua morte: “Isto é o Meu Corpo... Isto é o Meu Sangue” (cf. Mateus 26.26-28).

A seita católica romana declara que, após as palavras do sacerdote, os elementos pão e vinho se transformam literalmente no corpo e sangue de Cristo durante a ceia. O Concílio de Trento declara: “Se alguém negar que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia está contido verdadeira, real e substancialmente o corpo e sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por conseguinte o Cristo todo, e disser que somente está nele como sinal, figura ou virtude – seja excomungado” (Concílio de Trento, Cânones Sobre a Santíssima Eucaristia).

E acrescenta: “Se alguém negar que aquilo que se oferece na missa não é Cristo para ser comido, seja excomungado” (Concílio de Trento, citado em A Igreja que veio de Roma, op. cit., p. 127).

Se, por um lado, há ampla evidência histórica por parte do Romanismo em defesa da transubstanciação, por outro, como veremos aqui, não há nenhum fundamento bíblico que favoreça essa prática. Na verdade, há base bíblica suficiente para condená-la. Não existe na Bíblia a ideia de que ocorra uma transubstanciação durante a ceia, isto é, a ideia de que o pão se transforma no corpo de Cristo e o vinho no seu sangue. Ver Deus em objetos é costume pagão, e todas as passagens da Bíblia onde encontramos objetos com referência ao Senhor estão sempre apontando para representações ou exemplos da realidade. O Senhor Jesus disse: “Eu sou a Porta” (Jo 10.9), “Eu sou o Caminho” (Jo 14.6), “Eu sou a Videira verdadeira” (Jo 15.1), “Eu sou o pão vivo que desceu do céu” (Jo 6.51), etc. Acerca dEle foi dito que é o “Cordeiro” (Jo 1.36). Ele também disse: “Eu sou a Resplandecente Estrela da manhã” (Ap 22.16). Mesmo assim, todos nós entendemos que Ele sempre disse essas coisas no sentido figurado, pois jamais alguém iria adorar uma porta, uma estrada ou uma videira (com exceção dos católicos). A ideia da transubstanciação surgiu inicialmente nos escritos de um tal de Pascácio Radberto, em 818, tendo depois se transformada em um dogma no concílio de Latrão, em 1200.

Mateus 26.27-28 nos fala da ceia que foi celebrada ANTES da morte do Senhor. Aquela ceia não era uma transubstanciação, pois o Senhor estava presente ali entre os discípulos e nem passaria pela cabeça deles olhar para o pão como sendo o Senhor que estava, em carne e osso, diante de seus olhos. Vale ressaltar também que esta ceia não era uma recordação da morte do Senhor, visto que Ele ainda não havia morrido. Aquela ceia era uma antecipação da Sua morte, diferente da ceia de 1 Coríntios 11.23-29, que é a ceia que agora celebramos como memória de algo passado. A ceia de Mateus 26.27-28 (feita antes da morte de Jesus) não é a ceia instituída à Igreja na epístola de Paulo aos coríntios.

A ceia que o Senhor revelou a Paulo, para que este, por sua vez, nos ensinasse, foi uma revelação nova, a qual Paulo não aprendeu de Pedro ou dos outros discípulos do Senhor. “Porque eu recebi DO SENHOR o que também vos ensinei...” (cf. 1Co 11.23-29).

O PÃO QUE CAIU DO CÉU

Dentre as passagens mais usadas por católicos romanos para a doutrina demoníaca da transubstanciação, João 6.48-58 está no topo da lista. Todavia, a passagem de João 6.48‑58 nada tem a ver com o pão da ceia. O pão da ceia é um símbolo do Corpo de Cristo, que morreu para nos dar eterna salvação. O pão de que João fala é em referência ao pão que caiu do céu, alimento do povo de Deus. Isto significa que hoje nos alimentamos de Cristo, comemos Sua carne e bebemos o Seu sangue, ou seja, somos mantidos vivos eternamente pelo Seu sacrifício. Esta passagem fala da SALVAÇÃO, não da ceia instituída à Igreja por meio do apóstolo Paulo. Vejamos a passagem:

“Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer? Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre” (João 6.48-58).

O Senhor não faz nenhuma referência à ceia aqui, pois a ceia foi dada aos Seus somente (Judas saiu antes) e Ele não iria ensinar coisas tocantes à ceia a judeus incrédulos, como é o caso da passagem de João 6. A passagem toda nos fala de salvação e não de celebração. Se considerarmos a passagem como sendo a ceia, então uma pessoa só seria salva se recebesse o pão da ceia, pois o Senhor diz que “se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” (vs 53). Portanto, esta passagem não trata da ceia do Senhor – nem da que foi feita entre os apóstolos antes de sua morte e ressurreição (Mt 26.27-28), nem da que foi instituída à Igreja para celebrar sua morte e ressurreição (1Co 11.23-29). Sendo assim, não há base bíblica alguma que sustente o dogma romanista da transubstanciação.

Ora, qualquer cristão esclarecido e que estudou a doutrina da seita católica sabe que a missa é uma blasfêmia contra Jesus Cristo. Nos seus dois aspectos de sacramento e sacrifício, ela cobiça anular completamente a mensagem do evangelho. Como sacramento, ela supostamente confere graça ao participante, que pensa que ao engolir aquela “bolachinha”, vai engolir o próprio Jesus Cristo. Como sacramento, a missa é uma acintosa IDOLATRIA e BRUXARIA abomináveis! Como sacrifício, em suas “repetições”, ela cobiça anular totalmente o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário, que fora feito de uma vez por todas; e, uma vez feito, todo sacrifício é vão, herético e odioso diante de Deus. A missa pisa e despreza a expiação suficiente e imutável de Jesus Cristo. Sendo a missa totalmente rejeitada por Deus, em seu aspecto sacrificial ela se trata de um culto prestado aos DEMÔNIOS! A advertência cristalina das Escrituras provam isso:

“Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demónios” (1 Coríntios 10.20).

A doutrina da transubstanciação deve ser rejeitada por vários motivos. Por ora, deixarei para tratar desses motivos em um outro artigo.

No mais, a transubstanciação implica até mesmo em canibalismo. Se, como dizem os católicos, o pão se transforma verdadeiramente no corpo de Cristo, e este corpo será comido pelos comungantes, o canibalismo é inevitável. Os católicos podem alegar que não acreditam estar mordendo os membros do corpo de Cristo ou comendo sua carne como um canibal faria. Porém, isso não muda o fato de que substancialmente o que há ali é o corpo de Jesus que será ingerido pelos fiéis. Há coisa mais hedionda que isso? A resposta é uma só: a missa católica toda é uma blasfêmia e uma forma de sacrificar Cristo repetidas vezes, ignorando seu sacrifício vicário que fora feito uma só vez pelos santos de Deus.

– JP Padilha
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É POSSÍVEL PERDER A SALVAÇÃO? | JP Padilha


“Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama” (2 Pedro 2.20-22).

Com base neste versículo, muitos crentes pensam ser possível que um cristão perca a salvação pelo fato de que muitos crentes professos, conhecedores da verdade do evangelho, renunciam o conhecimento do Senhor e outra vez são envolvidos e vencidos pelas corrupções do mundo, das quais uma vez haviam escapado. Mas estes versos não dizem, nem poderiam dizer que um cristão perde a salvação que uma vez foi conquistada na cruz do calvário por Cristo. Estes versos falam de pessoas que apenas professaram o evangelho temporariamente, mas que não são salvas devido ao fato de voltarem a se envolver e ser dominadas pelas mesmas “corrupções do mundo”, o que torna o estado dessas pessoas ainda pior do que antes da sua profissão do evangelho. Os versículos não falam que elas perderam a salvação, mas que provaram não ser salvas. Para provar este ponto, basta lembrar o que Jesus disse a respeito de seus escolhidos em João 5.24. Aqui é dito que uma pessoa verdadeiramente redimida pelo seu sangue sequer participará do Juízo Final:

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação (ou Juízo – ARA), mas passou da morte para a vida” (João 5.24).

Atente-se para os tempos dos verbos, os quais revelam uma transformação imutável na posição do pecador salvo: “ouve”, “crê”, “TEM”, “ENTRARÁ”, “PASSOU”. A passagem NÃO diz que o salvo “terá” vida eterna, mas que tem a vida eterna no momento em que crê, o que significa um direito adquirido por graça, e tão somente pela graça. A conjugação desses verbos está bem definida aqui, de forma que aquele que verdadeiramente recebe a genuína fé jamais pode decair da graça que uma vez lhe fora conferida.

Há diferentes tipos de julgamentos que você encontra na Bíblia, mas é importante distinguir cada um deles. Na ordem dos eventos proféticos, primeiro vem o arrebatamento da Igreja (os salvos) e dos que morreram em Cristo. Para estes não há julgamento ou condenação, pois Cristo pagou o preço de sua redenção. A dívida foi quitada. Nas palavras de Mario Persona, “Deus seria tão injusto de julgar um crente quanto um juiz humano seria injusto de julgar alguém por um crime que outro confessou e pagou a pena. Cristo confessou nossos pecados (levou sobre si) e pagou a pena”.

Oras, se Jesus disse que aquele que crê verdadeiramente nele não participa sequer do Juízo Final, o que podemos inferir de 2 Pedro 2.20-22? Certamente não se trata de um genuíno crente sendo capaz de perder a salvação uma vez dada aos santos de Deus. Portanto, o contexto mais adequado para entender o que Pedro está nos dizendo está em 1 João 2.19, que diz:

“Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1 João 2.19).

Este é o contexto. Se considerarmos o que está explícito neste verso, todo o entendimento do contexto de 2 Pedro 2.20-22 virá à tona, e teremos convicção de que esse texto NÃO diz que um genuíno cristão, nascido de novo, pode perder a salvação. A doutrina satânica do livre arbítrio ensina que uma pessoa redimida pelo sangue de Cristo pode perder a salvação, mas, como podemos constatar na Bíblia, isso é uma heresia que alcança um nível de iniquidade difícil de suportar. É tirar de Jesus Cristo o seu poder de salvar aqueles que o Pai lhes deu:

“E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” (João 6.39).

ENTENDENDO O CONTEXTO DE 2 Pedro 2.20-22

João Calvino, um dos maiores expositores da Doutrina da Salvação, comenta sobre estes dois versos da seguinte forma:

“Pedro mostra quão perniciosa foi a seita que levou os homens consagrados a Deus de volta à sua sujeira antiga e às corrupções do mundo. E ele exibe o nível hediondo do mal por uma comparação; pois não era pecado comum afastar-se da santa doutrina de Deus. Teria sido melhor para eles, diz ele, não conhecer o caminho da justiça; pois, embora não haja desculpa para a ignorância, o servo que, consciente e deliberadamente, despreza as ordens de seu Senhor, merece uma dupla punição. Além disso, havia ingratidão, porque deliberadamente extinguiram a luz de Deus, rejeitaram o favor que lhes era conferido e, sacudindo o jugo, tornaram-se perversamente devassos contra Deus; sim, na medida do possível, profanaram e revogaram a aliança inviolável de Deus, a qual havia sido ratificada pelo sangue de Cristo. Quanto mais sinceros deveríamos ser, deveríamos avançar humildemente e cuidadosamente no curso de nosso chamado. Agora devemos considerar cada sentença.

Ao nomear as “corrupções do mundo” (vs 20), Pedro mostra que rolamos na sujeira e somos totalmente poluídos até renunciarmos ao mundo. Por “o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo” (vs 20), ele sem dúvida entende o evangelho. Ele testemunha que o objetivo é livrar-nos das impurezas do mundo e nos afastar delas. Pela mesma razão, ele chama depois de “o caminho da justiça” (vs 21). Ele, então, sozinho, faz um progresso correto no evangelho que fielmente aprende de Cristo; e ele realmente conhece Cristo, que o ensinou a despojar-se do velho e vestir-se do novo, como Paulo nos lembra em Efésios 4.22.

Ao dizer que, tendo abandonado “o santo mandamento que lhes fora dado” (21), eles retornaram às suas próprias poluições, ele sugere primeiro quão indesculpáveis ​​eram; e, em segundo lugar, ele nos lembra que a doutrina de uma vida santa e virtuosa, embora dirigida a todos em comum, ainda é peculiarmente ensinada àqueles a quem Deus favorece com a luz de seu evangelho. O homem, por si só, não pode alcançar a verdade de Deus. Mas Pedro declara que aqueles que novamente se tornam escravos das poluições do mundo se afastam do evangelho de uma vez por todas. Os fiéis também pecam; mas como eles não permitem o domínio do pecado sobre si, eles não se afastam da graça de Deus, nem renunciam à profissão de sã doutrina que uma vez adotaram. Os que permanecem no pecado não devem ser considerados salvos pela graça enquanto resistem arduamente à carne e às suas concupiscências” (João Calvino – Comentário de 2 Pedro 2.20-22).

Estes versos nos falam de homens que se submeteram à obediência a Cristo e, após isso, se precipitaram novamente em pecados sem medo ou vergonha. Agora note algo interessante: No verso 22 estes falsos crentes são comparados a “cães e porcos”. Isso nos lembra do que Jesus nos advertiu a respeito daqueles que são incapazes de receber o evangelho como pérolas, mas tratam-no como se fossem pedradas. Senão, vejamos:

“Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem” (Mateus 7.6).

O sentido aqui é que, quando identificamos esses “cães e porcos”, não devemos distribuir as pérolas do evangelho a eles, visto que eles não sabem diferenciar pérolas de pedradas. Com isso, cães e porcos, quando ouvem o evangelho da graça, se sentem ofendidos e voltam-se contra nós a fim de nos despedaçar.

Mas, voltando ao contexto de 2 Pedro 2.20-22, daqui resulta que nenhuma parte do pecado pode ser atribuída ao evangelho. Para esse propósito, Pedro cita dois provérbios antigos – sendo o primeiro deles o ditado de Salomão em Provérbios 26.11. Neste provérbio se diz: “Como o cão torna ao seu vômito, assim o tolo repete a sua estultícia”. Pedro, com base neste provérbio, prossegue em dizer que “o cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama” (vs 22). O que Pedro quis dizer é brevemente isso: que o evangelho é um remédio que nos purifica com alimentos saudáveis, mas que existem muitos cães que vomitam e engolem novamente o que vomitaram para sua própria ruína; e que o evangelho também é uma pia que limpa toda a nossa impureza, mas que existem muitos porcos que, imediatamente após a lavagem, se revolvem na lama. Estes indivíduos são claramente identificados aqui como réprobos, indignos e incapazes de ouvirem outra vez o evangelho (Tt 3.10-11). Ao mesmo tempo, os piedosos são lembrados a prestar atenção em si mesmos, exceto que desejem ser considerados cães ou porcos (Mt 7.6).

Sendo assim, a resposta é: Não, o verdadeiro crente não pode perder a salvação. A Palavra de Deus confirma a garantia da salvação:

“Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória” (Efésios 1.11-14).

SUMÁRIO – PELAS OBRAS OU PELA GRAÇA?
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– JP Padilha
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COMO AMO A TUA LEI | Marcelo Rodrigues


“Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Salmos 119.18).

Este lindíssimo Salmo é o maior de todos os Salmos. Sua autoria é indefinida, mas a sua relevância é enorme! Revela-se como uma oração de um coração que se humilha em busca dos ensinamentos da Palavra do Senhor! Este Salmo nos leva a meditar sobre a nossa postura diante da Palavra de Deus! Ao nos debruçarmos sobre a Palavra, recebemos a vida que dela emana.

A leitura da Palavra de Deus deve ser encarada como um deleite e não como um esforço desgostoso. Já recebi algumas reclamações sobre a extensão dos textos e reflexões que escrevi com os ensinos extraídos da Palavra. Qual a sua postura diante da Palavra de Deus? Você a considera um tesouro inestimável ou a trata como algo sem valor ou relevância para você?

O que não tem valor para nós não é tratado como prioridade e não recebe a nossa dedicação ou atenção! O tempo que dedicamos à Palavra revela a importância que damos a ela! A sua fome irá determinar o quanto você se alimentará da Palavra de Deus. A leitura da Palavra é alimento. Quem pouco lê ou ouve a Palavra, pouco se alimenta.

Quem se inclina à Palavra de Deus recebe:

1. Comportamento irrepreensível - versículo 1.
2. Não praticam o mal e andam nos caminhos do Senhor - Versículo 3.
3. Não se decepcionarão - Versículo 6.
4. Tem prazer e alegria nos decretos de Deus - Versículos 14 e 16.

Temos diversos recursos para recebermos o alimento da Palavra. Áudios, textos, Bíblias tradicionais (papel), Aplicativos em smartphone. Excelentes mestres, pastores e professores também possuem conteúdos da Palavra. Somos o Povo do Livro! As Sagradas Escrituras nos dão vida!

Há tesouros escondidos na Palavra de Deus que irão mudar o nosso modo de pensar e consequentemente o nosso modo de agir! A Palavra de Deus traz sobre nós os pensamentos de Deus, que são maiores e mais altos que os nossos pensamentos. Ela nos revela os caminhos de Deus que não são os nossos caminhos!

"Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos", declara o Senhor. “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos” (Isaias 55.8-9).

A meditação na Palavra é um convite ao desfrute e à comunhão com Deus! A postura do salmista, diante da Palavra de Deus, deve ser também a nossa postura. Devemos nos aproximar com o coração de um discípulo, com humildade, simplicidade e coração de aprendiz. Não podemos nos comportar de modo soberbo.

Peça ao Senhor que Ele incline o seu coração à sua Palavra! Este é o maior Salmo e o ensino que dele extraímos nos inclina à relevância que devemos dar à Palavra de Deus!

Meditar na Palavra é investir no seu relacionamento com Deus! Então, abra o Livro! Abra o Livro Sagrado! Se debruce sobre a Palavra de Deus! Ore para que o Deus da Palavra fale ao seu coração e te dê amor e contentamento nesta prática!

Leia todo o Salmo 119 e se inspire a buscar a Palavra do Senhor!

Graça e paz!!!

– Marcelo Rodrigues
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A VIGILÂNCIA NA ASSEMBLEIA | Bruce Anstey



Em uma assembleia biblicamente reunida haverá liberdade para vários irmãos exercitarem seus dons e sacerdócio, mas não devemos pensar que na assembleia não há governo. As Escrituras indicam que existem certas regras (liderança administrativa) na Igreja. Na assembleia biblicamente reunida haverá aqueles que tomarão a liderança administrativa para assegurar que a santidade e a ordem sejam mantidas.

Normalmente o Senhor guia uma assembleia local no que tange às responsabilidades administrativas por meio dos que “tomam a liderança” (1 Ts 5:12-13; Hb 13:7,17,24; 1 Co 16:15-18; 1 Tm 5:17 – Tradução de J. N. Darby). Essa frase na versão King James da Bíblia e na versão de João Ferreira de Almeida foi traduzida como “aqueles que presidem sobre vós”, mas é um pouco equivocada, nos levando a pensar que exista uma casta especial de homens que esteja “sobre” o rebanho – o clérigo. É evidente que essas versões da bíblia estiveram nas mãos de clérigos que de alguma forma influenciaram na tradução. O uso da palavra “bispo” é outro exemplo. Ela deveria ter sido traduzida como “supervisor” ou “supervisão”.

Tomar “a liderança” nessa função não significa liderar no ensino público ou pregar, mas tem a ver com questões administrativas da assembleia. Confundir essas duas coisas é interpretar de forma equivocada a diferença entre dons e ofícios, que são duas esferas distintas na Casa de Deus. Alguns daqueles que “tomam a liderança” podem não ensinar publicamente, mas quando são capazes são muito bons e úteis (1 Tm 5:17). Estes homens devem conhecer os princípios da Palavra de Deus e serem capazes de expô-los para que a assembleia compreenda o curso da ação que Deus tomaria em um assunto em particular (Tt 1:9). Estes homens não constituem a si mesmos para o desempenho deste papel, nem mesmo são constituídos pela assembleia – como é frequente na Igreja professa atualmente – mas eles são levantados pelo Espírito Santo para este trabalho (At 20:28). A assembleia irá reconhecê-los pelo cuidado devotado aos santos, pelo conhecimento dos princípios das Escrituras e pela demonstração de bom discernimento.

Há três palavras usadas nas epístolas para descrever estes líderes responsáveis na assembleia local.

- Primeiramente, “anciãos” (Presbuteroi). Essa palavra se refere àqueles avançados em idade – implicando maturidade e experiência. No entanto, nem todos os homens mais velhos da assembleia necessariamente atuam no papel de líderes (1 Tm 5:1; Tt 2:1-2).

- Em segundo lugar, “bispos” ou supervisores (Episkopoi). Essa palavra se refere ao trabalho que eles fazem – pastoreando o rebanho (At 20:28; 1 Pe 5:2), cuidando das almas (Hb 13:17) e admoestando (1 Ts 5:12).

- Em terceiro lugar, “guias” ou líderes (Hegoumenos). Isto se refere à capacidade espiritual que possuem em liderar e guiar os santos.

Os pontos acima mencionados não se referem a três diferentes posições na assembleia, mas sim a três aspectos de um trabalho que esses homens fazem. Isto pode ser visto pela maneira como o Espírito de Deus usa os termos alternadamente – compare Atos 20:17 com 20:28 e Tito 1:5 com 1:7. No livro de Apocalipse os que possuem esta função são chamados de “estrelas” e também de “anjo da igreja (local)” (Ap 1 a 3). Como “estrelas” eles devem ser testemunhas da verdade de Deus (dos princípios de Sua Palavra) como portadores de luz na assembleia local, trazendo luz sobre os vários assuntos enfrentados pela assembleia.

Isso é ilustrado em Atos 15. Após ouvir sobre os problemas que estavam atribulando a assembleia, Pedro e Tiago trouxeram luz à questão. Tiago aplicou um princípio da palavra de Deus e julgou da forma como ele acreditava que o Senhor desejaria que eles fizessem (vss. 15 a 21). Como “o anjo da igreja”, eles agem como mensageiros que levam a mente do Senhor à assembleia no cumprimento das coisas. Isso também é ilustrado nos versículos 23 a 29.

Como já foi dito, não há nomeação oficial de anciãos/supervisores/guias para este trabalho hoje, como houve na Igreja primitiva (At 14:23; Tt 1:5), porque não há apóstolos (ou pessoas delegadas pelos apóstolos) na terra para ordená-los. Isso não significa que o trabalho de supervisão não possa continuar. O Espírito de Deus continua levantando homens de Deus para exercer a supervisão na assembleia biblicamente reunida (At 20:28). Esses certamente seriam aqueles que um apóstolo iria ordenar se vivesse em nossos dias.

Na carta de despedida de Paulo aos anciãos de Éfeso, ele fornece uma descrição do caráter e trabalho de um ancião/supervisor/guia, usando a si mesmo como exemplo (At 20:17-35). Primeiramente ele destaca o que os mesmos devem ser:

- Coerentes (vs. 18);
- Humildes (vs. 19);
- Compassivos (v. 19);
- Perseverantes (vs. 19);
- Fiéis (vs. 20);
- Comprometidos (vss. 21-24);
- Enérgicos (ou decididos) (vss. 24-27).

Na sequência ele destaca o que eles devem fazer:

- Pastorear o rebanho (vs. 28);
- Vigiar contra duas ameaças: lobos adentrando e homens atraindo discípulos após si (vss. 29-31);
- Utilizar os recursos dados por Deus para aquele trabalho – oração e a Palavra de Deus (vs. 32);
- Ter o ministério de dar (vss. 33-35).

A MANUTENÇÃO DA SANTIDADE E DA ORDEM

O propósito do governo na igreja é manter a santidade e a ordem na casa de Deus. Isso, tem a ver, principalmente, com duas coisas:

- O cuidado com o que adentra a assembleia. Isso envolve princípios de recepção.

- O cuidado com o que (ou quem) está na assembleia. Isso envolve disciplina na Igreja, caso necessário.

PRINCÍPIOS DE RECEPÇÃO

Importar-se com a glória de Deus com relação ao que trazemos à comunhão, é algo que praticamente não existe na cristandade hoje. Ora, a Bíblia ensina que a assembleia deve ter cuidado em não trazer alguém à comunhão que possa estar envolvido com o mal, seja esse mal moral, doutrinal ou eclesiástico. O princípio é simples. Se uma assembleia local é responsável por julgar o mal no seu meio excomungando os que praticam o mal (1 Co 5:12), então é natural que se tenha cuidado com o que ou quem é trazido à assembleia.

Tem sido dito, e com razão, que a assembleia local não deve possuir uma comunhão aberta e nem fechada, mas sim, uma comunhão vigiada. A assembleia deve receber à mesa do Senhor todos os membros do corpo de Cristo a quem a disciplina bíblica não proíbe. Se, por um lado, todo cristão possui o direito de estar à mesa do Senhor, por outro nem todo cristão possui necessariamente o privilégio de estar nela, pois este privilégio pode ser perdido por seu envolvimento com alguma forma de mal.

Quem decide quem deveria estar em comunhão?

É importante entender que os irmãos na assembleia local não decidem o que é adequado à mesa do Senhor e o que não é. Isto é algo que compete à Palavra de Deus. A razão é que a mesa não é dos irmãos, a mesa é do Senhor (1 Co 10:21). As preferências e gostos pessoais dos que fazem parte da assembleia não têm nada a ver com a recepção. A decisão vem totalmente da Palavra de Deus. Quando não existir um motivo bíblico para recusar a alguém a comunhão à mesa do Senhor, tal pessoa deve ser recebida. Se um crente já tiver sido batizado, for são na fé e piedoso em seu andar, não existe motivo para ser rejeitado. O nível de conhecimento das Escrituras não é um critério neste sentido. Ainda que seja um crente limitado em seu conhecimento, as Escrituras dizem: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas” (Rm 14:1).

Todavia, nem sempre se pode determinar de imediato se alguém é são na fé e piedoso em seu andar. Quanto maior a confusão no lugar de onde a pessoa tiver saído, seja do meio cristão ou do mundo, maior a dificuldade de se tomar uma decisão. Se for este o caso, agir com sabedoria pode significar pedir à pessoa que tem o desejo de estar em comunhão que aguarde. Isto não significa que a assembleia esteja afirmando que tal pessoa tenha alguma associação com o mal. Poderia até ser o caso, porém os irmãos podem estar indecisos quanto a isso e por esta razão devem esperar até que estejam convencidos de não ser este o caso, uma vez que são eles os responsáveis diante de Deus pelas pessoas que recebem em comunhão. As Escrituras ensinam: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios” (1 Tm 5:22). Este versículo fala da comunhão pessoal com alguém individualmente, mas o princípio é amplo o suficiente para guiar os santos na comunhão coletiva à mesa do Senhor. Alguém maduro e piedoso não se sentirá ofendido com isso, pois certamente nenhum cristão piedoso iria querer que a assembleia violasse um princípio bíblico. Na verdade, todo esse cuidado deveria dar a ele a confiança de estar entrando em uma comunhão de cristãos onde existe a preocupação com a glória do Senhor e a pureza da assembleia.

Os testemunhos pessoais não seriam suficientes?

Outro importante princípio relacionado a este assunto e que precisa ser compreendido é que a assembleia, biblicamente falando, não faz coisa alguma baseada no que diz apenas uma testemunha. Tudo o que se refere à assembleia deve ser feito de acordo com este princípio: “Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra” (2 Co 13:1). Confira também o que diz em João 8:17 e Deuteronômio 19:15. Por esta razão a assembleia não deve receber pessoas com base em seu próprio testemunho. As pessoas naturalmente costumam dar um bom testemunho de si mesmas, como as próprias Escrituras afirmam: “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos” (Pv 16:2). E também: “Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória” (Jo 7:18). Por isso pode ser preciso pedir a uma pessoa que deseja entrar em comunhão que aguarde. Assim que os irmãos na assembleia local conheçam melhor a pessoa que deseja estar em comunhão, ela poderá ser recebida com base no testemunho desses.

Este é um princípio que encontramos através das Escrituras. Até mesmo o Senhor Jesus Cristo, o Senhor da Glória, sujeitou-Se a este princípio quando Se apresentou a Israel como seu Messias. Ele disse; “Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro [válido]” (Jo 5:31). Em seguida Ele continuou apresentando quatro outros testemunhos que comprovavam quem Ele era: João Batista, Suas obras, Seu Pai e as Escrituras (Jo 5:32-39). Apesar dos vários testemunhos que testificavam dele como sendo o Messias, o Senhor advertiu os judeus de que chegaria um tempo quando eles, como nação, receberiam um falso messias (o Anticristo) sem testemunhas. Ele disse: “Se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” (Jo 5:43). Assim o Senhor reprovou a prática de se receber alguém com base em seu próprio testemunho.

Atos 9:26-29 nos dá um exemplo do cuidado que a igreja no princípio tinha ao receber alguém à comunhão. Quando Saulo de Tarso foi salvo ele quis entrar em comunhão com os santos em Jerusalém, porém foi rejeitado. Apesar de ser verdade tudo o que ele disse aos irmãos em Jerusalém sobre sua vida pessoal, ele não foi recebido com base em seu próprio testemunho. Foi só quando Barnabé levou Saulo consigo e o apresentou aos irmãos, testificando de sua fé e caráter, de modo que então já era o testemunho de duas pessoas, que os irmãos o receberam. Daquele momento em diante Saulo “andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo” (At 9:28).

Outro princípio para se receber alguém é que existe a necessidade de se colocar à prova a profissão de fé da pessoa. Se alguém diz ser cristão, é preciso que prove isso deixando de lado todo pecado conhecido. Em 2 Timóteo 2:19 diz que “qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade”. Veja também Apocalipse 2:2 e 1 João 4:1. Se essa pessoa não se apartar da iniquidade, seu modo de agir não estará de acordo com sua profissão de fé. Isto é ainda mais importante em uma época de ruína e abandono do testemunho cristão, quando o que não falta são doutrinas e práticas perniciosas de todos os tipos.

Se uma pessoa professa má doutrina, está claro que a assembleia não deve recebê-la, pois se o fizer ficará em comunhão com o mal que ela traz em seu ensino. (Compare 2 Jo 9-11 e Rm 16:17-18). Não falamos aqui das diferenças de opinião que as pessoas possam ter a respeito de assuntos como o batismo, por exemplo, mas de coisas que digam respeito aos fundamentos da fé cristã. As Escrituras dizem: “Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus. Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus” (Rm 15:5-7). Se alguém que professasse má doutrina fosse recebido, como se poderia dizer que a assembleia estaria concorde e “a uma boca” glorificando a Deus? Os irmãos na assembleia estariam dizendo uma coisa e essa pessoa dizendo outra. O resultado seria confusão. Paulo disse aos Coríntios: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (1 Co 1:10).

ASSOCIAÇÕES ECLESIÁSTICAS

Quando a questão envolve pecado eclesiástico, é preciso paciência e discernimento para identificar isso em alguém. Existe uma diferença entre alguém estar associado ao erro clerical por ignorância e uma pessoa ativamente envolvida e promovendo tal erro. Um crente que talvez ignore a ordem bíblica para a adoração e o ministério cristão pode querer partir o pão à mesa do Senhor vindo de uma denominação criada por homens e onde seja adotada uma ordem clerical. Ainda que essa pessoa esteja associada ao erro eclesiástico, ela não está envolvida com o mal eclesiástico. E se tal pessoa for conhecida por sua piedade no andar e professar sã doutrina, não deveria haver impedimento para que ela partisse o pão, mesmo que não tenha se desligado formalmente de sua associação com aquela denominação.

A questão é: quando uma associação inconsciente com o erro eclesiástico se torna mal eclesiástico? Cremos que a resposta é simplesmente quando a vontade da pessoa está envolvida nisso. Para detectar essa vontade é preciso que a assembleia tenha um discernimento sacerdotal. Em casos assim a assembleia precisa depender muito do Senhor para conhecer a opinião que Ele tem a respeito do assunto. Em condições normais os irmãos deveriam permitir que essa pessoa partisse o pão, esperando e confiando que Deus estaria trabalhando em seu coração e que ela iria abandonar o lugar de onde veio após ter participado da ceia do Senhor, continuando a partir daí congregada com aqueles reunidos ao nome do Senhor.

Isto é ilustrado na passagem em 2 Crônicas 30 e31. Ezequias permitiu que o povo de Judá, e também alguns das dez tribos separadas, participassem da Páscoa e adorassem ao Senhor no divino centro em Jerusalém. Depois de fazerem isso, eles voltaram para casa e destruíram seus ídolos e imagens. (Não estamos insinuando que as denominações criadas pelos homens sejam condescendentes com a idolatria; estamos falando apenas do princípio encontrado ali). O que é interessante notar neste caso é que Ezequias não lhes falou para agirem assim! Aquilo foi uma resposta vinda de seus corações pelo simples fato de terem estado na presença do Senhor em Jerusalém.

Todavia, se alguém deseja continuar indo a ambos os lugares regularmente, isto não deveria ser aceito. Como assinalou J. N. Darby, “Pontos de vista eclesiásticos diferentes não representam razão suficiente para colocar fora uma alma. Mas se alguém deseja estar entre os irmãos um dia e no próximo entre os sectários, isso não deveria ser permitido e tal pessoa não deveria ser recebida, pois, ao invés de usar da liberdade que pertence a ela para gozar da comunhão espiritual entre os filhos de Deus, avança na pretensão de mudar a ordem da casa de Deus e perpetuar a divisão dos cristãos. Fica claro que uma pessoa assim não estaria sendo honesta com nenhuma das partes.” Darby também afirmou que a degradação e a corrupção aumentam cada vez mais no testemunho cristão, ficando cada vez mais difícil colocar em prática este princípio. À medida que os dias se tornarem mais sombrios será necessário um discernimento cada vez maior. Atualmente algo assim só tem acontecido esporadicamente.

O VISITANTE OCASIONAL

W. Potter disse: “Eu não concordo com o pensamento de que, às vezes, a participação na Mesa do Senhor é feita, por assim dizer, por conveniência. Por exemplo, como aqueles que entre nós têm parentes que os visitam, sendo estes membros de alguma denominação, e que vêm à reunião e desejam participar conosco da Ceia ‘simplesmente como cristãos’. Pode ser que eles sejam íntegros e tenham uma consciência reta. Porém, eles simplesmente vêm pela ocasião da visita, e não se importam de romper com os amigos com quem reúnem no momento. Nesse ponto eu não concordo”.

“Parece-me que, em tais casos, a nossa responsabilidade não é a de recusar a participação deles, mas de colocá-los a par da razão pela qual estamos reunidos, que a nossa posição é um protesto prático contra a falta de base bíblica para as denominações, e que eles, ao participarem conosco no ato da Ceia naquele momento, identificam-se conosco nessa posição, que é de protesto contra aquilo que eles estão conectados e defendem confessadamente. Estariam eles dispostos, mesmo que por ora, a se identificarem conosco? Onde as almas são exercitadas, é outra questão, e parece-me que alguém se sentiria realmente muito à vontade em sentar-se à mesa com eles”.

“Não é o exercício da alma o que importa? Assim nenhuma regra pode ser estabelecida. Certamente não viria do Senhor a exigência de que uma alma piedosa e exercitada, conectada com qualquer uma das denominações “tradicionais”, cortasse seus laços com a sua igreja, antes que nós permitíssemos que viesse participar conosco à Mesa. Fazer isso, parece-me, é negar praticamente o terreno sobre o qual estamos reunidos”.

“Em relação às assembleias que professam estar reunidas ao nome do Senhor, eu acredito tratar-se de outra questão. Elas professam estar reunidas ao Seu nome, e devem saber por que estão em separação de nós e nós delas. Se alguns deles têm o desejo de participar da mesa conosco, as suas razões para isso devem ser examinadas e medidas tomadas de acordo com o que for encontrado. Há sempre mais conhecimento entre eles, como verdade divina, do que com os santos nas denominações, e creio que, em geral, eles não são  tão ignorantes das causas das divisões entre nós, como alguns deles, às vezes, fazem-nos pensar”.

Em Israel havia “porteiros” e “guardadores de porta” que cuidavam dos portões e guardavam as portas da casa de Deus (1 Cr 9:17-27). O dever deles era deixar entrar os que deveriam estar dentro e recusar a admissão dos que deveriam ser mantidos fora. Da mesma forma hoje, em uma assembleia nos moldes bíblicos, haverá este tipo de cuidado.

Outro tipo de ilustração no Antigo Testamento demonstra esse cuidado no recebimento. Quando a cidade de Jerusalém, o centro divino na terra onde o Senhor colocou Seu nome, foi reconstruída nos dias de Neemias, havia ao seu redor grande perigo por conta dos inimigos. Consequentemente, eles não abriam as portas para permitir que as pessoas adentrassem a cidade até que “o sol aquecesse” [literalmente “meio-dia”] (Ne 7: 1-3.). Eles se certificavam de que não havia nenhum vestígio de “escuridão” ao redor antes de receberem as pessoas na cidade. Até aquele momento, os que queriam entrar tinham que esperar. Enquanto a escuridão da cristandade aumenta nestes últimos dias, são necessários cuidados deste tipo no recebimento.

DISCIPLINA NA IGREJA

Uma assembleia nos moldes bíblicos também exercerá disciplina quando necessário. Se os anciãos que cuidam do rebanho virem uma pessoa  com um mau comportamento, de alguma forma, eles vão agir para corrigi-la (Hb 13:17). Isto será feito para a glória do Senhor, mas também em amor para com o indivíduo que está se extraviando. Eles vão se sentir responsáveis por agir a este respeito, porque sabem que a Palavra de Deus diz: “Se tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aos que estão sendo levados para a matança; se disseres: Eis que não o sabemos; porventura não o considerará aquele que pondera os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? Não dará ele ao homem conforme a sua obra?” (Pv 24: 11-12). Como vigias sobre o muro, eles são responsáveis ​​por “tocar a trombeta” para soar um alerta quando veem algum perigo. Ao fazê-lo, eles livram suas próprias almas, porque Deus os considera responsáveis ​​(Ez 33:1-6; Hb 13:17).

Existem três principais áreas de preocupação em que um indivíduo pode se extraviar. Em cada caso, os que cuidam do rebanho e são responsáveis ​​por manter a santidade e a ordem na casa de Deus vão tentar lidar com o problema antes que ele fique fora de controle. Se eles puderem corrigir o curso que uma pessoa está percorrendo antes que ela atinja um ponto em que a assembleia deverá colocá-la fora da comunhão, terão feito um bom trabalho e terão livrado essa pessoa de muita dificuldade e sofrimento em sua vida (Tg 5:19-20). Isso pode ser feito por qualquer um que se preocupa com a pessoa, mas os anciãos/supervisores são primeiramente responsáveis ​​por este trabalho. Por conseguinte, eles vão tomar certas ações preliminares com a pessoa no erro, dependendo do rumo no qual a pessoa está. Isso mostra que a maior parte de toda a disciplina da Igreja deve ser exercida para com uma pessoa que ainda está em comunhão.

Os cenários seguintes dão o procedimento geral. É reconhecidamente difícil delinear o porquê de estas coisas não poderem ser arregimentadas e tratadas como se estivéssemos consultando um manual ou livro; cada caso deve ser tratado em seu próprio mérito, e não existem dois casos idênticos. A Escritura pressupõe que aqueles que fazem este trabalho são pessoas espirituais que irão lidar com esses casos com discernimento “espiritual” (Gl 6:1; 1 Co 2:15).

UMA PESSOA MUNDANA – (com andar imperfeito). Isso pode incluir um grande número de desordens morais nas quais uma pessoa poderia estar envolvida (1 Co 5:11, etc.).

- Aqueles que se importam com o rebanho vão tentar “restaurar” a pessoa surpreendida em alguma falta, com espírito de mansidão, indo a ela com a Palavra de Deus (Gl 6:1; Jo 13:14). Eles procurarão alcançar o coração e a consciência da pessoa de uma forma gentil e carinhosa, num esforço para afastá-la do curso que ele ou ela possam se encontrar.

- Se isso não alcançar a pessoa, o próximo passo será o de “alertar” a pessoa em uma repreensão privada (1 Ts 5:14). Isso seria mais firme e direto.

- Se a pessoa persiste em seu curso, mas não em um pecado em particular que exija a excomunhão, aqueles que assumem a liderança na assembleia podem encorajar os santos a se “afastarem” da pessoa para que sua consciência seja tocada, assim, ela poderá julgar-se a si mesma (2 Ts 3: 6-15).

- Se um pecado em particular se torna manifesto e exige a excomunhão, a assembleia terá que agir na tomada de uma decisão de julgamento obrigatória para “colocar para fora” a pessoa que está entre eles. (Mt 18: 18-20; 1 Co 5:11-13).

UMA PESSOA HERÉTICA/HEREGE – (com erros doutrinais). Esta seria uma situação em que uma pessoa adota doutrinas errôneas consideradas heterodoxas.

- Os responsáveis ​​na assembleia tentarão corrigir o indivíduo de seu erro e “intimá-lo” a não ensinar outra doutrina que não seja a ortodoxa (1 Tm 1:3).

- Se a pessoa insiste em ensinar suas ideias errôneas na assembleia, a assembleia é responsável por “julgar” os seus ensinamentos e chamá-la a ficar em silêncio nas reuniões (1 Co 14:29). Isso poderia ser chamado de “a disciplina do silêncio”.

-  Se as doutrinas da pessoa têm caráter de blasfêmia, tocando a Pessoa e a obra de Cristo, a assembleia deverá colocá-la fora de comunhão. O apóstolo Paulo fez isso com Himeneu e Alexandre, entregando-os a Satanás, para que “aprendam a não blasfemar” (1 Tm 1:20). A assembleia não pode entregar diretamente a Satanás como um apóstolo podia fazer, mas pode colocá-la fora de comunhão, onde Deus julga.

- Se os santos entram em contato com essa pessoa na profissão cristã em geral, elas devem se “afastar” dos tais que têm ensinamentos errôneos e que pervertem a fé dos santos (2 Tm 2:16-19).

A PESSOA QUE CAUSA DIVISÃO – (com espírito herege). Esta é uma pessoa que cria divisão na assembleia, tendo um espírito partidário em alguma causa. Este é mais um mal eclesiástico e, geralmente, é o mais difícil de detectar-se entre todos os males. J. N. Darby disse: “impiedade Eclesiástica é sempre o pior.” Uma vez que isso é prejudicial para a saúde da assembleia, deve ser tratado.

- Os irmãos devem identificar e “evitar” aqueles que provocam divisões e escândalos na reunião (Rm 16:17-18). Nota: Isso não quer dizer: “note os que seguem em divisões”, mas aqueles que “causam” divisões. Isto significa que devemos distinguir entre os líderes e os liderados quando um espírito de partidarismo surge na assembleia.

- Aqueles que pressionam em questões que dividem os santos muitas vezes fazem isso liderando uma rebelião contra os que tomam a dianteira da assembleia. Os que pecam por trazer acusações infundadas contra um ancião, a assembleia deve “repreendê-los na presença de todos” (1 Tm 5:19-20). A repreensão pública está ordenada para quando alguém divide os santos em linhas de partidarismo (Gl 2:12-14).

- Se a pessoa continua a propagar suas questões e a dividir o rebanho, a assembleia tem motivos para excomungá-la. Semear a discórdia entre os irmãos é uma “abominação” ao Senhor (Pv 6:16-19), e algo que é abominável ao Senhor não deve estar em comunhão à Sua mesa. Por conseguinte, a pessoa deve ser afastada.

- Se alguém na assembleia se encontrar com um líder de uma divisão colocado fora da comunhão ou acompanhar essa pessoa, eles devem “admoesta-lo mais uma vez” (Tito 3:10). Se houver qualquer outro encontro com ele, devem “evita-lo”, porque ele está pervertido (Tito 3:10).

TRÊS RAZÕES PARA EXCOMUNHÃO

Existem três razões principais pelas quais a assembleia deve afastar da comunhão pessoas que estão no erro.

1) A Glória do Senhor - A assembleia deve ter cuidado de não permitir que o nome do Senhor seja associado ao mal diante do mundo. Quando os coríntios agiram para a glória do Senhor e colocaram para fora a pessoa imoral que estava no meio deles, o apóstolo Paulo escreveu os elogiando e dizendo: “Porque, quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio” (2 Co 7:11). Eles agiram com zelo veemente e vingança para a glória do Senhor.

2) A santidade na Assembleia deve ser mantida - Há duas razões para isso. Em primeiro lugar, a assembleia é lugar da habitação de Deus (Ef 2:22). Ela deve ser mantida como um lugar adequado para a Sua santa presença. O Senhor habita no meio do Seu povo reunido ao Seu nome (Mt 18:20) e, portanto, a assembleia deve manter o mal fora do seu meio para que continue a ser um lugar adequado para Sua presença. “A santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre” é um princípio verdadeiro em cada dispensação (Sl 93:5). “O que usa de engano não ficará dentro da minha casa” (Sl 101: 7; 1 Co 3:17; Nm 5: 1-4). A segunda razão é o caráter de fermento do pecado. A Escritura ensina que a associação com o mal contamina. O apóstolo Paulo disse: “Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa” (1 Co 5:6-8; Gl 5:9-12). Se a assembleia não afastar o mal de seu meio, não demorará muito para que outros sejam afetados por ela, porque “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15:33).

3) A Correção e Restauração do Ofensor - A ação da assembleia de colocar alguém fora da comunhão também deve ter em vista o bem da pessoa que erra. Ela é posta para fora da convivência para que possa ser contristada para arrependimento e restaurada para o Senhor. “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Co 5:11). Isto se refere a nem mesmo fazer uma refeição qualquer com a pessoa. Quando a pessoa estiver arrependida e tiver julgado o seu pecado, a assembleia irá recebê-la de volta à comunhão. O apóstolo Paulo disse: “Basta-lhe ao tal esta repreensão feita por muitos. De maneira que pelo contrário deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja de modo algum devorado de demasiada tristeza. Por isso vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor” (2 Co 2:6-8). Esta é uma ação administrativa da assembleia ao desligar alguém.  (Mt 18:18).

A ATITUDE APROPRIADA DA ASSEMBLEIA NA EXCOMUNHÃO

A assembleia deve ter sempre em pauta o assunto de seus pecados. A sua atitude em excomungar alguém deve ser de luto, reconhecendo que eles falharam em não conseguir alcançar a pessoa quando esta estava caminhando rumo ao pecado. Isto é o que os coríntios não fizeram. Paulo lhes disse: “Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação” (1 Co 5: 2). Cada um na assembleia deve buscar em seu coração perguntando a si mesmo, “O que eu poderia ter feito para evitar a queda dessa pessoa?” Devemos ver que temos parte nisso, em não termos guiado/pastoreado a pessoa adequadamente, ou não termos orado por essa pessoa o suficiente, etc. É sobre isso que se refere o comer a oferta pelo pecado (Lv 6:26).

Resumo: Uma assembleia biblicamente reunida terá aqueles que irão assumir a liderança administrativa para garantir que a santidade e a ordem sejam mantidas.

– Extraído do livro "The Search for a Scripturally Gathered Assembly", de Bruce Anstey
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