Fumar é pecado? | JP Padilha


Antes de mais nada, é necessário comunicar ao leitor de que o meu objetivo neste capítulo é expor a sã doutrina dos apóstolos em sua pureza e condenar a heresia e o julgamento hipócrita contra hábitos que a Bíblia jamais condenou. Meu alvo neste trabalho é o Gnosticismo moderno disfarçado de “igreja santa”, desfazendo-me de qualquer posição baseada no senso comum. Também é necessário ressaltar que este artigo não é um estímulo ao fumo – um pequeno exemplo que escolhi como peça-chave para falar sobre o consumo de qualquer substância química em geral. Ou seja, cada leitor em particular deve inclinar sua ótica ao texto com base no uso moderado ou exagerado de uma determinada substância digerível que seja considerado relevante na discussão teológica.

Particularmente, sou abstêmio (de bebida alcoólica), embora não veja nenhum pecado em quem bebe com moderação, visto que a Bíblia não o faz. E isso não é definitivo. De vez em quando, gosto de tomar uma dose ou outra de vodka. Por outro lado, hoje sou um fumante moderado de palheiro, e, da mesma forma, não me condeno naquilo que aprovo (Rm 14.22). Antes dou graças a Deus por tudo (1Ts 5.18), e tudo que faço com consciência limpa, o faço para a Sua glória (1Co 10.29-31).

Por razão de zelo pelos que não têm consciência, digo que, por mim, ninguém no mundo fumaria ou beberia, nem faria qualquer outra coisa que possa escandalizar o seu irmão (1Co 10.32), uma vez que busco sempre pelo proveito do próximo e não o meu próprio, embora eu não possa alcançar a todos (1Co 10.33).

FUMAR É PECADO?

As Escrituras não estabelecem qualquer restrição ou proibição direta ao consumo do cigarro, do cachimbo ou do charuto. Todavia, isto não significa que a mesma Escritura não contenha uma resposta quanto à pergunta. Ela responde a várias questões não tratadas de maneira direta por Deus, mas de forma a apontar costumes e práticas que constituem a mesma natureza. 

Para começar, devemos entender que a Bíblia é quem determina o que é pecado, e não o homem. Da mesma forma, os hábitos viciosos do ser humano não são pecaminosos pelo fato de serem viciosos. A Palavra de DEUS é quem estipula se uma prática viciosa é ou não pecado. A Palavra de Deus também apresentará ao leitor a diferença entre restrição e proibição, como no caso da bebida alcoólica, frequentemente causadora de males incontáveis no período testamentário, mas que, no entanto, não é proibida de forma exaustiva por Deus. A mesma Bíblia que nos adverte sobre os perigos do vinho (Pv 20.1) também diz que o mesmo vinho é recomendado em doses equilibradas para fins de tratamento estomacal e para várias outras enfermidades (1Tm 5.23). E agora? Será que a Bíblia é – como dizem alguns insensatos – contraditória? Não. Quando a Bíblia trata deste assunto, ela aplica regras de como lidar com qualquer tipo de substância natural que Deus, em Sua infinita sabedoria, proporcionou ao homem para que ele usufrua com equilíbrio e sabedoria (Gl 5.22). Na verdade, isso é tão fácil de entender que basta raciocinar no fato de que os medicamentos mais simples que ingerimos no dia a dia são mais danosos ao corpo do que o cigarro e a bebida juntos. Para ser mais franco, uma simples análise dos componentes do adoçante (produto muito bem visto pela cultura atual) fará com que os leitores humildes admitam que condenar um homem que fuma um cigarro para relaxar não faz sentido algum, além de ser antibíblico. 

Antes de darmos início ao exame das Escrituras Sagradas, vamos observar alguns pontos interessantes da história do Cristianismo com relação ao fumo:

Em primeiro lugar, até poucas décadas atrás o cigarro nunca foi considerado um mal entre os cristãos ortodoxos. Na verdade, o fumo começou a ser apontado como pecado por alguns ramos do Protestantismo na metade do século XX, somente quando descobriram os malefícios da nicotina. Ainda assim, até hoje se espera de tais religiosos um argumento plausível que faça do fumo em si um pecado diante de Deus.

Considerado como uma prática indiferente, no passado era comum ver cristãos piedosos, claramente fieis a Deus e à Sua Palavra, fumarem seus cachimbos e charutos pelas ruas. Isso porque os cristãos mais instruídos estavam mais atentos e preocupados ao que de fato era pecaminoso, como por exemplo o uso de roupas íntimas em público. Para quem não sabe, quando o biquíni foi inventado, as empresas tiveram que contratar prostitutas para propagarem seus produtos, uma vez que as mulheres da época, mesmo as não-cristãs, ficaram chocadas e se negaram, por muitos anos, a ficarem seminuas em qualquer lugar público.

Se você prestar atenção na história, verá que o biquíni foi apresentado pela primeira vez em 1946, em uma piscina pública de Paris, e foi criado por Louis Réard. A primeira mulher a usá-lo foi Micheline Bernardini, uma dançarina de boates que posava para revistas, pois nenhuma modelo da época havia aceitado o convite.

Antes da década de 1940, nenhuma mulher se atrevia a expor seu corpo em público, e isso era escândalo também para os homens. As únicas mulheres desta época que mostravam seus corpos eram prostitutas.

Sendo assim, que os fariseus modernos me poupem de seus discursos pseudo-teológicos a fim de legitimar algo que Deus odeia (a lascívia – Gl 5.19) enquanto condenam a prática do fumo (algo que Deus não o fez).

Mas, o mundo é mesmo muito louco. A falta de pudor e modéstia, severamente condenada na Bíblia sob o nome de lascívia e prostituição (Gl 5.19), é vista pelas igrejas contemporâneas como algo normal. Enquanto isso, os fumantes que fazem uso moderado do cigarro são vistos como monstros, mesmo Deus nunca tendo proferido qualquer julgamento contra eles. 

Não obstante, muitos argumentam dizendo que fumar é pecado por várias razões sem respaldo bíblico. Tais argumentos são tão circulares e repetitivos que chegam a clamar por inteligência. Vejamos alguns desses argumentos e respondamos a eles com a Palavra de Deus.

1. “Fumar é pecado porque vicia”.

Se o cigarro é pecado por ser um vício, o café, o chocolate, os refrigerantes, os chás e o chimarrão do sul também o são, pois todos eles contêm cafeína, uma substância química estruturalmente semelhante à nicotina contida no tabaco, com poder de causar dependência (vício) equivalente ao desta última.

“A Cafeína é a droga psicoativa mais amplamente consumida e é um estimulante de uso legal facilmente disponível até para crianças. A Cafeína tem sido ocasionalmente considerada uma droga de abuso e seu potencial para causar dependência tem sido debatido” (NAOSHI OGAWA md, HIROFUMI UEKI md [2007]; Clinical importance of caffeine dependence and abuse/Psychiatry and Clinical Neurosciences, Volume 61, Number 3, June 2007, pp. 263-268[6]).

Agora, note uma coisa interessante no sistema religioso atual. Comer em demasia é um pecado denunciado com todas as letras na Palavra de Deus. A glutonaria aparece ao lado de "invejas, homicídios e bebedices" em Gálatas 5.21. Ela é também companheira das "dissoluções, concupiscências, borrachices, bebedices e abomináveis idolatrias" em 1 Pedro 4.3 e Romanos 13.13, além de ter sido particularmente denunciada pelo próprio Senhor Jesus em Lucas 21.34. Ainda assim, você já deve ter presenciado muito crente obeso lançar condenações maldosas contra um irmão fumante. Certamente que pessoas como essas ainda não aprenderam, ou, no mínimo, se esqueceram do ensino de Jesus sobre o julgamento hipócrita em Mateus 7.4: "Como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão"

Esta passagem, muitas vezes usada erroneamente para afirmar que Jesus nos proíbe de julgar o pecador, na verdade é uma denúncia contra um tipo de julgamento específico. Aqui, o Senhor Jesus condena o julgamento hipócrita, que é quando julgamos alguém por algo que nós mesmos praticamos. No caso em questão, qualquer pessoa que tenha vícios (seja em televisão, em celular, em doces, em refrigerantes ou café) está julgando sem a reta justiça requerida por Cristo na passagem ao julgarem o ato de fumar, e, portanto, está em pecado.

2. “Fumar é pecado porque destrói o templo do Espírito Santo que somos nós”.

Quantas vezes somos surpreendidos por clichês do tipo: "Você fuma? Então você está destruindo o templo do Espírito Santo”. “Você toma bebidas alcoólicas? Então você está destruindo o templo do Espírito Santo”. “Você faz tatuagens? Então você está destruindo o templo do Espírito Santo”. “Você come salsicha? Então você está destruindo o templo do Espírito Santo...” etc. Há várias outras razões pelas quais a ignorância acerca das Escrituras Sagradas leva cristãos nominais a esse entendimento espúrio do texto de 1 Coríntios 6.18-20. Contudo, a simples leitura do contexto dessas passagens nos diz o que é "destruir o Templo do Espírito Santo, que somos nós”. Quando a Palavra de Deus diz isso, ela está se referindo a um pecado específico: A FORNICAÇÃO (ou, em outras traduções – prostituição).

Observemos o contexto: "Fugi da FORNICAÇÃO. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (1 Coríntios 6.18-20).

Esse é o contexto. "Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que FORNICA peca contra o seu próprio corpo" (v. 18).

O texto é claro: o pecado contra o corpo é a FORNICAÇÃO.

Na época de Jesus não existia cigarro, mas havia bebida alcoólica. E Ele bebia. Foi motivo suficiente para os FARISEUS o acusarem de beberrão. Certamente, nos dias de hoje, Jesus seria um belo fumante de charuto e seria motivo de escândalo entre os FARISEUS modernos, além de ser acusado por eles de viciado em fumo! Ah, como eu queria ver essa cena!

Sendo assim, o julgamento contra o fumo em si é herético. Tal postura farisaica não condiz com a genuína Palavra de Deus e deve ser considerada como um falso evangelho, isto é, maldito (Gl 1.6-10). Neste caso, até que se prove o contrário, quem está condenado ao inferno são aqueles que traçam um prognóstico desprovido da reta justiça (Jo 7.24) e contrário às leis de Cristo. Tais indivíduos devem se arrepender de fazerem julgamentos hipócritas e se converter de seus maus caminhos.

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7.24).

EQUILÍBRIO PRÓPRIO

“Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai de sua boca, isto o torna impuro...” (Mateus 15.11).

“Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Então chega o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: ‘Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores’. Todavia, a sabedoria é comprovada pelas obras que são seus frutos”
 (Mateus 11.18-19).

1. A Bíblia não proíbe o consumo de substâncias naturais, mas se restringe em condenar o ABUSO delas.

Um dos frutos do Espírito é o equilíbrio próprio (Gl 5.22). A virtude do equilíbrio próprio consiste em evitar toda espécie de excesso ou descontrole. Ou seja, tanto o ABUSO da comida como o do álcool, do fumo ou de medicamentos é condenado explicitamente pela Escritura (Gl 5.22). Porém, nada é dito contra qualquer uma dessas coisas em si mesmas. Em contraste com o fruto do Espírito, encontramos dezessete obras da carne nos versículos 19,20 e 21 de Gálatas 5. Entre elas estão a glutonaria e a bebedice, ambas relacionadas ao ato de ABUSAR da comida e da bebida, não de fazer o uso equilibrado delas. Sendo assim, comer, beber e fumar moderadamente não é pecado.

2. A HIPOCRISIA DISFARÇADA DE PIEDADE

Pessoas por todas as partes consomem uma quantidade equilibrada de cigarros de tabaco, quatro ou cinco vezes por dia. Algumas delas usufruem disso uma ou duas vezes por semana. É algo bem subjetivo, dependendo de cada pessoa. Isso vale também para o cachimbo e o charuto. Não obstante, não há estudo comprovado nenhum que prove que o fumo moderado cause qualquer dano relevante à saúde. E isso não é, em hipótese alguma, um incentivo para se fumar. Todavia, posso afirmar, sem falso temor e sob a base da ciência, que o cigarro é menos nocivo ao corpo humano do que muitas porcarias que a nossa sociedade consome tranquilamente nos Fast-food's da vida, sem que nenhum moralista hipócrita venha nos incomodar com prognósticos insensatos envolvendo o nosso caráter cristão. Os poucos cristãos genuínos que ainda restam na cristandade piram com esse tipo de farisaísmo mascarado de piedade e ortopraxia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, milhões de pessoas morrem todos os anos por doenças supostamente causadas pelo cigarro. Entre as doenças mencionadas por essa Organização estão o câncer, doenças respiratórias, doenças do coração e dependência química. Todavia, essa tese já vem sendo desmistificada ao longo dos anos. Trata-se de uma tese relativa, não objetiva. O cigarro pode fazer mal àqueles que têm predisposição a doenças como o câncer, mas não faz mal algum àqueles que não possuem genética para doenças adjacentes. Essa teoria de que o cigarro em si causa câncer, por exemplo, é um MITO. Muitos fumam até aos 100 anos e morrem sem nenhum dano feito pelo cigarro. Outros, com predisposição GENÉTICA, são prejudicados pelo cigarro, e nem por isso o segundo grupo está em pecado.

Sob a base da Escritura e após exaustivo exame temente e responsável da Palavra de Deus, aprendi que não é a comida, o álcool ou o fumo que degrada o homem, mas o homem é quem degrada tanto a comida como o álcool, o fumo e tudo que ele encontra pela frente. É o mau uso que faz do homem um dependente mórbido das coisas terrenas, fazendo-o criar ídolos para si (Cl 3.5). Nunca vi taças de vinho com vida própria, se insinuando para os homens com trajes de prostituta, olhos lascivos e línguas venenosas, colocando-se em suas bocas. Do mesmo modo, jamais presenciei um cigarro se levantando para envenenar a mente das pessoas com palavras torpes, ganância, inveja, mentiras, calúnias, falsas suspeitas e heresias de perdição. A propósito, tenho certeza de que jamais verei um cigarro falante pedindo para ser fumado. Logo, concluímos que o mal está no homem e não no que ele toca, prova ou manuseia (Cl 2.20-21).

3. TRÊS PREMISSAS E UMA CONCLUSÃO:

1 - O primeiro milagre de Cristo, o qual inaugurou Seu ministério na terra, foi transformar a água em vinho em uma festa de casamento (Jo 2.1-12).

2 - Deus não pode ser tentado pelo mal, e Ele a ninguém tenta (Tg 1.13).

3 - Ao contrário do cigarro e de outras substâncias existentes no mundo, a bebida é claramente apontada pela Bíblia como algo extremamente perigoso para a vida espiritual (embora não condenável em si), e que deve ser evitado. Um pequeno exemplo dentre muitos está em Isaías 28.7. Veja o que Deus diz sobre o vinho e sobre qualquer outra bebida forte: “Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo” (Isaías 28.7).

O mesmo Deus que disse essas palavras, disse em outro contexto com relação aos dízimos que não podiam chegar a tempo no Templo de Jerusalém: “E quando o caminho te for tão comprido que os não possas levar (os dízimos), por estar longe de ti o lugar que escolher o Senhor teu Deus para ali pôr o seu nome (o Templo), quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado; então vende-os (os dízimos), e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher o Senhor teu Deus; e aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa” (Deuteronômio 14.24-26).

CONCLUSÃO:

Pergunto aos fariseus da nova era: Jesus pecou ao beber? Ou, como costumam afirmar os liberalistas teológicos, a Bíblia entra em contradição consigo mesma? Como alguém, sendo no mínimo alfabetizado, pode afirmar que tomar bebida alcoólica ou qualquer outro tipo de bebida com álcool, de forma moderada, santa e agradável diante de Deus, é pecaminoso? Se a bebida alcoólica, que possui componentes que podem alucinar um homem devido ao seu mau uso, como poderíamos condenar um ato tão demasiadamente menos ameaçador como o fumar?

Mas, se alguém ousa repetir as velhas queixas baseadas em seus próprios pensamentos e tradições humanistas, inúteis para a vida espiritual, o que lhes restará senão que suas vãs filosofias virem fumaça quando o Filho do Homem vier para julgar todos os que viveram de fato no pecado, incluindo no ato de julgar sem a reta justiça (Jo 7.24)? Visto que a lei e o testemunho são os alicerces do julgamento justo, como escaparão do inferno (Is 8.20)?

Mas, aos que ouvem a palavra da verdade e se vêem livres dos velhos hábitos, digo: O fruto do equilíbrio próprio produz no homem a vontade e a aplicação de uma vida longe de hábitos exacerbados, quer no comer, quer no beber, quer no fumar. A temperança o leva a evitar toda a espécie de excessos, inclusive de medicamentos prescritos por médicos vocacionados por Deus para esta tarefa (o apóstolo Lucas era um). A Escritura alerta o tempo todo sobre aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado de qualquer coisa, estão pecando contra aqueles por quem Cristo se sacrificou e pondo em risco a segurança de todos à sua volta, tornando-se culpados por suas quedas.

BÍBLIA VS ACHISMO

"Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado" (Romanos 14.21-23).

Enquanto eu dava continuidade neste artigo, uma senhora, se dizendo “cristã”, com ares de intelectual e postura soberba, fez um comentário no mínimo estarrecedor no meu Facebook – pelo menos para alguém que se diz cristão. Assim, percebendo o perigo de alguém passar a ter uma mente cauterizada como a dela, e preocupado com aqueles que podem ser contaminados pelo mesmo tipo de mentalidade, registrei suas palavras, as quais se seguem: “Entendo como pecado qualquer vício! Mas é aí que o Espírito Santo entra: para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo. ‘Tô tranqüila!’ A morte de Jesus por mim não foi em vão; ele morreu pelos meus pecados de ontem, hoje e do futuro. Santificação, é esse processo que devemos viver: de tentar agradar a Deus todos os dias” (Sra. Achismo).

Para a compreensão do leitor, editei os erros ortográficos e pontuações da Sra. Achismo. Como se pode perceber, também adaptei seu nome para que ela não seja exposta e reflita nas palavras de correção as quais tecerei igualmente no parágrafo abaixo:

Pensamentos como o da Sra. Achismo podem parecer bíblicos à primeira vista, mas não são. Na verdade, esse tipo de confusão doutrinária traz sérios desdobramentos para a vida prática do cristão e o coloca numa situação bem complicada. A respeito do primeiro ponto, a Bíblia diz: "Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova" (Romanos 14.22). Isto significa que, quando você se condena por qualquer prática que não constitui-se necessariamente pecado, você está tornando-a pecado por si mesmo e está condenando a si mesmo porque sua consciência está suja. Em segundo lugar, o argumento de que "não é preciso se preocupar com isso ou aquilo pelo fato de Jesus ter pagado o preço na cruz" é uma heresia antiga, praticada principalmente pelos antinomianos. A seita dos antinomianos possui até o seu sistema de doutrinas próprio e se chama “Antinomianismo” (Confira meu artigo “Legalismo e Antinomianismo: Dois extremos opostos que pisam na graça”). Adeptos da filosofia antinomiana pensam que a graça de Deus anula a responsabilidade da Igreja em se santificar em temor e obediência às leis de Cristo. Tal doutrina antibíblica é também denominada como “Fatalismo Teológico”. Portanto, que todo leitor esteja atento a este alerta e fuja de tais heresias.

“Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados. Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” (Tito 1.15-16).

A sacarose possui mais de setenta e seis (76) meios de acabar com a saúde de um ser humano. Se os indivíduos que condenam o hábito de fumar se baseiam na impureza dos alimentos e de qualquer substância ingerida, eles terão que dizer adeus ao AÇÚCAR. 

Segue abaixo o link de um artigo chamado “Os 76 Modos do Açúcar acabar com a Saúde”
http://www.guiavegano.com/nutricao/nancy/76modos.htm

“O açúcar é oito vezes mais viciante que a cocaína e seu consumo diário é a causa de 95% de todas as doenças existentes” (David Permulter – Phd americano – autor do livro A Dieta da Mente).

FALSOS PROFETAS SEMPRE CONDENARÃO
OU ACEITARÃO AQUILO QUE LHES CONVÉM


Não demorará muito tempo e, assim como ocorreu ao longo da história do Cristianismo, surgirão mais falsos mestres gnósticos para estipularem suas listas preferidas de “pecados” para manter as mentes de homens carnais e ineptos cativas às suas fábulas e longe da Escritura Sagrada. O Diabo é sagaz, e se tem uma técnica que ele desenvolveu e aperfeiçoou com maestria durante a história da humanidade é o sofisma. Assim, ele pode usar grandes verdades de Deus para distorcê-las, aplicando regras com aparência de santidade a fim de que a doutrina de Cristo seja censurada e o verdadeiro pecado faça um ninho nas cabeças incautas.

Os fariseus engravatados dos nossos dias têm disseminado e praticado os pecados mais abominados por Deus como se fossem práticas normais. Através do método do sofisma, eles apresentam um falso evangelho em seus púlpitos ao se declararem abstêmios de tantas coisas para, no final, fazerem uma falsa aplicação da Palavra de Deus. O divórcio e o segundo casamento de divorciados são pecados enfaticamente condenados por Cristo, e, no entanto, ambas as práticas são tidas como normais nas igrejas que rotulam o fumante de “pecador”. Enquanto esses facínoras, travestidos de “pastores”, defendem o divórcio e o segundo casamento de divorciados como direitos invioláveis, com pretextos baseados na era patriarcal (ordenanças caducas da lei de Moisés), a inerrância das Escrituras é lançada no mar do esquecimento e essas duas práticas pecaminosas não são mencionadas pelos ministros da Igreja moderna em seus púlpitos.

Querem condenar o crente por fumar um cigarro antes de dormir, lançar outro crente na fogueira porque fez uma tatuagem no braço, lançar no inferno outros vários fieis que tomam cerveja em casa com sua família, mas pensam estar sendo “cristãos” ao ordenarem e seguirem “pastores” que estão divorciados e/ou no vigésimo casamento. 

Porém, eu lhes digo que todos que permanecem em estado de adultério ao deixarem seus cônjuges e se juntarem com terceiros irão para o inferno. Por quê? Porque Jesus Cristo assim o diz (Mt 19.3-11; 1Co 7.10,13-15,39; Rm 7.2-3). 

A LIBERDADE CRISTÃ E SEUS ASPECTOS

As cartas de Paulo são as mais enfáticas sobre a liberdade cristã e como nós devemos vivê-la com autoridade, não dando ouvidos ao que o próprio apóstolo denomina como “fábulas judaicas” e “mandamentos de homens” (Tt 1.14). Também é necessário uma busca pela maturidade espiritual a fim de que nossa liberdade não seja confundida com “liberalismo teológico”, o que está longe de ser sinônimo de liberdade em Cristo. O liberalismo desemboca na irresponsabilidade e falta de consciência para com a vida do próximo, além de nos afastar das leis de Cristo. Por outro lado, a liberdade cristã resulta em uma completa emancipação de inibições e tabus religiosos sem ferir nenhum princípio bíblico. Ou seja, o cristão, quando entende e desfruta dessa libertação, tem uma consciência limpa porque sabe o que é pecado e o que não é. Isso é bem diferente de ser “liberal”.

Não sendo conivente com qualquer padrão antibíblico, o apóstolo Paulo se adaptava facilmente a qualquer ambiente com a finalidade de apresentar Cristo (1Co 9.22). Longe dos métodos liberalistas do ecumenismo religioso, o qual tem a pretensão de apresentar um evangelho que se adapte ao gosto do pecador, Paulo tinha como alvo apresentar o verdadeiro Cristo a estas pessoas de diferentes lugares pagãos, sem, contudo, tentar retirar o fio da navalha do evangelho.

Da mesma forma, ao desfrutar da liberdade cristã com ousadia e intrepidez, o mesmo Paulo sabia que muitos cristãos não eram completamente libertos na consciência como ele. E essa deve ser nossa postura diante dos “fracos na fé”. Estamos agora falando da nossa conduta diante de pessoas que [ainda] estão em fase de crescimento espiritual. Elas simplesmente não estão preparadas para lidar com a liberdade concedida por Cristo em termos de ambientes, circunstâncias e culturas variadas. Nas palavras de Paulo, são bebezinhos espirituais e ainda se alimentam de leite, não de alimento sólido, porque ainda são incapazes de ingeri-lo.

“E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis” (1 Coríntios 3.1-2).

OS FRACOS E OS FORTES NA IGREJA

Dois grupos da comunidade cristã em Roma são o centro da mensagem de Romanos 14.1–15.13, identificados como “os fracos” e “os fortes”. Nesta carta, o apóstolo dos gentios exige que os “fracos” sejam tratados com mais tato, paciência e sabedoria pelos mais “fortes”.

OS FRACOS

A palavra grega para “fraco” é astheneo, que indica “fraqueza”, “indigência”, “impotência”, “falta de força por variados motivos”. No Novo Testamento, o termo é usado pelo menos quarenta vezes para designar doentes físicos. Desta forma, fica fácil perceber que o autor inspirado aponta para um tipo de “fé enferma”, ou, como eu prefiro chamar, “processo de amadurecimento na fé”. Sendo assim, o que falta ao fraco não é a fé em si, mas a liberdade de consciência.

Mas, afinal, quem são os fracos mencionados nesse contexto? Examinemos as possibilidades com base na carta em questão:

1. Ex-idólatras – Recém-convertidos do paganismo; grupo semelhante ao mencionado por Paulo em 1 Coríntios 8. Indivíduos que, mesmo resgatados da idolatria, por escrúpulo (hesitação da consciência), sentiam-se impedidos de comer carne que, antes de ser vendida nos açougues, era dedicada a ídolos.

2. Ascetas – Pessoas que exercitavam a disciplina do “autocontrole do corpo”, considerando que isso era algo necessário e imprescindível para chegar até Deus. Havia ascetas presentes na igreja em Roma, o que explica por que se abstinham do vinho e da carne (Rm 14.21).

3. Legalistas Consideravam as abstenções como “boas obras” necessárias para a salvação. Esse grupo é facilmente encontrado em qualquer esquina hoje, especialmente entre evangélicos e católicos, e, sobretudo, no movimento pentecostal e carismático. Eles não entendem a suficiência da fé em Cristo Jesus para a justificação do salvo.

4. Cristãos judeus No caso da epístola que estamos examinando, essa é a possibilidade mais satisfatória. Eram os que ainda permaneciam com a consciência voltada para as regras do Judaísmo, especialmente referentes a dietas (comer apenas alimentos considerados limpos – Rm 14.14,20) e aos dias festivos do Velho Testamento, os quais foram abolidos por Cristo (guarda do Sábado e festivais judaicos – cerimônias que nunca foram ordenadas aos cristãos). A carne de porco, por exemplo, era considerada impura no Judaísmo e a Lei exigia que eles não a comecem. É por isso que os cristãos judeus tiveram tanta dificuldade para deixar esse costume, uma vez que a abstinência de alimentos no Cristianismo é totalmente inútil e pecaminoso (1Co 10.25-27; 1Tm 4.3). Deus ordena que a Igreja não se abstenha de nenhum alimento, e Ele condena líderes que obrigam os fieis a se absterem de qualquer alimento.

OS “FORTES”

A palavra grega para “forte” é dynatos, e significa “alma forte”, “capaz de suportar calamidades com coragem e paciência, firmes nas virtudes cristãs”. Embora todo homem seja fraco por natureza (Rm 3), aqui o termo indica um cristão maduro na fé e no trato com o próximo, pois Cristo concedeu a ele essa força, enquanto que para outros não.

Por dever de ofício, devo esclarecer ao leitor que esses “fortes” na fé não são fortes por serem valentes em si mesmos, nem por serem mais espirituais que os fracos aqui mencionados. Nesse sentido, devo lembrar-vos de que “quando estou fraco é que sou forte” (2Co 12.10). Todavia, aqui nós estamos a tratar de uma força no sentido de que o crente está amadurecido espiritualmente para lidar com ambientes e circunstâncias que não interferem mais em seu caráter cristão, embora ele deva vigiar em todo o tempo a fim de se manter de pé (1Co 10.12).

Com a Igreja atual não é diferente. Assim como a igreja em Roma, o cenário da Igreja de nossos dias revela sua inegável similaridade. Existem fracos e fortes na fé. É nosso dever orar sem cessar para que os poucos cristãos que ainda prezam pelo evangelho santo e puro saibam lidar com essas pessoas debaixo do temor a Deus e com conhecimento.

A MATURIDADE NA FÉ (Rm 14.1-2)

A Palavra de Deus registra pelo menos quatro níveis de fé dentro do Corpo de Cristo: (1) nenhuma fé (Mc 4.35-41), (2) pouca fé (Mt 14.22-33), (3) grande fé (Mt 15.21-28) e (4) inigualável fé (Mt 8.5-15). Continuando nossa análise do contexto de Romanos 14.1–15.13, percebemos que a união entre os membros da igreja em Roma estava ameaçada. Isso aconteceu pelo fato de que os cristãos maduros, já libertos do jugo do legalismo e das regrinhas caducas do Judaísmo, estavam em constante conflito com os cristãos imaturos, os quais ainda permaneciam debaixo de pensamentos e filosofias hipócritas, mesmo tendo o conhecimento de Deus. Enquanto o primeiro grupo entendia bem a amplitude da liberdade cristã pela fé em Cristo Jesus e sob as leis direcionadas à Igreja de Deus, o segundo grupo se mantinha com a consciência perturbada devido às velhas crenças e práticas arraigadas em suas mentes. Eles simplesmente não sabiam exatamente o que fazer e o que não fazer quando se deparavam com questões frívolas da vida, tais como: “posso comer isto? Posso beber aquilo? Posso usar isso? Posso tocar naquilo?”... etc. 

Mais uma vez, com a Igreja atual não é diferente. O problema da falta de pureza na consciência ainda insiste em corromper a Igreja de Cristo e a levar muitos a se apostatarem da fé (uns por causa do legalismo, outros devido ao liberalismo). Ao questionarem os assim chamados “pastores” e “líderes” a respeito do uso do fumo, da bebida, da tatuagem e de outros hábitos alvos do farisaísmo atual, os membros são alienados pelos mais variados tipos de respostas malucas que visam prendê-los debaixo de um jugo cruel e inútil para a vida espiritual. Isso é tão sério, que pessoas por toda a parte, pensando servir a Deus, se afastam de Sua lei para dar ênfase a essas listas de regrinhas que lhes foram impostas pelo sistema religioso com relação aos hábitos, usos e costumes que a Bíblia jamais condenou em si mesmos.

De volta às passagens bíblicas, sabendo que os cristãos maduros entenderiam melhor esse conflito, o apóstolo da graça direciona a eles duas ordens práticas em relação aos imaturos – enfermos na fé: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas” (Romanos 14.1). Imaturos e enfermos na fé são aqueles que vêem pecado em tudo: no comer, no beber, no fumar, etc.

UM CONSELHO FINAL

1. Recebam de forma genuína e de boa mente aos que são débeis na fé, porquanto não estamos, agora, lidando com ímpios irredutíveis, mas com homens claramente tardios em compreender o que vocês já compreendem. Eles são lentos no entendimento, mas não estão regredindo nem se apostatando. Antes, mesmo devagar, estão crescendo em graça e conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, recebamos esses queridos irmãos com amor não fingido.

2. Não entrem em contendas duvidosas com esses crentes; não os recebam com o objetivo de discutir opiniões frívolas e inúteis para a salvação. Não entrem em conflito envolvendo a consciência individual.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (1Coríntios 10.23).

– JP Padilha
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Posso ouvir músicas do mundo? | JP Padilha


Sim. O cristão pode ouvir boas músicas feitas por pessoas que não são necessariamente convertidas. Aliás, muitas das músicas seculares são mais bíblicas do que as que se dizem “gospel”. Ao mesmo tempo que uma música gospel pode se mostrar ímpia, profana e blasfema, uma música secular pode se mostrar inteiramente bíblica. Não encontramos na Bíblia uma separação entre “músicas do mundo” e músicas que seriam “sagradas”. Essa é uma separação inventada pelos homens e até mesmo recente. É claro que existe diferença entre as músicas que ouvimos como forma de entretenimento e o louvor, que consiste em se direcionar somente a Deus para adorá-lo com nossos lábios (sem instrumentos adicionais). Músicas seculares são para entretenimento; são para relaxar, se divertir, etc. Louvor é para ser direcionado somente a Deus, não para diversão e barulho. Músicas seculares podem conter instrumentos musicais; músicas de louvor não devem conter instrumentos musicais, e eu explicarei por quê!

É evidente que não são todas as músicas que nos convém ouvir, mas, de nenhuma forma a Bíblia nos proíbe de ouvir músicas que não se enquadrem em um padrão criado por homens que classificam certas músicas como sacras ou gospel e outras como “não sagradas” e profanas.

Temos inteira liberdade para ouvir músicas que não contrariam as verdades da Palavra de Deus. Elas certamente podem ser ouvidas sem problema. Na Bíblia é dito que os judeus não somente louvavam ao Senhor, como também cantavam e dançavam respeitosamente as canções oriundas da nação de Israel.

Como já fora tratado neste livro, no culto a Deus não é permitido instrumentos musicais, nem danças, nem qualquer representação não estabelecida por Ele mesmo para culto e ministério. Em contraste com a Igreja, para os judeus o corpo físico e a demonstração externa de adoração era extremamente importante, e estava intimamente ligado à religião. No Antigo Testamento, a dança era uma manifestação de adoração a Deus e comumente utilizada após vitórias militares e durante celebrações ou festividades. Partindo-se do princípio que Jesus era judeu e sua pregação estava fortemente ligada aos princípios designados a Israel, logicamente que Ele também participava de todas as cerimônias judaicas.

O que devemos saber também é que não somente as letras das músicas que ouvimos devem ser analisadas minuciosamente, como também seus ritmos, visto que existem ritmos que incitam naturalmente à sensualidade e devem ser evitados e até mesmo abominados, como no caso do Funk brasileiro, Axé, etc. Se uma música possui uma letra digna de aceitação por parte da Palavra de Deus, mas seu ritmo leva pessoas em direção ao pecado, é o mesmo que ouvir músicas com letras satânicas. Da mesma forma, se o ritmo não te leva ao pecado, mas a letra é profana e pecaminosa, dá no mesmo. Isso é pecado e ponto final.

Assim como devemos analisar tudo sob a autoridade máxima das Escrituras Sagradas, com a música não é diferente. Todo cristão deve aprender a ser seletivo com relação a tudo em sua vida, e não somente à música, separando o que não é de Deus daquilo que não é de Deus.

Não se trata somente de música. A regra serve para todo tipo de arte (livros, filmes, peças, televisão e também músicas ditas “gospel”). Existem muitas coisas que prejudicam a nossa vida espiritual e que não nos edificam. Essas coisas devem ser rejeitadas para nossa saúde espiritual, seja música, seja filme, seja programa de TV ou outra qualquer coisa.

Existem músicas chamadas “músicas do mundo” que são lindas e puras, e que não se enquadram no rótulo “gospel” ou “evangélica”, pois o que existe de profanação no denominacionalismo evangélico hoje não se pode contar nos dedos. Há muitas músicas seculares que falam da natureza, do amor, do romance entre casais casados, dos vários sentimentos da nossa alma, da sociedade e de muitas outras coisas boas e dignas. Não há pecado algum em ouvi-las.

A Bíblia diz: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4.8). Isso significa que é mais do que justo e normativo que busquemos pensar e fazer coisas que nos façam sentir bem durante a nossa peregrinação na terra. Ora, é a própria Bíblia quem nos diz isso.

Uma coisa que devemos notar é que vários dos poemas bíblicos não falam diretamente sobre Deus, mas contém sabedoria e poesia inspiradoras que, no fim, acabam apontando para a grandeza de Deus. Não há pecado em trazê-las para dentro de nossos ouvidos.

Paulo ensina que o tipo de separação que os ignorantes fazem entre coisas puras e impuras nem sempre é correta quando é feita fora do que a Palavra de Deus ensina: “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tito 1.15).

MÚSICAS “GOSPEL” QUE SÃO PIORES
QUE “MÚSICAS DO MUNDO”


As músicas ditas “evangélicas” ou até mesmo “cristãs”, incluindo aquelas que os religiosos erroneamente chamam de “louvor”, precisam sempre passar por uma análise criteriosa, pois, muitas delas são de conteúdo profano e antibíblico, com letras totalmente contrárias aos princípios da Palavra de Deus. Devemos tomar muito cuidado, especialmente com essas, visto que muita música “gospel” causa prejuízo à vida espiritual e ensinam heresias de perdição. Esse tipo de música deve ser rejeitado em todo o seu conteúdo. Ao mesmo tempo, existem músicas de autores não cristãos que têm ritmos e mensagens extremamente profundas a respeito das grandezas das coisas criadas por Deus.

Sendo assim, vamos separar as coisas:

1 – Quando se trata do culto e do ministério, Deus não nos permite fazer o que bem entendemos, como usar instrumentos musicais, cantores celebridades e coisas parecidas. No Novo Testamento, quando se trata de culto e ministério, esse tipo de entretenimento não é permitido na congregação. Em outro capítulo, onde falamos sobre a Igreja e seu funcionamento, deixamos bem claro a forma estabelecida por Deus para ser adorado nas reuniões entre os santos.

2 – Fora do culto e das reuniões de ensino e disciplina da Palavra, podemos nos espelhar nos judeus como forma de glorificar a Deus por meio da alegria da música pura e sem mácula. Deus criou a música para Seu louvor e também para que o glorifiquemos nisso. Nas celebrações fora do culto, as quais vemos na Bíblia, sempre tinham músicas.

À parte da reunião dos crentes para adoração e ministério, bem como dos princípios que regulam o culto, a música pode servir para:

– Se acalmar (1 Samuel 16.23);
– Celebrar eventos importantes (Êxodo 15.20-21);
– Se ligar com o espiritual (2 Reis 3.15).

Finalmente, para lidarmos com essas decisões diárias sobre o que trazemos para dentro de nós e o que rejeitamos, fica a seguinte passagem: 

Julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (1 Tessalonicenses 5.21-22).

POR QUE OS INSTRUMENTOS MUSICAIS
NÃO SÃO PERMITIDOS NO CULTO A DEUS?


Os sacrifícios cristãos não são literais e exteriores como no Judaísmo, mas sim "sacrifícios espirituais" (1Pe 2.5; Hb 13.15; Jo 4.23; Fp 3.3). Já que o cristão adora "em espírito e em verdade", ele poderia sentar-se em uma cadeira sem se movimentar, e mesmo assim poderia ser produzido em seu espírito um verdadeiro louvor e adoração a Deus por meio do Espírito Santo que habita nele. Esta é a verdadeira adoração celestial. O cristão não necessita de uma orquestra ou de um coro para extrair adoração de seu coração, como era o caso de Israel no Judaísmo.

Adorar com o auxílio de instrumentos musicais é adorar da forma judaica. Misturar o conhecimento e a revelação inerentes ao Cristianismo com a ordem judaica de adoração (a qual é essencialmente o que a maioria das assim chamadas "igrejas" fazem) não é Cristianismo autêntico. No Céu não haverá necessidade de um auxílio mecânico e exterior à adoração a Deus, e os cristãos tampouco precisam deles agora, pois já estão adorando a Deus do modo celestial.

Por esta razão não encontramos no livro de Atos ou nas epístolas qualquer referência de cristãos adorando ao Senhor usando instrumentos musicais. E se alguém alega seguir a doutrina Sola Scriptura (latim – Somente a Escritura), este alguém deve entender que durante toda a dispensação da graça, a qual vivemos desde o período de Atos, como Igreja, não nos é ordenado que adoremos a Deus com instrumentos musicais. Isso não existe na doutrina dos apóstolos como doutrina nem como norma de culto. Não existe uma menção sequer nas epístolas do Novo Testamento de uma adoração cristã auxiliada por instrumentos musicais. Seria obra do acaso que os únicos dois instrumentos mencionados no Novo Testamento para adoração a Deus sejam o "coração" (Cl 3.16; Ef 5.19) e os "lábios" (Hb 13.15)? Seria obra do acaso que somente no Velho Testamento (dispensação da lei) e nos mil anos de reinado de Cristo sobre a terra (dispensação da plenitude dos tempos) é que os instrumentos musicais aparecem como norma para se cultuar a Deus? Por que a doutrina dos apóstolos (Atos e Epístolas) faz total silêncio quanto a instrumentos musicais inseridos na adoração cristã?

No Cristianismo, tudo o que encontramos é "cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Ef 5.19; Cl 3.16). Somos instruídos a oferecer "sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome" (Hb 13.15). Mesmo assim, a distinção entre a adoração cristã e o Judaísmo tem sido ignorada nas denominações religiosas espalhadas pelo mundo. Bandas e até grandes orquestras passaram a fazer parte integral dos "cultos de adoração" de nossos dias. Tal modelo de culto é chamado de "ministério de música", mas o objetivo parece ser mais voltado ao entretenimento da audiência do que ao – assim chamado – “ministério”. Porém, onde encontramos um “ministério de música” na doutrina dos apóstolos? A resposta é óbvia: Em nenhum lugar!

Não somente inexiste qualquer direção na Palavra de Deus para os cristãos adorarem dessa maneira, como a própria história mostra que a música instrumental não teve virtualmente qualquer parte no culto cristão durante os primeiros 1.400 anos! (Há uma total ausência de música instrumental na Igreja nos primeiros 700 anos, seguidos de uma ferrenha oposição a ela durante os próximos 700 anos). Foi somente nos últimos séculos que a música instrumental passou a ser aceita e usada na adoração e na atividade evangelística. A questão é: Se o chamado "ministério de música" é tão importante para a vida da assembleia, como a Igreja hoje a considera, por que o apóstolo Paulo não exortou as assembleias às quais escreveu a adotarem um "ministério de música" em suas reuniões? E por que não existe qualquer menção disso no Novo Testamento? Cremos que o uso de instrumentos musicais na adoração – além de muitas outras coisas inventadas pelo homem que acabaram sendo introduzidas nos cultos – é uma evidência do distanciamento que as Escrituras nos alertam que ocorreria com a Igreja. À medida que as coisas no testemunho cristão foram se afastando da ordem dada por Deus, a música instrumental foi pouco a pouco conquistando um lugar (porém não sem oposição), até acabar sendo aceita como normal para a adoração cristã. Ela pode ter sido até introduzida com boas intenções, mas, mesmo assim, não tem lugar na adoração cristã (não na Bíblia).

Não queremos com isso dizer que o cristão não possa tocar música instrumental em honra ao Senhor, mas apenas que ela não tem lugar na adoração cristã. J. N. Darby escreveu: "Se eu puder fazer um pobre pai enfermo dormir com música, tocarei a música mais bela que puder encontrar; mas ela irá estragar qualquer adoração ao introduzir o prazer dos sentidos naquilo que deveria ser fruto do poder do Espírito de Deus".

Podemos sim usar instrumentos musicais para tocar em uma banda de Rock, com letras com temáticas cristãs e que falem de Deus e de Sua glória, amor, justiça, juízo, entre outros de seus atributos. Nossa oposição aqui é contra instrumentos musicais durante as reuniões de culto a Deus. Isso é ir além do que a Escritura define como culto a Deus na dispensação da graça.

Para um entendimento mais profundo sobre por que os instrumentos musicais não são permitidos no culto a Deus, clique no artigo abaixo:

Na Igreja, instrumentos musicais não são permitidos no culto a Deus – JP Padilha
https://jppadilhabiblia.blogspot.com/2023/11/na-igreja-instrumentos-musicais-nao-sao.html

– JP Padilha
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A divisão correta dos dez mandamentos | JP Padilha


Em Êxodo 20 encontramos os dez mandamentos do Pentateuco: Os cinco primeiros estão relacionados à responsabilidade para com Deus e os cinco últimos para com o próximo. Todavia, muitos “estudiosos” costumam entender apenas os quatro primeiros mandamentos como se esses se referissem à responsabilidade do homem para com Deus, fazendo dos seis últimos um compêndio de leis relacionado à responsabilidade para com o próximo.

A nível de introdução, vamos resumir os Dez Mandamentos de Êxodo 20 para que tenhamos uma visão melhor:

1. Não ter outros deuses.
2. Não fazer ou adorar ídolos.
3. Não dizer o nome de Deus em vão.
4. Guardar o sétimo dia (essa lei é de cunho cerimonial e restrita aos judeus).
5. Honrar pai e mãe.
6. Não assassinar.
7. Não adulterar.
8. Não furtar.
9. Não mentir.
10. Não cobiçar*.

Nota*: No catecismo católico romano, o último mandamento foi dividido em dois: 9 - "não cobiçar a mulher do próximo" e 10 - "não cobiçar as coisas alheias". A intenção da seita é fazer com que a contagem dos mandamentos continue sendo “Dez” após a extração do segundo mandamento que fala de imagens. Essa versão foi aceita sem contestação durante os séculos em que o catolicismo romano proibia a leitura da Bíblia, impedindo as pessoas de irem conferir o que dizia o texto original das Escrituras.

A divisão correta dos dez mandamentos fica mais fácil de se entender se considerarmos que os cinco primeiros mandamentos são de responsabilidade vertical, enquanto os cinco últimos são de responsabilidade horizontal. Ou seja, os cinco primeiros correspondem à responsabilidade do homem para com quem está acima dele, o que se enquadra melhor ao verbo "honrar". Desta maneira você inclui toda uma cadeia de comando que chega até Deus. Já os cinco últimos mandamentos estão associados ao relacionamento com as pessoas, independente do grau de parentesco.

O quinto mandamento não nos fala exatamente de como devemos tratar as pessoas, mas está predominantemente ligado ao ato de reconhecer uma autoridade (alguém acima de nós, como é requerido nos quatro primeiros). Por esta razão que “honrar pai e mãe” não depende de quem seja o pai e a mãe ou de como eles se comportam.

Há quem alegue que este mandamento não deve ser obedecido quando se trata de pais que maltratam os filhos ou abusam dos mesmos. Porém, isso é um engano. Se aplicarmos o mesmo raciocínio ao lidar com os textos que falam das outras autoridades, a obediência e honra às potestades superiores ficará a nosso critério, fazendo com que essas autoridades estejam submissas ao juízo que fazemos delas. Todavia, a Bíblia é consistente quanto à subordinação às autoridades postas por Deus no mundo. Considere o que escreveu o apóstolo Paulo:

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação” (Romanos 13.1-2).

Quando nos lembramos do fato de que quem escreveu isso estava sob o domínio de Nero, conseguimos entender que obviamente o apóstolo da graça não estava falando que deveríamos estar sujeitos apenas às autoridades politicamente corretas. Foi exatamente assim no caso de Daniel e seus amigos quando debaixo da autoridade de Nabucodonosor. Foi também o caso de Davi, que mesmo sabendo que seria o rei sucessor de Saul não ousou feri-lo. Por que? Porque Davi o reconheceu como rei. Foi o caso do Senhor Jesus, que se sujeitou como ovelha muda nas mãos de seus algozes. Pôncio Pilatos disse a Jesus que tinha poder para soltá-lo se Ele dissesse qualquer coisa a seu favor. Mas, qual foi a resposta de Jesus a ele? “Nenhuma autoridade terias sobre mim se não tivesse sido dado do alto” (Jo 19.11). Jesus estava sendo claramente injustiçado por uma autoridade que podia livrá-lo com apenas uma defesa de Jesus. Mas a atitude de Jesus foi se submeter a essa autoridade e sofrer o dano da injustiça.

Existe apenas uma exceção que devemos ter em mente: A sujeição às autoridades não implica fazer aquilo que contraria a vontade de Deus em Seus preceitos. Quando qualquer lei contrária à Palavra de Deus é estabelecida pelos homens, temos o dever de desobedecê-la em prol da sujeição à autoridade máxima, que é Deus. Se uma autoridade tenta exigir que eu mate inocentes, como cristão eu devo me negar a fazê-lo, pois a honra e a sujeição a Deus estão acima da sujeição aos homens. É muito importante entender isso.

Portanto, devemos reconhecer que o quinto mandamento tem muito mais a ver com os quatro primeiros do que com os cinco últimos que condenam o pecado do assassinato, do adultério, do furto, da mentira e da cobiça. Esses cinco últimos não possuem qualquer relação com a obediência, honra ou sujeição à autoridades superiores, que é o que vemos nos primeiros cinco mandamentos. Por isso há mais sensatez em que os dez mandamentos de Êxodo 20 sejam divididos em 5 e 5, sendo os primeiros relacionados a Deus (fonte de toda autoridade) e os últimos relacionados ao próximo.

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–– JP Padilha / O Evangelho sem Disfarces
–– Fonte 1: Página 
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2 João 1.10-11 – Aparte-se dos falsos mestres | JP Padilha


A passagem de 2 João 1.10-11 é extremamente vigorosa a respeito do combate ao erro da heresia, e João deixou isso muito bem registrado por meio da revelação de nosso Senhor Jesus Cristo. Aqui ele adverte a um grupo de cristãos a não receber em suas casas qualquer um que não traz a sã doutrina, muito menos dar-lhes as boas-vindas, “porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo 1.10,11). E a história não deixa por menos. Um homem chamado Irineu, em sua conhecida obra “Contra as Heresias”, no livro III, escreve sobre um episódio interessante envolvendo o apóstolo João e um homem chamado Cerinto. Esse fato histórico é contado por Policarpo, conhecido como bispo de Esmirna e discípulo de João: “E há quem o tenham ouvido dizer que João, o discípulo do Senhor, indo banhar-se em Éfeso e tendo visto Cerinto nos banhos, saltou para fora das termas sem ter-se banhado e disse: ‘Fujamos, não ocorra que também as termas venham abaixo por estar dentro Cerinto, o inimigo da verdade’".

Assim, podemos constatar o zelo que João nutria pela verdade, o qual legou para os cristãos subsequentes a munição necessária para que os falsos ensinos religiosos fossem combatidos.

Não há muito o que dizer sobre a ordem estabelecida em 1 João 1.10,11, pois a linguagem de João é objetiva e direta, deixando claro que aqueles que exercem o papel de ensino e pregam um falso evangelho devem ser radicalmente rejeitados como hereges. Em segundo lugar, o apóstolo aqui define uma aplicação prática de como defender a verdade com ousadia e intrepidez: “Se alguém chega até vocês e não traz o verdadeiro ensino do evangelho, não o recebam em casa nem o saúdem”. Essa seria uma tradução mais direta ao ponto.

A proibição nesta passagem não se trata de se afastar dos ignorantes acerca do evangelho. O ensino desses dois versículos não se aplica aos incrédulos que possam querer visitá-lo em seu lar, nem mesmo àqueles que pertencem a uma seita ou religião falsa, mas que são pessoas comuns e que ainda estão te conhecendo ou estão em período de aprendizagem. O ensino da passagem em questão é que você não deve acolher em sua casa os falsos mestres que alegam pregar o evangelho de Jesus Cristo; porém, eles pregam um outro evangelho, e não o verdadeiro (cf. Gálatas 1.6-10). Geralmente esses falsos mestres possuem títulos religiosos, tais como “Pastor Fulano”, “Reverendo Cicrano”, “Doutor Disso” ou “Mestre Daquilo“, mas o genuíno cristão saberá identificar esses falsos mestres de qualquer forma, pois, de um modo ou de outro, esses homens se apresentarão como “ensinadores” ou “professores” que se dizem “teólogos”. Provavelmente você deve ter se lembrado da seita “Testemunhas de Jeová”, muito conhecida por rondar as casas de homens e mulheres que desconhecem a Bíblia a fim de induzi-los a seguir seus padrões doutrinários encharcados de heresia e doutrinas de demônios. Aqueles livretos são muito comuns para facilitar o engano sobre os mais incautos, pois neles contém um compêndio de regras preestabelecidas que afastam as pessoas do que a Bíblia realmente diz. Sendo assim, a ordem é que não prestemos nenhum tipo de assistência a esses falsos mestres que desejam entrar em nossa casa com a finalidade de nos ensinar uma doutrina falsa e emprestar a sua credibilidade.

Certamente que a mulher para quem João escreveu estava, por qualquer motivo e em nome da “comunhão cristã”, recebendo falsos mestres em sua casa. Naquele caso os falsos mestres procuravam justamente pessoas compassivas e bem-intencionadas como essa mulher, descrita na carta. Em 2 Timóteo 3.6 lemos sobre o assunto: “Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências”.

Sem anciãos ou outros homens cuidadores na Igreja para estarem atentos a esses perigos, as mulheres eram mais suscetíveis ao engano naquela época. Tendo se estabelecido em casas, os falsos mestres esperavam, eventualmente, "rastejar" para dentro da Igreja. O mesmo acontece hoje. O falso ensino insidiosamente invade casas cristãs através da televisão, rádio, internet e literatura. E isso sem mencionar que a mulher continua sendo mais suscetível ao engano (1Tm 2.11-14).

Os emissários de Satanás são ameaçadores e não perdem tempo em seu serviço. A ordem de Cristo por meio de João consiste até mesmo em não saudá-los, pois aquele que os saúda tem participação em suas obras más. Mais uma vez o historiador Irineu nos apresenta outro caso em seu livro “Contra as Heresias”, que é sobre um servo de Deus que se negou a cumprimentar um herege muito conhecido em sua época. Irineu registrou que Policarpo, chamado “pai da igreja” no século II, quando de frente para o notório herege Márcio, reagiu da forma que todo cristão deveria, em algum nível, reagir. Policarpo, ao ser perguntado pelo notório herético Márcio: "Você me conhece?", respondeu: "Eu conheço você – o primogênito de Satanás" (“Contra as Heresias”, 3.3.4).

Portanto, a passagem de 2 João 1.10-11 não está limitada somente aos hereges viajantes daquela época, como querem afirmar os ecumenistas dos nossos dias. Essa passagem não está limitada ao tempo em que a mensagem fora escrita, nem reduzida a admoestar os crentes a rejeitarem somente gnósticos ou pessoas que negam a humanidade e divindade de Cristo, mas aponta para um princípio normativo para a Igreja em toda a sua era. Assim, a Igreja não deve se submeter ao proselitismo com falsos mestres que deturpam o evangelho da graça em algum nível ou aspecto.

Relativistas teológicos têm argumentado que a fala de João em 2 João 1.10-11 está restrita somente ao grupo gnóstico ao qual ele se refere naquela ocasião, o que entraria em total desacordo com a Doutrina da Separação bíblica expressa de forma ainda mais severa em outros textos da Escritura, tais como 2 Coríntios 6.14-18 e Gálatas 1.6-10. O princípio da hermenêutica irrefutável exige que a passagem de 2 João 1.10-11 seja, de fato, uma ordem de separação bíblica à Igreja de Deus, que implica não somente aos hereges gnósticos daqueles tempos, como também a qualquer grupo ou líder que tente persuadir a Igreja com qualquer doutrina que se oponha ao verdadeiro evangelho, o qual não é outro. Qualquer ponto do evangelho que é distorcido, minimizado ou acrescentado faz da sã doutrina “outro evangelho”, não tendo nenhuma relação com o verdadeiro e único evangelho (cf. Gl 1.6-10).

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