O PECADO PARA A MORTE | JP Padilha


“Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte” (1 João 5.16-17).

No início do capítulo 5 de 1 João, João está falando da oração e da certeza da resposta de Deus quando a oração é feita segundo a Sua vontade ou de acordo com Seus preceitos. Basta ler todo o contexto do capítulo. Quem já leu a carta sabe muito bem disso. Se lermos, por exemplo, apenas os dois versículos anteriores, isto é, 14 e 15, já perceberemos isso: “14 - E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve. 15 - E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos”. Todo o capítulo fala da certeza da resposta de Deus a nossas orações quando essas estão de acordo com Seus preceitos e vontades. E então, chegamos nos versículos 16 e 17, e a pergunta que nos vem à mente é: E quanto a estes “pecados para morte e pecados que não são para morte?”. O que Deus quer nos mostrar do versículo 16 ao 17 de 1 João 5? Não é estranho? O que isso significa? Qual a razão desse assunto ter vindo à tona quando João estava tratando sobre oração e certeza de resposta por parte de Deus?

Existem duas possibilidades:

1 – PRIMEIRA POSSIBILIDADE – Morte eterna (espiritual) daqueles que fingem ser cristãos dentro da Igreja.

João está se referindo aos pecados de pessoas que não são verdadeiramente cristãs. Portanto, estes pecados as levariam diretamente à perdição; à condenação; ao inferno; ao sofrimento eterno; ou seja, à morte eterna, e não física. Trata-se, portanto, de uma morte espiritual. Não creio nesta tese, mas falarei um pouquinho do que significaria isso se esta passagem estivesse se referindo a tal posição.

Qual seria um pecado de um falso cristão que leva à morte eterna? Rejeição definitiva a Cristo. Certo?
 Nisso, engloba-se aqueles que declaradamente se rebelam contra a autoridade de Cristo, como também aqueles que professam falsamente a fé cristã, mas não são cristãos verdadeiros. Estão na comunhão com a Igreja, mas seus corações estão longe de Deus.

Suponhamos que você veja um pecado na vida de um falso cristão dentro da igreja, mesmo sem saber qual a real condição espiritual dele – se é cristão em pecado ou pecador irrepreensível. E você ora para que ele seja restaurado. Pode ser que esse pecador se mostre recuperado, restaurado, etc., e você talvez nem perceba que aquele por quem você ora se trata de um falso cristão. Todavia, aos olhos de Deus essa pessoa é totalmente apóstata; ela vive longe da verdade voluntariamente. Ela deliberadamente peca e não se arrepende disso.

Encontramos em Hebreus 6 essa mesma condição espiritual, onde se fala da pessoa que nunca pode ser restaurada, sendo que ela está pisoteando o sangue da aliança. Outro texto que também fala desta condição está em 1 João 2.19, que diz:

“Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós”.


Pois bem, se esta é a condição espiritual da pessoa em questão, de nada adiantará orar por sua restauração. Você poderá interceder por alguém que você acredita ser um cristão pelo fato de o estar vendo em pecado; e você decide orar por sua restauração. Inclusive, você pode pensar que orar para que alguém seja liberto do pecado esteja dentro da vontade de Deus. Logo, a sua oração será atendida pelo Senhor e o irmão será liberto e restaurado. Isso ocorre porque não somos oniscientes, não é mesmo? Por isso a exortação de orarmos por todos os homens, mesmo sabendo que a maioria deles se perderá (1Tm 2.1).

Entretanto, existe um problema. Você vai se desgastar em oração por um ímpio que se encontra dentro da igreja e nada irá acontecer. Você até mesmo pode ficar confuso: “O que está acontecendo? Deus não me ouve mais?”. O fato é que, apesar de essa pessoa se designar cristã e estar em comunhão com os irmãos que congregam ao nome do Senhor (Mt 18.20), ela na verdade rejeita Cristo.

Honestamente, não creio nesta primeira opção. Embora todos nós saibamos que isso acontece dentro da Igreja de Cristo, os versículos 16 e 17 de 1 João 5 não estão falando dessa situação, embora a mesma também ocorra dentro da Igreja o tempo todo. Oras, o Espírito Santo nos guia a saber quando cessar a oração por alguém que já está condenado em si mesmo (Tt 3.10-11), como é o caso da seita “Testemunhas de Jeová”, que nega a divindade de Cristo e blasfema contra o Espírito Santo. Portanto, uma abordagem mais direta e literal das Escrituras pode nos levar a um entendimento que esteja mais perto da verdade nesta passagem, já que sabemos que o único pecado que não tem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mc 3.29).

De todo o modo, temos a antítese deste texto e essa antítese é a certeza da resposta de Deus diante das nossas orações. Do que o apóstolo está falando aqui? Repito: Ele está simplesmente dizendo que Deus irá responder a todas as nossas orações – todas as nossas orações consistentes com o Seu nome e consistentes com a Sua vontade, exceto uma. Existe uma exceção aqui, e essa exceção é se você está orando por alguém que tenha cometido pecado para a morte. Disso nós podemos ter certeza, independente da posição teológica que cada um terá após o término deste artigo.

Em outras palavras, a decisão final já foi tomada por Deus quanto ao futuro dessa pessoa e não haverá mudança. Deus mostra à Igreja que o futuro daquela pessoa é a morte. A pergunta que fica agora é se esta morte é eterna ou não. Trata-se de morte física ou espiritual? Como já fora provado, qualquer cristão instruído sabe quando alguém está perdido ou não, por mais que isso seja raro. Se a decisão final já foi tomada por Deus sobre o futuro deste ímpio e da sua morte eterna, obviamente todas as nossas interseções por aquela pessoa não terão nenhuma possibilidade de serem ouvidas e atendidas. Como eu disse no início, é uma forma estranha de abordagem, embora isso seja bíblico e há passagens para que nos afastemos de pessoas que sabemos já estarem condenadas. O estranho aqui é: O que são esses pecados para a morte e por que João nos exorta a não orar por quem comete tais pecados não especificados?

Se você, ao mesmo tempo, se atentar a este assunto para o lado positivo, ele está dizendo que a certeza e o privilégio de ter as orações ouvidas são tão grandes e expansivas, que apenas no caso mais extremo, onde já existe uma decisão final sobre o destino deste pecador e que ele vai morrer, é que não se deve orar por ele. Não se deve orar sobre o assunto porque, se isso já foi determinado por Deus, então a oração não vai ser respondida. Em vão será a oração por aquela pessoa. Ela simplesmente não é convertida e não irá se converter.

Você pode orar por uma pessoa que tenha caído em pecado. Talvez seja até um irmão próximo. Se este irmão, que caiu no pecado e – por determinação de Deus – não pecou para a morte, então Deus ouvirá a sua oração e responderá a essa oração; e Deus dará a vida para o indivíduo, pois se trata de um pecado que não leva à morte.

Literalmente, no grego, a expressão usada aqui é ‘há um pecado para morte’. E quando se diz que não se deve orar por essa pessoa, significa dizer que ‘não espere que qualquer coisa mude através de sua oração se aquela pessoa cometeu pecado para a morte’.

2 – SEGUNDA POSSIBILIDADE – Morte física (punição de Deus sobre um crente que está prestes a passar dos limites).

Neste caso, trata-se de um cristão – um verdadeiro cristão – e não apenas um cristão professo. Trata-se de um autêntico irmão em Cristo que comete um pecado para a morte. E é nesta posição em que me enquadro; e eu direi por quê!

Em primeiro lugar, deve-se considerar sobre quem o apóstolo está falando no início do versículo. Ele diz: “Se alguém vir pecar seu IRMÃO”. O que significa isso? Não se trata de apostasia (abandono da fé), nem de uma rejeição a Jesus Cristo. Também não se enquadra na situação tratada em Hebreus 6. Ele se refere a um IRMÃO. Sendo assim, trata-se de verdadeiros cristãos. Eles não são apóstatas, não rejeitaram a fé e não rejeitam a Cristo. Eles não rejeitam o Evangelho. Estamos diante de uma condição totalmente diferente da primeira possibilidade demonstrada, onde Deus condena um falso crente, o qual está em nosso meio, à morte eterna. Na primeira posição exposta aqui, eu falei do falso crente que continua vivo na carne, mas que está morto espiritualmente e a Igreja está ciente de que não adianta orar por aquele indivíduo. Não. Não é esse o caso aqui. Agora estamos falando de verdadeiros cristãos.

Neste caso, estamos falando de um verdadeiro cristão que comete um pecado e é punido por Deus com a morte. E isso pode acontecer? Sim, isso pode acontecer. Já aconteceu? Sim, aconteceu.

Temos vários casos citados no Velho Testamento e no Novo Testamento em que Deus puniu diretamente ou imediatamente com a morte física algumas pessoas que cometeram certos pecados. Existem duas maneiras pelas quais Deus fez e faz isso:

1 - Pela Sua própria mão, de forma sobrenatural.

Podemos citar três casos clássicos no Novo Testamento:


• Temos exemplos na igreja de Corinto. Há alguns pecados muito graves para os quais a punição de Deus é a morte. Você se lembra de 1 Coríntios 5? Havia um homem que cometeu adultério com a mulher de seu pai, e, provavelmente, sua madrasta; um incesto. Os irmãos da igreja foram orientados a colocá-lo para fora da igreja, para que fosse entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que ele aprendesse a não blasfemar. Isso foi feito para que seu espírito não se perdesse no dia do Senhor Jesus Cristo (julgamento de Jesus). O que isso nos diz? Vejamos o contexto da passagem:

“Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação. Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo,
seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” (1 Coríntios 5.1-5).

• Temos mais um exemplo em 1 Coríntios 11, onde constatamos que algumas pessoas vieram para a Mesa do Senhor com tanta superficialidade, hipocrisia e sem um honesto e sincero lidar com os seus pecados, que eles abusaram da Mesa do Senhor. E Paulo diz: “Devido a isso, alguns de vocês já morreram”. Deus matou aquelas pessoas que profanaram a Sua mesa. Isso é muito sério e não se trata de um costume da época ou de um proceder temporário de Deus, mas sim de um preceito contínuo e irrevogável para toda a era da Igreja.

• Houve também o caso de Ananias e Safira, descrito em Atos 5. Deus tirou suas vidas porque eles publicamente mentiram ao Espírito Santo, diante de toda a igreja.

Logo, acabamos de comprovar três casos de pecados que são punidos com a morte no Novo Testamento. Ou seja, tanto o incesto como a profanação da Mesa do Senhor e o mentir diante da igreja.

E no Velho Testamento?

• Temos o exemplo de Nadabe e Abiú, filhos de Arão (Lv 10.1-7). Trata-se de uma morte aplicada sobrenaturalmente por Deus. Vejamos a passagem:

“E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara.
Então saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor” (Levítico 10.1,2 – vide contexto).

• Outros exemplos desse tipo são Corá e seu clã (Nm 16.30-35); Acã (Js 6-7); Uzá (2 Sm 6); etc. Esse é o modo de Deus matar Seus servos de forma sobrenatural como punição por suas transgressões.

2 - Por meio da pena de morte aplicada por autoridades civis.

Constatamos também os pecados que
eram punidos com a pena de morte imediata, já que muitos pecados eram (e ainda são) considerados crimes sob pena de morte na Teocracia de Israel (Lv 20.1-27; Nm 18.22). Não adiantaria orar pelos que cometeram pecados punidos com a morte, pois seriam executados de qualquer forma por Deus, seja por Suas próprias mãos ou através de uma autoridade civil.

Uma curiosidade na história da Cristandade é que a seita Católica Romana fez uma classificação de pecados veniais e pecados mortais, incluindo nos últimos os famosos sete pecados capitais, como assassinato, adultério, glutonaria, mentira, blasfêmia, idolatria, entre outros. Porém, este tipo de classificação é totalmente arbitrário e não tem apoio nas Escrituras.

CONCLUSÃO

Assim, quais seriam os pecados que levam à morte de quem os pratica?

É aquele pecado que o Senhor determina ser o suficiente para que Ele tire a vida de um cristão. Não é qualquer pecado. O texto não indica que seja um único tipo de pecado. É o pecado numa época e num lugar que comprometem a Igreja e o testemunho de Cristo a um grau tal que o Senhor tira a vida do cristão.

Isso é simplesmente DEUS protegendo a Sua Igreja. É proteção para a integridade e pureza do Evangelho e do testemunho da Igreja. Há cristãos que se envolvem em algum pecado a tal ponto, que o Senhor determina, em Sua soberania, que eles estão em melhor situação no Céu e que a Igreja estará melhor sem eles comprometendo o seu testemunho.

E é assim que aprendemos que não se deve orar por esses irmãos. Imagine um adúltero dentro da Igreja, por exemplo. Poderia ser um adúltero sem arrependimento, mas não é. É um cristão que não está conseguindo lidar com tal pecado e não tem forças para sair dessa condição. É aí que entra o ato de ficarmos em silêncio diante dele e, no mínimo, excomungá-lo (entregá-lo a Satanás para ser morto). Não se deve orar sobre isso. Não irá adiantar. Este irmão, que professa verdadeiramente a Cristo, não consegue ficar firme em sua prática cristã. Todo cristão experiente sabe diferenciar um falso cristão do verdadeiro que lamentavelmente está fora de controle, mas chora de arrependimento. E, então, não se deve orar sobre isso (v.16). No entanto, não estaremos pecando se muitas vezes orarmos por algum irmão que esteja em pecado, pois não sabemos quem são todas as pessoas genuinamente cristãs dentro da Igreja. Isso pode acontecer. E acontece muito. Não, Deus não reprovaria tal oração. Como acabamos de aprender, Ele apenas deixaria de ouvir. A oração seria inútil.

Também não temos ciência plena se Deus está considerando o pecado de um verdadeiro crente um pecado digno de morte. Em outras palavras, o que o apóstolo está nos ensinando em 1 João 5.16-17 é que não devemos esperar que a oração seja ouvida caso o pecado de um irmão esteja fora de controle e ele simplesmente não consiga manter uma vida de santidade consistente. Como consequência disso, ele não é restaurado.

Agora, preste muita atenção no que eu irei dizer: Este crente do qual estamos falando é um eleito de Deus por definição. Ele não aprova os seus pecados. Ele CHORA por causa deles. Ele está arrependido? SIM. Mas ele não tem controle sobre o seu estado pecaminoso. O fato é que a Igreja sabe que aquele crente é um eleito de Deus porque ele odeia o próprio pecado e ama os mandamentos de Deus. Como prova escriturística disso, temos as palavras de Paulo em Romanos 7.15-19:

“Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço”.

E então vem o versículo 17 de 1 João 5: “Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte”. Vamos deixar isso claro. Somos todos provas vivas disso, não somos? Podemos cometer pecados, e todo pecado que cometemos é um ato injusto, contrário à justiça de Deus. Mas, nem todo pecado leva à morte.


Há pecado de rejeição entre os incrédulos que não levam à morte, certo? Incrédulos estão aqui, entre nós, vivendo e respirando. Também há pecado de crentes que não levam à morte, e estamos aqui e temos pecado. Mas, no propósito e plano de Deus, Ele frequentemente não considera que devemos ser removidos da terra para o bem da Igreja. Não até agora.

Sabemos que há sempre um toque de julgamento quanto a esse assunto. Há momentos em que eu gostaria de entender o critério para que um crente ou descrente morra por causa de um “pecado para a morte”. Você já teve esse pensamento? Do tipo: “Senhor, se não há um pecado para a morte no caso de um falso profeta, o que é um pecado para a morte então?”

Ou então: “Se profanar o nome de Jesus Cristo, deturpá-Lo e ainda se autoproclamar apóstolo do Senhor não é o mais hediondo dos pecados, o que seria, então?”.

Quando vejo o Senhor sendo desonrado e Sua glória diminuída, isso me dói! Mas, embora não conheçamos quais os critérios do Senhor para julgar um pecado dessa forma, sabemos que o Seu critério será sempre misturado com misericórdia e graça, e, assim, será sempre perfeito. Não posso entender como Deus tenha sido tão rígido com Israel durante seu mau testemunho e, ao mesmo tempo, tenha tolerado as aberrações de Davi em seus piores escândalos! De fato, Deus, por algum motivo que desconheço, tratou Davi de forma diferente quando este cometeu pecados que, certamente são para a morte. Deus foi gracioso para com ele.

Assim, se você vir um irmão em pecado e orar por sua restauração e nada acontecer, embora objetivamente seja da vontade de Deus a santificação e restauração de todo crente, e se esse irmão na verdade é um falso cristão, sua oração não será respondida mesmo. Este falso cristão está caminhando para a morte eterna. Se ele será morto agora ou dali um tempo, isso não importa. O que importa é que nenhuma oração terá efeito sobre ele.

De qualquer forma, se por determinação de Deus um cristão chegou a um certo padrão de pecado que leva à sua morte física em benefício da igreja, não haverá qualquer atendimento às orações feitas por sua restauração ou para evitar sua morte. E isso é tudo determinação da soberania de Deus.

Portanto, fora essas exceções, de acordo com o contexto de 1 João 5, qualquer outra coisa que você pedir em oração, que seja segundo a vontade de Deus, Ele ouvirá; e se Ele ouve, Ele responde. E se Ele responde, você tem o que você pediu. É incrível, não é? Temos grandes recursos à nossa disposição na oração. Recomendo que o leitor abra a sua Bíblia e medite em todo o capítulo de 1 João 5, pois ali aprendemos tudo sobre a certeza de que tudo o que pedimos a Deus em oração, exceto quando se está em pecado para a morte, Ele ouve. E se Ele ouve, Ele atende. Pode acreditar!

APÊNDICE

Por que me posiciono com essa segunda possibilidade de interpretação sobre o “pecado para a morte” (Morte física como punição de Deus em 1 João 5.16-17)?

Sou dispensacionalista. Por que? Porque a Bíblia é dispensacionalista. Minha abordagem ao escrever sobre as Escrituras é normal; isto é, literal, a menos que o texto sagrado me diga o contrário. O método de interpretação histórico-gramatical nos leva a um entendimento literal de qualquer texto que exija uma interpretação literal. Ou seja, se não há resquício de figura de linguagem ou de alguma alegorização de uma determinada passagem bíblica, essa passagem deve ser imediatamente interpretada como um ensinamento literal/normal das Escrituras. E este é o caso de 1 João 5.16-17. Esta passagem não nos apresenta nenhuma simbologia em sua linguagem. João não está falando de um “pecado para a morte espiritual”. Ele usa a expressão “pecado para a morte” e ponto final. Ele não disse que essa morte é espiritual. Portanto, não temos o direito de acrescentar a palavra “espiritual” aqui. Isso seria uma total falta de temor a Deus diante de Sua santa Palavra.

A hermenêutica é o estudo dos princípios e métodos de interpretação do texto bíblico. Segundo os comandos claros de 2 Timóteo 2.15, ao se envolverem com a hermenêutica, os crentes devem "procurar se apresentar a Deus aprovados, como obreiros que não têm de que se envergonharem, que manejam bem a palavra da verdade” (v.15).

Deste modo, o objetivo central da hermenêutica dispensacionalista é nos guiar por entre as passagens bíblicas com o propósito de nos levar a uma interpretação aplicada pela própria Escritura, e jamais pela ótica limitada de métodos humanistas, tais como o método de interpretação histórico-crítico ou alegórico. Assim, com base no método histórico-gramatical [literal] dos textos sagrados, atestado e aprovado pelo tempo, a intenção da hermenêutica dispensacional é mostrar o genuíno entendimento e aplicação da Teologia Bíblica. Quando falamos de Teologia Bíblica em termos de método interpretativo, estamos a tratar daquilo que foi dito somente pelos autores inspirados das Escrituras Sagradas, sem subterfúgios em opiniões dos (assim chamados) “reformadores” e/ou manuscritos não-inspirados.

A regra indispensável e crucial para o método histórico-gramatical de interpretação é que a Bíblia deve ser interpretada literalmente, a menos que a mesma nos forneça outra interpretação textual clara que aponte para um simbolismo intencionado pelo autor inspirado. Isto significa que a Bíblia deve ser sempre interpretada com base em seu significado normal ou simples, a menos que o texto sagrado revindique por si mesmo uma alegorização e o autor inspirado mostre claramente sua intenção de apontar para uma conclusão simbólica da passagem. A hermenêutica dispensacionalista se diferencia de todas as outras hermenêuticas por conta de sua consistência. Quando de frente para uma passagem bíblica, ela nos mostra de forma concisa se alguma figura de linguagem está, de fato, sendo empregada no manuscrito dos profetas ou dos apóstolos.

Na Bíblia não existem contradições ou múltiplos sentidos. Ela diz o que deseja realmente dizer (como no caso de 1 João 5.16-17 – O Pecado para Morte) e não pergunta ao homem se ele tem uma opinião secundária a respeito do que está escrito. Isto é, a palavra “morte espiritual” não está empregada ali e ponto final. Neste caso, o texto fala de “morte física”. Por exemplo, quando Jesus fala de ter alimentado "os cinco mil homens" em Marcos 8.19, o princípio da hermenêutica irrefutável exige que entendamos os “cinco mil” como um número literal – havia uma multidão de cinco mil pessoas esfomeadas e que foram alimentadas com verdadeiros pães e peixes por um Salvador dotado de poder milagroso. Qualquer tentativa de "espiritualizar" o número descrito em Marcos 8.19, ou de negar um milagre literal de Cristo nesse contexto, é lançar a inerrância das Escrituras na lata do lixo, acrescentar alegorias não intencionadas pelo autor e ignorar as leis da linguagem exigidas pelo autor da carta, que é comunicar um número real, literal e conciso, sem brechas para alegorizações.

Muitos intérpretes hereges e corruptos, ou até mesmo aqueles que precisariam estudar mais a Bíblia ao invés de ensiná-la, sobretudo aliancistas [adeptos da herética teologia do pacto] cometem o erro grosseiro de tentar buscar significados esotéricos que nunca são encontrados nas entrelinhas do texto inspirado, como se cada passagem tivesse uma verdade espiritual oculta que, segundo eles, deveríamos tentar decifrar. A hermenêutica bíblica do Dispensacionalismo nos mantém fiéis ao significado intencionado pela Palavra de Deus e mui longe de alegorizações estapafúrdias de versículos claramente literais que não nos permitem enxergar qualquer sinal de simbolismo nos mesmos.

O literalista (assim chamado) não é aquele que nega que a linguagem figurada e os símbolos são usados na Bíblia, nem nega que grandes verdades espirituais estão ali estabelecidas; sua posição é, simplesmente, que as passagens bíblicas devem ser normalmente interpretadas (ou seja, de acordo com as leis recebidas da linguagem) como quaisquer outras declarações são interpretadas – o que é manifestamente literal sendo considerado como literal e o que é manifestamente figurativo sendo assim considerado.


– JP Padilha
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SUMÁRIO: Os Planos Proféticos de Cristo

 Prefácio | John MacArthur


QUADRO ESCATOLÓGICO: O Premilenismo Futurista na Bíblia

INTRODUÇÃO: Por Que Estudar Profecia? | Richard Mayhue

CAPÍTULO 1 (PARTE 1): O que é o Dispensacionalismo? | Michael Vlach

CAPÍTULO 1 (PARTE 2): SEIS CRENÇAS ESSENCIAIS DO DISPENSACIONALISMO | Michael Vlach

CAPÍTULO 2 (PARTE 1): O Que o Dispensacionalismo Não É? | Michael Vlach

CAPÍTULO 2 (PARTE 2): Os MITOS Mais Comuns Sobre o Dispensacionalismo | Michael Vlach

CAPÍTULO 3 (PARTE 1): Por Que Premilenismo Futurista? | Richard Mayhue

CAPÍTULO 3 (PARTE 2): PREMILENISMO FUTURISTA 'VS' ALIANCISMO

CAPÍTULO 3 (PARTE 3): ALIANÇAS INCONDICIONAIS DE DEUS | Richard Mayhue

CAPÍTULO 3 (PARTE 4): AS FIRMES PROMESSAS DE DEUS | Richard Mayhue

CAPÍTULO 3 (PARTE 5): Sequência do Retorno e Reinado de Cristo | Richard Mayhue

CAPÍTULO 4: POR QUE UM ARREBATAMENTO PRETRIBULACIONAL? | Richard Mayhue

CAPÍTULO 5: E QUANTO A ISRAEL? | Michael Vlach

CAPÍTULO 6: E QUANTO A APOCALIPSE 20? | Matthew Waymeyer

CAPÍTULO 7: O CALVINISMO LEVA AO PREMILENISMO FUTURISTA | John MacArthur

CAPÍTULO 8: O Novo Testamento Rejeita o Premilenismo Futurista? | John MacArthur

CAPÍTULO 9: A Igreja Primitiva Acreditava num Reino Milenar Literal | Nathan Busenitz

CAPÍTULO 10: ATÉ QUE PONTO PODEMOS CRER NO PREMILENISMO FUTURISTA | John MacArthur

Capítulo 5 - Diagnóstico Não Cura

 

CAPÍTULO 5

DIAGNÓSTICO NÃO CURA


“De forma especial, não julgue os filhos e filhas da aflição. Não permita incriminações mesquinhas acerca dos aflitos, pobres e desanimados. Não se apresse em dizer que eles devem ser mais valentes e exibir uma fé maior. Não pergunte ‘por que estão tão exasperados e absurdamente temerosos?”. Não... eu lhe imploro, lembre-se de que você não entende o seu semelhante.”

Algumas situações nunca superamos. Nós as atravessamos, as atropelamos, mas nunca as superamos.

Vinte e cinco anos após a brincadeira fatal, quando alguém gritou “fogo!” e muitos morreram, Charles estava prestes a se dirigir a uma grande plateia durante uma série de reuniões da União Batista. Agora ele estava mais velho, um homem de meia-idade, um pastor experiente e conhecido. Todos os assentos estavam ocupados e centenas ainda procuravam entrar. Charles caminhou sobre a plataforma e, “reclinando a cabeça sobre a mão”, se viu “completamente desorientado”. Por quê?

A circunstância o fez lembrar, de uma forma tão vivida, a cena terrível no Surrey Music Hall, que ele se sentiu incapaz de pregar. Contudo, ele pregou. Na verdade, pregou bem, embora não houvesse conseguido se recuperar completamente da inquietação em seu sistema nervoso.

Charles viveu aquilo que hoje talvez chamaríamos de um “flashback”. Um momento na história, perfeitamente inofensivo, que dispara memórias de um momento anterior repleto de danos. Este se parece com aquele e dispara uma resposta traumática em nossos corpos e mentes. Até a habilidade graciosa de pregar bem não se “recuperou completamente da inquietação em seu sistema nervoso”. Vinte e cinco anos haviam se passado e Charles ainda sofria, no presente, o que lhe traumatizara no passado. Vinte e cinco anos...

Diagnosticar nossa depressão circunstancial, biológica e espiritual oferece ajuda, mas não põe fim em nosso desafio.

 

SUSPEIÇÕES MESQUINHAS AINDA PERSISTEM

Por causa da lentidão ou ausência de cura, os que sofrem de depressão deverão suportar diariamente vozes de condenação. Afinal de contas, “você já não deveria ter superado isso a essa altura?”.

A condenação provém daquilo que Charles chama de “suspeições mesquinhas”, e que muitos nutrem em relação àqueles que estão em depressão. Aos olhos de muitas pessoas, incluindo cristãos, depressão significa covardia, falta de fé, ou simplesmente falta de atitude. Tais pessoas dizem a Deus em oração, e pessoalmente a seus amigos, que o sofredor de depressão provavelmente está fingindo, é fraco ou não é espiritual. Em nossa frente, eles nos instruem a aumentar nossa coragem, nos envergonham ao nos fazer expor nossas mentiras ou citam a Bíblia para chacoalhar a nossa fé. Tentam argumentar conosco por meio da “lógica” para demonstrar e provar quão absurdos são nossos medos.

Ao escolherem essa postura, provam que não compreendem seu semelhante, homem ou mulher. Somente em momentos exasperados alguns deles finalmente admitem isso. Com toda a força, ou mesmo no sussurro de suas próprias lágrimas, gritam: “eu não compreendo você!”; “isto simplesmente não faz sentido algum!”.

A falta de controle leva tais pessoas a recorrerem de forma apressada a essas ferramentas de incriminação, julgamento, condenação ou exortação espiritual mal orientada, na tentativa de reparar a situação. Todavia, essas ferramentas simplesmente não funcionam com esse tipo de dor. Em vez disso, essas pessoas terão de aprender a usar uma ferramenta diferente. Caso contrário, apenas continuarão chutando o forno quebrado, esperando, em vão, suscitar o seu calor. Um pé dolorido e um amigo amassado são tudo o que tal BIRRA produzirá como resultado.

O que, então, precisamos reparar em nosso entendimento? A história de Charles pode ajudar a nossa própria.

 

A DEPRESSÃO É UMA ESPÉCIE DE ARTRITE MENTAL

Conforme Charles pregou a respeito da depressão, muitas pessoas atribuladas começaram a lhe escrever. Ele se sentiu como “um médico que repentinamente lhe tivera confiada uma nova prática”. Compartilhava o que aprendia a partir da experiência como cuidador e de sua própria experiência com a depressão.

De acordo com Charles, ditados desgastados e soluções rápidas não funcionam. A maior parte dos sofredores não pode simplesmente “ser dispensada somente com uma palavra ou uma dose de remédio, mas requer um tempo prolongado em que compartilharão suas lamúrias e no qual receberão conforto”. Um “trabalho superficialmente fácil e uma palavra precipitada” não resolverão. Não importa quanta compaixão ofereçamos, isso não ajuda. Em resumo, a depressão nos lembra que “há um limite para o poder humano (...) somente Deus pode remover o ferro quando ele penetra nossa alma”.

Também temos de reconhecer nossas próprias vulnerabilidades enquanto cuidadores e sofredores. Falando de uma ocasião em que se deparou em um dia com “vários casos lúgubres de depressão”, Charles começou a escorrer pelo ralo mental e emocionalmente. “O que devemos fazer nesses casos?”, indagou ele. “Fugir desses momentos? Em hipótese alguma”. Mas a graça deve assegurar nossa esperança, de outra forma, nós também “em breve vamos sentir que o Sol se foi”. Ambos, o sofredor e aquele que está tentando ajudar podem ficar sobrecarregados com sentimentos de todo infrutíferos e por isso até mesmo sofrer de culpa ou vergonha.

Talvez nada na vida nos lembre mais de que não somos Deus e que esta terra não é o paraíso, do que uma angústia indescritível, que às vezes desafia a própria causalidade e que não tem nenhuma cura imediata ou absoluta. Não há momento mais delicado, ou assento mais difícil para se sentar, do que aquele em que aguardamos o médico, quando este, depois de todos os exames solicitados sobre nossa carne fadigada e picada por agulhas, em revés nos admite: “simplesmente não sabemos”. Quanto maior é nosso infortúnio, então, quando a dor nos alveja de posições imprevistas dentro dos escombros bombardeados de nossa mente?

Com esse tipo de realismo, Charles colabora com “os mais sábios” auxiliadores, que não deixam de reconhecer “a dura verdade de que depressões graves não desaparecem da noite para o dia”. A depressão é melhor entendida enquanto “um tipo de artrite mental”. Diferente de outras aflições, ela nos infecta com uma paciência maligna. Frequentemente, nós que a sofremos não temos um resgate pronto ou imediato, próximo à costa de nossa ilha psíquica. Antes, devemos aprender as habilidades da graça necessárias para lá sobreviver e, assim, ajustar nossas vidas para o que significa prosperar dentro de suas condições.

Não obstante, por que o diagnóstico não resolve essa questão? Ele ajuda àqueles que sofrem a conhecerem o que os está assombrando. Esse tipo de designação pode aliviá-los. Isso também ajuda os cuidadores e companheiros a compreenderem que algo real e árduo acontece ao seu amigo. Mas por que com tanta frequência sua designação não transcende para a cura? Talvez uma analogia possa nos ajudar a pensar. Um esposo e uma esposa podem designar sua necessidade de amor, porém todos nós sabemos que designá-la não resolve, apenas rotula a sua carência de tal experiência. Designar a depressão é a mesma coisa. Rotula-se, mas não se resolve. Por que?

 

CAUSAS DESCONHECIDAS
E PALAVRAS SIMPLISTAS

Primeiro de tudo, uma cura não vem facilmente, pois, por conta de todos os nossos diagnósticos, amiúde a verdadeira causa permanece oculta. “Há um tipo de escuridão mental”, observa Charles, “em que você fica perturbado, perplexo, preocupado e incomodado – e talvez não sobre qualquer coisa tangível”.

Assim como o Rei Davi clamou para si mesmo: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?”, da mesma forma nós também arguimos conosco tentando descobrir a razão pela qual vemos e imaginamos notícias desagradáveis quando nenhuma delas de fato existe. “Você dificilmente pode dizer por que está tão deprimido”, diz ele. “Se pudesse dar uma razão para o seu desânimo, mais facilmente poderia superá-la”.

Em segundo lugar, a incapacidade de encontrar uma linguagem adequada também não ajuda. Em seu livro Perto das Trevas, William Styron observa que uma “aflição (muito) antiga” é frequentemente “indescritível”. O sofredor não consegue encontrar uma linguagem adequada e, congruentemente, o aspirante a auxiliador simplesmente não tem a capacidade de “imaginar uma forma de tormento tão alheia à experiência do dia a dia”. Explicações nesse caso são como segurar um pequeno fósforo aceso, à noite, dentro de um sistema de cavernas subterrâneas. Quanto menor a luz, maior é a escuridão.

Em suma, nossas palavras têm limites. Diagnosticar o câncer nos permite usar a palavra “câncer” e relacioná-la em conformidade com as situações. No entanto, nomear algo não elimina ter de suportá-lo diariamente, nem obriga nossos amigos a terem que se relacionar conosco enquanto o fazemos.

Qualquer um que já tenha realmente estado
doente sabe que o nível de tolerância para a
doença é baixo. Uma vez que as rosas de
melhoras começam a murchar, tudo muda.
Compaixão e cuidado se tornam fardos e a
vulnerabilidade se transforma em fraqueza. Se a
doença é algo tão nebuloso quanto a depressão,
as pessoas começam a tratá-la como uma
falha de caráter: Você é preguiçoso, incapaz,
egoísta, autocentrado.

“Seus amigos lhe dizem que você é nervoso, sem dúvida você é, mas isso não muda o caso”, diz Charles.

Em síntese, tente se lembrar disso: palavras de diagnóstico como “depressão” são bilhetes ou convites, não destinos. Uma vez que as tenha falado, é como se iniciasse a sua viagem com a pessoa, e não que a terminasse.

 

NÃO HÁ “UM TAMANHO ÚNICO”
NOS DIAGNÓSTICOS

Mas por quê? Quando usamos palavras que descrevem a depressão como um destino em vez de um convite, ficamos propensos a “guarnecer vários sofredores com um rótulo que esconde mais do que revela”. Começamos a tratar os sofredores genericamente, ao invés de trata-los como de fato o são em sua individualidade.

Assim como as miríade de pessoas com os nomes Roberto ou Júlia diferem imensamente na personalidade, embora compartilhem os mesmos nomes, da mesma forma cada pessoa que compartilha do mesmo diagnóstico de “depressão” difere no seu tipo específico. Como um floco de neve, embora existam texturas e padrões semelhantes para identificação, não há duas depressões totalmente iguais. “Cada caso é tão diferente quanto o sofrimento de cada pessoa”. O que significa que “a panaceia para uma pessoa é uma armadilha para outra”.

Se os que sofrem de depressão nos encontram vendo-os como uma categoria, não acreditam que os vemos por completo. Mas você não se importa no início. Em um primeiro momento, a designação de categorias dá uma esperança romântica. Eles estão frequentemente desesperados por qualquer tipo de alívio, mesmo que ilusório. Porém logo descobrem que a designação não cura. Algo mais profundo deve ocorrer. Sofredores veteranos não confiam mais em uma mera categoria nosológica como auxiliadora.

De acordo com o Dr. Richard Winter, “sem uma esperança realista, tudo está perdido”. A esperança realista é “a porta de saída das trevas da depressão e do desespero”. Se a nossa esperança está desgastada, aqueles que já sofreram o tempo suficiente para se decepcionar com todas as respostas que as pessoas têm oferecido ao longo do caminho, vão compreender o vazio de esperança que oferecemos a eles.

 

O QUE NÓS APRENDEMOS?

1. Para o sofredor, as causas e curas podem não ser encontradas em um determinado momento. Charles diz claramente: “Você pode estar cercado com todas as comodidades da vida, e ainda assim estar na miséria mais sombria que a morte se o espírito estiver deprimido. Você pode não ter nenhuma causa externa para a aflição, contudo se a mente estiver deprimida, o sol mais brilhante não vai aliviar sua tristeza. Neste momento, você pode estar oprimido por preocupações, assombrado pelo pavor e assustado com coisas que o inquietam”.

2. Para os auxiliadores, a nossa capacidade de ajudar é real, mas também limitada. Às vezes, tentamos focar em uma preocupação somente para descobrir que ela mudou e outra tomou o seu lugar. “Você se sente como Hércules cortando as cabeças de Hidra, que não cessam de se regenerar a cada golpe. Em desespero você desiste de sua tarefa (...) quanto mais você tenta se confortar”, pior as coisas ficam.

Consequentemente, devemos fazer uma pausa e com humildade admitir nossa posição de carentes. Não somos oniscientes. Não podemos saber tudo. Como o apóstolo Paulo nos recorda, somos como aqueles que olham para Deus, uns para os outros e para o mundo como que através de um espelho turvo. Sempre vemos, mas apenas parcial e vagamente (1Co 13.12).

Sobre esse ponto, Charles nos lembra a estabelecer o seguinte objetivo: sempre dar graças a Deus por aquilo que vemos claramente, não importa quão pequeno seja, e assim “reprimir nossa presunção”. Pois “conhecemos apenas em parte”, diz ele. “Amados, os objetivos que focamos estão distantes, e somos míopes”.

Então, uma esperança realista nos ensina a reconhecer, desde o início, que nossa visão também é limitada para tentar explicar a depressão. Não há lugar para o orgulho aqui. A graça de uma história maior, ou de uma visão mais ampla do que este momento específico de escuridão, deve nos orientar.

 

O BORDÃO DE SUA GRAÇA

Se a um homem coxo é oferecido um bordão, ele não precisa saber quem lhe deu e nem por que sua perna precisa de ajuda, antes precisa fazer uso da força do bordão e dar um passeio no jardim florido.

Muitos companheiros sofredores tiveram uma boa vida sem nunca saberem exatamente por que a escuridão os assombrou tanto. Quando descobrimos as razões dos porquês, damos graças. Todavia, quando as razões permanecem escondidas, aprendemos a dar graças também, e mancar inclinados sobre o bordão. De qualquer maneira, a graça nos vê nitidamente além da nossa visão. Ela pode suportar bem o peso que não conseguimos.

Então, como podemos falar do Bordão da Graça de Deus no meio de nossa incapacidade excruciante de encontrar curas, causas ou até mesmo consolo? Esse tipo de teologia barata não aprofunda ainda mais as ideias desgastadas e prejudiciais de uma esperança irrealista?

– Zack Eswine / A Depressão de Spurgeon: Esperança realista em meio à angústia – PARTE 2 – Cap. 5 – Pág. 81-92

SUMÁRIO DA SÉRIE "A DEPRESSÃO DE SPURGEON: Esperança Realista em meio à Angústia"

COMO REAGIR ÀS VISITAS DOS “TESTEMUNHAS DE JEOVÁ” | JP Padilha


 
O correto é repreendê-los e não recebê-los em casa, nem dar as boas vindas; nem mesmo cumprimentá-los (2Jo 1.10-11). Sendo assim, após detectá-los como falsos mestres, aplica-se Tito 3.10-11 e, por fim, 2Jo 1.10-11 naqueles indivíduos, pois são irrepreensíveis.

“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, 
sabendo que esse tal está pervertido, e vive em pecado, estando já em si mesmo condenado” (Tito 3.10,11).

“Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras”
(2 João 1.10,11).

Não é correto se submeter ao proselitismo deles ou tentar convencê-los por nós mesmos. Cristo ORDENOU que não déssemos as coisas santas aos cães após sabermos que são cães (Mt 7.6). Visto que isso é um mandamento, pecamos ao desobedecê-lo.

– JP Padilha
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JESUS DESCEU AO “INFERNO” E PREGOU AOS MORTOS? | JP Padilha


 
Antes de respondermos a essa pergunta, devemos ter em mente que a palavra “Inferno” vem do grego “Hades”, que significa “Sepultura”. Este lugar está reservado aos espíritos daqueles que morreram sem Cristo e agora se encontram em um estado de morte espiritual até a sua ressurreição para serem julgados e condenados no Grande Trono Branco. Não é para o inferno que os réprobos vão depois de serem condenados; é para o “Lago de Fogo e Enxofre” (Ap 20.10). Esse lugar (Lago de Fogo e Enxofre) está vazio até que o fim dos tempos venha. Não há ninguém lá. Portanto, só esse fator já prova que Jesus não esteve no lugar que costumamos chamar de “Inferno” para pregar a pessoas já condenadas. A propósito, Ele não pregaria a pessoas já predestinadas à perdição. Dito tudo isso, vamos examinar algumas passagens sobre Jesus ter descido ao Inferno e pregado aos mortos.


"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água" (1 Pedro 3.18-20).

"Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito" (1 Pedro 4.6).

Em primeiro lugar, devemos saber que todo ensino que defende uma segunda chance após a morte é herético e deve ser rejeitado. A Bíblia Sagrada claramente ensina que após a morte só resta ao homem o juízo:

"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9.27).

A interpretação correta de 1 Pedro 3.18-20; 4.6 é que o Espírito de Cristo, através da vida de Noé e de outros profetas, pregou aos mortos enquanto estes ainda estavam vivos. Por meio do ministério dos profetas, Deus anunciou aos homens a justiça e o arrependimento. No entanto, muitos deles rejeitaram a revelação de Deus através de sua Palavra. A suposta descida de Jesus ao "inferno" é pura imaginação do homem. Trata-se de uma das muitas interpretações estapafúrdias desse versículo que não coadunam com o contexto da passagem.

Biblicamente não há nada que prove que Jesus desceu ao "inferno". A Bíblia apresenta uma estrutura perfeita. Por isso, um texto bíblico jamais deve ser interpretado fora de seu contexto ou de forma isolada e incoerente com o restante das Escrituras.

Portanto, das várias interpretações a respeito de 1 Pedro 3.18-20; 4.6, a correta é aquela que diz que Cristo pregou aos mortos quando estes ainda estavam vivos na terra. É fácil perceber isso em 1 Pedro 1. O apóstolo afirma categoricamente que o Espírito de Cristo é quem conduzia os profetas em suas pregações no Antigo Testamento:

"Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir" (1 Pedro 1.10,11).

Aplicando esse texto ao capítulo 3.18-20 da mesma epístola, podemos entender sem dificuldade que Cristo, através de Noé, pregou às pessoas que desobedeceram naquele tempo e que agora são “espíritos em prisão”, ou seja, essas pessoas estão condenadas ao juízo eterno. Essas pessoas ouviram a pregação e a rejeitaram, ainda em vida. Como resultado, agora elas estão em condenação eterna.

Sobre o texto de 1 Pedro 4.6, o mesmo princípio é válido. Isso significa que o Evangelho foi pregado também aos mortos quando eles ainda estavam vivos.

Alguns "teólogos" também usam Atos 2.31 para defender que Jesus desceu ao "inferno". Esse texto registra a pregação do apóstolo Pedro no Pentecostes. Em sua pregação, o apóstolo diz que a alma de Jesus “não foi deixada no inferno, nem seu corpo viu corrupção”. Todavia, a tradução da palavra “inferno” nesse versículo vem do grego Hades, que nesse contexto, originalmente, se refere à sepultura. Em outras palavras, o apóstolo fala que Jesus não foi deixado no “estado de sepultado”.

Vale saber também que nesse texto o apóstolo Pedro está citando o Salmo 16.8-11. Pedro interpreta a profecia de Davi acerca da ressurreição do Messias. Ao fazer isso, ele aponta para o contraste entre o túmulo de Davi em Jerusalém e o túmulo de Cristo, que está vazio, pois Deus o ressuscitou dos mortos.

Quanto ao texto de Efésios 4.9, usá-lo para defender uma descida literal de Jesus ao “inferno” é forçar muito a estrutura do próprio texto. Uma interpretação assim desconsidera totalmente o contexto e o objetivo da mensagem transmitida pelo apóstolo Paulo. No texto, o apóstolo se refere ao ministério de Cristo na terra, ao plano de salvação e à unidade e organização da igreja como corpo de Cristo.

Também não existe uma possibilidade biblicamente aceitável de que Jesus desceu ao “inferno” para pregar o Evangelho para quem viveu nos tempos do Antigo Testamento para que eles tivessem uma chance de crer. Afirmar isto é a mesma coisa de considerar inúteis todos os profetas levantados por Deus no Antigo Testamento. Do próprio Noé, por exemplo, o Novo Testamento testifica que ele foi o “pregoeiro da justiça” (2 Pedro 2.5). Assim, a melhor alternativa é concordar com Pedro e afirmar que Cristo pregou através do ministério dos profetas.

E mais uma vez, estejamos alertas quanto ao que é o inferno e o Lago de Fogo e Enxofre. O inferno é o Hades (sepultura), onde se encontram os mortos em seus delitos e pecados, enquanto o Lago de Fogo e Enxofre é para onde eles vão após o juízo final – Ap 20.10 (muitas pessoas chamam esse lugar de “inferno”). O Lago de Fogo e Enxofre, chamado por muitos erroneamente de "inferno", está vazio. Ninguém nunca esteve lá, como pensam muitos. Os mortos em seus pecados (sem salvação) estão no hades, que é uma condição de morte enquanto aguardam a ressurreição de seus corpos para serem lançados no lago de fogo. Esse é o destino deles: Serem ressuscitados somente após o Milênio para serem julgados no Grande Trono Branco.

– JP Padilha
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HIPOCRISIA OU BURRICE? - JP Padilha


 
Os religiosos do sistema denominacional nos acusam de sermos "separatistas" e "contenciosos" por sermos contra o denominacionalismo na Igreja de Deus. Ora, se querem nos acusar disso, por que eles vivem se separando, inclusive por nomes que possam diferenciá-los uns dos outros, tais como "presbiterianos", "batistas", "assembleianos", etc., como se a Bíblia tivesse ensinado que existem vários tipos de "evangelhos", cada qual com seu próprio sistema doutrinário? Se querem que nos reunamos com aqueles que professam doutrinas estranhas ao evangelho dos apóstolos, por que não fazem eles isso? Por que eles não praticam o erro que tanto nos pressionam a praticar?


Na prática, alguém que se une a uma determinada denominação em detrimento das outras, já não tem autoridade para criticar aqueles que querem se separar das denominações, pois foi exatamente o que fez! Ao limitar-se a uma denominação, acabou deixando de lado todas as outras, pois ninguém pode ser Batista e Presbiteriano ao mesmo tempo. Portanto, ao unir-se à denominação de sua escolha, sua atitude o excluiu de todas as outras, deixando assim de guardar a unidade do Espírito. Quem quiser argumentar sobre este ponto precisará primeiro praticar por si mesmo a unidade que espera que os outros pratiquem.

– JP Padilha | O Evangelho Sem Disfarces – cap. 1 – Igreja ou Israel? - Trecho do artigo: "O que é a Igreja?"
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QUEM É O JP PADILHA? QUAL É A SUA PROFISSÃO?

Se você me perguntar o que eu sou, eu lhe responderei: "sou esposo". Se você insistir, lhe responderei: "sou pai". Você ...